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O espaço público frente ao urbanismo tático: o caso das Praias do Capibaribe

Artigo de Amanda Florêncio e André Moraes de Almeida

ANO
2015

RESUMO
Este artigo refere-se às transformações dos espaços públicos às margens do Rio Capibaribe, na cidade do Recife, na costa nordeste do Brasil, frente às intervenções efêmeras do coletivo Praias do Capibaribe, caso da comunidade de Santa Luzia. Este coletivo tem como foco integrar pessoas, espaços públicos e águas, e fomenta o debate acerca do direito à cidade, ocupando artisticamente espaços urbanos que precisam ser apropriados por seus moradores e frequentadores para que haja entre eles vínculo afetivo e se transformem em espaços vivos. As intervenções tem como objetivo difundir práticas culturais no espaço público como estratégia de ocupação e resignificação dos espaços públicos ociosos da cidade. O objetivo deste trabalho é o de contribuir com o debate sobre espaço público, urbanismo emergente, urbanismo tático e intervenções urbanas efêmeras com o carácter de ações criativas e de autoconstrução. Além disso, o artigo trata da relevância da estratégia de ação a partir de micropolíticas que viabilizam a transformação em escala local com intervenções que atuam no processo de reestabelecimento da conexão social e urbana com os espaços públicos e a eficiência dessas ações para promover mudanças nas esferas sociais (comunidades), públicas e privadas.

PALAVRAS-CHAVE
Espaço Público, Urbanismo Emergente, Urbanismo Tático, Praias do Capibaribe, Micropolíticas.

Leia o artigo completo.

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Plataforma levanta dados sobre o Recife dos Sonhos

No último sábado (03), a plataforma Cidade dos Sonhos promoveu um dia de atividades a fim de apresentar soluções e discutir o Recife desejado pelas pessoas. Para isso, foram convidados representantes de projetos culturais e urbanísticos para, juntos, conhecerem iniciativas que desenvolvem soluções para problemas da vida urbana e colaborarem com suas próprias propostas, que serão apresentadas para os candidatos que concorrem às eleições municipais deste ano.

De acordo com Gabi Vuolo, uma das coordenadoras da plataforma – que atua no Recife, em São Paulo e no Rio de Janeiro – a iniciativa surgiu do desejo de influenciar, de um jeito positivo, o período eleitoral. “Estamos fazendo o monitoramento das propostas dos candidatos, que gera o retorno pelas redes sociais e reforça o papel das pessoas na cobrança do que é prometido. A ideia é gerar dados para pressionar os candidatos”, conta.

A programação começou com um café da manhã na Horta Saudável e Sustentável de Casa Amarela. A ação, realizada por um grupo de moradores da área, implantou um espaço de cultivo em uma praça antes abandonada. Hoje, com mais de um ano de trabalho coletivo, crescem por lá hortaliças, frutas, legumes, ervas medicinais e condimentos. De lá, os participantes seguiram, de bicicleta, para o Jardim do Baobá, trecho que marca o início do projeto Parque Capibaribe e onde o mesmo foi apresentado pela diretora do INCITI, Circe Monteiro, e pela pesquisadora Sabrina Machry.

A última parada foi na sede do INCITI/UFPE, na Rua do Bom Jesus, Bairro do Recife, onde os pesquisadores Ricardo Ruiz e Werther Ferraz apresentaram o programa Cidades Sensitivas, que  e Urban Thinkers Campus Recife. Segundo o produtor cultural Jarmeson de Lima, um dos colaboradores convidados, “é sempre interessante ter esses momentos onde, com nossas vivências, podemos discutir o espaço urbano através de iniciativas que partem não só de organizações governamentais como de setores da sociedade civil”. Já Diogo Luiz, analista de sistemas, foi chamado para dar suporte técnico e acabou se interessando pela iniciativa. “É muito bom saber que existem pessoas que estão realmente preocupadas em melhorar a cidade em que a gente vive”, relatou.

A plataforma Cidade dos Sonhos é organizada por uma rede de colaboradores de todo o Brasil, que têm por interesse iniciativas que envolvam a melhoria do espaço urbano. Saiba mais sobre o projeto em https://cidadedossonhos.org.

Mais imagens do encontro em https://flic.kr/s/aHskGoXxxJ.

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“Ideal será não precisar usar a palavra acessibilidade”

Historicamente, as bandeiras em prol da cidadania, da isonomia e da inclusão na sociedade precisam ser levantadas muitas vezes. E serão defendidas tantas vezes quantas forem necessárias a fim de que alcancem seus respectivos objetivos. Uma vez alcançados, deverão ser tão introjetados no cotidiano a ponto que já não seja necessário chamar atenção para estes quesitos. Por isso, no encontro Parque Inclusivo, realizado nesta quarta-feira (8), no Cais do Sertão, pelo projeto Parque Capibaribe, uma das falas de destaque foram da arquiteta e urbanista Tâmara Ribeiro, quando destacou que “o ideal será quando não mais precisarmos usar a palavra acessibilidade”.

Mas como ainda estamos no processo de busca desse ideal, e justamente por isto, o Parque Capibaribe – projeto desenvolvido pelo INCITI, grupo de pesquisa e Inovação para a Cidades da Universidade Federal de Pernambuco em convênio com a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade – promoveu um encontro aberto ao público para tratar sobre a acessibilidade da iniciativa, que irá impactar 42 bairros do Recife por meio da qualificação de acesso e fruição da cidade, a partir das bordas do Rio Capibaribe.

O evento, que contou com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e audiodescrição da COM Acessibilidade Comunicacional, teve a mesa formada pelo diretor do INCITI, Luiz Vieira, pelo consultor de acessibilidade da Secretaria de Turismo do Recife e deficiente visual, Manuel Aguiar, a diretora do Instituto de Gestão (ITGN), Fátima Brainer, e os gestores do Cais do Sertão, Gilberto Freire Filho e Maria Rosa.

Brainer foi uma das primeiras a falar e destacou a necessidade de se observar no cotidiano a coerência entre discurso politicamente correto e prática. “O que incomoda é que ninguém se vê no lugar do outro. É preciso olhar para as diferenças para buscar a inclusão. E os espaços de cultura e lazer são lugares onde deve ser possível fazer a inclusão social. E inclusão não é tolerância. Inclusão é acolher”, falou a gestora.

Luiz Vieira apresentou o projeto do Parque Capibaribe, por meio do qual procura-se criar um fluxo entre instituições culturais e de ensino, pontos históricos, culturais e naturais da cidade, tudo isso permeado por outros acessos ao Rio Capibaribe, de modo a favorecer um novo olhar das pessoas para com o curso fluvial. “Estamos prevendo pisos, mapas e maquetes táteis, para a circulação de pessoas com deficiência, rampas suaves para facilitar o trânsito de idosos e portadores de deficiências motoras, jardins sensoriais, equipamentos para ciranças com deficiência”, explicou Luiz.

Tâmara Ribeiro, que integra a equipe responsável por pensar a acessibilidade do Parque Capibaribe, complementou a fala do diretor do INCITI. “Temos usado o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a Norma Brasileira de Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos e a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Queremos evitar erros que temos visto na cidade, desenhando um parque intuitivo e acessível para diversas pessoas”, pontuou.

Na plateia, pessoas com deficiência visual, auditiva, motora e intelectual sugeriram algumas modificações no projeto, visando garantir o melhor aproveitamento do Parque, tais como pensar rotas acessíveis desde a parada de ônibus até a beira do rio, mesas adequadas para acoplar cadeiras de rodas e cuidado com a aplicação e dimensão dos pisos táteis. O público cobrou ainda mais iniciativas como esta, que envolva as pessoas afetadas por condições limitantes e que poderão realmente representar suas necessidades.

Ao final, Luiz Vieira convidou os presentes a colaborarem na melhoria do projeto e também a mobilizarem outros interessados no tema para os próximos debates. O encerramento ficou por conta de Manuel Aguiar, que também incentivou a realização de outros encontros: “Só com a convivência é que aprenderemos a lidar com a pluralidade que somos em sociedade”.

Para complementar a discussão, leia o texto de Tâmara Ribeiro: Parque Capibaribe, um lugar para incluir