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Parque Capibaribe – Reconectando Territórios

Artigo de Amanda Florêncio de Macêdo, Ana Raquel Meneses, Circe Monteiro, Sabrina Machry

ANO
2015

RESUMO
A integração entre pessoas e espaço público pelo Capibaribe – principal rio do Recife, Nordeste do Brasil – costumava ocorrer de forma bastante natural. O rio fornecia meios de transporte e de subsistência e foi, portanto, altamente valorizado pela sociedade, que viu suas margens como uma área privilegiada para viver e descansar. As mudanças na tecnologia, na cultura local e na percepção dos cidadãos sobre o espaço público transformaram o espaço físico do Recife, degradando-o ao longo do tempo e diminuindo seu uso. Com a expansão de acesso a informações, uma parte crescente da população começou a se relacionar através de redes virtuais, influenciando a forma como as pessoas interagem, especialmente nas cidades maiores. Ao aceitar que a rede virtual já faz parte da dinâmica social e urbana, o Parque Capibaribe se posiciona como uma rede física que visa melhorar o espaço público e integrar territórios urbanos da cidade, mudando a forma como o espaço público é vivido e como os vizinhos interagem. Como um projeto do século XXI, no qual os mundos tecnológico e virtual são intrínsecos à cultura e cidadania, o Parque Capibaribe – um projeto transdisciplinar desenhado pelo grupo de pesquisa INCITI, da UFPE, e encomendado pela Prefeitura do Recife – visa atrair usuários e mudar comportamentos através de uma reinvenção da cidade, fundamentada na expansão do potencial e das qualidades do espaço público e das áreas abertas existentes, priorizando conexões a serviços, equipamentos, transportes públicos e deslocamento não-motorizado através de uma rede de estruturação urbana vitalizante.

PALAVRAS-CHAVE: Parque Capibaribe, Vitalidade Urbana, Espaço Público, Intervenção Urbana, Mídia Digital

Leia o artigo completo (em inglês), das páginas 761 a 782.

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Reestruturação do tecido urbano da cidade do Recife por meio da articulação dos espaços públicos

Artigo de Luiz Carvalho Filho, Werther Ferraz de Sá, Carolina Puttini e Circe Monteiro

ANO
2015

RESUMO
Este artigo descreve a metodologia de pesquisa e as intervenções propostas para o desenvolvimento de um parque linear de 30 km ao longo do principal rio da cidade do Recife, em Pernambuco, no Brasil. Este projeto foi encomendado pela Prefeitura do Recife à Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e foi desenvolvido nos últimos dois anos por uma equipe multidisciplinar coordenada pelo INCITI, um grupo focado em pesquisa e inovação para a cidade.

O objetivo do projeto é fornecer um plano estratégico que aborda questões ambientais, espaciais e sociais. No entanto, o projeto extrapola os limites imediatos que estão sob a influência do sistema fluvial, dado que essa mudança na configuração sócio-espacial da cidade é percebida como uma base ou estrutura inicial que irá impulsionar a transformação da cidade.

Portanto, o parque proposto procura elementos que possam promover a reinvenção da cidade, fundamentado principalmente na expansão do potencial e das qualidades dos espaços públicos existentes, das áreas vagas ou subutilizadas ao longo dos cursos de água, com o objetivo de intensificar o uso desses espaços para as pessoas e melhorar sua conexão com a cidade. A maioria das estratégias propostas no projeto baseia-se na estruturação de lugares vitais e sustentáveis ​​e na priorização de modos de transporte públicos não-motorizados.

Um dos principais desafios nesta pesquisa é como reconectar os cidadãos e o rio. Recife é uma cidade com quase 500 anos, na qual a relação entre cidade e rio mudou drasticamente ao longo do tempo. Nos primeiros anos e até certo ponto durante a expansão da cidade, o rio era uma das principais estruturas de transporte e conexão entre os assentamentos iniciais que formaram a cidade. O advento do carro e outros modos de transporte, em paralelo à expansão da cidade para áreas não diretamente relacionadas ao rio, reverte a relação anterior entre cidade-rio.

Espaços ao longo da água não estão mais no centro, mas na periferia da cidade. Essa inversão do papel dos espaços ao longo do rio é evidente na análise do mapa axial do Recife. A estrutura do rio representa uma lacuna na continuidade do tecido da cidade. Essa divisão é ainda mais relevante ao combinar a análise sintática com dados sobre renda, acesso a serviços públicos e espaços públicos. Na configuração atual, o rio separa os grupos sociais, é uma barreira à circulação fluída na cidade, um vazio no tecido urbano. O projeto Parque Capibaribe visa superar esse vazio na estrutura da cidade usando uma rede de espaços públicos, conectada principalmente por caminhos para ciclistas e pedestres.

O principal resultado esperado deste projeto, além de tudo relacionado à melhoria das

condições ambientais, é usar a estrutura espacial de um parque como um alicerce que pode reescalar uma cidade dividida.

PALAVRAS-CHAVE
Espaços públicos, segregação espacial, mobilidade não motorizada, vitalidade urbana.

Leia o artigo completo (em inglês).

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Como conciliar planejamento e projeto urbanos em áreas de preservação permanente

Artigo de Simone Silva, Vivian Loges, Alexandre Campello, Circe Monteiro, Anna Karina Alencar, Rafaella Cavalcanti e Sabrina Machry.

ANO
2014

RESUMO
Este trabalho apresenta a experiência do projeto “Parque Capibaribe”, um projeto transdisciplinar que busca soluções inovadoras e sustentáveis no tratamento das margens do rio Capibaribe, na cidade do Recife-PE. Por meio deste, se pretende expor o processo de desenvolvimento do projeto, desde o contexto do qual ele emerge à problemática que o acompanha. A metodologia adotada estruturou uma rede de conhecimento capaz de responder à complexidade urbana ambiental desenvolvendo três importantes processos: analítico, de convergência e conceitual. O primeiro processo reuniu diversas áreas do conhecimento, com visão integrada dos vários saberes, contemplando os âmbitos ambiental, urbanístico e socioeconômico, com vista a compreender os múltiplos fatores que interferem na relação entre cidade e rio. Depois, procurou-se convergir esses conhecimentos com os saberes da população local e de especialistas estrangeiros, visando identificar os aspectos essenciais e suas relações estruturais, de forma a ressaltar os valores e significados que a população tem com o espaço e a natureza. Por fim, se avaliou o grau de fragilidade ambiental e de visibilidade do rio Capibaribe, propondo diretrizes que visam resgatar e proteger os espaços da margem do rio, no sentido de promover a interação entre a população com os sistemas naturais no meio urbano.

PALAVRAS-CHAVE: Rio Capibaribe, Projeto Parque Capibaribe, projeto transdisciplinar, rio urbano, Perfis Naturais, corredor ecológico, fragilidades ambientais.

Leia o artigo na íntegra.

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Como resgatar a relação da cidade com os ambientes naturais: Projeto Parque Capibaribe

Artigo de Rafaella dos Santos Cavalcanti, Leonardo César de Oliveira Melo e Circe Maria Gama Monteiro

ANO
2015

RESUMO
Projetar cidade hoje, requer, como prerrogativas, o uso de conceitos sustentáveis na estruturação do espaço urbano, a fim de que ele seja socialmente inclusivo, ambientalmente equilibrado e economicamente viável. Todos esses aspectos devem traduzir-se em ações urgentes face ao cenário ambiental difícil, dado às alterações climáticas. A cidade do Recife – NE do Brasil, nasceu e se desenvolveu em meio as águas. Com o passar do tempo a paisagem do Rio Capibaribe sofreu modificações resultantes do distanciamento das pessoas com o rio e seus sistemas naturais associados. O Projeto Parque Capibaribe, se utilizando de uma prática transdisciplinar, tem como objetivo conceber um plano de resgate ambiental e de articulação urbanística do território do Rio Capibaribe. Para isso, foi montada uma equipe de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Estudos de estrutura da paisagem, diagnóstico de vegetação e de fauna, foram realizados. Do mesmo modo em que estudos de fragilidade e de visibilidade. Como resultado, constatou-se que apesar de todas as intervenções antrópicas sofridas ao longo do tempo, o Rio Capibaribe mostra-se biologicamente vivo e diversamente bem representado em termos faunísticos. A flora, embora miscigênica, desempenha importante papel na manutenção da fauna residente e, quando das análises de fragilidade vegetal e visibilidade, estas mostraram-se como ferramentas robustas e fundamentais para as etapas de concepção projetual, sendo capazes de guiar todo um importante conjunto de proposições que, quando colocadas em prática, promoverão o resgate das relações do homem com rio e reestabelecimento, ao menos parcial das condições ambientais.

PALAVRAS-CHAVE: Ambientes naturais. Projeto Urbano. Parque Capibaribe

Leia o artigo completo.

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Parques urbanos são tema de estudo

Os resultados ajudarão a planejar espaços públicos com qualidade e maior satisfação dos frequentadores

Saber a opinião dos usuários de parques urbanos do Recife, principalmente quanto à gestão, é a motivação da pesquisa de Raquel Meneses, mestranda do Programa em Desenvolvimento Urbano (MDU) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do INCITI/UFPE.

A pesquisa está sendo realizada através de um questionário disponível em http://bit.ly/parquesrecife, e tem como objetivo conhecer melhor as pessoas que frequentam os seguintes parques: Santana, Jaqueira e 13 de Maio, além da Praça do Derby, todos localizados na cidade do Recife. As respostas serão tratadas confidencialmente.

O estudo também servirá de base para os projetos do Parque Capibaribe, contribuindo com as diretrizes do Plano de Gestão do mesmo. O formulário estará aberto para coletar respostas até às 23h59 do dia 10 de dezembro de 2017.

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Se o caso é caminhar

Por Nathália Machado*

Sábado, dia 30 de setembro, último dia do mês, saí de bicicleta. Era minha primeira viagem sozinha e um medo colado em mim insistia em plantar várias situações trágicas na minha imaginação realista fantástica. “E se eu cair?”, “e se baterem em mim?”, “e se levarem minha bike?”.

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Parque Capibaribe é apresentado aos alunos do IFSPE – Salgueiro

Estudantes do curso Técnico em Edificações participaram de visita técnica na sede do INCITI/UFPE

O INCITI recebeu no dia 13 de setembro cerca de 30 alunos do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano, IFSPE – Salgueiro. O encontro foi solicitado pela professora do curso Técnico em Edificações, Yanne Andrade, com o objetivo de apresentar aos estudantes o projeto Parque Capibaribe, resultado de convênio entre o INCITI, grupo de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente.

O Coordenador de Engenharia do INCITI/UFPE, Djair Falcão, foi o pesquisador responsável por receber os estudantes do sertão. O engenheiro sócio-ambiental apresentou as diretrizes do projeto e suas etapas, além de todo o trabalho que está sendo desenvolvido pelo grupo.

A importância da visita técnica para a formação dos estudantes foi ressaltada pela professora Yanne Andrade. Confira um trecho do relato da docente:

A experiência foi fantástica e muito enriquecedora! Com certeza é uma visita que tentaremos fazer com as outras turmas no próximo ano. Nossos alunos gostaram bastante e retornaram com uma visão diferenciada do espaço urbano, da construção da cidade e do seu papel de cidadão. Também estão ansiosos para ver o Projeto Parque Capibaribe 100% implementado, esperando a transformação do Recife.

Graças às contribuições e comentários feitos por você, já temos alguns alunos voluntários para criação de um grupo de estudos sobre a viabilidade de implantação da Ciclovia do centro até o campus do Instituto, aqui em Salgueiro. E também de outros estudos sobre a cidade, todos querendo trabalhar por uma cidade melhor: 1ª missão cumprida com sucesso! Gostaria de agradecer imensamente por compartilhar todo o conhecimento com nosso grupo.

Confira as fotos do encontro: http://bit.ly/2jNUio0.

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Vamos a pé para o 11º Café na Calçada?

No próximo domingo (17), o INCITI participará do 11º Café na Calçada para conversar com  os moradores das Graças que queiram tirar dúvidas sobre a implementação do projeto Parque Capibaribe. O encontro serve para aproximar e engajar os cidadãos sobre as diversas ações que envolvem o bairro e a novidade na edição deste mês será a realização do Bonde a pé para o Café.

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Encontro nacional de cicloativistas celebra a cultura da bicicleta no Recife

O Bicicultura, maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo, acontece no Recife a partir desta quinta-feira, 7 de setembro, e segue com atividades até o domingo, dia 10. Organizado pela sociedade civil e com apoio de instituições parceiras, o evento promoverá atividades esportivas, palestras, oficinas e rodas de conversas, além de atividades para crianças. O encontro acontece todos os anos e tem como principal objetivo incentivar e impulsionar a cultura da bicicleta como meio de mobilidade.

Durante os quatro dias, ações serão realizadas em diferentes lugares da capital pernambucana, como o INCITI/UFPE, Teatro Apolo, Paço Alfândega, Paço do Frevo, Parque Santana, entre outros, que estarão ocupados com uma programação diversa e intensa, promovendo a cultura da bicicleta em todas as suas vertentes: social, cultural, política, econômica e ambiental.

A programação tem representantes de todas as regiões do país, e busca criar um espaço de convívio e compartilhamento de conhecimento entre os ciclistas e toda a população interessada, através dos diversos setores da sociedade, discutindo a democratização urbana, sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida que a bicicleta proporciona.

Parque Capibaribe – Como parte da programação do Bicicultura, o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, promoverá a oficina “Incitando a mobilidade ativa: a importância do fortalecimento das redes para cidades cicláveis”. A atividade, que acontecerá no domingo (10), das 10h às 12h, no Parque Santana, na Zona Norte do Recife, irá apresentar as atuais diretrizes de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas desenvolvidas para o Parque Capibaribe, projeto realizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, que prevê um sistema de parques integrados ao longo dos 30 km do rio Capibaribe na cidade do Recife. A iniciativa irá conectar espaços e efetivar uma forma mais fácil e segura de se deslocar pela cidade, para pedestres e ciclistas.

As rotas estão sendo contabilizadas como uma estratégia dentro do Plano de Baixo Carbono e visam contribuir para criar novos percursos e conexões na cidade. No encontro, também serão apresentados os trechos de projeto que já foram desenvolvidos e os próximos módulos propostos, a fim de abrir um canal de diálogo e fomentar a cooperação das redes de articulação para a mobilidade.

Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade. Algumas demandam inscrição prévia e estão sujeitas ao limite de vagas. Para mais informações, acesse: http://bicicultura.org.br.

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Perspectivas, possibilidades e desafios de andar a pé

Por Rodrigo Édipo, Maíra Brandão e Fernando Castro

Apesar de vivermos em cidades que privilegiam os veículos motorizados em detrimento dos pedestres, o ato de caminhar resiste. Segundo dados do Sistema de Informações da Mobilidade Urbana, produzido em 2014, pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), 36% das pessoas andam a pé. Quando somados a este número os deslocamentos diários em transportes coletivos, esse indicador passa para 65%, já que essas pessoas têm que andar de suas casas até a parada de ônibus e do trabalho de volta para o ponto.

Com o objetivo de provocar reflexões sobre a caminhabilidade no âmbito do projeto Parque Capibaribe (PCR/INCITI), realizamos, de 07 a 14 de agosto de 2017, em três bairros do Recife, a série de ativações Percursos Sensitivos. A iniciativa integrou a programação nacional da Semana do Caminhar 2017, organizada pelo SampaPé! (SP), e contou com os parceiros locais Coletivo Massapê, Meu RecifeFab Lab Recife.

Coletando percepções. Foto: INCITI/UFPE.

Ativação com crianças: Caminhada Sensitiva | Local: Vila de Santa Luzia

Qual o lugar da criança nas decisões sobre as cidades? Segundo a organização Child Friendly City (CFC), as crianças devem influenciar nas decisões acerca do lugar onde vivem. Com isso em mente, o INCITI/UFPE e o Coletivo Massapê realizaram, nos dias 07 e 14 de agosto de 2017, na Escola Estadual Creusa Barreto Dornelas Câmara, a ativação Caminhada Sensitiva. Foram convidadas por volta de 30 crianças para compartilhar a experiência.

Melina Motta do Coletivo Massapê. Foto: INCITI/UFPE.

No primeiro dia (07), as crianças participaram de uma dinâmica em que algumas perguntas relacionadas ao caminho das mesmas até a escola eram apresentadas. Os pequenos retiravam de uma urna as provocações, liam em voz alta e as colavam em um mural. Logo após, com todas as questões dispostas no quadro, foi a hora de montar um mapa mental do percurso dos jovens por meio de desenhos. “As crianças conseguiram trazer muitos elementos dos trajetos, sempre tinham alguma história pra contar, uma vivência muito diferente da nossa de adulto, arquiteto e urbanista”, relatou Melina Motta, integrante do Coletivo Massapê. A partir dos relatos e para encerrar a dinâmica do dia, foi criado um mapa-mural coletivo com as informações coletadas.

Mapa mental. Foto: INCITI/UFPE

Para o pesquisador espanhol Jorge Larrosa Bondía, “o papel da educação é subverter regras, os procedimentos e as maneiras de fazer”. E o segundo dia de atividades (14) com as alunas e os alunos da escola caminhou nesta direção. Convidar as crianças a percorrer as ruas do bairro e abrir possibilidades de aprendizagem a partir da interação com o território é uma experiência ímpar. Os mapas criados no primeiro dia serviram de base para a caminhada sensitiva, que reuniu cerca de 30 crianças subdivididas em três grupos.

Hora de bater perna. Foto: INCITI/UFPE

As impressões de Nathália Machado, pesquisadora do INCITI/UFPE, ficaram marcadas pela surpresa: “Andar com as crianças me fez perceber quantas coisas influenciam na nossa percepção sobre a rua. Enquanto a gente observava arborização, calçadas e dimensões de ruas, eles nos mostravam a venda, a casa da vó, a rua que vai pra escola. Essa percepção só é possível quando se é dono do lugar”.

Para Anne Rose, professora da Escola Creusa Barreto Dornelas Câmara, o desafio diário é fazer com que a comunidade seja parte do processo de aprendizado das crianças. “Essa atividade é maravilhosa, pois é muito importante o aluno reconhecer o local onde vive como seu. A Vila de Santa Luzia foi construída a partir de vários bairros, então alguns alunos não se sentem pertencentes ao local”, pontuou.

No Baobá visitantes e frequentadores trocaram experiências. Foto: INCITI/UFPE

Debate: Bem Viver e Direito à cidade | Local: Jardim do Baobá

A primeira roda de conversa, de uma série de três, realizada na Semana do Caminhar no Recife, lançou um olhar para a necessidade de transformarmos a cidade a partir de nós mesmos. O encontro aconteceu na última quarta-feira (11), no Jardim do Baobá, e mobilizou jovens e adultos interessados em trocar experiências a partir da ótica de quem costuma bater perna pela cidade. Em paralelo, no mesmo local, aconteceram atividades com crianças com o objetivo de também trazer o olhar infantil para o tema.

Convidado pela equipe do INCITI/UFPE, o professor e ativista do coletivo A Cidade Somos Nós, Leonardo Cisneiros, apresentou como os conceitos de Direito à Cidade e Bem Viver estão refletidos no nosso cotidiano. “Uma cidade sem direitos tem um problema de democracia, pois é um modelo individualista e não sustentável. A ideia do Bem Viver é comunitarista e preserva o meio ambiente, como por exemplo as iniciativas de agroecologia familiar”, exemplificou.

Sustentabilidade, segurança e gênero foram temas da conversa. Foto: INCITI/UFPE

O ato de caminhar é uma maneira de exercermos de forma autônoma a busca pelos nossos direitos. Morador do bairro da Boa Vista, o arquiteto Alexandre Ramos, encontra facilidades. “No centro tudo é perto, boa parte do meu percurso posso fazer a pé, mas muita gente não faz, e assim não usa a cidade”, relatou. Segundo Alexandre, enquanto não construirmos o pertencimento da cidade, várias motivos serão levantados contra o ato de caminhar. “Fiz uma postagem nas redes sociais sobre o meu trajeto diário e muita gente argumentou que não anda a pé por medo, calor ou pelas calçadas ruins”, afirmou.

A segurança pública é um tema que impacta as mulheres. Segundo Letícia Lins, 66 anos, a violência não está necessariamente vinculada ao ato de andar a pé. “Eu, de carro, já fui assaltada cinco vezes. A pé, apenas uma vez. Aí me pergunto: qual o mais perigoso?”, provocou. Já a arquiteta Adryana Rosendo tem um histórico diferente: “Chego a me sentir mais segura andando dentro das comunidades, pois fora delas já fui assaltada nove vezes caminhando”. Para encerrar as atividades do dia, houve uma dinâmica de coleta de desejos para uma cidade mais caminhável, que irão subsidiar as pesquisas do projeto Parque Capibaribe.

Mulheres e homens pautam a questão de gênero. Foto: INCITI/UFPE

Debate: Gênero e empoderamento | Local: Graças

Trazendo um recorte de gênero, a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte público revela que 54% das pessoas que se deslocam a pé e de ônibus são mulheres. Por isso, um dos debates da Semana do Caminhar no Recife teve o olhar direcionado para as questões sobre gênero e empoderamento feminino na cidade. O encontro, que ocorreu na última quinta-feira (10), à beira do rio, no bairro das Graças, reuniu homens e mulheres trocando experiências sobre os riscos e vantagens de andar a pé, afirmando as transformações que o feminismo tem possibilitado no dia a dia, e compartilhando possíveis soluções para lidar com questões como segurança e infra estrutura, grandes influenciadoras na vida de quem opta por (ou não tem opção, a não ser) andar a pé.

Moradora da Caxangá, a estudante de jornalismo Daniela Marreira, que faz seus percursos a pé e de ônibus, contou que não sai de casa após às 18h, por já ter sido perseguida em pelo menos três ocasiões. Mas conta que os aprendizados com o feminismo têm lhe ajudado a se posicionar frente à uma série de dificuldades. “A consciência de ser mulher mudou completamente a forma de entender o meu corpo e como eu lido com a cidade”, disse.

Já o aspirante a arquiteto, Pedro Rosas relatou que, após uma série de relatos sobre assaltos e estupros próximo da faculdade onde estuda, no Derby, a coletividade e solidariedade dos afetados resultou na criação de grupos de Whatsapp para combinar a travessia da ponte que leva ao ponto de ônibus mais próximo. Para a moradora das Graças, Maria de Lourdes, a má conservação das calçadas são um grande obstáculo: “Eu tenho 63 anos, é mais difícil. De vez em quando eu caio. É complicado andar numa cidade cheia de buracos. Andar a pé não é só questão de consciência, mas de possibilidade”.

Maria de Lourdes alerta sobre as calçadas. Foto: INCITI/UFPE

Uma das convidadas para o debate, a mestre em desenvolvimento urbano, Lúcia Siqueira, falou sobre tornar as cidades seguras para as mulheres  e provocou o público a acompanhar a revisão do plano Diretor do Recife. “Muitas vezes quem está no papel de tomar a decisão não entende a necessidade de quem vive na cidade”, disse. Para encerrar a roda, Circe Monteiro, coordenadora do INCITI/UFPE, fez uma dinâmica para que os presentes escrevessem em um papel “para quem deveríamos estar falando?”. As respostas variaram, mas Daniela resumiu bem: “Para as mulheres, para empoderar; para os homens, para conscientizar; e para os tomadores de decisão, para transformar”.

Econúcleo Jaqueira recebeu a roda de conversa. Foto: INCITI/UFPE

Debate: Mobilidade Ativa | Local: Jaqueira

Barata, saudável e prática. A Mobilidade Ativa, forma de deslocamento para transporte de pessoas que utiliza unicamente a força do corpo para a locomoção, foi assunto da quarta atividade da Semana do Caminhar, que abordou as principais dificuldades enfrentadas pelos pedestres e ciclistas na cidade do Recife. O debate ocorreu na última sexta-feira (11), no Econúcleo do Parque da Jaqueira e apresentou depoimentos sobre os diferentes modos da população se locomover e interagir pela cidade.

A roda de conversa teve início com a fala de Djair Falcão, engenheiro sócio-ambiental do INCITI/UFPE, que apresentou o conceito e destacou as vantagens da mobilidade ativa. O bem estar físico e mental, além de um deslocamento mais prático, foram os motivos apresentados pelo pesquisador. No Recife, os desafios para a a implementação deste tipo de modal, são evidenciados nas condições precárias de segurança que a cidade enfrenta. Tal argumento foi defendido por participantes do debate.

Djair Falcão é ativista da mobilidade ativa. Foto: INCITI/UFPE

Em contrapartida, a convidada Nadja Granja, arquiteta e secretária de Mobilidade e Controle Urbano da Prefeitura do Recife, destacou a importância do envolvimento dos cidadãos. ‘’A gente precisa novamente se apropriar da cidade. Uma rua com mais pessoas circulando é uma rua menos deserta e mais segura, a população tem que trabalhar em conjunto com o governo’’, ressaltou.

A arquiteta ainda defendeu a conservação das calçadas como um dos pontos cruciais. ‘’Precisamos entender a calçada como rota e não apenas como um meio de passagem, devemos enxergá-la como um modal de transporte e, para isso, é de fundamental importância uma campanha educativa para os cidadãos entenderem a necessidade de priorizá-la’’, afirmou Nadja. Para encerrar a roda de conversa, foi realizada uma dinâmica na qual os participantes escreveram suas reivindicações direcionadas ao governo e toda a população em geral, defendendo uma cidade mais amigável para os pedestres e ciclistas.