PREMISSAS

Integrar os diferentes contextos urbanos, tendo como horizonte articular as margens do rio Capibaribe com a cidade do Recife, colocou-se como o primeiro desafio do projeto Parque Capibaribe, frente à complexidade inerente ao território de abrangência. Por isso, a fim de manter uma coerência ao longo do processo de concepção desse sistema de parques integrados, foram estabelecidas cinco premissas projetuais básicas:

O PERCORRER promove um passeio ecológico, educativo e de lazer para o cidadão que se propõe a estar próximo das margens. Esta premissa está relacionada com a reconquista das margens do Rio Capibaribe. Para isto, foi proposto ao longo das suas bordas um grande parque com passeio e ciclovia capazes de conectar o rio à cidade por meio de diferentes modais, que priorizam o pedestre e a bicicleta.

 

O ATRAVESSAR conecta as margens opostas do rio. Pode ser feito por meio de pontes, travessias de barcos ou qualquer outra forma que permita às pessoas atravessarem com segurança de uma margem à outra. Conectar as margens direita e esquerda em locais estratégicos do Rio Capibaribe terá um efeito não somente local, mas também na estrutura global da cidade, pois o Rio Capibaribe, assim como outros corpos d’água, funciona como uma barreira no território urbano.

 

O ABRAÇAR promove espaços de permanência para atividades de lazer, encontros e convivência. A criação de espaços de permanência e de contemplação da paisagem, reaproximando os cidadãos do Rio Capibaribe, passou a integrar o conjunto de desafios. Além disso, a contínua presença de vegetação nas duas bordas, que funciona como uma barreira visual, incentivou a criação de janelas, capazes de permitir de forma sustentável o contato do cidadão com o Rio, garantindo a co-presença com a vida animal no local.

 

O CHEGAR proporciona conforto e segurança, além de incentivar o deslocamento não motorizado das pessoas até o Parque por meio das vias de infiltrações. A criação de um Parque Linear ao longo de todo o Rio Capibaribe e a presença de travessias em trechos estratégicos não seria suficiente para integrar o Rio no tecido urbano e no cotidiano dos moradores. As infiltrações urbanas permitem ampliar a área de influência do Parque, penetrando até ruas com maior vitalidade urbana, buscando assim trazer movimento para as margens.

 

O ATIVAR cria processos cíclicos e retroalimentados entre aqueles que vivem a cidade, aqueles que sonham e os tomadores de decisão, a fim de incluir todas as partes no processo de transformação das cidades. Por meio de estratégias de participação social, os processos de ativação constituem momentos de interação, comunicação, pesquisa, produção criativa, debates e difusão cultural entre os atores urbanos, poder público e universidade. Os resultados das consultas junto ao público são integrados às demais pesquisas arquitetônicas e urbanísticas necessárias para a elaboração dos módulos do Parque Capibaribe. Esta é considerada uma etapa essencial na elaboração do projeto.