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Conceito de Cidade Parque é apresentado no Fórum Internacional Hoje

Evento discutiu aspectos ligados ao desenvolvimento urbano e sustentável das cidades

Por Fernando Castro

Planejamento urbano de reconciliação com a natureza e com o espaço público. Essa foi a temática debatida na mesa Cidade Parque, do Fórum Internacional Hoje, que aconteceu no Centro de Convenções de Pernambuco, na manhã desta quarta-feira (26). A conversa foi iniciada pela coordenadora do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, Circe Monteiro, que apresentou o conceito de Cidade Parque através do projeto Parque Capibaribe, resultado de convênio entre o INCITI, grupo de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e a Prefeitura da Cidade do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente.

Dentro do desenvolvimento urbano e sustentável, Circe citou quatro pontos fundamentais para a implementação de uma Cidade Parque: segurança, planejamento, inclusão e prosperidade. ‘’Uma cidade sustentável só é possível com o engajamento dos cidadãos, a visão de Cidade Parque é uma visão de futuro’’, comentou.

Circe Monteiro apresenta visão de Cidade Parque. Foto: Fernando Castro

Ainda pela manhã, o gerente de sustentabilidade da Secretaria do Meio Ambiente de Recife, Alexandre Ramos, apresentou no debate o conceito de Cidades Resilientes, com a temática ‘’Planejamento urbano para responder às mudanças climáticas’’. Segundo ele, a adaptação às mudanças climáticas passa a ser necessária para a melhoria das condições habitacionais nas cidades.

A capacidade de uma cidade de se reorganizar e voltar ao equilíbrio inicial, quando submetida a mudanças, foi uma característica observada durante a discussão. ‘’Pensar em Cidades Resilientes é pensar em território, mas também nas pessoas que vivem nesses territórios e em suas condições sociais’’, ressaltou Alexandre.

A política também teve espaço nas discussões do evento. Ana Célia, prefeita da cidade de Surubim, foi a mediadora da mesa-redonda. A manhã de debates foi encerrada com o depoimento do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Una, Severino Sulipa, que abordou a sustentabilidade como uma responsabilidade social, sendo necessário o engajamento dos cidadãos e do Estado para sua implementação.

Hoje O debate fez parte do 4º Congresso Pernambucano de Municípios, promovido pela Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE), em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), entre os dias 25 e 27 de julho, no Centro de Convenções de Pernambuco. Com o tema central ‘’A cidade que precisamos’’, a programação esteve integrada ao Fórum Internacional Hoje, que reuniu especialistas para discutir a implementação da Nova Agenda Urbana, documento internacional responsável por promover a urbanização sustentável das cidades nos próximos 20 anos.

 

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O que é o Parque Capibaribe?

O projeto Parque Capibaribe é desenvolvido por meio de um convênio entre a Prefeitura da Cidade do Recife, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife e o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, rede de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O projeto prevê um sistema de parques integrados que irá articular espaços públicos existentes e implementar um conceito de mobilidade não-motorizada com passeios e ciclovias.

O Parque, que se estenderá por 30 km, todo o percurso do Rio Capibaribe, irá articular espaços públicos existentes em uma área de influência de 42 bairros e promover transformações para que Recife se torne, em 2037 nos 500 anos da cidade, uma Cidade-Parque capaz de oferecer novas oportunidades e maior qualidade de vida a seus habitantes.

Saiba mais: http://bit.ly/cidadeparque
Contato: parqcapibaribe@gmail.com

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Recife terá Pesquisa para mensurar Qualidade de Vida

Como avaliar a qualidade de vida nas cidades? As formas tradicionais de mensuração baseadas no crescimento do produto da economia, o conhecido Produto Interno Bruto (PIB), não conseguem embarcar a abrangência dos aspectos que incidem na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Por isso, novas pesquisas têm sido elaboradas com o objetivo de medir o bem-estar da população. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por meio do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades e do Departamento de Economia (DECON), está desenvolvendo o Índice de Felicidade, um instrumento de pesquisa inédito em Pernambuco para entender os fatores que mais afetam a qualidade de vida dos recifenses.

A primeira etapa da pesquisa está sendo aplicada online, por meio do questionário disponível no link http://bit.ly/indicefelicidade. Qualquer morador da Região Metropolitana do Recife pode participar. O formulário estará aberto para respostas entre os dias 29 de maio e 11 de junho de 2017. Posteriormente, o estudo será realizado em campo, na cidade do Recife, com amostra aleatória e representativa, quando pesquisadores visitarão residências pessoalmente. Esta etapa está prevista para ser realizada no segundo semestre de 2017 e será repetida em 2019, a fim de obter uma comparação entre os resultados. A ideia é que a pesquisa possa contribuir com a gestão pública municipal para a tomada de decisões e definição de prioridades capazes de afetar positivamente a qualidade de vida da população.

O Índice de Felicidade é inovador, pois analisa não apenas aspectos objetivos do cotidiano da população, mas também aspectos subjetivos. A ferramenta foi elaborada com base em uma série de outros índices já consolidados no mundo: o WHOQOL (1998), o Gallup-Healthways Well-Being Index (2010), o European Social Survey (2003), o American Community Survey (2010), e o Well Being Project Index.

Após um ano de estudos de ferramentas similares e de testes com amostra-piloto, a equipe, formada por economistas, psicólogos e urbanistas, identificou a relevância de cinco fatores: Vizinhança; Economia e Segurança; Serviços Públicos; Conexões; e Saúde e Meio Ambiente. O fator “Vizinhança” inclui tópicos como a presença de praças, parques e serviços próximos ao lar do participante; “Economia e Segurança” tratam de estabilidade financeira e do quanto as pessoas se sentem seguras em diferentes situações; “Serviços Públicos” considera acessibilidade, limpeza e iluminação, entre outros aspectos; “Conexões” questiona tanto a qualidade do transporte quanto o uso de internet e as relações sociais; “Saúde e Meio Ambiente” leva em conta tanto a saúde da pessoa como a de seu ambiente, pois estão comumente relacionadas.

A equipe do Índice de Felicidade é formada pelos economistas e professores da UFPE Tatiane Menezes, Rafael Lima e Ricardo Carvalho; pelo Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Economia (PIMES/UFPE) Inaldo Bezerra Jr.; pelo graduando em Economia pela UFPE Pedro Coelho; pelo psicólogo e pesquisador do Programa Nacional de Pós Doutorado (PNPD) pelo INCITI/UFPE, Yves Gomes; e pela arquiteta e urbanista Circe Monteiro, uma das diretoras do INCITI/UFPE.

* Formulário do Índice de Felicidade está aberto para coleta de respostas

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Parque Capibaribe como Sistema de Drenagem e Tratamento das Águas no Recife – PE

Artigo de Anna Karina Borges de Alencar e Werther Lima Ferraz de Sá

Resumo

As águas e áreas alagáveis foram os primeiros elementos naturais enfrentados para conquistar o espaço urbano na cidade do Recife. Ao longo de seu processo de urbanização
os riachos urbanos do Recife vêm sendo gradativamente transformados em canais de drenagem, o que “favorece” seu uso em destino para dejetos urbanos (esgoto e lixo). Diante deste quadro, o projeto do “Parque Capibaribe”, partindo de uma abordagem transdisciplinar, realizou uma pesquisa qualitativa sobre os padrões de tratamento urbanístico dado aos riachos urbanos que formam a bacia do Capibaribe no Recife, buscando repensar o modo como os recifenses veêm e vivem a relação com suas águas. O levantamento e análise dos riachos demonstra o conceito ainda dominante que promoveu a retificação e impermeabilização de quase todos os riachos com prejuízos evidentes para a qualidade de vida na cidade. De forma a elaborar uma alternativa mais adequada e inovadora na maneira de tratar as águas urbanas, se buscou construir uma visão sistêmica das questões de drenagem e tratamento das águas nesta cidade. A investigação priorizou alternativas tecnológicas de manejo das águas que apontam para recuperação ambiental destes ecossistemas, onde ganharam destaque os processos conhecidos como wetlands.

Palavras-chaves: Parque Capibaribe; Riachos Urbanos; Drenagem e Tratamento das Águas; Wetlands; Recuperação de Rios Urbanos.

Leia o artigo completo.

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Na fonte das Cidades, as Águas e as Pessoas

Artigo de Fabiano Diniz, Danielle Rocha, Werther Ferraz e Anna Karina Alencar.

Resumo
Da formação das cidades se apreende que os sítios onde se assentam os aglomerados humanos são modelados pelas águas, que impõem restrições e/ou oferecem possibilidades para a construção do artefato cidade. Desde seus primórdios, as comunidades urbanas estabeleceram com os cursos d’água um vínculo misto de dependência (para abastecimento d’água e escoamento de esgotos) e de receio (dos desastres provocados pelas águas que eles carregam). As cidades crescem num movimento de oposição às águas e à dinâmica dos sistemas naturais de drenagem. A ocupação de fundos de vales; os aterros; a impermeabilização do solo; a retificação e/ou revestimento de cursos d’água agravam o conflito água-urbanização. No Recife, essa relação conflituosa é patente. Fundada entre o mar e os rios, essa cidade estuarina tem sua forma em boa medida determinada pelos meandros de seus cursos d’água e suas áreas de influência. Do traçado da malha urbana às tipologias construtivas ali consolidadas, muito se depreende dos limites e possibilidades impostos pelas águas. A relação desigual da produção do espaço urbano e a consolidação de territórios em que esses conflitos imperam tomam a forma de uma cidade avessa às águas. Desde 2013, urbanistas buscam rever o trato das relações águas-cidades, empregando fundamentos contemporâneos de gestão urbana “sensível às águas”. O projeto Parque Capibaribe visa à humanização e à integração das margens desse rio com espaços verdes da cidade, redesenhando a estruturação do espaço urbano a partir de uma lógica “aquacêntrica”. Fruto de convênio entre o grupo de pesquisa INCITI e a Prefeitura da Cidade do Recife, o projeto repensa o modo como os recifenses vêem e vivem a cidade, estimulando uma construção colaborativa de espaços socialmente inclusivos. Concebendo o planejamento urbano a partir do rio Capibaribe, elemento imprescindível na estruturação e expansão do Recife e intimamente ligado à sua história, exige-se uma mudança de mentalidade da população e dos gestores públicos em relação às águas. O caso da elaboração de um projeto de mobilidade à beira-rio no bairro das Graças ilustra essa pretensão, através da transformação dos paradigmas de produção e da natureza dos espaços públicos urbanos. Concebido inicialmente como um projeto viário, com quatro faixas para automóveis, a via passa a ser pensada como um parque linear humanizado, que põe o Capibaribe em evidência. O trabalho investiga como, baseado na ideia de transformação a partir das pessoas, os atores envolvidos lançam as bases das mudanças nesse espaço urbano à beira-rio.

Palavras-chave:
Águas e cidades; espaços públicos; gestão territorial urbana; atores sociais e participação; morfologia urbana.

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INCITI participa do Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito

O grupo de pesquisa da UFPE foi selecionado para apresentar a contribuição do projeto Parque Capibaribe para a mobilidade a pé

Por meio de uma chamada pública o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, foi selecionado para apresentar o projeto Parque Capibaribe no Painel Como Anda, que integra o 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito. O evento acontece entre os dias 28 e 30 de junho, em São Paulo, reunindo colaboradores de diversas áreas, que contribuem compartilhando ideias, ações, programas de mobilidade urbana e de políticas públicas, na defesa permanente do transporte com qualidade, do trânsito seguro, de cidades sustentáveis e com qualidade de vida, abrigando todas as formas de mobilidade nas cidades brasileiras.

Na ocasião, o INCITI será representado pelo seu coordenador de Engenharia, Djair Falcão, que mostrará a visão elaborada para o projeto, que foge da concepção de “cidades carrocêntricas”. O Parque Capibaribe, desenvolvido através de parceria entre a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Prefeitura do Recife, irá implementar 30 km de passeios na margem do principal rio da cidade e mais 51 km de melhoria nas vias existentes, com a transformação em alamedas que estimularão a mobilidade a pé.

O Como Anda lançou, em abril, um edital para levar organizações para apresentarem suas iniciativas no Painel e participarem da 1ª Oficina de Capacitação do Como Anda sobre “planejamento estratégico e captação de recursos humanos e financeiros”. Após receber as inscrições, um júri formado por integrantes da equipe Como Anda, da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP e do Instituto Clima e Sociedade se reuniu e deliberou sobre a seleção das organizações. A partir de uma matriz de avaliação, o grupo analisou como os inscritos poderiam contribuir no Painel Como Anda com reflexões e visão do cenário local-nacional, além do potencial multiplicador do aprendizado adquirido.

Além do INCITI, foram selecionadas outras três organizações: Pezito, de Porto Alegre; Caminha Rio, do Rio de Janeiro; e MOB Movimente e Ocupe seu Bairro, de Brasília. Para saber mais sobre o 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, acesse: http://21congresso.antp.org.br.

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Obras do Parque das Graças começam em Junho

Após a abertura do Jardim do Baobá, o projeto Parque Capibaribe, convênio técnico entre a rede de pesquisadores INCITI/UFPE e a Prefeitura do Recife, deu mais um importante passo hoje pela manhã. O segundo módulo do projeto que vem sendo chamado de “Parque das Graças” teve a ordem de serviço para as obras assinada pelo prefeito, Geraldo Julio, na manhã desta quinta-feira, 01 de junho de 2017, às margens do rio Capibaribe, no bairro das Graças. Com uma pequena solenidade ao ar livre, representantes do INCITI/UFPE, da Prefeitura do Recife, da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), da Associação Por Amor às Graças e demais moradores do entorno celebraram um novo marco para a cidade do Recife.

Prefeito Geraldo Julio assina ordem de serviço para as obras do Parque das Graças. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

O Parque das Graças trará soluções de baixo impacto ambiental e grande repercussão para a vida dos moradores e frequentadores do bairro. A área que receberá o projeto tem a dimensão de 1 km e fica entre as Pontes da Torre e da Capunga, e as obras irão começar no trecho entre a Rua Amélia e a Rua Manoel de Almeida, com a limpeza do espaço para iniciar as intervenções. O investimento total será de R$ 26.574.446,75, com recursos da Caixa Econômica Federal/ Ministério das Cidades. As obras serão acompanhadas pela Prefeitura do Recife, por meio da URB. O prazo para execução é de 18 meses.

** Veja mais detalhes do projeto aqui.

Roberto Montezuma – Coordenador do INCITI/UFPE. Foto: Andréa Rêgo Barros

O prefeito Geraldo Julio relembrou que ao invés de uma via expressa com quatro faixas, prevista em proposta anterior, o projeto foi repensado de acordo com os conceitos do Parque Capibaribe, após debate com os moradores do local. “Vivemos em um momento de muita tragédia, violência e intolerância, mas para transformarmos essa situação temos que mudar os nossos comportamentos, e pra fazer diferente tem que ter quebras e enfrentamentos. Esse projeto aqui é um exemplo disso, se deixássemos as coisas acontecerem no piloto automático, os mesmos erros iriam se repetir. A capacidade de abertura e discussão fez a gente mudar”, afirmou.

Lúcia Moura, presidente da Associação Por Amor às Graças. Foto: INCITI/UFPE

A presidente da Associação Por Amor às Graças, Lúcia Moura, falou da importância do Parque Capibaribe para o bairro e aproveitou a oportunidade para fazer uma reivindicação: “É uma conquista nossa depois de 10 anos de muita luta, agradeço a toda comunidade das Graças. Nós nunca vamos parar de reivindicar, nós amamos esse lugar. Aproveito e faço um apelo sobre a poda das árvores no bairro, temos que ter mais cuidados”.

Bruno Schwambach , secretario da SDSMA. Foto: Andréa Rêgo Barros

O secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife (SDSMA), Bruno Schwambach, ressaltou a importância de um projeto estruturador: “Cheguei há pouco tempo, mas já estou impressionado, pela primeira vez a cidade está sendo pensada a longo prazo, dialogando com as pessoas e com o entorno. Tive a oportunidade de acompanhar e apresentar esse projeto e todos se impressionam como estamos alinhados à Nova Agenda Urbana (ONU), e também ao nosso plano de redução de carbono, dando prioridade ao pedestre, ao ciclista”, declarou.

Atual secretária da Mulher do Recife e participante ativa no projeto do Parque Capibaribe como secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade na gestão anterior, Cida Pedrosa, estava realizada: “Eu tô emocionada como gente, como cidadã, é uma coisa muito maior do que participar coordenando um projeto desse. É uma etapa de um sonho para o futuro. Quero um dia navegar e nadar no Capibaribe, o Parque vai descortinar esse rio para a cidade. Essa obra das Graças é mesmo que dizer para João Cabral de Melo Neto e seu cão sem plumas que essa cidade é possível”.

Outras convidados também estiveram presentes no evento, como os vereadores Wanderson Florêncio, Aderaldo Pinto, Ivan Moraes e Romerinho Jatobá; o Chefe de Gabinete para Projetos Especiais João Guilherme; o secretário do Governo e Participação Social Sileno Guedes; o consultor e sócio da TGI Francisco Cunha, o presidente da URB João Alberto; e o Vice-Prefeito Luciano Siqueira.

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Uso do Jardim do Baobá é tema de reflexão

Espaços públicos trazem a possibilidade de múltiplas trocas e vivências. E o Jardim do Baobá, marco inicial do Parque Capibaribe, situado no bairro das Graças, não foge à regra. Desde que o espaço começou a ser utilizado, ainda em 2016, muitos têm sido os elogios a respeito do ambiente, que abriu uma nova janela para fruição do rio Capibaribe, em meio à cidade. Mas também alguns conflitos vão surgindo quanto ao uso e manutenção do mesmo.
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Parque Capibaribe propõe soluções alternativas para drenagem e tratamento das águas no Recife

Estudos apontam para a recuperação ambiental dos cursos d´água

Todo mundo já passou por situações de alagamento no Recife, ao menor sinal de chuva. Quando a maré está cheia, o transtorno é ainda pior. Muitas são as condições que provocam enchentes na capital pernambucana. Mas e as respostas para a resolução do problema, onde encontrar? O problema é complexo, mas há soluções possíveis. A questão foi detalhada pela arquiteta e urbanista Anna Karina Alencar, pós-doutoranda em Planejamento Urbano, que apresentou o painel “Parque Capibaribe como sistema de drenagem e tratamento das águas no Recife”, nesta sexta-feira (19), no 9º Encontro Internacional das Águas, realizado na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Além de um projeto de transformação do espaço urbano, o Parque Capibaribe também traz em seu escopo soluções de recuperação ambiental. Um dos aspectos considerados na elaboração do projeto, desenvolvido através de parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, e da Universidade Federal de Pernambuco, através do grupo de pesquisa INCITI, foi a formação de uma visão sistêmica das questões de drenagem e tratamento dos riachos urbanos que formam a bacia hidrográfica do Rio Capibaribe.

Em primeiro lugar, é preciso entender a condição do Recife, cidade estuarina, ou seja, que lida em seu ambiente com a transição entre os rios e o mar, onde considerável parte das águas se movem nas duas direções sobre influência tanto das marés, como das águas pluviais. Com o processo de urbanização, muito do que era curso d’água e zona de expansão das águas durante a maré cheia, foi aterrado.

O primeiro mapa do Recife, de 1831, permite observar que o alagamento chegava aos bairros de Santo Antônio, Boa Vista e São José.

Segundo a pesquisa – que integra o Plano Urbanístico e de Resgate Ambiental do Capibaribe – PURA Capibaribe, produto que está sendo elaborado pelo INCITI, como parte do convênio do Parque Capibaribe – as ações que transformaram grandes parte dos riachos em canais de drenagem e sistema de esgoto, além de causar enorme prejuízo ao meio ambiente deu início uma série de problemas, como favorecimento de ligações de esgotos clandestinos e a ocupação irregular das margens tanto pela população de baixa renda como pela de média e alta renda.

Essa combinação, somada ao aterro das águas e ao hábito de despejar lixo nos canais piora o cenário de inundação das águas na cidade. Mas a urbanista diz que o que se deu foi o contrário: “Nós é que invadimos o espaço das águas. As faixas marginais dos rios e riachos deveriam ser preservadas como áreas naturais, por serem APP – Área de Preservação Permanente”, e complementa, “São áreas de espraiamento dos cursos d’água, onde é normal, em períodos chuvosos, receber um maior volume de água”.

De acordo com o levantamento apresentado por Anna, a maior parte dos 95 riachos, da cidade do Recife foram transformados em canais, ao longo do processo de crescimento da cidade. “Existe uma grande rede hídrica conectada ao Capibaribe, que foi se transformando em canais de drenagem e esgoto no processo de urbanização da cidade. Dentro de uma visão higienista, a canalização funcionava como sistema de drenagem, visando o rápido escoamento da jusante, o fluxo da maré baixando. Atualmente, há vários estudos que comprovam que a canalização e retificação dos cursos d’água não resolve as inundações e muitas vezes pode até agravar o problema”, explicou a pesquisadora.

Por meio do estudo, desenvolvido em parceria com o professor, engenheiro e especialista em hidrologia, Jaime Cabral, foram definidas três situações de intervenção possíveis para recuperação ambiental dos riachos que formam a bacia do rio Capibaribe na cidade do Recife. A primeira seriam intervenções urbanísticas e de tratamento paisagístico para aumentar a permeabilidade nos riachos já canalizados, como é o caso do Riacho do Parnamirim. A segunda seria a preservação de trechos não-canalizados, como riachos naturalizados, que poderia ser aplicada nos Riachos Camaragibe e Don-don. A outra opção seria praticada em áreas públicas livres, próximas aos cursos d’água, com a construção de wetlands, sistemas de tratamento das águas ao longo de riachos como o do Buriti, que desagua no açude de Apipucos. A concepção deste tipo de tecnologia pode ser vista como a aplicação de alguns princípios de renaturalização ou recuperação dos riachos urbanos, onde se realiza o manejo de plantas aquáticas específicas, associado com processos de filtragem.

Para que os tratamentos sejam bem sucedidos, Anna Alencar defendeu ainda o envolvimento das pessoas em ações de sensibilização e educação ambiental. “Pesquiso a questão dos desenhos urbanos sensíveis às águas e sei que, se a população não estiver envolvida, não vai dar certo”, afirmou.

Revitalização – Durante o Encontro Internacional de Águas Urbanas uma outra mesa chamou atenção para as soluções apresentadas pelo projeto Parque Capibaribe. Foi a conferência “Riachos urbanos do Recife: massacrados no século XX. Mas será que podemos revitalizá-los no século XXI?”, apresentada pelo professor da pós graduação em Engenharia Civil na UFPE e especialista em drenagem urbana, Jaime Cabral.

Segundo o engenheiro, a pesquisa recupera importantes funções dos riachos, que foram deixadas de lado com o passar do tempo. “Quando você estuda o rio, percebe que ele é multidisciplinar e tem muitos outros aspectos a serem pensados: a qualidade da água, a redução da temperatura, a biota do rio, a função social… então vimos que era necessário extrapolar os conceitos de hidráulica e hidrologia e ver diversos outros aspectos importantes para manter um rio de boa qualidade”, discorreu o professor.

Os olhares se voltaram, então, para os afluentes, atualizando as noções de uso dos riachos. Foi a partir daí que se estabeleceu o conceito de infiltração, adotado pelo projeto Parque Capibaribe. A ideia é que, tanto ruas como riachos possibilitem a ampliação e conexão das áreas verdes, a partir da margem do rio Capibaribe, para o resto da cidade, como corredores ecológicos. “Além de melhorias ambientais, com essa valorização das infiltrações o rio deixa de ser uma barreira e torna-se uma possibilidade de conexão entre os bairros”, explica Anna Alencar.

Jaime ressaltou ainda que, por meio do Jardim do Baobá – primeiro trecho implantado do Parque Capibaribe – o projeto já está contribuindo para reduzir a visão negativa da população com relação às águas fluviais da cidade. “O Jardim está reaproximando a população das águas. As pessoas conhecem o rio e já têm um olhar diferenciado para ele, a partir desse espaço. A iniciativa do Parque de promover a revalorização do rio já está dando certo”, afirmou Jaime.

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Jardim do Baobá ganha iluminação especial

Espaço às margens do Capibaribe recebe 23 postes com lâmpadas de LED e melhorias no canteiro central

Diante do sucesso do Jardim do Baobá em seus primeiros sete meses de funcionamento, a Prefeitura do Recife iniciou obras complementares para estimular ainda mais a utilização do equipamento. Primeiro trecho implantado do Projeto Parque Capibaribe, o espaço público municipal, localizado nas Graças, às margens do rio, vai receber 23 postes de iluminação com lâmpadas de LED, mais econômicas.

Durante as obras, a população poderá frequentar o espaço normalmente. A intervenção no Jardim do Baobá inclui ainda a instalação de piso de concreto intertravado no passeio central. “A nova iluminação é adequada aos usos do espaço. Já o concreto intertravado favorece a absorção da água de chuva”, esclarece o secretário-executivo de Projetos Especiais da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, Romero Pereira. A previsão para conclusão das obras é de cerca de 40 dias.

O Jardim tem 2.200 m² e foi entregue à população no dia 11 de setembro de 2016. Conta com uma mesa de uso coletivo de 10,5 metros de comprimento para piqueniques e jogos, além de três balanços-escultura de 6 metros de altura que comportam crianças e adultos. Ocupa a margem do Rio Capibaribe entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, próximo à antiga estação Ponte D’Uchoa.

O espaço público fica no entorno de um baobá, que faz parte da lista das 54 árvores e palmeiras tombadas do Recife. O exemplar de espécie africana tem 15 metros de altura e teve preservado o solo natural em seu entorno. Com 700 metros quadrados de gramado e um píer flutuante, o jardim segue as diretrizes do Projeto Parque Capibaribe, que prevê intervenções ao longo de 30 quilômetros de margens (15 km de cada lado) até 2037.

Iniciado em 2013, pela Prefeitura do Recife, o projeto é fruto de um convênio entre a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente e um grupo interdisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A execução dos serviços é financiada por um mecanismo de compensação ambiental denominado Projeto de Revitalização de Áreas Verdes (Prav). O valor inicial do projeto é de R$ 800 mil, estando custos dessa etapa da obra incluídos nesse montante.

Ficha da obra:
23 novos postes com lâmpadas LED, mais econômicas
100 metros é a extensão do passeio central
4,20 metros é a largura
480 metros quadrados é a área aproximada a ser revestida com piso intertravado de concreto

Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife