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Capunga ganha mobiliário, sinalização e iluminação para ativar margens do Rio Capibaribe

Muita força de vontade, criatividade e colaboração são os ingredientes para a transformação de área nas margens do Capibaribe, no bairro do Derby. Durante o Workshop Internacional de Prototipagem Urbana, realizado desde o dia 10 de outubro, estão sendo criados protótipos de iluminação, sinalização e mobiliário urbano. O objetivo é transformar o território para que possa ser um ambiente de convivência, lazer, sensibilização ambiental e contemplação da paisagem. A iniciativa é promovida pela UNINASSAU e pelo INCITI/UFPE, com apoio da Prefeitura do Recife, Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE), Consulado Geral de França em Recife, Aliança Francesa e o Coletivo dos Vendedores de comida sobre rodas da Capunga. Confira abaixo o que está sendo criado e você poderá conhecer de perto e experimentar nesta sexta-feira (21/10), a partir das 18h, e sábado (22/10), das 9h às 22h, durante a Ativação Capunga, uma celebração pela transformação do espaço público. O acesso ao local é feito pela Rua Doutor Osvaldo Lima, Derby – Recife (PE). Convide a família e os amigos pelo evento no facebook.

Estão envolvidos no workshop cerca de duzentas pessoas entre participantes aprendizes, comerciantes, facilitadores, pesquisadores e equipes do INCITI e UNINASSAU, que utilizaram infraestrutura e maquinário dos parceiros FabLab, O Norte – Oficina de Criação e L.O.U.Co/ Porto Digital. O workshop tem sido realizado com a orientação de experientes urbanistas, designers e coletivos do Brasil e estrangeiros: Da Sein (França), Dominik Vögele (Suíça), Piseagrama e Micropolis (Belo Horizonte), A Cidade Precisa de Você (São Paulo), Cajueiro (João Pessoa), L.O.U.Co/Porto Digital, AtelierVivo, Diego Bís, FabLab e O Norte – Oficina de Criação (Recife), Coletivo Madeira (Olinda).

Confira o que o que foi construído:
Bancos com jardineiras: Bancos de pallets com jardineiras integradas feitas com cubas de inox para pias. São posicionadas na Rua Dr. Osvaldo Lima que dá acesso à margem do rio.
Beira de Sabores: Uma praça de alimentação com bancos composta por várias formas de mobiliário urbano feito de palets e de madeira pinus. A infraestrutura de sombra e a iluminação foi integrada com tecidos e ligações entre os mobiliários. A Beira de Sabores conta com foodtrucks, trailers e vendedores ambulantes de alimentos, que antes ocupavam a Rua Dr. Osvaldo Lima.
Boca de Jacaré: Um barracão de obra já existente no local foi transformado, paredes foram retiradas, foi instalada uma pérgola e feita uma pintura. O local terá uso versátil podendo servir de espaço para shows e pequenas apresentações artísticas ou apenas para encontros e bate-papo nas margens do rio. Em frente, uma arquibancada de pedra foi construída na beira do rio, possibilitando que as pessoas possam sentar próximas ao mangue e contemplar a paisagem.
Baranguejo: Um balcão de bar foi construído para permitir aos vendedores ambulantes se instalar no ambiente com mais comodidade. O mobiliário foi feito com tronco de eucaliptus e placas de madeira pinus. Os comerciantes de bebidas que antes ficavam na Praça João Pereira Borges se deslocam para área em frente ao rio. Gambiarras de luzes foram instaladas no local.
Caminho da Capivara: área na margem do rio, frequentada por famílias de capivaras, ganhou esculturas elevadas com estruturas de ferro e madeira, que dão suporte a iluminação. Estruturas de concreto foram colocadas no chão evitando o estacionamento de carros.

Dragão de 2 Cabeças ou Monstrinho: Brinquedo para as crianças construído com troncos de eucaliptos e tubos de concreto.

Refúgio da Capunga: ambiente para brincadeiras de crianças e bancos com pneus de carros que possibilitam descanso e contemplação do rio.

Faro: É a entrada do Parque. Trecho da Rua Guilherme Pinto, em frente ao Bloco C da Uninassau e à Praça João Pereira Borges, foi interditada para a passagem de carros. O asfalto foi pintado transformando em mini-campo de futebol e área para jogos e brincadeiras.
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A Cidade Que Precisamos tem: Identidade Singular

Diagnósticos:

O processo de reprodução das cidades tem resultado na destruição da memória urbana e desvalorização das memórias coletivas. A construção do “novo” tem destruído a história e destituído as pessoas de seus lugares, estabelecendo fronteiras entre esses dois atores. Na maior parte das cidades brasileiras, predomina a cultura de um desenho urbano pasteurizado incapaz de reconhecer laços afetivos, singularidades e características identitárias das pessoas e dos lugares. As políticas de habitação vigentes desconsideram as formas de culturas tradicionais de morar e construir. Elas reproduzem apenas tecnologias de construção hegemônicas e insustentáveis, assim como modos de vida massificados.

De natureza excludente, ela é apoiada e referendada pelas instituições de formação técnica profissional que, via de regra, respondem apenas ao setor empresarial. São cidades produzidas exclusivamente sob a lógica mercantilista que resultam no esvaziamento dos espaços públicos, produzem espaços hostis e cidades sem alma. Os espaços públicos são alienados, padronizados, segregadores, hostis e inibem a convivência, a solidariedade e o sentimento de pertencimento.

Há também um processo crescente de privatização do espaço urbano que inclui o loteamento do espaço das ondas eletromagnéticas, responsáveis por boa parte das comunicações no âmbito da cidade. Não existe um plano urbanístico para o espaço eletromagnético e estudos sobre o impacto da detenção do espaço  por esses sujeitos alheios às cidades.

Inexistem quaisquer movimentos para a discussão do papel das comunicações sem fio de acesso indistinto voltado para a vida das cidades. Há também a falta de espaço urbano comunicacional autônomo e independente e, em contrapartida, redes monopolizadas e mercantis de comunicação dominam o mercado, subjugando a população a seus protocolos.

A cultura é diminuída a produto meramente comerciável e, como decorrência, os programas de cultura centralizados, desconhecem as especificidades locais e geram dificuldades no acesso às ações culturais, bem como aos mecanismos de financiamento da cultura.

Inexistem, tanto nos espaços formais de aprendizagem dos segmentos estaduais, municipais e /ou privados, quaisquer programas ou redes de discussões sobre cultura, em termos genéricos.

Recomendações:

A partir de uma identidade regional, autônoma e progressista, é necessário o do-in antropológico, ou seja: fortalecer cada rede, cada comunidade, cada conexão que se ocupe em incentivar e contribuir com o processo de afirmação da cultura popular comunitária e digital a partir da troca de saberes dos pontos de cultura e grupos comunitários. Empreender esforço para a criação de canais de comunicações abertos e livres.

Conectar ferramentas e plataformas de trabalhos livres de modo a atuar na formação multimídia destes pontos, incentivar a produção horizontalizada e de baixo pra cima e investir na divulgação de suas produções em acervos culturais digitais, a exemplo de rádios comunitárias, rádio web, portais como http://www.iteia.org.br,http://www.nacaocultural.org.br, http://www.youtube.com.br, http://www.corais.org, redes sociais, blogs e TVs públicas.

Promover programas de capacitação técnica dos agentes públicos para facilitar o acesso e a gestão de recursos na cultura, a fim de potencializar a cultura na raiz da sua criação.

Criar espaços físicos e políticos para experimentação e expressão livre, com grau zero de formalização e codificação do espaço publico (terreiros de matriz africana, quermesses e toré), public space for all.

Possibilitar o uso e ocupação do solo de forma a permitir o imprevisível, o aberto e o inesperado, bem como trazer à tona o sentido de pertencimento e a consequente apropriação dos territórios pelas comunidades.

Aproximar a academia, a gestão pública, os coletivos e movimentos das realidades locais com o intuito de  reunir os saberes entre esses segmentos.

Valorizar as memórias coletivas, proteger e promover o patrimônio local a partir de uma gestão compartilhada.

Incluir a cultura como um vetor do desenvolvimento sustentável e norteador de concepção e gestão de políticas públicas.

Criar programas profissionalizantes para jovens baseados nas culturas locais sob a perspectiva do desenvolvimento sustentável.

Valorizar a cultura e a história de modo conjugado com o meio ambiente – espaços verdes e espaços de amenidades e encontros, ambientes generosos nas cidades.

Elaboração de código de ética para que fornecedores e desenvolvedores de tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) para “Cidades Inteligentes”, sejam signatários.

Implantação do formato “Solução Pactuada” em relação a dados e informações capturados e retidos por dispositivos eletrônicos.

Contratos públicos deverão ser abertos e transparentes, principalmente quando relacionados à instância pública de comunicação digital para cidades.

Garantir apoio para desenvolvimento de tecnologia de redes colaborativas e p2p, apoio e fomento para a construção de soluções em software livre e garantias de liberdade para construir suas soluções próprias e específicas para troca de informações em casos particulares e em âmbito comunitário.

Apoiar o desenvolvimento de tecnologias tradicionais e de baixa tecnologia que sejam capazes de mitigar o impacto das mazelas industriais, bem como a inovação tecnológica com base no conhecimento tradicional.

Conhecer, respeitar e dialogar com as especificidades das realidades locais e suas estruturas sociais no momento de implantação de tecnologias ou soluções digitais para a cidade.

Fomento à constituição de redes autônomas de comunicação, Rádio e TV, telefonia e de troca de dados, no âmbito das cidades, de forma a aumentar a independência da lógica mercantil e do poder.

Profunda atenção no processo de digitalização do Rádio e da Televisão, de modo a reservar o espaço necessário para a inovação, criatividade e senso de comunidade, através da salvaguarda de espaço no espectro eletromagnético para comunicações fora do âmbito dos governos ou corporações.

Estudo aprofundado sobre as consequências da apropriação privada de um bem público e comum (espectro eletromagnético), de modo a congregar atores da sociedade civil, movimentos culturais, habitantes desfavorecidos e agentes urbanos em um plano de utilização do espaço comunicacional sem fio.

Ação imediata pela regulamentação da norma da tripartição do uso do espectro eletromagnético, com a garantia de espaço publico, não licenciada e independente, de acordo com as necessidade urbanas e seus agentes sociais.

Fomento para a constituição de instâncias consultivas e decisórias no âmbito das comunicações urbanas sem fio, para que a utilização do espaço não seja restrita a interesses financeiros ou político-partidários.

Até a semana da Habitat III, conferência da ONU sobre moradia e desenvolvimento urbano sustentável, o blog do INCITI apresentará os diagnósticos e recomendações dos nove fundamentos criados a partir dos debates e discussões realizadas durante o evento para a Nova Agenda Urbana.

*Texto publicado originalmente na página do UTC Recife, evento coordenado pelo INCITI que ocorreu em novembro de 2015 e reuniu diversos pensadores urbanos engajados em transformar cidades.

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Plataforma levanta dados sobre o Recife dos Sonhos

No último sábado (03), a plataforma Cidade dos Sonhos promoveu um dia de atividades a fim de apresentar soluções e discutir o Recife desejado pelas pessoas. Para isso, foram convidados representantes de projetos culturais e urbanísticos para, juntos, conhecerem iniciativas que desenvolvem soluções para problemas da vida urbana e colaborarem com suas próprias propostas, que serão apresentadas para os candidatos que concorrem às eleições municipais deste ano.

De acordo com Gabi Vuolo, uma das coordenadoras da plataforma – que atua no Recife, em São Paulo e no Rio de Janeiro – a iniciativa surgiu do desejo de influenciar, de um jeito positivo, o período eleitoral. “Estamos fazendo o monitoramento das propostas dos candidatos, que gera o retorno pelas redes sociais e reforça o papel das pessoas na cobrança do que é prometido. A ideia é gerar dados para pressionar os candidatos”, conta.

A programação começou com um café da manhã na Horta Saudável e Sustentável de Casa Amarela. A ação, realizada por um grupo de moradores da área, implantou um espaço de cultivo em uma praça antes abandonada. Hoje, com mais de um ano de trabalho coletivo, crescem por lá hortaliças, frutas, legumes, ervas medicinais e condimentos. De lá, os participantes seguiram, de bicicleta, para o Jardim do Baobá, trecho que marca o início do projeto Parque Capibaribe e onde o mesmo foi apresentado pela diretora do INCITI, Circe Monteiro, e pela pesquisadora Sabrina Machry.

A última parada foi na sede do INCITI/UFPE, na Rua do Bom Jesus, Bairro do Recife, onde os pesquisadores Ricardo Ruiz e Werther Ferraz apresentaram o programa Cidades Sensitivas, que  e Urban Thinkers Campus Recife. Segundo o produtor cultural Jarmeson de Lima, um dos colaboradores convidados, “é sempre interessante ter esses momentos onde, com nossas vivências, podemos discutir o espaço urbano através de iniciativas que partem não só de organizações governamentais como de setores da sociedade civil”. Já Diogo Luiz, analista de sistemas, foi chamado para dar suporte técnico e acabou se interessando pela iniciativa. “É muito bom saber que existem pessoas que estão realmente preocupadas em melhorar a cidade em que a gente vive”, relatou.

A plataforma Cidade dos Sonhos é organizada por uma rede de colaboradores de todo o Brasil, que têm por interesse iniciativas que envolvam a melhoria do espaço urbano. Saiba mais sobre o projeto em https://cidadedossonhos.org.

Mais imagens do encontro em https://flic.kr/s/aHskGoXxxJ.