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Caminhabilidade no Recife: Análise morfológica e perceptiva da qualidade da interface público-privada no bairro das Graças

Dissertação de Sabrina Machry

ANO
2016

INTRODUÇÃO
Como ocorre em diversas grandes cidades brasileiras, o Recife conta hoje com uma infraestrutura urbana que prioriza deslocamentos em automóvel privado. O transporte público coletivo em geral está sujeito à congestão do tráfego motorizado, pois as faixas e corredores exclusivos não atendem todo o itinerário realizado pelos ônibus intramunicipais e a rede metroviária não alcança a maior parte do território. Além disso tanto os veículos coletivos quanto os pontos de espera do sistema (paradas de ônibus e metrô) não oferecem conforto ao usuário. A ausência de ar condicionado nos veículos, a falta de sombreamento nas paradas, as péssimas condições de segurança das calçadas e travessias viárias, entre outros problemas, desqualificam a experiência do deslocamento em transporte público.

Somadas a estas dificuldades, a cidade possui infraestrutura cicloviária pouco eficiente devido à fragmentação das rotas e o baixo alcance no território, além disso, há falta de sinalização apropriada para ciclistas e pedestres. Neste contexto, os deslocamentos pedestres não são incentivados ou sequer respeitados. Grande parte dos trechos de passeio público, quando existem, são estreitos, não recebem manutenção e frequentemente apresentam obstruções, falhas e buracos ao longo do percurso. A cidade enfrenta, assim, uma negação dos espaços públicos, tornando a relação público-privada cada vez mais austera; a relação de invisibilidade e dissociação entre os espaços públicos e privados, agrava a condição pedestre, ampliando a sensação de insegurança nas ruas. Quando a vitalidade urbana existe em um bairro ou rua, geralmente ocorre de forma fragmentada, atingindo um raio limitado.

A exemplo de situações internacionais – conforme será melhor abordado ao longo do trabalho – muitas cidades brasileiras iniciaram processos de transformação no qual a humanização dos espaços públicos é um importante caminho para soluções de problemas urbanos de cunho social, ambiental e econômico. Geralmente os grandes problemas urbanos estão associados a cidades já consolidadas, que apresentam diferentes graus de densificação e expansão territorial, mas a grosso modo uma infraestrutura urbana deficitária.

Assim, a reestruturação urbana pautada nas premissas da humanização das cidades é, para além da identificação de condições espaciais e funcionais ideais, um exercício de como transformar a configuração urbana existente. Surge então a necessidade de estudar como intervir no construído, promovendo a atividade pedestre.

Tendo isso em conta, este trabalho nasce da vontade de orientar a intervenção no espaço construído, mais especificamente a requalificação dos tecidos urbanos consolidados de forma a tornar o espaço público mais convidativo e confortável à atividade pedestre. Para tanto, o
tema central eleito para este estudo é a Caminhabilidade, conceito que tem como foco a atividade e o espaço pedestre. O objetivo é avançar nos conhecimentos sobre métodos de avaliação espacial, com ênfase na análise da interface público-privada na promoção de atratividades para atividade pedestre. Como estudo de caso, o recorte espacial escolhido foi o Bairro das Graças, na cidade do Recife (Pernambuco, Brasil).

Acesse a dissertação na íntegra.

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Vamos a pé para o 11º Café na Calçada?

No próximo domingo (17), o INCITI participará do 11º Café na Calçada para conversar com  os moradores das Graças que queiram tirar dúvidas sobre a implementação do projeto Parque Capibaribe. O encontro serve para aproximar e engajar os cidadãos sobre as diversas ações que envolvem o bairro e a novidade na edição deste mês será a realização do Bonde a pé para o Café.

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Parque Capibaribe será apresentado para moradores das Graças

Encontro de vizinhos que ocorre mensalmente no bairro das Graças, o Café na Calçada acontece nos espaços públicos do bairro, reunindo moradores que compartilham de algumas conversas e um café da manhã. A partir deste mês de agosto, o evento, que tem como objetivo aproximar e engajar os cidadãos sobre as diversas ações que envolvem o bairro, terá a presença dos pesquisadores do INCITI, grupo de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a fim de tirar dúvidas sobre o projeto Parque Capibaribe. O projeto, desenvolvido pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, em parceria com a UFPE, prevê um sistema de parques integrados no Recife que se estenderá por 30 km do percurso do rio Capibaribe.

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Parque Capibaribe inspira Semana do Caminhar no Recife

Iniciativa acontece simultaneamente em nove cidades do Brasil e pauta a necessidade de um desenvolvimento urbano mais amigável para os pedestres

A mobilidade a pé é um dos pilares que compõem a construção colaborativa da Nova Agenda Urbana (NAU), documento chancelado pela ONU-Habitat que irá guiar o desenvolvimento sustentável do planeta até 2036. No Recife, o desenvolvimento de uma cidade mais amigável para pedestres e ciclistas vem sendo planejado pelo Parque Capibaribe, projeto realizado através de parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA), e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades. É a partir desse cenário de futuro que está sendo desenhado na capital pernambucana, que será realizada, a partir de segunda-feira (7), em três bairros da cidade, a série de ativações Percursos Sensitivos. A iniciativa integra a programação nacional da Semana do Caminhar 2017, organizada pelo SampaPé! (SP), e promovida no Recife pelo INCITI, em parceria com o Coletivo Massapê e com apoio da Prefeitura do Recife.

A série de ativações Percursos Sensitivos terá como pano de fundo as premissas do projeto Parque Capibaribe: abraçar, chegar, percorrer, atravessar e ativar. A ideia é lançar um convite para a construção coletiva de uma cidade mais amigável para pedestres e ciclistas. “A proposta é de construir novas diretrizes para a mobilidade ativa, abrir um canal de diálogo e fomentar a cooperação das redes de articulação para a mobilidade”, declara o coordenador de Ativação do INCITI/UFPE, Caio Scheidegger.

A primeira atividade acontece na segunda-feira (7), das 14h às 17h, na Vila Santa Luzia, com as crianças da Escola Creusa Barreto Dornelas Câmara. Na ocasião, os estudantes serão envolvidos em uma imersão, a fim de diagnosticarem suas experiências de deslocamento de casa até a escola. De quarta (9) a sexta-feira (11), uma série de debates serão abertos ao público, em diferentes espaços de influência do Parque Capibaribe, a fim de incitar a reflexão sobre o caminhar na cidade. Na quarta-feira, das 14h às 17h, a roda de diálogos sobre o Bem Viver e o Direito à Cidade será no Jardim do Baobá. Já na quinta-feira (10), das 14h às 17h, a beira do rio, no final da rua das Pernambucanas, abriga o debate sobre gênero e empoderamento feminino na cidade. O tema da mobilidade ativa será discutido na sexta-feira (11), das 14h às 17h, no Econúcleo Jaqueira. Pra encerrar a Semana do Caminhar no Recife, a Vila Santa Luzia recebe uma segunda rodada de atividade colaborativa com as crianças da comunidade, na segunda-feira (14).

Para mais informações sobre as atividades: http://bit.ly/sdocaminhar | ativar@inciti.org.

Ação – A Semana do Caminhar 2017 é um evento que celebra o caminhar e chama atenção para este modo de se deslocar e interagir com a cidade. Organizado pelo SampaPé!, conta com muitos parceiros e acontece entre os dias 7 e 13 de agosto, em 9 cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Manaus, Juazeiro do Norte, São Carlos, Recife e Porto Alegre). Em sua primeira edição, traz o tema: “Caminhar dá liga”. Pelo caminhar, todos os meios de transportes são interconectados e as pessoas se ligam mais com a cidade e com outras pessoas.

SampaPé! é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2012 com o objetivo de melhorar a experiência do caminhar na cidade. Nasceu com o objetivo de aproximar o cidadão da sua própria cidade através do deslocamento a pé, pois é a forma mais próxima e humana de interação com a cidade.

INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades é uma rede de pesquisadores transdisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que acredita na capacidade do cidadão em transformar a própria cidade. Propõe investigar a experiência urbana, analisar qualidade do espaço e do comportamento dos habitantes, além de buscar a compreensão dos processos, das pessoas e de suas reflexões.

Parque Capibaribe – O projeto prevê um sistema de parques integrados no Recife que se estenderá por 30 km do percurso do rio Capibaribe. Desenvolvido por meio de um convênio inovador entre a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife (SDSMA), e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por meio do INCITI.

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Serviço
Percursos Sensitivos | Semana do Caminhar 2017
Informações: http://bit.ly/sdocaminhar

Programação:
Vivência – Caminhada Sensitiva – Para os alunos da Escola
Quando: Segunda-feira, 07 de agosto de 2017
Onde: E.E.R.E.F. Creusa Barreto Dornelas Camara (Rua Cantora Clara Nunes – Vila Santa Luzia, Torre – Recife)
Hora: 14h às 17h
Parceria: INCITI, Coletivo Massapê e E.R.E.E.F. Creusa Barreto Dornelas Camara

Debate – Bem Viver e Direito à Cidade
Quando: Quarta-feira, 09 de agosto de 2017
Onde: Jardim do Baobá (Rua Madre Loyola, 2 – Graças – Recife)
Hora: 14h às 17h
Aberto ao público

Debate – Gênero e empoderamento feminino na cidade: A mulher na construção do espaço público
Quando: Quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Onde: Graças, no final da Rua das Pernambucanas, próximo ao Rio Capibaribe.
Hora: 14h às 17h
Aberto ao público

Debate – Mobilidade Ativa
Quando: Sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Onde: Jaqueira, Econúcleo do Parque da Jaqueira
Hora: 14h às 17h
Aberto ao público

Vivência – Caminhada Sensitiva – Para os alunos da Escola
Quando: Segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Onde: E.E.R. Creusa Barreto Dornelas Camara (Rua Cantora Clara Nunes – Vila Santa Luzia, Torre – Recife)
Hora: 14h-17h
Parceria: INCITI, Coletivo Massapê e E.E.R.E.F. Creusa Barreto Dornelas Camara

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Obras do Parque das Graças começam em Junho

Após a abertura do Jardim do Baobá, o projeto Parque Capibaribe, convênio técnico entre a rede de pesquisadores INCITI/UFPE e a Prefeitura do Recife, deu mais um importante passo hoje pela manhã. O segundo módulo do projeto que vem sendo chamado de “Parque das Graças” teve a ordem de serviço para as obras assinada pelo prefeito, Geraldo Julio, na manhã desta quinta-feira, 01 de junho de 2017, às margens do rio Capibaribe, no bairro das Graças. Com uma pequena solenidade ao ar livre, representantes do INCITI/UFPE, da Prefeitura do Recife, da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), da Associação Por Amor às Graças e demais moradores do entorno celebraram um novo marco para a cidade do Recife.

Prefeito Geraldo Julio assina ordem de serviço para as obras do Parque das Graças. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

O Parque das Graças trará soluções de baixo impacto ambiental e grande repercussão para a vida dos moradores e frequentadores do bairro. A área que receberá o projeto tem a dimensão de 1 km e fica entre as Pontes da Torre e da Capunga, e as obras irão começar no trecho entre a Rua Amélia e a Rua Manoel de Almeida, com a limpeza do espaço para iniciar as intervenções. O investimento total será de R$ 26.574.446,75, com recursos da Caixa Econômica Federal/ Ministério das Cidades. As obras serão acompanhadas pela Prefeitura do Recife, por meio da URB. O prazo para execução é de 18 meses.

** Veja mais detalhes do projeto aqui.

Roberto Montezuma – Coordenador do INCITI/UFPE. Foto: Andréa Rêgo Barros

O prefeito Geraldo Julio relembrou que ao invés de uma via expressa com quatro faixas, prevista em proposta anterior, o projeto foi repensado de acordo com os conceitos do Parque Capibaribe, após debate com os moradores do local. “Vivemos em um momento de muita tragédia, violência e intolerância, mas para transformarmos essa situação temos que mudar os nossos comportamentos, e pra fazer diferente tem que ter quebras e enfrentamentos. Esse projeto aqui é um exemplo disso, se deixássemos as coisas acontecerem no piloto automático, os mesmos erros iriam se repetir. A capacidade de abertura e discussão fez a gente mudar”, afirmou.

Lúcia Moura, presidente da Associação Por Amor às Graças. Foto: INCITI/UFPE

A presidente da Associação Por Amor às Graças, Lúcia Moura, falou da importância do Parque Capibaribe para o bairro e aproveitou a oportunidade para fazer uma reivindicação: “É uma conquista nossa depois de 10 anos de muita luta, agradeço a toda comunidade das Graças. Nós nunca vamos parar de reivindicar, nós amamos esse lugar. Aproveito e faço um apelo sobre a poda das árvores no bairro, temos que ter mais cuidados”.

Bruno Schwambach , secretario da SDSMA. Foto: Andréa Rêgo Barros

O secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife (SDSMA), Bruno Schwambach, ressaltou a importância de um projeto estruturador: “Cheguei há pouco tempo, mas já estou impressionado, pela primeira vez a cidade está sendo pensada a longo prazo, dialogando com as pessoas e com o entorno. Tive a oportunidade de acompanhar e apresentar esse projeto e todos se impressionam como estamos alinhados à Nova Agenda Urbana (ONU), e também ao nosso plano de redução de carbono, dando prioridade ao pedestre, ao ciclista”, declarou.

Atual secretária da Mulher do Recife e participante ativa no projeto do Parque Capibaribe como secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade na gestão anterior, Cida Pedrosa, estava realizada: “Eu tô emocionada como gente, como cidadã, é uma coisa muito maior do que participar coordenando um projeto desse. É uma etapa de um sonho para o futuro. Quero um dia navegar e nadar no Capibaribe, o Parque vai descortinar esse rio para a cidade. Essa obra das Graças é mesmo que dizer para João Cabral de Melo Neto e seu cão sem plumas que essa cidade é possível”.

Outras convidados também estiveram presentes no evento, como os vereadores Wanderson Florêncio, Aderaldo Pinto, Ivan Moraes e Romerinho Jatobá; o Chefe de Gabinete para Projetos Especiais João Guilherme; o secretário do Governo e Participação Social Sileno Guedes; o consultor e sócio da TGI Francisco Cunha, o presidente da URB João Alberto; e o Vice-Prefeito Luciano Siqueira.

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Uso do Jardim do Baobá é tema de reflexão

Espaços públicos trazem a possibilidade de múltiplas trocas e vivências. E o Jardim do Baobá, marco inicial do Parque Capibaribe, situado no bairro das Graças, não foge à regra. Desde que o espaço começou a ser utilizado, ainda em 2016, muitos têm sido os elogios a respeito do ambiente, que abriu uma nova janela para fruição do rio Capibaribe, em meio à cidade. Mas também alguns conflitos vão surgindo quanto ao uso e manutenção do mesmo.
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Jardim do Baobá ganha iluminação especial

Espaço às margens do Capibaribe recebe 23 postes com lâmpadas de LED e melhorias no canteiro central

Diante do sucesso do Jardim do Baobá em seus primeiros sete meses de funcionamento, a Prefeitura do Recife iniciou obras complementares para estimular ainda mais a utilização do equipamento. Primeiro trecho implantado do Projeto Parque Capibaribe, o espaço público municipal, localizado nas Graças, às margens do rio, vai receber 23 postes de iluminação com lâmpadas de LED, mais econômicas.

Durante as obras, a população poderá frequentar o espaço normalmente. A intervenção no Jardim do Baobá inclui ainda a instalação de piso de concreto intertravado no passeio central. “A nova iluminação é adequada aos usos do espaço. Já o concreto intertravado favorece a absorção da água de chuva”, esclarece o secretário-executivo de Projetos Especiais da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, Romero Pereira. A previsão para conclusão das obras é de cerca de 40 dias.

O Jardim tem 2.200 m² e foi entregue à população no dia 11 de setembro de 2016. Conta com uma mesa de uso coletivo de 10,5 metros de comprimento para piqueniques e jogos, além de três balanços-escultura de 6 metros de altura que comportam crianças e adultos. Ocupa a margem do Rio Capibaribe entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, próximo à antiga estação Ponte D’Uchoa.

O espaço público fica no entorno de um baobá, que faz parte da lista das 54 árvores e palmeiras tombadas do Recife. O exemplar de espécie africana tem 15 metros de altura e teve preservado o solo natural em seu entorno. Com 700 metros quadrados de gramado e um píer flutuante, o jardim segue as diretrizes do Projeto Parque Capibaribe, que prevê intervenções ao longo de 30 quilômetros de margens (15 km de cada lado) até 2037.

Iniciado em 2013, pela Prefeitura do Recife, o projeto é fruto de um convênio entre a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente e um grupo interdisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A execução dos serviços é financiada por um mecanismo de compensação ambiental denominado Projeto de Revitalização de Áreas Verdes (Prav). O valor inicial do projeto é de R$ 800 mil, estando custos dessa etapa da obra incluídos nesse montante.

Ficha da obra:
23 novos postes com lâmpadas LED, mais econômicas
100 metros é a extensão do passeio central
4,20 metros é a largura
480 metros quadrados é a área aproximada a ser revestida com piso intertravado de concreto

Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife

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Jardim do Baobá volta às obras nesta segunda-feira (20)

Marco inicial do projeto Parque Capibaribe, desde abril de 2016 o Jardim do Baobá está aberto ao público para uma fase experimental, que teve como objetivo avaliar os usos do espaço, no intuito de fazer ajustes e correções que correspondam às necessidades e aos anseios dos diversos usuários.

Depois de um período de sucesso, em que moradores do entorno e visitantes adotaram o espaço para atividades de lazer diversas, nesta segunda-feira, 20 de março de 2017, o Jardim do Baobá será interditado por 40 dias para receber melhorias e poderá, então, ser inaugurado de maneira definitiva. As obras são financiadas com verba de mitigação do Real Hospital Português e estão sob os cuidados da ABTEC Engenharia.

O Jardim do Baobá, localizado entre as ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, na altura da Estação Ponte D’Uchôa, no bairro das Graças, tem uma área de 3.800 m². Hoje conta com três balanços de seis metros de altura que podem abrigar duas pessoas simultaneamente (adultos e crianças), bancos de madeira para aproximadamente 100 pessoas, uma mesa de 10 metros de comprimento para uso compartilhado, terraços gramados para diversos usos e também um pequeno píer flutuante aberto para visitação e que possibilita a atracação de pequenas embarcações.

Nesta nova fase das obras, que antecede a inauguração definitiva do espaço, serão realizadas as seguintes ações: conclusão do piso de concreto intertravado, recuperação do piso que foi danificado nas duas ruas de acesso ao Jardim, implementação de postes de luz com baixo impacto ambiental, recomposição da vegetação nativa da mata atlântica nordestina, recuperação das tampas de drenagem das ruas de acesso e instalação de poço.

Parque Capibaribe – O projeto prevê um sistema de parques integrados que se estenderá por 30 km (correspondente à extensão das duas margens do rio Capibaribe na cidade do Recife) e irá conectar espaços e efetivar, para pedestres e ciclistas, uma forma mais fácil e segura de se deslocar pela cidade. É desenvolvido por meio de um convênio inovador entre a Prefeitura da Cidade do Recife, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife e o INCITI, rede de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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Cruzando o Recife no domingo: um rolê de bike

Por Fillipe Vilar

11 de setembro de 2016. Sair pelo Recife de bicicleta e colar em um evento massa, o segundo Domingo no Baobá, de graça, do outro lado da cidade. Era esse o objetivo. Este relato será em primeira pessoa porque não há melhor maneira de contá-lo do que esta. Poderia inventar aqui um narrador distanciado, no entanto estou te convidando para sentir a aventura comigo. Porque foi isso aí, uma aventura. Moro na Zona Sul do Recife, no bairro do Ipsep, e a ideia de sair de bike até o Jardim do Baobá, no bairro das Graças, na Zona Oeste, me pareceu uma boa. Nunca tinha feito isso na vida, ir para tão longe de bicicleta. Mas só se aprende fazendo. Já sabia de antemão que poderia ser arriscado, cansativo, mas é isso que é a vida, não é? Fora que as proximidades, bairro da Torre, Casa Amarela, etc, não conheço direito. Em uma parte do caminho teria que apelar para o quem tem boca chega em – evitando o cacófato do ‘vaia’ – Roma.

Preparativos: sempre uso mochila, mas para andar de bicicleta preferi não carregar peso nas costas, porque poderia fazer diferença mais para frente. Além do mais que moro no terceiro andar de um prédio sem elevador e teria que carregar a bicicleta lá para cima depois de todo o passeio. Uma dor nas costas atrapalharia muito nisso, então seria melhor evitar ao máximo esse tipo de esforço. Aproveitei a cestinha da bike e coloquei tudo o que achei que fosse precisar dentro de uma sacola plástica. Separei cartão de passagem – caso necessário -, documento, uns trocados, uma cadernetinha para anotações, dois pacotes de biscoito recheado, um squeeze de 500 ml com água, meu celular e uma caneta. Enrolei tudo dentro da sacola e estava feita a bagagem.

10h da manhã, minha casa. Tracei a rota de ida no Google, mas como não teria internet pelo caminho, tirei vários prints do mapa para guardar no celular. Seriam 37 minutos, 11 Km exatos. Na minha cabeça, dei uma ‘margem de erro da vida real’: estimei chegar em uma hora, e pedalar cerca de 15 Km. Mas o Google Maps poderia estar certo e era essa a minha esperança. Se estivesse, acabaria repetindo a experiência com mais frequência. Depois do café da manhã, peguei o rumo. Saí pela Rua Jean Emile Favre em direção à Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira e foi aí que cometi o primeiro vacilo de principiante: segui pela faixa de transporte público. Porém era domingo, não tinha muito movimento, me confiei nisso. Acabaria tendo consequências mais tarde, quando cheguei no bairro de Afogados e parti pela Estrada dos Remédios.

Parte da rota traçada por mim no Google Maps

Parte da rota traçada por mim no Google Maps

Um ônibus me cortou e eu perdi o equilíbrio, acabei me estabanando na calçada, apoiando o peso na mão direita – e ficando com uma dorzinha leve no polegar até o momento em que redijo este texto -, além de alguns arranhões pelo braço direito e pernas. Normal. Adrenalina, um pouco de vergonha na hora. Um outro ciclista ofereceu ajuda mas, como eu me senti constrangido, me recompus e continuei pedalando, desta vez em direção ao bairro da Torre, pela Avenida Visconde de Albuquerque, seguindo pela Rua José Bonifácio até chegar no Carrefour da Torre, de lá pegar a Rua João Tude de Melo, a Av. Parnamirim e, por fim, a Rui Barbosa até o Jardim do Baobá. Mas não foi bem assim que aconteceu.

Alguns arranhões por conta da queda. Foto: Fillipe Vilar

Alguns arranhões por conta da queda.
Foto: Fillipe Vilar

Acabei circulando demais e fui parar em Casa Amarela. Não me perguntem como. Voltei pela ciclofaixa de domingo e, enfim, encontrei o parque da Jaqueira. Descansei um pouco por lá para depois, finalmente, chegar ao destino. E valeu a pena. Não conhecia o local antes da reforma, mas estava com bancos, um gramado confortável. Cheguei por lá por volta do meio-dia, uma horaa mais do que minha previsão mais pessimista, mas isso se deve muito, também, à falta de habilidade do ciclista em questão. Apesar de em muitos poucos momentos me sentir realmente seguro para pedalar pelas ruas, seja pela falta de paciência de motoristas, seja por obstáculos na pista, como buracos e pequenos gelos baianos deslocados. Assim que cheguei no Jardim encontrei o pessoal do INCITI e outros conhecidos. Estacionei a bicicleta e fiquei circulando por lá, vendo as pessoas, sentindo o movimento e as atividades. Tava rolando slackline, umas tendinhas de venda de artesanato e comida, um fotógrafo lambe-lambe em frente ao baobá.

Teve lambe-lambe no Jardim do Baobá.

Teve lambe-lambe no Jardim do Baobá.

Os grandes balanços de madeira e metal não paravam de se mexer, as pessoas se divertindo. Tinha de tudo: criança brincando, gente gravando vídeo, fazendo piquenique, fazendo social, fazendo campanha eleitoral. Isso até chegar a chuva – que já tinha caído na madrugada do sábado – e voltar a molhar aquele pedaço de manguezal. Rolou uma dispersão por um tempo, mas em frente ao baobá a terra amoleceu e as crianças começaram a brincar e sujar os pés. Perguntadas sobre qual era a sensação de pisar na lama, elas retrucaram: “parece sorvete de chocolate, é geladinho!”. Filei um pouco de cada comida que o pessoal levou para o parque e aproveitei o momento para dar uma relaxada.

Chuva proporcionou experiência sensorial para as crianças.

Chuva proporcionou experiência sensorial para as crianças.

Veja mais fotos do segundo Domingo no Baobá.

Quando desci o pier de plástico que levava até o Rio Capibaribe, estava lá um barqueiro chamado Seu Davi, que cobrava 10 reais para levar quem quisesse até a ponte da Torre. Troquei uma ideia com ele, que me contou que a cerca de dois quilômetros de lá, descendo o rio em direção à Rua Amélia, haveria outro baobá. Seu Davi foi só elogios para o projeto, já que era uma oportunidade de fazer uma grana com os passeios de barco.

Seu Davi conduzindo um pessoal rio abaixo. Foto: Fillipe Vilar

Seu Davi conduzindo um pessoal rio abaixo.
Foto: Fillipe Vilar

A chuva passou e aos poucos as pessoas foram enchendo de novo o Jardim. A agenda de atividades marcadas para o dia continuou. Na hora em que a meditação começou, por volta das 15h30, resolvi pegar o rumo de volta para casa. Medo de pegar a rua à noite, em algum lugar muito distante.

Estava sem internet e tracei o caminho de volta na minha cabeça: o mesmo de ida. Mais tarde, em casa, descobriria que isso fora um grande vacilo. Acabei alternando demais entre mão e contramão, por receio de me perder, principalmente quando cheguei na altura da Madalena, San Martin, até o bairro de Afogados. Sem necessidade, porque poderia ter ido da Rui Barbosa em direção à Real da Torre, fazendo um caminho bem mais curto. Na Estrada dos Remédios, novamente, outra surpresa: um fio de alta tensão caído na pista, bem dentro de uma grande poça de água. As pessoas na rua avisando os transeuntes, aos gritos.

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Uns garotos tentando pegar, dando pedradas nos fios, um papagaio que estava enrolado na rede elétrica. O mais insólito comum de sempre. Nessa parte da cidade não tem ciclofaixa e é preciso mais atenção para circular. Desviei da confusão e segui em frente. Percebi que o movimento de carros estava bem maior do que pela manhã e acabei pegando muitas calçadas para evitar as ruas com mais tráfego. Isso me fez pedalar mais, fora um problema mecânico nas coroas das marchas da bike, que acabou me atrasando alguns minutos já no bairro da Imbiribeira, mas ali já estava praticamente do lado de casa. Resolvida esta bronca, foi tranquilo chegar.

Às 18h, em ponto, estava em casa. Exausto, machucado, um pouco sujo de lama. Tomei um banho demorado, sentido os arranhões ficarem ardidos com o toque da água do chuveiro. Comi alguma coisa que enchesse muito a barriga e deitei na cama, de onde não mais levantei pelo resto do domingo. Foi tudo o que imaginei no começo: arriscado, cansativo. Porém, divertido. Satisfatório.

Depois do passeio, já na frente de casa. Foto: Fillipe Vilar

Depois do passeio, já na frente de casa.
Foto: Fillipe Vilar

O rolê no Jardim do Baobá foi ótimo e aguardo para que rolem outros, assim como torço para que outros lugares como ele também sejam ativados, mais próximos de onde moro. O Capibaribe corta a cidade inteira e tem muito lugar com potencial para isso. Talvez não precise ir tão longe para aproveitar algo assim. Ou então, com a experiência, talvez me sinta mais seguro para ir tão longe, sabendo, desta vez, tudo o que poderia enfrentar pelo caminho.

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Jardim do Baobá recebe atividades neste domingo (11/09)

Evento colaborativo “Domingo no Baobá” convida população a vivenciar o Parque Capibaribe, com piquenique, atividades artísticas, esportivas e de lazer

Uma árvore centenária da espécie Baobá é o marco inicial do Parque Capibaribe. Para incentivar as pessoas a conhecer o espaço público será realizada a segunda edição do encontro colaborativo “Domingo no Baobá” neste domingo (11/09), das 9h às 17h. Assim como na edição anterior, que aconteceu em abril deste ano e mobilizou um grande público, o convite é para que as pessoas vivenciem o Jardim do Baobá, localizado nas margens do rio Capibaribe, no bairro das Graças. É uma oportunidade de sentir o prazer de estar em contato com a natureza e ocupar o espaço com piqueniques, brincadeiras para crianças, atividades artísticas e de lazer, yoga, meditação, pilates, práticas esportivas, entre outras. O Jardim do Baobá é o primeiro trecho do Parque Capibaribe, que se estenderá por 30 km até 2037. O espaço público teve suas obras iniciadas em maio deste ano e está em fase de conclusão. O acesso ao local pode ser feito pelas ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, na altura da Estação Ponte D’Uchôa.

A iniciativa do encontro colaborativo “Domingo no Baobá” é do INCITI, grupo de Pesquisa e Inovação para as Cidades, ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que vem promovendo na cidade um programa de ativações das margens do rio Capibaribe com a mobilização de pessoas, grupos, artistas, organizações não-governamentais para que realizem ações diversas. Os que quiserem propor uma atividade coletiva para a programação, precisam preencher formulário online neste link. Para partilhar as experiências, as pessoas são estimuladas a postar nas redes sociais com hashtag #JardimdoBaoba, #DomingoNoBaoba e #ParqueCapibaribe.

O projeto Parque Capibaribe proporciona a recuperação das condições ambientais naturais ao longo do rio, melhoria que já pode ser observada no Jardim do Baobá com a aproximação de capivaras, saguis, lontras e outros animais ocupando as margens do rio, neste novo refúgio ambiental. O baobá das Graças é tombado como Patrimônio do Recife desde 1988, tem 15 metros de altura, copa com 10 metros de diâmetro e tronco de cinco metros de diâmetro. O solo natural ao redor do baobá foi preservado, reduzindo a área pavimentada no local. A área total do Jardim do Baobá é de 2.200,00m², sendo 700,00m² com gramado, além de passeios e ciclovia.

Para dialogar com a grandiosidade da árvore e promover a interação entre as pessoas, três balanços duplos e uma mesa comunitária foram instalados no local. A mesa, com 10 metros de comprimento, comporta aproximadamente 30 pessoas e estimula o uso compartilhado para piqueniques e jogos de tabuleiro, por exemplo. O espaço ainda conta bancos para aproximadamente 100 pessoas e três balanços duplos para pessoas de todas as idades. Os balanços, com seis metros de altura, tem a intenção de unir pessoas, criar e fortalecer vínculos, pois comportam duas pessoas ao mesmo tempo. Assim, pais e filhos, amigos, namorados podem se divertir juntos. Um deck flutuante também é uma novidade da área, que possibilita a atração de pequenas embarcações. Conheça o projeto do Jardim do Baobá neste link http://goo.gl/Px41rW.

O Jardim do Baobá ainda terá plantio de árvores e receberá iluminação especial, pavimento, lixeiras, balizadores para área de pedestres, placas de sinalização e informativas sobre a fauna e a flora local, câmeras de segurança.

PARQUE CAPIBARIBE – O “Jardim do Baobá” é parte de um projeto maior do Parque Capibaribe, desenvolvido por meio de um convênio entre a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, e o INCITI. O projeto consiste em implantar um sistema de mobilidade não motorizada com passeios e ciclovias, além de revelar paisagens do Rio Capibaribe com áreas de estar, passarelas e píeres para pequenas embarcações. O Parque Capibaribe propõe também o plantio de árvores e o aumento do solo permeável, visando preparar a cidade para enfrentar os efeitos de mudanças climáticas. O Parque, que se estenderá por todo o percurso do Rio Capibaribe, irá articular espaços públicos existentes em uma área de influência de 42 bairros e promover transformações para que o Recife se torne uma Cidade-Parque capaz de oferecer novas oportunidades e maior qualidade de vida a seus habitantes.

SERVIÇO
Quando: Neste domingo, 11 de setembro, a partir das 9h
Onde: No Jardim do Baobá, atrás da Estação Ponte D’Uchoa e do restaurante Papa-Capim. Indo pela Avenida Rui Barbosa, entrar à direita na rua Madre Loyola ou na rua Antônio Celso Uchôa Cavalcanti.
Quanto: Entrada franca, claro!
Outras informações: https://www.facebook.com/events/1644108445919323/