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No Recife, hackathon pela mobilidade premia projeto de deslocamento pelos rios

Por Maíra Brandão

Se você mora em uma cidade onde passa um rio, certamente já considerou como seria usá-lo como meio pra se deslocar. E havendo essa possibilidade, já pensou poder usar o celular pra chamar o barco mais próximo pra ir trabalhar ou estudar? Pois essa foi a ideia do projeto vencedor do Open Mobility Hack, que aconteceu entre os dias 1º e 3 de fevereiro, no Recife. A equipe Navegue, que elaborou a proposta, contou com dois pesquisadores do INCITI: Caio Scheidegger e Nathália Machado.

A ideia da Navegue foi de direcionar os esforços para um modal que é sempre comentado e desejado pela população, mas de uma maneira mais simples de viabilizar, por meio de um aplicativo que possibilite a mobilidade através dos rios com pequenas embarcações, com administração de reserva e agendamento de horário para trajetos. “A gente sugeriu no hackathon que serviço chegasse um pouco mais à população, por meio de um aplicativo que informasse às pessoas se o barquinho estaria próximo dos pontos de embarque, tipo um Cittamobi, e assim ter mais uma opção de modal ou outra função que permita à pessoa contratar o serviço de um barquinho para levar de um lugar a outro, como um Uber”, explica Nathália.

O projeto desenvolvido por eles, ao mesmo tempo em que promove a mobilidade fluvial, incentiva a sustentabilidade da população ribeirinha do Capibaribe, como comenta Caio Scheidegger. “Desde o início da implantação do Parque Capibaribe foi possível perceber um aumento na demanda. Conversamos com Davi (barqueiro do rio Capibaribe), que afirmou a nossa impressão, de que várias pessoas estão oferecendo esse serviço”, disse Caio. “Futuramente a intenção é conectar com outros sistemas, como a bike e o busão”, complementou.

Para desenvolver o projeto, a equipe utilizou os dados abertos da Pesquisa de Origem e Destino, que desde 1997 não considera o barco como modo de deslocamento. “No último ano em que o barco entrou na pesquisa foram contados cerca de 1200 deslocamentos pelo rio. É uma realidade totalmente invisibilizada e a gente espera com essa proposta poder entender melhor o rio, estimular que as pessoas olhem mais pra ele e até usem mais ele, respeitando sempre seus limites e em equilíbrio”, complementa Nathália.

Além de Caio e Nathália, a equipe Navegue foi formada por Igor Cabral, Júlio Ramos e Luís Delgado. A Navegue levou R$ 7 mil para desenvolver o projeto, além de ter uma vaga garantida no próximo Mind The Bizz, programa de incentivo ao empreendedorismo inovador do Porto Digital, CESAR e Sebrae. O segundo lugar ficou com a BuStop, uma solução que pretende facilitar a vida de cadeirantes nas paradas de ônibus, além de permitir um maior gerenciamento do tempo por parte do condutor – que receberá a solicitação no painel do veículo e poderá planejar a parada e a preparação do elevador de acesso para os usuários de cadeira de roda.

O Open Mobility Hack foi realizado pelo Porto Digital e pelo Consulado Britânico – por meio do Foreign & Commonwealth Office (FCO) via Department for International Trade (DIT) e Great Britain and Northern Ireland -, e contou com apoio da Prefeitura do Recife.

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Projetos possibilitam maior articulação pela mobilidade sustentável

Por Maíra Brandão

Fortalecer redes para contribuir no desenvolvimento das pautas da mobilidade urbana sustentável tem sido uma das estratégias do INCITI na busca pelo desenvolvimento de cidades inclusivas, sustentáveis e felizes, desde a sua origem. Em 2019, a articulação junto à sociedade civil se tornará ainda mais forte, graças a dois projetos aprovados pelo grupo junto ao Greenpeace e ao Fundo Socioambiental Casa.

O Greenpeace, através do edital Sinal Verde Para Mobilidade, está fomentando o projeto Bora Andando. A proposta dessa parceria contempla a realização de diagnósticos e pesquisas colaborativas, que poderão tornar-se protótipos de soluções voltadas para a melhoria da mobilidade das pessoas que se deslocam a pé. Além do INCITI, outros cinco grupos da Região Metropolitana do Recife (RMR) integram a iniciativa do Greenpeace.

A ideia é que o projeto estimule a compreensão do caminhar como um meio de deslocamento mais saudável, lúdico e confortável, alcançando pessoas que já utilizam esse modo de se relacionar com a cidade, e também apresentando-o a quem que faz percursos curtos de transporte coletivo. Futuramente, pretende-se expandir a ação para usuários de carro, estimulando-os a percorrerem distâncias mais curtas a pé, desafogando as vias e impactando positivamente em sua qualidade de vida.

Já o Fundo Socioambiental, por meio do edital Casa Cidades, está apoiando a articulação com a sociedade civil a partir das Provocações Urbanas, debates que buscam fomentar diálogos sobre temas relativos ao desenvolvimento de cidades sustentáveis. O Fundo Socioambiental Casa apoia através deste programa, outras 31 organizações da RMR.

Por meio desta iniciativa, o INCITI pretende atuar junto às organizações da sociedade civil para potencializar descobertas colaborativas e soluções criativas para a mobilidade urbana, bem como alcançar uma maior incidência na transformação de ações e campanhas em políticas públicas e mudanças concretas para melhoria da qualidade de vida da população.

Como parte desses dois projetos, o INCITI já promoveu no Recife o Dia Mundial Sem Carro, em parceria com 14 organizações da Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO). Ao longo do primeiro semestre de 2019, mais quatro Provocações Urbanas serão desenvolvidas. Já pelo Bora Andando, está em andamento o levantamento das pesquisas já desenvolvidas na área de mobilidade urbana, a partir do qual será elaborado um diagnóstico que apresente um panorama dos dados coletados.

A equipe responsável por esses projetos é atualmente composta pelos pesquisadores Caio Scheidegger, Natan Nigro, Nathália Machado e Pedro Rosa.

INCITI – Desde a sua origem, em meados de 2014, o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades atua na temática de mobilidade urbana sustentável através do Parque Capibaribe e outras ações. Uma das estratégias para conseguir avançar nessa área tem sido a ampla articulação de parceiros. Se em uma perspectiva, tornou-se parceiro da ONU-Habitat – a agência das Nações Unidas para o desenvolvimento das cidades – e da WWF-Brasil, entre outros, por outra também esteve ativo no processo de construção do Laboratório de Ativismo e Ação Política para Mobilidade (Labmob) e da Conferência Livre de Mobilidade. Esta última apresentou-se como terreno fértil para o surgimento da Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO), com grupos de atuação nacional e local.

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Planejamento busca potencializar projetos pela mobilidade sustentável

O INCITI tem recebido apoio para o planejamento e gestão dos projetos Provocações Urbanas, desenvolvido em parceria com o Fundo Socioambiental Casa, e Bora Andando, realizado com apoio do Greenpeace. A ideia é potencializar o trabalho voltado para fomentar novas colaborações com entidades entusiastas da mobilidade urbana sustentável.

Como parte deste trabalho, entre na semana de 14 a 21 de dezembro de 2018, recebemos a diretora do Labhacker, Evelyn Gomes, que nos ajudou no planejamento para execução dos dois projetos de forma conjunta e para potencializar as conexões possíveis e resultados. Diversos pesquisadores do INCITI colaboraram durante esses dias, permeando de olhares e sonhos os novos caminhos que se abrem com essas oportunidades de transformação da mobilidade urbana.

Como resultado dos encontros, elaboramos uma agenda integrada que possibilite uma maior conexão com outros grupos, por meio da realização de encontros, seminários, pesquisas, diagnósticos colaborativos, campanhas e ações. Todos esses processos serão construídos com grupos parceiros e a população da Região Metropolitana do Recife.

Durante o primeiro semestre será mapeada a rede de atores que atua na pauta da mobilidade urbana sustentável na região. Em paralelo, está sendo realizado o levantamento de pesquisas e metodologias participativas já realizadas sobre o assunto, a fim de elaborar um diagnóstico e um plano de comunicação para o desenvolvimento de uma campanha. Posteriormente, será pactuada a agenda compartilhada com outras entidades e parceiros, com visitas in loco aos territórios para entrevistas e ações.

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Mostra de Cinema Cidade em Movimento acontece no INCITI nesta quinta (20)

Um cineclube com jeito de provocações urbanas, que terá como tema a mobilidade e o meio ambiente. Assim será a sessão da Mostra de Cinema Cidade em Movimento, que acontece nesta quinta-feira (20), às 19h, no INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, no Recife Antigo. A exibição integra o Cidade que Flui, movimento articulado de várias entidades para celebrar o Dia Mundial Sem Carro, e também o programa Casa Comunidades, do Fundo Socioambiental Casa. A entrada é gratuita.

Nesta quinta (20), serão exibidos os curtas Andarilho, de João Lucas, que mostra o cotidiano de Gerson, cidadão que escolheu andar a pé nos seus deslocamentos urbanos; Dia de Fúria, de Rafael Amorim, traz um cenário do estresse gerado pelo trânsito na cidade; Travessia mostra a importância do barco para a mobilidade e Fim dos Carros apresenta o desejo de fugir dos engarrafamentos, ambos de Hugo Coutinho; e ainda Exília, de Renata Claus, que retrata o estado iminente de desterritorialização em que se encontra a ilha de Tatuoca, em Pernambuco. Haverá ainda o média metragem, Levante, de Barney Lankester-Owen e Susanna Lira, que trata sobre o uso da tecnologia para transformação social.

Ao final da sessão será realizado um debate, com a participação da coordenadora da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, Luiza Lima, do integrante do Bigu Comunicativismo, Emerson Cunha, da colaboradora da Rede de Articulação pela Mobilidade (Ramo), Camila Fernandes, com mediação dos pesquisadores do INCITI/UFPE, Nathália Machado e Caio Scheidegger.

A Mostra de Cinema Cidade em Movimento continua até o sábado (22), com sessões gratuitas na Reciclobikes, na Encruzilhada, e na Estação Central do Metrô do Recife. A culminância do Cidade que Flui será no sábado (22), com um rolê intermodal de bike, da comunidade de Santa Luzia até a Ilha de Deus; de barco, da Ilha de Deus até o Cais de Santa Rita; e a pé, do Cais de Santa Rita até o Marco Zero. Quem for de busão ou de metrô, pode dar uma chegada na Estação Imbiribeira, que é pertinho, pra chegar na Ilha de Deus e pegar o bonde de barco, ou descer na Estação Recife e ir pro Cais de Santa Rita pra seguir com a galera em caminhada.

No Marco Zero, às 16h, acontece o debate Cidade que Flui, para discutir uma cidade mais humana, mais limpa e com menos carros, e logo em seguida shows com a Banda DeLeão, Afoxé Babá Orixalá Funfun, DJ Célio do Vinil e Isaar.

Para saber mais: http://bit.ly/CidadeQueFlui

Cidade que Flui – Um grupo de 14 organizações da sociedade civil atuantes no debate sobre mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife estão realizando, desde a quarta-feira (19), uma série de ações visando pôr em pauta e nas ruas as discussões do Dia Mundial Sem Carro, comemorado no dia 22 de setembro. Sob a chamada “Cidade que Flui”, as ações são compostas por mostra de cinema, debates sobre mobilidade urbana, gênero e questões ambientais, lançamento de app para ciclistas, sugestão de rotas alternativas com bicicleta, barcos e a pé, aliados ao uso do transporte público, e apresentações culturais. As ações são abertas ao público e visam estimular a discussão sobre o uso de modais ativos assim como do transporte público e dos barcos para uma cidade mais livre, coletiva, sustentável e segura nas opções de mobilidade.

Participam das ações do Dia Mundial Sem Carro, no Recife, as seguintes organizações: Bigu Comunicativismo, Greenpeace Brasil, Centro Popular de Direitos Humanos – CPDH, Ameciclo, Bike Anjo PE, INCITI, Observatório do Recife, Grupo Mulher Maravilha, Ação Comunitária Caranguejo Uçá, Coque (R)existe, Sindmetro/PE, Frente de Luta Pelo Transporte Público, Coletivo Massapê e MARÉ – Mostra Ambiental do Recife, em parceria com os projetos Olhe Pelo Recife e MobCidades.

Fundo Casa – O INCITI foi uma das instituições contempladas pelo Fundo Socioambiental Casa, com o projeto Provocações Urbanas, que envolve a realização de um mapeamento de atores locais e regionais, através de experiências de formações, debates e seminários, buscando traduzir contribuições acadêmicas para as redes e os grupos locais. A ideia é possibilitar uma maior incidência em políticas públicas e nas suas respectivas ações e esta é a primeira ação do projeto, que será desenvolvido ao longo de nove meses.

Confira a programação completa do Cidade que Flui:

20/09 | quinta
19h – INCITI (R. do Bom Jesus, 191, Recife Antigo)
Andarilho (João Lucas, 2015)
Travessia (Hugo Coutinho, 2015)
Dia de Fúria (Rafael Amorim, 2015)
Fim dos Carros (Hugo Coutinho, 2015)
Exília (Renata Claus, 2016)
Levante (Barney Lankester-Owen e Susanna Lira, 2015)

21/09 | sexta
19h – Reciclo Bikes (Mercado da Encruzilhada, Largo da Encruzilhada)
Capibaribes (2015, doc), de Canario Caliari
Chega de Fiu Fiu (2018, doc), de Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão

22/09 | sábado
9h – Estação de Metrô Recife (R. do Peixoto, São José/Centro)
Lá do alto (2016), de Luciano Vidigal;
História natural (2014), de Júlio Cavani
Pequena área (2014), de Tiago Martins Rêgo e Sebba Cavalcante;
Bike Gelo Baiano (2015), de Jacaré Vídeo
Miró – preto, pobre, poeta e periférico (2008), de Wilson Freire

22/09 | sábado
Trajetos
Bicicleta: Concentração a partir das 10h, no Parque Santana; saída às 12h em direção à Ilha de Deus (Rioteca), e às 14h em direção ao Cais de Santa Rita/Marco Zero

Barco: Concentração a partir das 13h na Ilha de Deus (Rioteca), com debate e visita à comunidade; saída às 14h30, em direção ao Cais de Santa Rita/Marco Zero.

Ônibus/Caminhada: Saída às 14h de Nova Descoberta (Sede do Grupo Mulher Maravilha) de ônibus, com descida no Cais de Santa Rita.

Marco Zero
16h – Debate Cidade Que Flui, com representantes das organizações realizadoras

+     Shows de:
Afoxé Babá Orixalá Funfun
DeLEÃO
DJ Célio do Vinil
Isaar

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Sociedade Civil exibe filmes, realiza debates e propõe rotas alternativas para o Dia Mundial Sem Carro

Mostra de cinema, percursos por modais ativos, barquetada, debates sobre mobilidade e show da cantora Isaar compõem leque de ações de 14 organizações. Programação começará na quarta e seguirá até o sábado, com dia inteiro de ações

Um grupo de 14 organizações da sociedade civil atuantes no debate sobre mobilidade urbana da Região Metropolitana do Recife realizarão a partir desta quarta-feira (19) uma série de ações visando por em pauta e nas ruas as discussões do Dia Mundial Sem Carro, comemorado no dia 22 de setembro, próximo sábado. Sob a chamada “Cidade que Flui”, as ações serão compostas por mostra de cinema, debates sobre mobilidade urbana, gênero e questões ambientais, lançamento de app para ciclistas, sugestão de rotas alternativas com bicicleta, barcos e a pé, aliados ao uso do transporte público, e shows de cultura popular e da cantora Isaar. As ações serão abertas e visam estimular a discussão sobre o uso de modais ativos assim como do transporte público e dos barcos para uma cidade mais livre, coletiva, sustentável e segura nas opções de mobilidade.

A Mostra de Cinema Cidade em Movimento, com curadoria da Mostra Ambiental do Recife (Maré), dará início às comemorações e acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de setembro, com sessões gratuitas no Bairro do Recife, Encruzilhada, Ilha de Deus e Nova Descoberta, nos turnos da tarde e da noite.

No sábado (22), o Dia Mundial Sem Carro, haverá ações pela manhã no Parque Santana, realizadas pela Ameciclo e Bike Anjo. Logo depois, os ciclistas junto a demais grupos, como pescadores e organizações de mulheres de outras áreas, farão saídas abertas em diversos modais, como caminhada, bicicleta e barco. Todos os bondes seguirão até o Cais de Santa Rita e, logo depois ao Marco Zero, onde haverá debate sobre mobilidade urbana, apresentações de afoxé e cultura popular, finalizando com show da cantora Isaar.

Para Thiago Jerohan, membro da Bigu Comunicativismo, uma das organizações realizadoras, essa é uma ação coletiva que pretende dar visibilidade a uma série de organizações que não apenas atuam nas pautas de mobilidade e lutam por políticas públicas no tema, mas que convidam a cidade a buscar outros modais para vivê-la sem a dependência do carro.

“A gente pretende visibilizar aquelas pessoas que, apesar das dificuldades, já pensam e transitam pela cidade buscando alternativas mais baratas, de menor impacto ambiental e paisagístico e que colocam o cidadão como sujeito ativo da cidade. Para além de focar nos problemas, nossa ideia é propor ações que materializem aquilo que defendemos”, propõe o comunicador.

Participam das ações do Dia Mundial Sem Carro no Recife as seguintes organizações: Bigu Comunicativismo, Greenpeace Brasil, Centro Popular de Direitos Humanos – CPDH, Ameciclo, Bike Anjo PE, INCITI, Observatório do Recife, Grupo Mulher Maravilha, Ação Comunitária Caranguejo Uçá, Coque (R)existe, Sindmetro/PE, Frente de Luta Pelo Transporte Público, Coletivo Massapê e MARÉ – Mostra Ambiental do Recife, em parceria com os projetos Olhe Pelo Recife e MobCidades.

Programação Completa

Mostra de Cinema Cidade em Movimento

A partir da quarta-feira (19), começará a Mostra de Cinema Cidade em Movimento, que será realizada até a sexta-feira (21) em quatro localidades distintas pelo Recife. A curadoria é composta pela Mostra Ambiental do Recife – Maré, com colaboração de outros grupos participantes das ações.

No primeiro dia, 19 de setembro, haverá exibição dos filmes Ruínas, de Jacaré Vídeo, Capibaribes, de Canario Caliari e Chega de Fiu Fiu, de Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão às 14h na sede do Grupo Mulher Maravilha, em Nova Descoberta, e às 19h na sede da Ação Comunitária Caranguejo Uçá, na Ilha de Deus.

No segundo dia (20), as exibições acontecerão no Inciti, no Bairro do Recife, com os filmes Andarilho, de João Lucas; Travessia e Fim dos Carros, de Hugo Coutinho; Dia de Fúria, de Rafael Amorim, Exília, de Renata Claus, e Levante, de Barney Lankester-Owen e Susanna Lira. Na sexta-feira (21), será a vez da sessão na loja Reciclo, no Mercado da Encruzilhada, a partir das 19h, com a apresentação dos filmes Capibaribes, de Canario Caliari, e Chega de Fiu Fiu, de Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão.

Por fim, no próprio sabado (22), haverá sessão na Estação Recife, com os filmes Lá do alto, de Luciano Vidigal; História natural, de Júlio Cavani; Pequena área, de Tiago Martins Rêgo e Sebba Cavalcante; Bike Gelo Baiano, de Jacaré Vídeo; e Miró – preto, pobre, poeta e periférico, de Wilson Freire

Dia Mundial Sem Carro

No sábado, dia 22 de setembro, as organizações ocuparão a cidade propondo a realização de trajetos a pé, por bicicleta e por barco em direção ao Marco Zero, no Recife Antigo. A partir das 10h, a Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife – Ameciclo e o Bike Anjo realização uma oficina de stencil de placas de trânsito no Parque Santana. A partir das 13h, parte dos ciclistas seguirá ao Marco Zero, afixando as placas de vinil produzidas ao longo da manhã ao longo do percurso. Outra parte do grupo de ciclistas seguirá em direção à Ilha de Deus.

Na Ilha de Deus, por sua vez, cerca de 20 barcos, com um total de mais de 100 lugares, estarão se concentrando a partir das 13h, com realização de conversa e passeio pela comunidade. Às 14h30, a barquetada seguirá junto aos ciclistas em direção ao Cais de Santa Rita, rememorando a antiga localização do Porto do Recife, e, em seguida ao Marco Zero. Por sua vez, o Grupo Mulher Maravilha sairá de Nova Descoberta em direção também ao Marco Zero, em rota de ônibus complementada com caminhada.

Lançamento de app para ciclistas

Também no sábado, dia 22, durante a bicicletada, será lançado o aplicativo Biciflow, voltado para sinalizar o encontro de ciclistas nos seus percursos. Os detalhes serão ainda definidos pelos desenvolvedores e apoiadores.

Marco Zero e Show de Isaar

A partir das 16h, terá início a programação no Marco Zero, que estará ambientado pelo Coletivo de Estudantes de Arquitetura Massapê. O espaço começará com um debate sobre Mobilidade Urbana e o uso dos modais ativos e do transporte público com a presença de representantes dos grupos organizadores das ações do Dia Mundial Sem Carro no Recife. Após o debate aberto, a partir das 18h, haverá a apresentação das bandas Afoxé Babá Orixalá Funfun e DeLEÃO, com discotecagem do DJ Célio do Vinil. O Dia Mundial Sem Carro será finalizado com show no Marco Zero da cantora Isaar.

SERVIÇO
Dia Mundial Sem Carro – Cidade Que Flui
19 a 22 de setembro // Bairro do Recife, Encruzilhada, Ilha de Deus, Nova Descoberta
Ações livres e abertas

PROGRAMAÇÃO
19 a 21 de setembro
Mostra de Cinema Cidade em Movimento – Curadoria: Mostra Ambiental do Recife (Maré)

# Quarta, 19, Nova Descoberta – Sede do Grupo Mulher Maravilha, 14h // Ilha de Deus – Sede da Ação Comunitária Caranguejo Uçá, 19h
Ruínas (2017, doc), de Jacaré Vídeo
Capibaribes (2015, doc), de Canario Caliari
Chega de Fiu Fiu (2018, doc), de Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão.

# Quinta, 20, INCITI, 19h
Andarilho (João Lucas, 2015)
Travessia (Hugo Coutinho, 2015)
Dia de Fúria (Rafael Amorim, 2015)
Fim dos Carros (Hugo Coutinho, 2015)
Exília (Renata Claus, 2016)
Levante (Barney Lankester-Owen e Susanna Lira, 2015)

# Sexta, 21, Reciclo (Mercado da Encruzilhada), 19h
Capibaribes (2015, doc), de Canario Caliari
Chega de Fiu Fiu (2018, doc), de Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão.

# Sábado, Estação Recife (Metrô), a partir das 9h
Lá do alto (2016), de Luciano Vidigal;

No Brasil, o Dia Mundial Sem Carro ocorre durante a Semana de Trânsito, de 18 a 25 de setembro, instituída desde 1997 pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Afoxé Babá Orixalá Funfun
DeLEÃO
História natural (2014), de Júlio Cavani
Pequena área (2014), de Tiago Martins Rêgo e Sebba Cavalcante;
Bike Gelo Baiano (2015), de Jacaré Vídeo
Miró – preto, pobre, poeta e periférico (2008), de Wilson Freire

22 de setembro

Trajetos

Bicicleta: Concentração a partir das 10h, no Parque Santana; saída às 12h em direção à Ilha de Deus e às 14h em direção ao Cais de Santa Rita/Marco Zero

Barco: Concentração a partir das 13h na Ilha de Deus, com debate e visita à comunidade; saída às 14h30, em direção ao Cais de Santa Rita/Marco Zero

Ônibus/Caminhada: Saída às 14h de Nova Descoberta (Sede do Grupo Mulher Maravilha) de ônibus, com descida no Cais de Santa Rita

Marco Zero

Debate Cidade Que Flui, com representantes das organizações realizadoras

+     Shows de:

Afoxé Babá Orixalá Funfun

DeLEÃO

DJ Célio do Vinil

Isaar

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O espaço do pedestre no Recife

Ensaio de Sabrina Machry

ANO
2016

As cidades estão paralisadas. A crise generalizada da mobilidade urbana incita a reflexão acerca dos modais de transporte: são avaliadas eficiência, com medição de tempos de trajetos, poluição gerada, infraestrutura necessária, custos de implantação e operação e os impactos na saúde dos usuários, (…) a partir da poluição, do stress causado pelo trânsito e pelo aumento do sedentarismo (ANTP, 2015; pág.49).

Chegando a um século do modelo de cidade sob a lógica urbana do transporte motorizado, e apresentando problemas seríssimos de mobilidade, congestão no trânsito e muito tempo gasto nos deslocamentos diários, as políticas públicas sofrem uma inversão: passam a desestimular o uso do veículo motorizado privado e buscar a solução no transporte coletivo. Somam-se ainda novas pautas como o incentivo à infraestrutura cicloviária, espaços públicos de qualidade, ruas para pessoas e atividades pedestres; uma mudança que reflete no desenho urbano das cidades, na legislação vigente, na mentalidade social e na vida dos citadinos.

Esta nova visão interfere diretamente na forma de fazer cidade: nos raios da área urbana, no comprimento dos deslocamentos, na configuração espacial das ruas e calçadas e na variedade do uso e ocupação do solo, de forma a encurtar as distâncias percorridas dentro da cidade. Além disso, determina o nível de percepção e vulnerabilidade do espaço público-privado; pois uma vez que se reduz a velocidade do transeunte, como no caso de deslocamentos não motorizados, aumenta sua capacidade de leitura de detalhes do percurso e ele está mais sujeito à dinâmica da rua, seus riscos e benefícios.

Leia o texto completo.

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Cruzando o Recife no domingo: um rolê de bike

Por Fillipe Vilar

11 de setembro de 2016. Sair pelo Recife de bicicleta e colar em um evento massa, o segundo Domingo no Baobá, de graça, do outro lado da cidade. Era esse o objetivo. Este relato será em primeira pessoa porque não há melhor maneira de contá-lo do que esta. Poderia inventar aqui um narrador distanciado, no entanto estou te convidando para sentir a aventura comigo. Porque foi isso aí, uma aventura. Moro na Zona Sul do Recife, no bairro do Ipsep, e a ideia de sair de bike até o Jardim do Baobá, no bairro das Graças, na Zona Oeste, me pareceu uma boa. Nunca tinha feito isso na vida, ir para tão longe de bicicleta. Mas só se aprende fazendo. Já sabia de antemão que poderia ser arriscado, cansativo, mas é isso que é a vida, não é? Fora que as proximidades, bairro da Torre, Casa Amarela, etc, não conheço direito. Em uma parte do caminho teria que apelar para o quem tem boca chega em – evitando o cacófato do ‘vaia’ – Roma.

Preparativos: sempre uso mochila, mas para andar de bicicleta preferi não carregar peso nas costas, porque poderia fazer diferença mais para frente. Além do mais que moro no terceiro andar de um prédio sem elevador e teria que carregar a bicicleta lá para cima depois de todo o passeio. Uma dor nas costas atrapalharia muito nisso, então seria melhor evitar ao máximo esse tipo de esforço. Aproveitei a cestinha da bike e coloquei tudo o que achei que fosse precisar dentro de uma sacola plástica. Separei cartão de passagem – caso necessário -, documento, uns trocados, uma cadernetinha para anotações, dois pacotes de biscoito recheado, um squeeze de 500 ml com água, meu celular e uma caneta. Enrolei tudo dentro da sacola e estava feita a bagagem.

10h da manhã, minha casa. Tracei a rota de ida no Google, mas como não teria internet pelo caminho, tirei vários prints do mapa para guardar no celular. Seriam 37 minutos, 11 Km exatos. Na minha cabeça, dei uma ‘margem de erro da vida real’: estimei chegar em uma hora, e pedalar cerca de 15 Km. Mas o Google Maps poderia estar certo e era essa a minha esperança. Se estivesse, acabaria repetindo a experiência com mais frequência. Depois do café da manhã, peguei o rumo. Saí pela Rua Jean Emile Favre em direção à Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira e foi aí que cometi o primeiro vacilo de principiante: segui pela faixa de transporte público. Porém era domingo, não tinha muito movimento, me confiei nisso. Acabaria tendo consequências mais tarde, quando cheguei no bairro de Afogados e parti pela Estrada dos Remédios.

Parte da rota traçada por mim no Google Maps

Parte da rota traçada por mim no Google Maps

Um ônibus me cortou e eu perdi o equilíbrio, acabei me estabanando na calçada, apoiando o peso na mão direita – e ficando com uma dorzinha leve no polegar até o momento em que redijo este texto -, além de alguns arranhões pelo braço direito e pernas. Normal. Adrenalina, um pouco de vergonha na hora. Um outro ciclista ofereceu ajuda mas, como eu me senti constrangido, me recompus e continuei pedalando, desta vez em direção ao bairro da Torre, pela Avenida Visconde de Albuquerque, seguindo pela Rua José Bonifácio até chegar no Carrefour da Torre, de lá pegar a Rua João Tude de Melo, a Av. Parnamirim e, por fim, a Rui Barbosa até o Jardim do Baobá. Mas não foi bem assim que aconteceu.

Alguns arranhões por conta da queda. Foto: Fillipe Vilar

Alguns arranhões por conta da queda.
Foto: Fillipe Vilar

Acabei circulando demais e fui parar em Casa Amarela. Não me perguntem como. Voltei pela ciclofaixa de domingo e, enfim, encontrei o parque da Jaqueira. Descansei um pouco por lá para depois, finalmente, chegar ao destino. E valeu a pena. Não conhecia o local antes da reforma, mas estava com bancos, um gramado confortável. Cheguei por lá por volta do meio-dia, uma horaa mais do que minha previsão mais pessimista, mas isso se deve muito, também, à falta de habilidade do ciclista em questão. Apesar de em muitos poucos momentos me sentir realmente seguro para pedalar pelas ruas, seja pela falta de paciência de motoristas, seja por obstáculos na pista, como buracos e pequenos gelos baianos deslocados. Assim que cheguei no Jardim encontrei o pessoal do INCITI e outros conhecidos. Estacionei a bicicleta e fiquei circulando por lá, vendo as pessoas, sentindo o movimento e as atividades. Tava rolando slackline, umas tendinhas de venda de artesanato e comida, um fotógrafo lambe-lambe em frente ao baobá.

Teve lambe-lambe no Jardim do Baobá.

Teve lambe-lambe no Jardim do Baobá.

Os grandes balanços de madeira e metal não paravam de se mexer, as pessoas se divertindo. Tinha de tudo: criança brincando, gente gravando vídeo, fazendo piquenique, fazendo social, fazendo campanha eleitoral. Isso até chegar a chuva – que já tinha caído na madrugada do sábado – e voltar a molhar aquele pedaço de manguezal. Rolou uma dispersão por um tempo, mas em frente ao baobá a terra amoleceu e as crianças começaram a brincar e sujar os pés. Perguntadas sobre qual era a sensação de pisar na lama, elas retrucaram: “parece sorvete de chocolate, é geladinho!”. Filei um pouco de cada comida que o pessoal levou para o parque e aproveitei o momento para dar uma relaxada.

Chuva proporcionou experiência sensorial para as crianças.

Chuva proporcionou experiência sensorial para as crianças.

Veja mais fotos do segundo Domingo no Baobá.

Quando desci o pier de plástico que levava até o Rio Capibaribe, estava lá um barqueiro chamado Seu Davi, que cobrava 10 reais para levar quem quisesse até a ponte da Torre. Troquei uma ideia com ele, que me contou que a cerca de dois quilômetros de lá, descendo o rio em direção à Rua Amélia, haveria outro baobá. Seu Davi foi só elogios para o projeto, já que era uma oportunidade de fazer uma grana com os passeios de barco.

Seu Davi conduzindo um pessoal rio abaixo. Foto: Fillipe Vilar

Seu Davi conduzindo um pessoal rio abaixo.
Foto: Fillipe Vilar

A chuva passou e aos poucos as pessoas foram enchendo de novo o Jardim. A agenda de atividades marcadas para o dia continuou. Na hora em que a meditação começou, por volta das 15h30, resolvi pegar o rumo de volta para casa. Medo de pegar a rua à noite, em algum lugar muito distante.

Estava sem internet e tracei o caminho de volta na minha cabeça: o mesmo de ida. Mais tarde, em casa, descobriria que isso fora um grande vacilo. Acabei alternando demais entre mão e contramão, por receio de me perder, principalmente quando cheguei na altura da Madalena, San Martin, até o bairro de Afogados. Sem necessidade, porque poderia ter ido da Rui Barbosa em direção à Real da Torre, fazendo um caminho bem mais curto. Na Estrada dos Remédios, novamente, outra surpresa: um fio de alta tensão caído na pista, bem dentro de uma grande poça de água. As pessoas na rua avisando os transeuntes, aos gritos.

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Uns garotos tentando pegar, dando pedradas nos fios, um papagaio que estava enrolado na rede elétrica. O mais insólito comum de sempre. Nessa parte da cidade não tem ciclofaixa e é preciso mais atenção para circular. Desviei da confusão e segui em frente. Percebi que o movimento de carros estava bem maior do que pela manhã e acabei pegando muitas calçadas para evitar as ruas com mais tráfego. Isso me fez pedalar mais, fora um problema mecânico nas coroas das marchas da bike, que acabou me atrasando alguns minutos já no bairro da Imbiribeira, mas ali já estava praticamente do lado de casa. Resolvida esta bronca, foi tranquilo chegar.

Às 18h, em ponto, estava em casa. Exausto, machucado, um pouco sujo de lama. Tomei um banho demorado, sentido os arranhões ficarem ardidos com o toque da água do chuveiro. Comi alguma coisa que enchesse muito a barriga e deitei na cama, de onde não mais levantei pelo resto do domingo. Foi tudo o que imaginei no começo: arriscado, cansativo. Porém, divertido. Satisfatório.

Depois do passeio, já na frente de casa. Foto: Fillipe Vilar

Depois do passeio, já na frente de casa.
Foto: Fillipe Vilar

O rolê no Jardim do Baobá foi ótimo e aguardo para que rolem outros, assim como torço para que outros lugares como ele também sejam ativados, mais próximos de onde moro. O Capibaribe corta a cidade inteira e tem muito lugar com potencial para isso. Talvez não precise ir tão longe para aproveitar algo assim. Ou então, com a experiência, talvez me sinta mais seguro para ir tão longe, sabendo, desta vez, tudo o que poderia enfrentar pelo caminho.