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Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque

Com registros dos primeiros anos do projeto, livro do Parque Capibaribe é lançado

“Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque” conta a origem, as diretrizes e como foi a construção da iniciativa que tem reintegrado o Rio Capibaribe ao cotidiano dos recifenses

Um projeto para o futuro é feito com as ideias, o esforço e a vontade de muitas pessoas. Ele é concebido, nasce, se desenvolve e nunca para de evoluir. O Parque Capibaribe é um desses projetos para o futuro. Um projeto para um Recife mais sustentável, mais integrado com o meio ambiente, trazendo as pessoas para o centro desta vivência. Iniciado em 2013 em um convênio da Prefeitura do Recife com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, sob gestão atual da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, e com previsão de conclusão para 2037, data comemorativa dos 500 anos do Recife, o Parque Capibaribe ganha agora seu primeiro registro em formato livro: “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque” – download gratuito aqui.

A publicação foi lançada na manhã da quinta-feira (5), na Prefeitura do Recife. O prefeito Geraldo Julio fez o lançamento em uma reunião online com representantes da sociedade civil e atores públicos ligados ao projeto tais como o Reitor da UFPE Alfredo Gomes; os coordenadores do projeto Roberto Montezuma, Circe Monteiro e Luiz Vieira e o arquiteto, coordenador da reunião e representante da sociedade civil pelo Observatório do Recife, Francisco Cunha. O novo olhar sobre a cidade e sua relação com o rio já rendeu resultados concretos para  a cidade em espaços públicos como o Jardim do Baobá, pedra fundamental do Parque Capibaribe, nas Graças e da Praça Otávio de Freitas, no Derby, remodelada com base nas diretrizes do projeto.

Lançamento foi realizado em uma reunião online com participantes do projeto. Foto: André Rêgo Barros/PCR

“Hoje é um dia histórico, a gente está muito feliz, eu sei que é um dia de emoção para todos que estão participando dessa reunião por tanto trabalho, dedicação e suor. Foi muito importante mexer com as pessoas no ambiente físico, nas reuniões e oficinas, nos espaços de participação da população, dentro da Universidade, os movimentos que aconteceram nos bairros, as caminhadas conduzidas por Chico com a participação de todos nós, tudo isso mexeu muito com a cidade e muito com cada um. E esse é o ponto principal desse projeto, ele marca não só pelo produto, mas pela forma, a forma como chegamos até aqui” comentou o prefeito Geraldo Julio durante a reunião.

“A gente está vivendo o momento mais crítico da vida urbana do Planeta, com a pandemia piorou, então tudo o que puder ser feito para a melhorar a vida nas cidades e para transformar as cidades em cidades mais humanas vão ter grande mérito. Precisamos dessa transformação para morar na cidade que queremos para os nossos filhos, nossa família e para os cidadãos”, complementou ele.

Já o reitor da UFPE Alfredo Gomes comentou sobre a importância da perspectiva de integração do projeto. “É uma alegria estar com a Prefeitura nesta parceria e estamos à disposição para dar continuidade a esta parceria. Entregamos com muita alegria esse livro. Quero fazer o reconhecimento a todos, tivemos mais de 300 pesquisidores envolvidos nessa ação. Muita pesquisa e cruzamento de dados. O trabalho dá uma grande esperança de que os rios promovam a integração e a união da cidade, e não de divisão da cidade. Parabenizo aos envolvidos nessa ação tão importante, em especialmente aos coordenadores. Que possamos construir uma cidade cada vez mais justa, igualitária e inclusiva”, disse ele.

Representando a sociedade civil organizada, Francisco Cunha afirmou que o lançamento do livro é um marco histórico do “mais importante plano urbanístico da história do Recife. “Terminamos descobrindo por essa extraordinária pesquisa realizada que o rio, que corta a cidade, é o meio de realizar a conexão da cidade, uma forma de sutura. Queria homenagear a todos que estão participando e dizer que para mim este é o maior estudo e o mais importante plano urbanístico feito no Recife. Esta é uma iniciativa de reinvenção da cidade. Esse trabalho chegou onde chegou porque o prefeito Geraldo Julio, pessoalmente, foi patrocinador desse projeto”.

Livro marca o término da primeira etapa do projeto Parque Capibaribe.
Foto: André Rêgo Barros/PCR

A Reinvenção do Recife Cidade Parque narra a origem e as diretrizes que construíram o projeto Parque Capibaribe. Fala sobre essa visão de futuro que carrega em si os elementos necessários para a promoção de um reencontro com o Capibaribe e a reestruturação da cidade ao redor deste rio nas próximas duas décadas. Um projeto de uma cidade mais verde, que favorecerá a conexão com a natureza através da gradativa recuperação das águas e matas ciliares e na criação de espaços abertos, coletivos, inclusivos. Uma iniciativa que abraça processos sustentáveis para o enfrentamento dos desafios de um planeta em transformação, com efeitos tanto climáticos quanto econômicos.

“Foi um trabalho histórico de mais de 300 pesquisadores durante oito anos para entregar uma visão de futuro. Um projeto inovador, inclusivo, que tem o objetivo de transformar Recife em uma cidade mais saudável, pacífica e próspera. O Parque Capibaribe é uma tentativa de redescobrir a alma de vanguarda do Recife nestas águas do rio”, explicou o urbanista Roberto Montezuma, coordenador do INCITI.

Também à frente da coordenação do Parque Capibaribe, Circe Monteiro avaliou que o livro é um dos produtos do projeto Parque Capibaribe com produção de conhecimento transversal, envolvendo áreas como economia, sociologia, engenharia, comunicação, design. “Esse projeto foi uma experiência extremamente inovadora e quebrou vários paradigmas na forma de se pensar a cidade”, comentou ela. E Luiz Vieira, mais um coordenador do Parque Capibaribe, fez a apresentação do conteúdo do livro: “é uma grande honra apresentar esse livro, o resultado do projeto Parque Capibaribe”.

Em mais de 300 páginas com textos e amplo material fotográfico, pesquisadores do INCITI, atores públicos e profissionais que trabalharam no processo de criação do projeto fazem um grande ensaio, registro e diagnóstico dos primeiros anos desta ação duradoura para o Recife. Desde a concepção até as ativações de novos espaços da cidade, como no caso do Jardim do Baobá, nas Graças, e da Praça Otávio de Freitas, no Derby. Mas o livro não deixa de fora as ações pontuais, como as reuniões e atividades que fortaleceram ao longo dos anos a identidade do projeto junto aos recifenses.

Além disso tudo, “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque” é um grande estudo sobre o Rio Capibaribe, sua fauna e flora, que estará disponível para pesquisas e projetos futuros, sejam movidos pela gestão pública, pela academia ou pelos próprios cidadãos. O livro físico será distribuído em breve em formato físico em bibliotecas, ONGs e demais coletivos que trabalham pelo desenvolvimento sustentável, e também em formato digital gratuito.

Ribe do Capibaribe: a origem

Você já conhece o Ribe do Capibaribe? O Ribe é uma publicação infantil, de autoria do ilustrador Allan Chaves, com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos – que vivem no principal curso d’água do Recife – se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. Criado como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe do Capibaribe vai além de uma mera publicação. Pretende estabelecer-se também como método de educação ambiental, divertido, capaz de sensibilizar crianças, jovens e adultos sobre o Rio Capibaribe, o desenvolvimento da cidade, os bens naturais, a sustentabilidade e a cultura.

Mas como surgiu tudo isso?, você pode nos perguntar. O Ribe apareceu no projeto Parque Capibaribe pela primeira vez em 2014. Na época, a ideia era ter um mascote que interagia com o público nas redes sociais, em tirinhas de quadrinhos, com uma estética de mangá (os quadrinhos japoneses). O que motivou o surgimento desse personagem foi a necessidade de criar meios para aproximar as pessoas do rio, dos produtos, projetos e pesquisas do Parque Capibaribe, a fim de ajudar na transformação da forma de pensar o rio e a cidade.

Aquela ideia de tirinhas de 2014 foi ganhando corpo e transformou-se em histórias em quadrinhos e atividades para brincar com as crianças. “Quando a ideia dele deixar de ser um personagenzinho que aparecia esporadicamente nas redes sociais do Parque Capibaribe pra ser um personagem maior – que apareceria em eventos, mais quadrinhos – e seria um “rosto” pro Parque, mudei pouca coisa. Ele passou a ser mais colorido, e pra manter a ideia de um personagem caricato, divertido, ele ficou laranja, e não o “marrom normal” da capivara”, conta Allan Chaves.

A primeira versão do Ribe tinha traços de mangá.

Aos poucos, os outros personagens da turma foram sendo criados, como conta a coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE*, Circe Monteiro. “A gente fez uma oficina pra criar as personalidades dos animais. A gente criava uma situação e cada um respondia com aquela persona. Saiu que o Sá (caranguejo-uçá) era o inteligente, o cérebro da turma; o Ribe e a Piba, capivaras desbravadoras, alegres, que gostam de estar junto de todo mundo e são muito afetuosas; o Tio Biu, um jacaré que já era mais velho, que tinha um conhecimento histórico das coisas e do rio; a Gringa, a garça era histérica, de fora”, lembra Circe.

Visitas ao rio também fizeram parte do processo criativo de Allan Chaves junto à equipe de comunicação do Parque Capibaribe. “Pra termos mais conteúdo, fizemos algumas incursões pelo rio, por barco, do Recife Antigo até a Várzea. Graças a isso adicionamos mais personagens além das capivaras, jacaré, garça e caranguejos (algumas que só foram incluídas em one shots, outros que estão guardados pra ideias futuras). Como a fauna é muito rica, paramos pra observar tudo, e disso vieram muitas ideias, muitas piadas e muitos roteiros”, conta Allan.

Pergunta recorrente na expedição: “é bicho ou lixo? “. Dessa vez era bicho, um jacaré. Foto: Manuela Salazar

Passado algum tempo, em 2016 a equipe de Comunicação do projeto Parque Capibaribe decidiu que o Ribe merecia chegar em mais pessoas. Começou então todo o processo de planejamento para lançar essa criatura e seus amigos para o mundo. Com o apoio de Flora Noberto, jornalista e facilitadora da metodologia Dragon Dreaming, os objetivos foram desenvolvidos, as etapas criadas e distribuídas entre a equipe.

Dentre as fases pensadas, uma das principais foi redesenhar o Ribe e seus amigos. A ideia era que os bichinhos se parecessem mais com os animais reais, para que as crianças tivessem mais facilidade de associação, nesse trabalho de visibilidade e valorização da fauna local. O cenário onde se passavam as histórias também ganhou novos contornos, passando a mostrar referências naturais e construções históricas do Recife, como comenta o autor: “Nessa mudança, apesar de ter esse pé no traço “realista”, como toda boa obra de ficção, tínhamos nosso pezinho na imaginação, pra que pudéssemos pôr ele limpando o rio, algumas vezes agindo como humano ou sonhando em andar de bicicleta”.

Projeto na mão, ilustrações, brincadeiras e roteiros aprovados começamos a buscar parceiros que topassem aperfeiçoar e entrar nessa empreitada conosco. “Depois veio um aprofundamento com pedagogos nos ensinando como levar a história, as palavras, para as crianças. Como as crianças poderiam melhor captar, e a ideia de transformar isso em uma brincadeira, uma diversão. A melhor coisa pra aprender é diversão”, diz Circe.

Foi aí que em 2018 a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) resolveu embarcar no sonho com a gente. Com o livro em mãos, o Ribe do Capibaribe vai pras ruas, pras mãos de crianças, educadores, para escolas e bibliotecas. Tímido, Allan ainda reflete sobre o impacto de sua obra sobre o Recife: “Eu não sei bem o que sentir, é uma sensação estranha, mas muito boa, nunca pensei sobre isso parar em bibliotecas, escolas, livrarias e ser algo ligado ao ambiental ou educativos. É tudo novo pra mim, eu tenho orgulho de cada página, cada história, cada atividade”.

Olhando assim, parece até que foi um longo processo. Mas esperamos que esse seja só o começo de muitas outras aventuras e formato para o Ribe do Capibaribe.

Se quiser conhecer o Ribe do Capibaribe, o livro já está disponível para download na área de publicações do nosso site. Para conferir: bit.ly/publicacoesparque.

* O INCITI/UFPE é um grupo de pesquisa que, em parceria com a Prefeitura do Recife, desenvolve o projeto Parque Capibaribe.