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Parque Capibaribe como um norte para o Plano Diretor do Recife

Lenne Ferreira

O Rio Capibaribe como um norte para uma cidade mais conectada com a paisagem natural é um dos pontos defendidos pela INCITI/UFPE como estratégico para a revisão do Plano Diretor do Recife. A atualização do instrumento, que está em fase de análise na Câmara de Vereadores do Recife, orienta, entre outros aspectos, a ocupação do solo urbano levando em consideração o interesse coletivo e social. Para tornar o processo mais democrático, a equipe da INCITI ouviu vários setores da sociedade, que legitimaram as propostas por meio de um abaixo-assinado com a participação de pesquisadores, instituições e cidadãos recifenses que contribuíram direta ou indiretamente com a consolidação do Parque Capibaribe como um projeto de cidade para o Recife.

As sugestões de emendas ao projeto de lei Nº 28/2018 que prevê a revisão do Plano Diretor do Recife já foram protocoladas na Câmara de Vereadores e sintetizam as diretrizes do projeto Parque Capibaribe. A cada década, conforme instituído pelo Estatuto da Cidade, o Plano deve ser atualizado para melhor atender questões como a conservação do ambiente natural, traços da história, identidade locais, além da ocupação e usos do solo urbano. Por isso, pesquisadores, instituições e sociedade civil como um todo podem e devem participar desse processo, que tem impacto direto na vida de todos e todas.

Sob análise na Câmara, as propostas versam sobre a preservação e fortalecimento do corredor ecológico do Rio Capibaribe. De acordo com o documento protocolado e assinado pela INCITI/UFPE, “as pesquisas provenientes do projeto Parque Capibaribe permitiram que fosse construída uma visão integrada sobre a relevância do rio para a cidade e os impactos da cidade no rio, diante de processos históricos de valorização e desvalorização de suas margens buscando resgatar a importância deste curso d’água para o Recife e, em nome de valores ecológicos, ambientais, paisagísticos, históricos, culturais, sociais e de uso”. O documento é um registro da contribuição dos estudos desenvolvidos a partir da implementação do projeto Parque Capibaribe, que tem como foco a qualidade de vida e conservação do meio ambiente.

Coordenadora de projetos da INCITI, Raquel Meneses defende um Plano Diretor que priorize e torne mais acessíveis as áreas verdes (Foto: Acervo INCITI/UFPE)

“O Parque do Capibaribe tem o objetivo de traçar um projeto de recuperação ambiental que é baseado na transformação dos hábitos da sociedade e melhoria da qualidade de vida. Por isso, identificamos como necessário tratar, principalmente, da questão ambiental e da forma como as construções interferem na paisagem natural. Os eixos que tomamos como base foram natureza e paisagem. A partir destes dois pontos, começamos a pensar no ambiente construído. Por exemplo, tratar do ambiente natural do corredor ecológico do rio faz com que a gente pense diretamente nas edificações do seu entorno”, explica a Coordenadora Executiva de Projetos do Parque Capibaribe, Raquel Meneses.

A arquiteta e urbanista exemplifica. “Se tiver um prédio muito alto na beira do rio isso vai gerar sombra sobre o rio e a vegetação de borda, o que influencia tanto na qualidade da água como na qualidade do habitat das plantas e animais. Prédios muito altos vão fazer sombra e o meio ambiente não vai se desenvolver da maneira que deveria. Muita construção à beira do rio gera sobrecarga de tráfego, automóvel, emissão de gases poluentes,  resíduos de combustível, além do barulho, que afetam a qualidade do ambiente natural, podendo inclusive contaminar a água do rio. Nós propomos que a cidade seja construída de forma a não prejudicar o ambiente natural nem a paisagem do rio”. 

O Plano Diretor é atualizado a cada 10 anos

A necessidade de espaços verdes e de lazer que atendam a população e que se conectem entre si foi outra preocupação da INCITI/UFPE na hora de pensar nas propostas de emendas. Raquel observa que os espaços verdes ainda são escassos. “Temos muita área verde privada ou na borda da cidade. Entendemos que as pessoas precisam de espaços verdes e de lazer de fácil acesso. Além disso, as praças e parques não são distribuídos de maneira equitativa. Tem região político administrativa que não tem nenhum parque”, pontua. 

As discussões que desaguaram nas propostas para a revisão começaram em 2018 por meio de oficinas e reuniões públicas, que a INCITI também fomentou. Foi estabelecida uma comissão especial para avaliar o Plano Diretor. A Câmara de Vereadores convidou pessoas da sociedade civil e entidades para participar. A INCITI foi uma das instituições convocadas. Contudo, para Raquel Meneses, o processo não termina com a formulação, análise e aprovação da revisão. Vai muito além e precisa contar com o acompanhamento da população.

“As pessoas precisam participar do processo de construção. Depois que a lei for implementada, só daqui a 10 anos. O Plano Diretor está em tramitação na Câmara e tudo pode ser acompanhado pelo site. Ainda há espaço para as pessoas se inteirarem do projeto, conversarem e cobrarem de seus vereadores um posicionamento de acordo com os interesses de cada grupo. Que as pessoas participem das atividades, opinem e entendam o que está sendo proposto”, recomenda Raquel.

Após a aprovação, a fiscalização da aplicação do Plano fica a cargo de diversas secretarias a exemplo da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

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Parque Capibaribe recebe reforço do Banco Europeu de Investimentos

 Lenne Ferreira

Em um futuro que já vem sendo construído pelo projeto Parque Capibaribe, a população recifense e as águas do rio vão estar mais conectadas. O projeto, que começou a ser implantado em 2017 com a inauguração do Jardim do Baobá, desenvolve um sistema de parques integrados a partir do Rio Capibaribe e acaba de conquistar reconhecimento internacional numa seleção mundial promovida pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI). A instituição escolheu cinco ações sustentáveis, entre elas o Parque Capibaribe,  para receber um investimento de 300 mil euros, o equivalente a R$ 1,37 milhão. O recurso deve subsidiar novos itens do projeto. O Parque foi escolhido entre mais de 140 trabalhos do mundo para receber o aporte financeiro que integra o programa Desafio das Cidades para o Clima Global (GCCC) da ONU.

Apresentado pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio, na Conferência da ONU sobre o Clima (COP 25), que aconteceu em Madri, o Parque Capibaribe se destacou por ser considerado uma iniciativa fundamental no enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. O Recife é a 16ª cidade do ranking mundial de vulnerabilidade aos efeitos das mudanças climáticas segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Apesar de ser um fenômeno de caráter global, em cálculo estimativo do ano de 2012, a cidade emitiu 3,2 milhões de toneladas de carbono, contribuindo assim para o desequilíbrio ambiental. O prefeito defendeu a expansão do parque urbano como um modelo que impacta na mobilidade e na qualidade de vida da população.

O projeto foi escolhido entre mais de 140 projetos. Imagem: Acervo INCITI/UFPE

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Guila Calheiros, comemora a premiação que representa a união de esforços em prol de uma cidade mais sustentável. “Esse reconhecimento foi fundamental pra gente porque mostra o resultado de um trabalho de longo tempo, que foi construído em parceria com o INCITI/UFPE. O Parque Capibaribe não é só um projeto de recuperação das margens do rio, é um projeto sobre reencontro da cidade com o mesmo. Não se concentra apenas em obras, mas em entender o rio, os principais desafios, como retomar a conexão entre suas águas e a cidade por meio da ativação das suas margens”, comenta. Para ele, esse resgate do encontro cidade-rio possibilita a geração de novos espaços para as “pessoas se encontrarem, se verem e se conectarem com a cidade”. O aporte financeiro chega em boa hora. “Estamos na reta final de entrega do Parque Capibaribe. Esse financiamento vai ser fundamental para a realização do projeto de engenharia para a etapa de conclusão”.

As iniciativas escolhidas pelo Desafio das Cidades para o Clima Global (GCCC) estão focadas em projetos que visam a melhoria da gestão de resíduos, a redução da poluição dos rios e dos oceanos, o fomento a um transporte urbano sustentável, esverdeamento de espaços urbanos e o aumento da resiliência urbana aos efeitos das mudanças climáticas. O GCCC faz parte de uma abordagem estratégica geral para ajudar as cidades a viabilizar projetos de ação climática. De acordo com Guila Calheiros, será aberta uma licitação pública para selecionar a empresa de engenharia que vai ficar à frente do desenvolvimento dos projetos financiados pelo recurso do BEI.

O aporte financeiro é de R$ 1,37 milhão. Imagem: Acervo INCITI/UFPE

Circe Monteiro é uma das responsáveis por tornar o projeto Parque Capibaribe uma realidade. Coordenadora de pesquisa e urbanismo da INCITI/UFPE, ela também atua como professora titular do Departamento de Arquitetura da mesma universidade e é uma das que enxerga as reais mudanças que a conexão da população com o Capibaribe pode gerar na cidade. “O Parque Capibaribe é uma concepção bastante sólida de combate aos efeitos climáticos porque apresenta um conjunto de ações. Não é só um projeto que propõe a recuperação da vegetação tropical em volta do rio. Também propõe e dá condições ao desenvolvimento de um processo de  mobilidade ativa com um sistema de ciclovias que vai oferecer uma nova experiência de andar de bicicleta na cidade, em um lugar seguro à beira do rio. Considera ainda soluções inovadoras de drenagem, tratamento de água, a criação de superfícies mais porosas que diminuam a temperatura da cidade”, cita.

Para Circe, entre outros fatores que garantiram uma boa avaliação do Parque Capibaribe na COP 25 estão, principalmente, as redes e intervenções articuladas. “Quando um banco internacional faz uma seleção como essa, ele está em busca de projetos que sirvam de inspiração para outras regiões tanto do Brasil, como do mundo. O Parque Capibaribe propõe intervenções para enfrentar efeitos climáticos no meio urbano focado na regeneração ambiental, ao mesmo tempo que promove amplo sistema de caminhabilidade e articula espaços públicos para atividades de lazer e sociais voltadas à saúde das crianças, mulheres e idosos. É um projeto que vai incentivar a vitalidade social e econômica das áreas vizinhas ao rio.

Circe acredita que a sustentabilidade passa pela participação social. Foto: Rafa Medeiros

A pesquisadora acredita ainda que existem muitos desafios a serem enfrentados na implantação de um projeto sustentável e regenerativo. “Não se consegue uma intervenção sustentável e inovadora repetindo os processos praticados há décadas. Para um projeto ser um exemplo de sustentabilidade, além de uma concepção ambiental e urbanística inovadora, é necessário também repensar uma cadeia de processos: critérios de licitação de obras, modos de execução, origem e impacto de materiais e vegetações, além de procedimentos de gestão, de transparência. O projeto necessita ser acompanhado de uma ampla visão estratégica sem esquecer que não existe sustentabilidade sem a participação da população e mudança nos hábitos de viver a cidade”, conclui. A implantação deste projeto vai permitir um aprendizado muito rico ”, conclui.

Inovar nos procedimentos é necessário para a execução do projeto. Imagem: Acervo INCITI/UFPE

Vai e vem pelo Rio

Uma das estratégias mais eficazes para frear o aquecimento global é adotar medidas que valorizem a preservação, a criação e a manutenção de espaços verdes nas grandes cidades. Nas áreas urbanas, onde há grande concentração de emissão de gases poluentes, a vegetação arbórea possibilita maior qualidade de vida e diminui os efeitos das mudanças climáticas no planeta. O Parque Capibaribe está fundamentado na valorização das margens do rio por meio da criação de jardins públicos, a exemplo do Jardim Baobá, praças e parques, além da conservação de seu ecossistema garantindo mais sustentabilidade dos seus recursos naturais. “Quando falamos do Parque Capibaribe é importante ressaltar que não estamos nos referindo  a um parque às margens do rio, mas de uma articulação urbana transformadora da qualidade ambiental de grande parte da cidade ” pontua Circe Monteiro.

A Via Parque Graças é outro exemplo de intervenção que o Parque Capibaribe propõe para transformar o Recife em um lugar melhor para se viver. Ela vai ocupar um trecho de 950 metros em torno do Rio Capibaribe, entre as pontes da Torre e Capunga, e deve ser concluída até o final de 2020. Outra iniciativa que vai deixar o Recife mais conectado com o rio foi anunciada por Guila Calheiros. Trata-se do Parque Vila Vintém, projeto na Zona Norte do Recife que está sendo coordenado pela equipe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, que vai interligar o Parque Santana ao Parque da Jaqueira, ao longo das águas do Capibaribe. “É um projeto que envolve diversas secretarias e vai requalificar algumas áreas,  criar ciclofaixas e ciclorotas”, adiantou o secretário, que garantiu que esse trecho será entregue ainda em 2020.

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Parque Capibaribe é apresentado em evento da ONU-Habitat

A convite da ONU-Habitat, a INCITI/UFPE participou do Encontro de Pensadores Urbanos de Alagoas, conferência que aconteceu de 16 a 19 de outubro, na Unit – Centro Universitário Tiradentes, na cidade de Maceió, em Alagoas. Durante o encontro, pesquisadores da INCITI/UFPE foram convidados a participar das mesas de debates, de um hackathon e também do grupo que contribuiu na construção do documento-síntese do evento. O evento foi uma iniciativa ONU-Habitat, em parceria com o IAB – AL, a Unit e o Detran – AL.

A participação começou no dia 16/10, no Eixo Mobilidade, com o pesquisador Djair Falcão trazendo o “óbvio” para provocar reflexões sobre a caminhabilidade. Neste mesmo dia, Raquel Meneses e Natan Nigro, também pesquisadores da INCITI, apresentaram as pesquisas que fazem parte do Parque Capibaribe e também levaram as experiências de participação social utilizadas no projeto, como por exemplo o caso da Beira Rio das Graças, que teve no Dia das Crianças um momento marcante de diálogo com a comunidade.

No dia seguinte (17/10), a coordenadora da INCITI, Circe Monteiro, participou do Eixo Direito à Cidade com uma apresentação que tratou sobre a sustentabilidade dos movimentos sociais a partir do Ocupe Estelita. Segundo a arquiteta e urbanista, o principal desafio é de articulação. “Dentro da Prefeitura do Recife tem secretários e técnicos alinhados com movimentos de baixo. Existem pessoas tanto do “top”quanto do “down” que estão alinhadas. A questão é como a gente se articula”, disse. ⠀⠀

Natan Nigro, coordenador de ativação da INCITI/UFPE, também foi convidado para participar do júri que avaliou os grupos que participaram do Hackathon Pinheiro, que aconteceu no dia 19/10 e teve como objetivo promover o desenvolvimento de soluções inovadoras para os bairros do Bebedouro, Mutange e Pinheiro, todos localizados na cidade de Maceió. A atividade aconteceu em parceria com o SEBRAE/AL.

Com a mediação de Evelyn Gomes, que utilizou metodologias do LabHacker, o hackathon contou com a monitoria de Raphael Augusto (IDEAL); Fellipe Malta (ENGAPP); Ryzzan Salman (NTECH); Glauber Xavier (Saudáveis Subversivos); e Fernanda Gusmão (SEPLAG/AL). O corpo de jurados contou com Bruna Augusto (Júnior Achievement); Daphne Besen (Onu-Habitat); Isadora Padilha (IAB-AL); Natan Nigro (INCITI/UFPE); Renan Silva (DETRAN-AL); e Cristina Albuquerque (SOS Pinheiro).

Após 12 horas de atividades e a partir dos critérios – interesse público; criatividade e inovação; implementação e usabilidade; e documentação e replicabilidade, o hackathon escolheu os três projetos que farão parte do programa de incubação do SEBRAE/AL. São eles:

  • Histórias do subsolo:
  • Dados Rápidos Participativos:
  • Rede CoCriar

Segundo Isadora Padilha, coordenadora do Hackathon Pinheiro, os projetos escolhidos terão o apoio do SEBRAE/AL. “Durante três meses os vencedores poderão utilizar a infraestrutura do órgão e terão o apoio técnico na gestão e no desenvolvimento de um negócio social”, explica a organizadora. Segundo ela, outros projetos elaborados no hackathon também podem fazer parte da aceleração. “Além disso, o SOS Pinheiro (grupo de moradores do bairro) se comprometeu a abraçar todos os projetos e o IDEAL irá abraçar o projeto EmpatiCidade”, revela.

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Por um Capibaribe mais vivo

por Lenne Ferreira/INCITI

O rio das Capivaras é também o lugar onde vivem muitas outras espécies da fauna e flora da Mata Atlântica brasileira. Conservar esse ecossistema é garantir a sustentabilidade dos seus recursos naturais para gerações futuras. É como foco nessa preservação que o projeto paisagístico do Parque Capibaribe, realizado pelo convênio técnico entre o INCITI/UFPE e a Prefeitura do Recife, tem como principal norte a introdução da flora nativa e proteção de espécies cuja população encontra-se em declínio e/ou ameaçada de extinção. Até a conclusão do projeto, 167 espécies vegetais serão introduzidas ao longo das margens do Rio, que ficará ainda mais vivo e atrativo para a avifauna e também para população.

Mesmo com a expansão urbana e consequente impacto no meio ambiente, o Rio Capibaribe conservou redutos ecológicos importantes para inúmeras espécies de animais silvestres. Pensar o plano paisagístico para a consolidação de um sistema de parque em seu entorno, exigiu, primordialmente, um estudo aprofundado sobre a fauna e flora de todo seu percurso, desde a sua nascente até o desague aqui no Recife. Entre as premissas de desenvolvimento do projeto, está a manutenção das características da flora do habitat para garantir que ela continue servindo de abrigo e fonte de alimento para a fauna local. Exatamente por isso, todas as soluções arquitetônicas do Parque Capibaribe tem como foco central reduzir impactos e respeitar a  dinâmica do ambiente natural, priorizando a arborização.

“A partir do entendimento do ambiente e do que se tinha enquanto cobertura vegetal, a gente começou a criar o projeto. Fizemos uma lista de espécies nativas, seguindo os critérios e diretrizes do Plano Urbanístico de Recuperação Ambiental (PURA) do Rio Capibaribe. Um dos objetivos principais foi aproximar a população local da flora nativa e garantir abrigo para a população avifauna”, explica a paisagista Maiara Mota, que atua no INCITI/UFPE.

A manutenção da flora nativa possibilita maior presença da avifauna, gerando mais sustentabilidade e conexão biológica no meio ambiente. (Foto: Silvino Pinto)

Segunda Maiara, as expedições pelo Capibaribe mostraram a incidência maior de plantas exóticas (de outros países), uma dinâmica muito comum no Brasil.  Nesse contexto, a equipe de pesquisadores da INCITI/UFPE pensou estratégias de estimular uma flora diversificada, “dentro de um conjunto de áreas verdes conectadas entre si de forma a proporcionar não apenas alimentação e refúgio, mas também a possibilidade de deslocamento de forma segura”, afirma.

Em termos qualitativos e quantitativos, os estudos mostraram que a diversidade de espécies da flora no Capibaribe não se compara ao comportamento de outros ecossistemas de Mata Atlântica, mas tem sua importância para a manutenção de uma condição ambiental mínima para a fauna nativa. O manguezal do Capibaribe, por exemplo, está presente desde a foz, no bairro de Santo Antônio, até a Várzea e sofre influência direta da movimentação das marés, funcionando como um berçário para populações abundantes de fauna e flora, que encontram condições favoráveis à sua reprodução. A conservação da vegetação nativa torna o ambiente autossustentável e independente.

Possibilitar maior aproximação das pessoas com as riquezas naturais do Capibaribe é um dos principais objetivos do Plano Paisagístico do Parque Capibaribe. (Foto: INCITI/UFPE)

No tocante à diversidade, o projeto Paisagístico do Parque está bem ancorado por uma pesquisa que concentra uma lista de espécies nativas de árvores, arbustos e herbáceas. Até a conclusão do projeto, a vegetação será incrementada com exemplares extintos como o Pau Brasil e a Ingá Caixão. Também está prevista a introdução de espécies exuberantes como a Sapucainha. “Nosso principal objetivo foi desenvolver um projeto paisagístico que vá além do embelezamento. O legado do Parque vai além da questão ecológica. Estamos propondo para as próximas gerações uma aproximação com a vegetação nativa do nosso país e a perpetuação desse ambiente”, pontua Maiara, e conclui:

“É mais saúde e vida para o Capibaribe e para as gerações futuras”.

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Plano Urbanístico Ambiental é mais um legado do Parque Capibaribe

por Lenne Ferreira

“Sustentabilidade é um processo através do qual as comunidades presentes e futuras florescem harmoniosamente”. A premissa extraída da Rede de Desenvolvimento Urbano Sustentável da América Latina e Caribe – REDEUS-LAC serviu de base para a construção do PURA – Plano Urbanístico de Recuperação Ambiental do Rio Capibaribe. O documento desenvolvido pela equipe transdisciplinar da INCITI/UFPE e que se encontra em fase de formatação para divulgação, apresenta a síntese dos produtos resultantes do convênio técnico entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Prefeitura do Recife para a implantação do projeto Parque Capibaribe. As diretrizes para a construção de um sistema de parques integrados em torno do Capibaribe também fazem parte desse compilado que apresenta uma diversidade de conhecimentos que visa incitar, junto a diversos setores da sociedade, novos conhecimentos capazes de transformar a relação do recifense com a cidade.

Pesquisa com crianças no Jardim do Baobá. Foto: Rodrigo Édipo

O PURA foi formulado pelo corpo de pesquisadores da INCITI/UFPE com base em um estudo aprofundado dos aspectos urbanos e ambientais da bacia hidrográfica. Engenheiros, arquitetos, biólogos, urbanistas, jornalistas, economistas e ainda profissionais de áreas como Serviço Social, Pedagogia, Psicologia e Direito participaram da construção do documento, que poderá servir de referência para gestões futuras. Inicialmente, a equipe de pesquisadores da INCITI buscou entender o território e como a cidade se comporta ao longo do Rio Capibaribe, tanto o ambiente construído quanto o natural. Foram realizadas várias pesquisas, experimentações e conversas com as pessoas que moram e andam nessas áreas para poder entender as diversas camadas que compõem o tecido urbano e ambiental. “A partir desse estudo de campo, foram traçadas diretrizes que ajudaram a nortear os produtos do Parque Capibaribe, mas também vão servir para apoiar quaisquer projetos que sejam pensados na área”, explica a arquiteta e urbanista Raquel Meneses, coordenadora de projetos do Parque.

“O papel do arquiteto e urbanista é mais de facilitador do que de projetista. Transformar em projeto o que as pessoas que vivem no lugar precisam” (Raquel Meneses)

As pesquisas de desenvolvimento do projeto Parque, iniciado em 2014, foram utilizadas para a construção do PURA, que se baseia nos dados e nas informações colhidas em excursões, capacitações, estudos sobre fauna, flora e vitalidade do rio,  identificação das áreas com maior densidade, ativações e ações educativas. Um processo que em sua natureza metodológica quebra paradigmas em relação aos planos urbanos tradicionais, ao retirar a ênfase no produto final e focando no processo como produto. A partir de um olhar de baixo para cima, baseado nas premissas do Urbanismo Emergente, foi possível melhor identificar soluções que tinham como sustentação as potencialidades dos grupos envolvidos no território. Como foi o caso do Workshop Internacional de Prototipagem Urbana (WIPU), que envolveu pesquisadores locais e internacionais, instituições de ensino, órgão dos poderes público e privado, comerciantes informais e estudantes no desenvolvimento de um desenho urbano que experimentasse soluções a médio e curto prazo para diversos dilemas espaciais e sociais.

“…para atuar na cidade de forma bem-sucedida, entendemos que não é mais possível conceber um grande projeto fechado a ser implementado ao longo do tempo baseado somente na concepção dos planejadores. Já sabemos, por diversas experiências passadas, que muitos projetos ambiciosos fracassam por engessarem as condições de mudanças, por não responderem às demandas dinâmicas da cidade e da sociedade” (Trecho retirado do PURA).

Vanessa Reis, arquiteta e urbanista, mestra em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, que também atua no INCITI, realizou algumas expedições para fazer a leitura da paisagem construída na perspectiva de retomar o Capibaribe como protagonista da estruturação paisagística urbana. “O Rio Capibaribe foi um elemento estruturador desde o início da ocupação do Recife, que é uma cidade aquacêntrica (centrada nas águas) e nos valores das águas. Com o advento do carro e da ocupação territorial, as águas foram esquecidas como alternativa para mobilidade. O Parque Capibaribe partiu da necessidade de se olhar para este rio como desenvolvedor do espaço construído da cidade e da relação das pessoas com ele e o PURA contém o registro de todo esse processo”, observa Vanessa.

O Plano tem como diretrizes prioritárias a ampliação da oferta dos espaços verdes públicos, recuperação e fortalecimento do corredor ecológico do Rio Capibaribe, a criação dos corredores ambientais conectando os espaços verdes, ampliando a diversidade e promovendo a abundância de espécies nativas. Ao todo, 30 quilômetros (15 de cada margem do rio) foram observados para a construção de uma estratégia de trabalho que apresentasse um olhar mais delicado para a fauna e a flora, além do compromisso em realizar – através de workshops, pesquisas e consultas públicas – processos colaborativos para a consolidação de um projeto que tem impacto na vida de quem vive a/na cidade.

Raquel Meneses, coordenadora de projeto do Parque Capibaribe. Foto: INCITI/UFPE

“As pessoas foram importantes em várias camadas desse processo. Uma fonte ímpar para conhecer cada lugar. Para entender os lugares, só ouvindo as pessoas que vivem lá. São elas que sabem e são elas que vão usar. O papel do arquiteto e urbanista é mais de facilitador do que de projetista. Transformar em projeto no que as pessoas que vivem naquele lugar precisam. Pesquisa, experimentos e observação são formas de absorver esse conhecimento que elas já tem”, pontua a urbanista Raquel Meneses. Outra participação importante da população diz respeito à vigilância da aplicação das diretrizes do PURA. Só conhecendo a cidade é possível cobrar melhorias para a infraestrutura sem desrespeitar o meio ambiente. Apesar de ser um documento técnico, quando concluído, o PURA ficará disponível para consulta pública.

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Mediadores de leitura levarão “Ribe do Capibaribe” para bibliotecas públicas do Recife

Apresentar a temática do meio ambiente, da fauna e da flora do Recife, através de elementos e narrativas lúdicas. Essa é a ideia da metodologia “Ribe do Capibaribe”, que será aplicada em um projeto piloto, em bibliotecas públicas e comunitárias do Recife, ao longo do primeiro semestre de 2019. A proposta, desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, surgiu na perspectiva de mudar a forma de as pessoas pensarem e vivenciarem o Rio Capibaribe.

O primeiro ciclo de formação de arte educadores aconteceu entre os dias 04 e 06 de fevereiro, nos Compaz Ariano Suassuna e Eduardo Campos, com orientação do consultor pedagógico do Ribe, Gabriel Santana. Estiveram presentes profissionais que atuam nas Secretarias municipais de Segurança Urbana, de Meio Ambiente e de Educação, representando, respectivamente, as bibliotecas públicas da Rede pela Paz (dos Compaz, de Casa Amarela e de Afogados), dos Econúcleos e do Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores.

Formação foi com Gabriel Santana, consultor pedagógico. Foto: Maíra Brandão

Os encontros permearam conversas sobre a importância da leitura e da literatura, exercícios de escrita criativa, trocas de conhecimentos e de estratégias de mediação de leitura. Como parte do último dia de atividades, os participantes foram convidados a proporem dinâmicas de estímulo ao hábito de ler e de trabalhar com a publicação infantil “Ribe do Capibaribe”, a partir dos seus conhecimentos e métodos.

O resultado foi muito rico. Surgiram propostas variadas para se trabalhar com crianças e jovens, como contação de histórias, teatro de mamulengo, criação de cordel, rap e personagens a partir de material reciclado, vivências nas margens do rio e/ou nos ambientes naturais próximos às bibliotecas e desenvolvimento de jogo da memória.

Trocas e dinâmicas ao longo dos encontros. Foto: Maíra Brandão

Método – Além das bibliotecas e equipamentos públicos do Recife, ao longo do primeiro semestre o método “Ribe do Capibaribe” também será experimentado junto às oito bibliotecas da Releituras, Rede de Bibliotecas Comunitárias das cidades do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes,  experimentado em 12 bibliotecas públicas e comunitárias da Região Metropolitana do Recife. A proposta é de que o método possa ser aplicado ao longo do primeiro semestre, de forma experimental, e a partir do retorno dos mediadores de leitura sobre a experiência em cada bairro, pretende-se aperfeiçoar o Ribe e desenvolver a segunda edição da publicação.

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Diversão e aprendizado no lançamento do Ribe do Capibaribe

Sonhar, planejar, realizar e celebrar. Foi seguindo esse ciclo da metodologia Dragon Dreaming, que o Ribe do Capibaribe – publicação infantil com histórias em quadrinhos e atividades – foi lançado, no Jardim do Baobá, no dia 02 de fevereiro de 2019. Para comemorar a estreia do livro, desenvolvido como ferramenta de educação ambiental do projeto Parque Capibaribe, foi preparada uma tarde inteira de atividades, no espaço público situado às margens do rio, no bairro da Jaqueira.

O lançamento teve direito a mediação de leitura com Gabriel Santana, consultor pedagógico do Ribe, que apresentou os personagens às crianças, contou histórias e convidou-as a respirar fundo e sentir o lugar onde estavam.

Respira fundo e pula! Foto: Rafa Medeiros

Rolou também espaço pra pintar, escrever e desenhar, jogo da memória, esquete teatral com a Turma Mangue e Tal e ainda bate-papo com o autor do livro, Allan Chaves, momento que deixou todo mundo boquiaberto. Crianças de variadas idades participaram ativamente da conversa, quiseram saber sobre todo o processo de criação. Surgiram perguntas sobre como surgiu o Ribe, como é desenhar uma história em quadrinho, como o autor imaginou cada história, quem ajudou, e ainda deram conselhos e chamaram atenção para os cuidados necessários com o meio ambiente. “Eu vou tirar como exemplo o garoto que estava aqui, que de repente tava falando sobre o que aconteceu em Mariana e Brumadinho (Minas Gerais). E eu fiquei pensando como a criança conseguiu fazer a conexão do cuidado ambiental com um desastre que ele viu no jornal. Se o Ribe fizer isso repetidas vezes, ele terá cumprido a sua missão. Quero mais é que a gente consiga!”, disse Allan.

Depois da conversa, ainda teve fila pro autógrafo. Ao todo, 300 exemplares foram distribuídos para todo mundo que compareceu ao Jardim do Baobá nesse dia.

A tarde foi toda de muita animação, mas na hora da caça ao tesouro virou um rebuliço só. GRITOOOOOO. Não é só eufemismo, as crianças foram à loucura mesmo. Aliás, não sabemos ainda se foi mais intenso para os pequenos ou para os tios que supervisionaram a atividade, que acabaram ficando com a língua de fora de tanto correr de um lado pro outro junto com cada equipe. Mas a diversão foi garantida!

A equipe laranja matou todas as charadas e achou o tesouro. Foto: Rafa Medeiros

Para Circe Monteiro, coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE, a publicação se firma como oportunidade de estimular as crianças a descobrirem e valorizarem a fauna e a flora do Recife, de uma forma divertida. “O Ribe vai ser uma ponte pra gente acumular uma série de vivências das crianças. A gente tá fazendo um projeto (Parque Capibaribe) que tem uma dimensão de 20 anos. Então as crianças que estão hoje com 5, 10 anos, são os adultos que estarão vivendo nesse parque. A dimensão de fazer esse trabalho desde já, pequenininho, de respeito, de sustentabilidade, de uma pegada mais leve na terra, de trazer a discussão de como contribuir e respeitar a fauna e a flora, é muito importante. E também é um livro, mas que está atrelado a um projeto de cidade e um projeto urbano. É um diferencial”, reflete a pesquisadora.

Ao longo do primeiro semestre de 2019, a ferramenta e a metodologia Ribe do Capibaribe viverão um período de experimentação, com distribuição e aplicação junto a escolas e bibliotecas públicas, espaços à beira do Rio Capibaribe.

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Ribe do Capibaribe: a origem

Você já conhece o Ribe do Capibaribe? O Ribe é uma publicação infantil, de autoria do ilustrador Allan Chaves, com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos – que vivem no principal curso d’água do Recife – se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. Criado como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe do Capibaribe vai além de uma mera publicação. Pretende estabelecer-se também como método de educação ambiental, divertido, capaz de sensibilizar crianças, jovens e adultos sobre o Rio Capibaribe, o desenvolvimento da cidade, os bens naturais, a sustentabilidade e a cultura.

Mas como surgiu tudo isso?, você pode nos perguntar. O Ribe apareceu no projeto Parque Capibaribe pela primeira vez em 2014. Na época, a ideia era ter um mascote que interagia com o público nas redes sociais, em tirinhas de quadrinhos, com uma estética de mangá (os quadrinhos japoneses). O que motivou o surgimento desse personagem foi a necessidade de criar meios para aproximar as pessoas do rio, dos produtos, projetos e pesquisas do Parque Capibaribe, a fim de ajudar na transformação da forma de pensar o rio e a cidade.

Aquela ideia de tirinhas de 2014 foi ganhando corpo e transformou-se em histórias em quadrinhos e atividades para brincar com as crianças. “Quando a ideia dele deixar de ser um personagenzinho que aparecia esporadicamente nas redes sociais do Parque Capibaribe pra ser um personagem maior – que apareceria em eventos, mais quadrinhos – e seria um “rosto” pro Parque, mudei pouca coisa. Ele passou a ser mais colorido, e pra manter a ideia de um personagem caricato, divertido, ele ficou laranja, e não o “marrom normal” da capivara”, conta Allan Chaves.

A primeira versão do Ribe tinha traços de mangá.

Aos poucos, os outros personagens da turma foram sendo criados, como conta a coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE*, Circe Monteiro. “A gente fez uma oficina pra criar as personalidades dos animais. A gente criava uma situação e cada um respondia com aquela persona. Saiu que o Sá (caranguejo-uçá) era o inteligente, o cérebro da turma; o Ribe e a Piba, capivaras desbravadoras, alegres, que gostam de estar junto de todo mundo e são muito afetuosas; o Tio Biu, um jacaré que já era mais velho, que tinha um conhecimento histórico das coisas e do rio; a Gringa, a garça era histérica, de fora”, lembra Circe.

Visitas ao rio também fizeram parte do processo criativo de Allan Chaves junto à equipe de comunicação do Parque Capibaribe. “Pra termos mais conteúdo, fizemos algumas incursões pelo rio, por barco, do Recife Antigo até a Várzea. Graças a isso adicionamos mais personagens além das capivaras, jacaré, garça e caranguejos (algumas que só foram incluídas em one shots, outros que estão guardados pra ideias futuras). Como a fauna é muito rica, paramos pra observar tudo, e disso vieram muitas ideias, muitas piadas e muitos roteiros”, conta Allan.

Pergunta recorrente na expedição: “é bicho ou lixo? “. Dessa vez era bicho, um jacaré. Foto: Manuela Salazar

Passado algum tempo, em 2016 a equipe de Comunicação do projeto Parque Capibaribe decidiu que o Ribe merecia chegar em mais pessoas. Começou então todo o processo de planejamento para lançar essa criatura e seus amigos para o mundo. Com o apoio de Flora Noberto, jornalista e facilitadora da metodologia Dragon Dreaming, os objetivos foram desenvolvidos, as etapas criadas e distribuídas entre a equipe.

Dentre as fases pensadas, uma das principais foi redesenhar o Ribe e seus amigos. A ideia era que os bichinhos se parecessem mais com os animais reais, para que as crianças tivessem mais facilidade de associação, nesse trabalho de visibilidade e valorização da fauna local. O cenário onde se passavam as histórias também ganhou novos contornos, passando a mostrar referências naturais e construções históricas do Recife, como comenta o autor: “Nessa mudança, apesar de ter esse pé no traço “realista”, como toda boa obra de ficção, tínhamos nosso pezinho na imaginação, pra que pudéssemos pôr ele limpando o rio, algumas vezes agindo como humano ou sonhando em andar de bicicleta”.

Projeto na mão, ilustrações, brincadeiras e roteiros aprovados começamos a buscar parceiros que topassem aperfeiçoar e entrar nessa empreitada conosco. “Depois veio um aprofundamento com pedagogos nos ensinando como levar a história, as palavras, para as crianças. Como as crianças poderiam melhor captar, e a ideia de transformar isso em uma brincadeira, uma diversão. A melhor coisa pra aprender é diversão”, diz Circe.

Foi aí que em 2018 a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) resolveu embarcar no sonho com a gente. Com o livro em mãos, o Ribe do Capibaribe vai pras ruas, pras mãos de crianças, educadores, para escolas e bibliotecas. Tímido, Allan ainda reflete sobre o impacto de sua obra sobre o Recife: “Eu não sei bem o que sentir, é uma sensação estranha, mas muito boa, nunca pensei sobre isso parar em bibliotecas, escolas, livrarias e ser algo ligado ao ambiental ou educativos. É tudo novo pra mim, eu tenho orgulho de cada página, cada história, cada atividade”.

Olhando assim, parece até que foi um longo processo. Mas esperamos que esse seja só o começo de muitas outras aventuras e formato para o Ribe do Capibaribe.

Se quiser conhecer o Ribe do Capibaribe, o livro já está disponível para download na área de publicações do nosso site. Para conferir: bit.ly/publicacoesparque.

* O INCITI/UFPE é um grupo de pesquisa que, em parceria com a Prefeitura do Recife, desenvolve o projeto Parque Capibaribe.

 

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Ribe do Capibaribe convida crianças e jovens para aprender sobre o ambiente natural do Recife

História em quadrinhos e ferramenta de educação ambiental desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe será lançado neste sábado (02), no Jardim do Baobá

Uma oportunidade única de vivenciar o rio Capibaribe, ao mesmo tempo em que se brinca e aprende sobre o rio e os animais que nele vivem. Assim será o próximo sábado (02), no Jardim do Baobá, quando será lançado o Ribe do Capibaribe, publicação com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos, que vivem no principal curso d’água do Recife, se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. O projeto partiu da ideia de criar uma ferramenta de educação ambiental, lúdica, que ensinasse crianças e jovens sobre o rio, sua flora e fauna.

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Planejamento busca potencializar projetos pela mobilidade sustentável

O INCITI tem recebido apoio para o planejamento e gestão dos projetos Provocações Urbanas, desenvolvido em parceria com o Fundo Socioambiental Casa, e Bora Andando, realizado com apoio do Greenpeace. A ideia é potencializar o trabalho voltado para fomentar novas colaborações com entidades entusiastas da mobilidade urbana sustentável.

Como parte deste trabalho, entre na semana de 14 a 21 de dezembro de 2018, recebemos a diretora do Labhacker, Evelyn Gomes, que nos ajudou no planejamento para execução dos dois projetos de forma conjunta e para potencializar as conexões possíveis e resultados. Diversos pesquisadores do INCITI colaboraram durante esses dias, permeando de olhares e sonhos os novos caminhos que se abrem com essas oportunidades de transformação da mobilidade urbana.

Como resultado dos encontros, elaboramos uma agenda integrada que possibilite uma maior conexão com outros grupos, por meio da realização de encontros, seminários, pesquisas, diagnósticos colaborativos, campanhas e ações. Todos esses processos serão construídos com grupos parceiros e a população da Região Metropolitana do Recife.

Durante o primeiro semestre será mapeada a rede de atores que atua na pauta da mobilidade urbana sustentável na região. Em paralelo, está sendo realizado o levantamento de pesquisas e metodologias participativas já realizadas sobre o assunto, a fim de elaborar um diagnóstico e um plano de comunicação para o desenvolvimento de uma campanha. Posteriormente, será pactuada a agenda compartilhada com outras entidades e parceiros, com visitas in loco aos territórios para entrevistas e ações.