Mediadores de leitura levarão “Ribe do Capibaribe” para bibliotecas públicas do Recife

Apresentar a temática do meio ambiente, da fauna e da flora do Recife, através de elementos e narrativas lúdicas. Essa é a ideia da metodologia “Ribe do Capibaribe”, que será aplicada em um projeto piloto, em bibliotecas públicas e comunitárias do Recife, ao longo do primeiro semestre de 2019. A proposta, desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, surgiu na perspectiva de mudar a forma de as pessoas pensarem e vivenciarem o Rio Capibaribe.

O primeiro ciclo de formação de arte educadores aconteceu entre os dias 04 e 06 de fevereiro, nos Compaz Ariano Suassuna e Eduardo Campos, com orientação do consultor pedagógico do Ribe, Gabriel Santana. Estiveram presentes profissionais que atuam nas Secretarias municipais de Segurança Urbana, de Meio Ambiente e de Educação, representando, respectivamente, as bibliotecas públicas da Rede pela Paz (dos Compaz, de Casa Amarela e de Afogados), dos Econúcleos e do Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores.

Formação foi com Gabriel Santana, consultor pedagógico. Foto: Maíra Brandão

Os encontros permearam conversas sobre a importância da leitura e da literatura, exercícios de escrita criativa, trocas de conhecimentos e de estratégias de mediação de leitura. Como parte do último dia de atividades, os participantes foram convidados a proporem dinâmicas de estímulo ao hábito de ler e de trabalhar com a publicação infantil “Ribe do Capibaribe”, a partir dos seus conhecimentos e métodos.

O resultado foi muito rico. Surgiram propostas variadas para se trabalhar com crianças e jovens, como contação de histórias, teatro de mamulengo, criação de cordel, rap e personagens a partir de material reciclado, vivências nas margens do rio e/ou nos ambientes naturais próximos às bibliotecas e desenvolvimento de jogo da memória.

Trocas e dinâmicas ao longo dos encontros. Foto: Maíra Brandão

Método – Além das bibliotecas e equipamentos públicos do Recife, ao longo do primeiro semestre o método “Ribe do Capibaribe” também será experimentado junto às oito bibliotecas da Releituras, Rede de Bibliotecas Comunitárias das cidades do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes,  experimentado em 12 bibliotecas públicas e comunitárias da Região Metropolitana do Recife. A proposta é de que o método possa ser aplicado ao longo do primeiro semestre, de forma experimental, e a partir do retorno dos mediadores de leitura sobre a experiência em cada bairro, pretende-se aperfeiçoar o Ribe e desenvolver a segunda edição da publicação.

Diversão e aprendizado no lançamento do Ribe do Capibaribe

Sonhar, planejar, realizar e celebrar. Foi seguindo esse ciclo da metodologia Dragon Dreaming, que o Ribe do Capibaribe – publicação infantil com histórias em quadrinhos e atividades – foi lançado, no Jardim do Baobá, no dia 02 de fevereiro de 2019. Para comemorar a estreia do livro, desenvolvido como ferramenta de educação ambiental do projeto Parque Capibaribe, foi preparada uma tarde inteira de atividades, no espaço público situado às margens do rio, no bairro da Jaqueira.

O lançamento teve direito a mediação de leitura com Gabriel Santana, consultor pedagógico do Ribe, que apresentou os personagens às crianças, contou histórias e convidou-as a respirar fundo e sentir o lugar onde estavam.

Respira fundo e pula! Foto: Rafa Medeiros

Rolou também espaço pra pintar, escrever e desenhar, jogo da memória, esquete teatral com a Turma Mangue e Tal e ainda bate-papo com o autor do livro, Allan Chaves, momento que deixou todo mundo boquiaberto. Crianças de variadas idades participaram ativamente da conversa, quiseram saber sobre todo o processo de criação. Surgiram perguntas sobre como surgiu o Ribe, como é desenhar uma história em quadrinho, como o autor imaginou cada história, quem ajudou, e ainda deram conselhos e chamaram atenção para os cuidados necessários com o meio ambiente. “Eu vou tirar como exemplo o garoto que estava aqui, que de repente tava falando sobre o que aconteceu em Mariana e Brumadinho (Minas Gerais). E eu fiquei pensando como a criança conseguiu fazer a conexão do cuidado ambiental com um desastre que ele viu no jornal. Se o Ribe fizer isso repetidas vezes, ele terá cumprido a sua missão. Quero mais é que a gente consiga!”, disse Allan.

Depois da conversa, ainda teve fila pro autógrafo. Ao todo, 300 exemplares foram distribuídos para todo mundo que compareceu ao Jardim do Baobá nesse dia.

A tarde foi toda de muita animação, mas na hora da caça ao tesouro virou um rebuliço só. GRITOOOOOO. Não é só eufemismo, as crianças foram à loucura mesmo. Aliás, não sabemos ainda se foi mais intenso para os pequenos ou para os tios que supervisionaram a atividade, que acabaram ficando com a língua de fora de tanto correr de um lado pro outro junto com cada equipe. Mas a diversão foi garantida!

A equipe laranja matou todas as charadas e achou o tesouro. Foto: Rafa Medeiros

Para Circe Monteiro, coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE, a publicação se firma como oportunidade de estimular as crianças a descobrirem e valorizarem a fauna e a flora do Recife, de uma forma divertida. “O Ribe vai ser uma ponte pra gente acumular uma série de vivências das crianças. A gente tá fazendo um projeto (Parque Capibaribe) que tem uma dimensão de 20 anos. Então as crianças que estão hoje com 5, 10 anos, são os adultos que estarão vivendo nesse parque. A dimensão de fazer esse trabalho desde já, pequenininho, de respeito, de sustentabilidade, de uma pegada mais leve na terra, de trazer a discussão de como contribuir e respeitar a fauna e a flora, é muito importante. E também é um livro, mas que está atrelado a um projeto de cidade e um projeto urbano. É um diferencial”, reflete a pesquisadora.

Ao longo do primeiro semestre de 2019, a ferramenta e a metodologia Ribe do Capibaribe viverão um período de experimentação, com distribuição e aplicação junto a escolas e bibliotecas públicas, espaços à beira do Rio Capibaribe.

Ribe do Capibaribe: a origem

Você já conhece o Ribe do Capibaribe? O Ribe é uma publicação infantil, de autoria do ilustrador Allan Chaves, com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos – que vivem no principal curso d’água do Recife – se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. Criado como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe do Capibaribe vai além de uma mera publicação. Pretende estabelecer-se também como método de educação ambiental, divertido, capaz de sensibilizar crianças, jovens e adultos sobre o Rio Capibaribe, o desenvolvimento da cidade, os bens naturais, a sustentabilidade e a cultura.

Mas como surgiu tudo isso?, você pode nos perguntar. O Ribe apareceu no projeto Parque Capibaribe pela primeira vez em 2014. Na época, a ideia era ter um mascote que interagia com o público nas redes sociais, em tirinhas de quadrinhos, com uma estética de mangá (os quadrinhos japoneses). O que motivou o surgimento desse personagem foi a necessidade de criar meios para aproximar as pessoas do rio, dos produtos, projetos e pesquisas do Parque Capibaribe, a fim de ajudar na transformação da forma de pensar o rio e a cidade.

Aquela ideia de tirinhas de 2014 foi ganhando corpo e transformou-se em histórias em quadrinhos e atividades para brincar com as crianças. “Quando a ideia dele deixar de ser um personagenzinho que aparecia esporadicamente nas redes sociais do Parque Capibaribe pra ser um personagem maior – que apareceria em eventos, mais quadrinhos – e seria um “rosto” pro Parque, mudei pouca coisa. Ele passou a ser mais colorido, e pra manter a ideia de um personagem caricato, divertido, ele ficou laranja, e não o “marrom normal” da capivara”, conta Allan Chaves.

A primeira versão do Ribe tinha traços de mangá.

Aos poucos, os outros personagens da turma foram sendo criados, como conta a coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE*, Circe Monteiro. “A gente fez uma oficina pra criar as personalidades dos animais. A gente criava uma situação e cada um respondia com aquela persona. Saiu que o Sá (caranguejo-uçá) era o inteligente, o cérebro da turma; o Ribe e a Piba, capivaras desbravadoras, alegres, que gostam de estar junto de todo mundo e são muito afetuosas; o Tio Biu, um jacaré que já era mais velho, que tinha um conhecimento histórico das coisas e do rio; a Gringa, a garça era histérica, de fora”, lembra Circe.

Visitas ao rio também fizeram parte do processo criativo de Allan Chaves junto à equipe de comunicação do Parque Capibaribe. “Pra termos mais conteúdo, fizemos algumas incursões pelo rio, por barco, do Recife Antigo até a Várzea. Graças a isso adicionamos mais personagens além das capivaras, jacaré, garça e caranguejos (algumas que só foram incluídas em one shots, outros que estão guardados pra ideias futuras). Como a fauna é muito rica, paramos pra observar tudo, e disso vieram muitas ideias, muitas piadas e muitos roteiros”, conta Allan.

Pergunta recorrente na expedição: “é bicho ou lixo? “. Dessa vez era bicho, um jacaré. Foto: Manuela Salazar

Passado algum tempo, em 2016 a equipe de Comunicação do projeto Parque Capibaribe decidiu que o Ribe merecia chegar em mais pessoas. Começou então todo o processo de planejamento para lançar essa criatura e seus amigos para o mundo. Com o apoio de Flora Noberto, jornalista e facilitadora da metodologia Dragon Dreaming, os objetivos foram desenvolvidos, as etapas criadas e distribuídas entre a equipe.

Dentre as fases pensadas, uma das principais foi redesenhar o Ribe e seus amigos. A ideia era que os bichinhos se parecessem mais com os animais reais, para que as crianças tivessem mais facilidade de associação, nesse trabalho de visibilidade e valorização da fauna local. O cenário onde se passavam as histórias também ganhou novos contornos, passando a mostrar referências naturais e construções históricas do Recife, como comenta o autor: “Nessa mudança, apesar de ter esse pé no traço “realista”, como toda boa obra de ficção, tínhamos nosso pezinho na imaginação, pra que pudéssemos pôr ele limpando o rio, algumas vezes agindo como humano ou sonhando em andar de bicicleta”.

Projeto na mão, ilustrações, brincadeiras e roteiros aprovados começamos a buscar parceiros que topassem aperfeiçoar e entrar nessa empreitada conosco. “Depois veio um aprofundamento com pedagogos nos ensinando como levar a história, as palavras, para as crianças. Como as crianças poderiam melhor captar, e a ideia de transformar isso em uma brincadeira, uma diversão. A melhor coisa pra aprender é diversão”, diz Circe.

Foi aí que em 2018 a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) resolveu embarcar no sonho com a gente. Com o livro em mãos, o Ribe do Capibaribe vai pras ruas, pras mãos de crianças, educadores, para escolas e bibliotecas. Tímido, Allan ainda reflete sobre o impacto de sua obra sobre o Recife: “Eu não sei bem o que sentir, é uma sensação estranha, mas muito boa, nunca pensei sobre isso parar em bibliotecas, escolas, livrarias e ser algo ligado ao ambiental ou educativos. É tudo novo pra mim, eu tenho orgulho de cada página, cada história, cada atividade”.

Olhando assim, parece até que foi um longo processo. Mas esperamos que esse seja só o começo de muitas outras aventuras e formato para o Ribe do Capibaribe.

Se quiser conhecer o Ribe do Capibaribe, o livro já está disponível para download na área de publicações do nosso site. Para conferir: bit.ly/publicacoesparque.

* O INCITI/UFPE é um grupo de pesquisa que, em parceria com a Prefeitura do Recife, desenvolve o projeto Parque Capibaribe.

 

No Recife, hackathon pela mobilidade premia projeto de deslocamento pelos rios

Por Maíra Brandão

Se você mora em uma cidade onde passa um rio, certamente já considerou como seria usá-lo como meio pra se deslocar. E havendo essa possibilidade, já pensou poder usar o celular pra chamar o barco mais próximo pra ir trabalhar ou estudar? Pois essa foi a ideia do projeto vencedor do Open Mobility Hack, que aconteceu entre os dias 1º e 3 de fevereiro, no Recife. A equipe Navegue, que elaborou a proposta, contou com dois pesquisadores do INCITI: Caio Scheidegger e Nathália Machado.

A ideia da Navegue foi de direcionar os esforços para um modal que é sempre comentado e desejado pela população, mas de uma maneira mais simples de viabilizar, por meio de um aplicativo que possibilite a mobilidade através dos rios com pequenas embarcações, com administração de reserva e agendamento de horário para trajetos. “A gente sugeriu no hackathon que serviço chegasse um pouco mais à população, por meio de um aplicativo que informasse às pessoas se o barquinho estaria próximo dos pontos de embarque, tipo um Cittamobi, e assim ter mais uma opção de modal ou outra função que permita à pessoa contratar o serviço de um barquinho para levar de um lugar a outro, como um Uber”, explica Nathália.

O projeto desenvolvido por eles, ao mesmo tempo em que promove a mobilidade fluvial, incentiva a sustentabilidade da população ribeirinha do Capibaribe, como comenta Caio Scheidegger. “Desde o início da implantação do Parque Capibaribe foi possível perceber um aumento na demanda. Conversamos com Davi (barqueiro do rio Capibaribe), que afirmou a nossa impressão, de que várias pessoas estão oferecendo esse serviço”, disse Caio. “Futuramente a intenção é conectar com outros sistemas, como a bike e o busão”, complementou.

Para desenvolver o projeto, a equipe utilizou os dados abertos da Pesquisa de Origem e Destino, que desde 1997 não considera o barco como modo de deslocamento. “No último ano em que o barco entrou na pesquisa foram contados cerca de 1200 deslocamentos pelo rio. É uma realidade totalmente invisibilizada e a gente espera com essa proposta poder entender melhor o rio, estimular que as pessoas olhem mais pra ele e até usem mais ele, respeitando sempre seus limites e em equilíbrio”, complementa Nathália.

Além de Caio e Nathália, a equipe Navegue foi formada por Igor Cabral, Júlio Ramos e Luís Delgado. A Navegue levou R$ 7 mil para desenvolver o projeto, além de ter uma vaga garantida no próximo Mind The Bizz, programa de incentivo ao empreendedorismo inovador do Porto Digital, CESAR e Sebrae. O segundo lugar ficou com a BuStop, uma solução que pretende facilitar a vida de cadeirantes nas paradas de ônibus, além de permitir um maior gerenciamento do tempo por parte do condutor – que receberá a solicitação no painel do veículo e poderá planejar a parada e a preparação do elevador de acesso para os usuários de cadeira de roda.

O Open Mobility Hack foi realizado pelo Porto Digital e pelo Consulado Britânico – por meio do Foreign & Commonwealth Office (FCO) via Department for International Trade (DIT) e Great Britain and Northern Ireland -, e contou com apoio da Prefeitura do Recife.

Ribe do Capibaribe convida crianças e jovens para aprender sobre o ambiente natural do Recife

História em quadrinhos e ferramenta de educação ambiental desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe será lançado neste sábado (02), no Jardim do Baobá

Uma oportunidade única de vivenciar o rio Capibaribe, ao mesmo tempo em que se brinca e aprende sobre o rio e os animais que nele vivem. Assim será o próximo sábado (02), no Jardim do Baobá, quando será lançado o Ribe do Capibaribe, publicação com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos, que vivem no principal curso d’água do Recife, se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. O projeto partiu da ideia de criar uma ferramenta de educação ambiental, lúdica, que ensinasse crianças e jovens sobre o rio, sua flora e fauna.

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“Provocações Urbanas” debate a ocupação do espaço público pela juventude

Episódios de tensões em parques da cidade após apresentações de passinho incentivaram a provocação deste mês

“Como conviver sem reprimir? Cultura de rua, juventude e direitos” é o tema da próxima edição do Provocações Urbanas, projeto de rodas de debate promovido pelo INCITI/UFPE, grupo de pesquisa que desenvolve o Parque Capibaribe. O evento, que é aberto ao público, irá acontecer no dia 31 de janeiro, às 19h, na sede da instituição (Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife). O foco do encontro é discutir a relação da juventude com o espaço público a partir das experiências de ocupações artísticas nas áreas urbanas do Recife.

O debate tem como enfoque principal refletir sobre a convivência no espaço público da cidade a partir da ideia de respeito à diversidade de usuários que o acessam. Entre os fatores que motivaram a realização da roda de conversa estão os recentes episódios de tensões gerados pela presença de grupos de passinho em áreas públicas do Recife, além de outras apropriações por parte de movimentos culturais protagonizados por jovens, que fazem da rua palco para eventos como recital de poesia e batalhas.

Para impulsionar o debate, foram convidados: Raquel Meneses, arquiteta e urbanista pesquisadora do INCITI; Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana (responsável pela concepção e modelo de gestão do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ); Juliane Lima, advogada e mestranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, onde desenvolve a pesquisa “Racismo ambiental e o direito ao lazer no espaço público: Um estudo sobre o Parque Santana, pelo Laboratório da Paisagem”; Maria Helena e Adelaide Santos, articuladoras do Recital Boca no Trombone, projeto de ocupação artística com música e poesia em Água Fria; e o Delegado Especial da Polícia Civil de Pernambuco Cláudio Borba Filho, gerente-geral de Articulação e Integração Institucional e Comunitária da Secretaria de Defesa Social do Estado – unidade responsável pela formação e capacitação dos policiais de Pernambuco. A mediação é da jornalista, pesquisadora e produtora social Lenne Ferreira.

O encontro terá transmissão ao vivo e também oferece momentos de interação com a plateia por meio de microfone aberto a partir de uma organização prévia de falas. A ideia é que o encontro represente um momento de reflexão coletiva por meio do diálogo e escuta ativa. O Provocações Urbanas é uma iniciativa do INCITI, com programação aberta ao público, que tem por finalidade aproximar a sociedade civil de temas relacionados com a vida nas cidades.

SERVIÇO
“Provocações Urbanas: Como conviver sem reprimir? Cultura de rua, juventude e direitos”
Quando: (31) de janeiro de 2019
Hora: 19h
Onde: INCITI/UFPE – Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife
Acesso gratuito

Debatedores:
Murilo Cavalcanti – Secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana (responsável pela concepção e modelo de gestão do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ);

Raquel Meneses – Pesquisadora, arquiteta e urbanista da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo. Atuando principalmente nos seguintes temas: Espaço público, Vitalidade urbana, Lazer urbano.

Juliane Lima – Advogada e mestranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, onde desenvolve a pesquisa “Racismo ambiental e o direito ao lazer no espaço público: Um estudo sobre o Parque Santana, pelo Laboratório da Paisagem”. Preside a Comissão de Defesa da Igualdade Racial e Proteção aos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais – OAB-PE e Coordena o Núcleo de Direitos Humanos da Escola Superior de Advocacia – ESA-PE.

Maria Helena e Adelaide Santos – Articuladoras do Recital Boca no Trombone, movimento cultural que promove rodas de poesia e batalhas de conhecimento no bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife.

Projetos possibilitam maior articulação pela mobilidade sustentável

Por Maíra Brandão

Fortalecer redes para contribuir no desenvolvimento das pautas da mobilidade urbana sustentável tem sido uma das estratégias do INCITI na busca pelo desenvolvimento de cidades inclusivas, sustentáveis e felizes, desde a sua origem. Em 2019, a articulação junto à sociedade civil se tornará ainda mais forte, graças a dois projetos aprovados pelo grupo junto ao Greenpeace e ao Fundo Socioambiental Casa.

O Greenpeace, através do edital Sinal Verde Para Mobilidade, está fomentando o projeto Bora Andando. A proposta dessa parceria contempla a realização de diagnósticos e pesquisas colaborativas, que poderão tornar-se protótipos de soluções voltadas para a melhoria da mobilidade das pessoas que se deslocam a pé. Além do INCITI, outros cinco grupos da Região Metropolitana do Recife (RMR) integram a iniciativa do Greenpeace.

A ideia é que o projeto estimule a compreensão do caminhar como um meio de deslocamento mais saudável, lúdico e confortável, alcançando pessoas que já utilizam esse modo de se relacionar com a cidade, e também apresentando-o a quem que faz percursos curtos de transporte coletivo. Futuramente, pretende-se expandir a ação para usuários de carro, estimulando-os a percorrerem distâncias mais curtas a pé, desafogando as vias e impactando positivamente em sua qualidade de vida.

Já o Fundo Socioambiental, por meio do edital Casa Cidades, está apoiando a articulação com a sociedade civil a partir das Provocações Urbanas, debates que buscam fomentar diálogos sobre temas relativos ao desenvolvimento de cidades sustentáveis. O Fundo Socioambiental Casa apoia através deste programa, outras 31 organizações da RMR.

Por meio desta iniciativa, o INCITI pretende atuar junto às organizações da sociedade civil para potencializar descobertas colaborativas e soluções criativas para a mobilidade urbana, bem como alcançar uma maior incidência na transformação de ações e campanhas em políticas públicas e mudanças concretas para melhoria da qualidade de vida da população.

Como parte desses dois projetos, o INCITI já promoveu no Recife o Dia Mundial Sem Carro, em parceria com 14 organizações da Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO). Ao longo do primeiro semestre de 2019, mais quatro Provocações Urbanas serão desenvolvidas. Já pelo Bora Andando, está em andamento o levantamento das pesquisas já desenvolvidas na área de mobilidade urbana, a partir do qual será elaborado um diagnóstico que apresente um panorama dos dados coletados.

A equipe responsável por esses projetos é atualmente composta pelos pesquisadores Caio Scheidegger, Natan Nigro, Nathália Machado e Pedro Rosa.

INCITI – Desde a sua origem, em meados de 2014, o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades atua na temática de mobilidade urbana sustentável através do Parque Capibaribe e outras ações. Uma das estratégias para conseguir avançar nessa área tem sido a ampla articulação de parceiros. Se em uma perspectiva, tornou-se parceiro da ONU-Habitat – a agência das Nações Unidas para o desenvolvimento das cidades – e da WWF-Brasil, entre outros, por outra também esteve ativo no processo de construção do Laboratório de Ativismo e Ação Política para Mobilidade (Labmob) e da Conferência Livre de Mobilidade. Esta última apresentou-se como terreno fértil para o surgimento da Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO), com grupos de atuação nacional e local.

Planejamento busca potencializar projetos pela mobilidade sustentável

O INCITI tem recebido apoio para o planejamento e gestão dos projetos Provocações Urbanas, desenvolvido em parceria com o Fundo Socioambiental Casa, e Bora Andando, realizado com apoio do Greenpeace. A ideia é potencializar o trabalho voltado para fomentar novas colaborações com entidades entusiastas da mobilidade urbana sustentável.

Como parte deste trabalho, entre na semana de 14 a 21 de dezembro de 2018, recebemos a diretora do Labhacker, Evelyn Gomes, que nos ajudou no planejamento para execução dos dois projetos de forma conjunta e para potencializar as conexões possíveis e resultados. Diversos pesquisadores do INCITI colaboraram durante esses dias, permeando de olhares e sonhos os novos caminhos que se abrem com essas oportunidades de transformação da mobilidade urbana.

Como resultado dos encontros, elaboramos uma agenda integrada que possibilite uma maior conexão com outros grupos, por meio da realização de encontros, seminários, pesquisas, diagnósticos colaborativos, campanhas e ações. Todos esses processos serão construídos com grupos parceiros e a população da Região Metropolitana do Recife.

Durante o primeiro semestre será mapeada a rede de atores que atua na pauta da mobilidade urbana sustentável na região. Em paralelo, está sendo realizado o levantamento de pesquisas e metodologias participativas já realizadas sobre o assunto, a fim de elaborar um diagnóstico e um plano de comunicação para o desenvolvimento de uma campanha. Posteriormente, será pactuada a agenda compartilhada com outras entidades e parceiros, com visitas in loco aos territórios para entrevistas e ações.

Polêmica e poesia dão tom ao debate sobre matas urbanas no INCITI

Por Rodrigo Édipo

Em matéria publicada na quarta-feira (28), a Folha de Pernambuco denunciou crime ambiental na Mata do Zumbi, localizada no Cabo de Santo Agostinho, às margens da PE-28. Segundo reportagem, mais de 100 ha de vegetação nativa “foram devastados para dar lugar a construções e loteamentos irregulares”. A área desmatada é protegida pela Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428), que permite supressão apenas para fins de obras públicas e de interesse social, isso se licenciadas. Por coincidência, na data de veiculação da matéria aconteceu mais uma edição do Provocações Urbanas, desta vez com o tema Matas do Recife: Como conciliar interesses?, realizada na sede do INCITI/UFPE, no Bairro do Recife.

A plateia, de cerca de 50 pessoas, entre estudantes, representantes dos setores de pesquisa, gestão governamental, movimentos sociais e ambientalistas puderam conversar abertamente sobre habitação, conservação da natureza, desenvolvimento, sustentabilidade, subsistência, exploração econômica e algumas possíveis soluções para o enfrentamento dos problemas abordados no debate.

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Pesquisador é vencedor do Prêmio Jovem Cientista com estudo sobre matas urbanas

Para o encontro, mediado pelo biólogo e professor da UFPE, Marccus Alves, foram convidados o pesquisador do INCITI e do Laboratório da Paisagem da UFPE, Célio Rocha, vencedor do 29º Prêmio Jovem Cientista com o estudo “Os valores naturais das unidades de conservação do Recife: Mata de Dois Irmãos e da Mata do Engenho Uchôa”; a Coordenadora Nacional do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e codeputada eleita para o mandato coletivo Juntas (PSOL), Jô Cavalcanti; Maíra Braga, representante da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA); e Patrícia Caldas, geógrafa e representante do Movimento em Defesa da Mata do Engenho Uchôa.

Uma das técnicas responsáveis pela elaboração dos Planos de Manejo das Unidades de Conservação da Natureza (UCNs) da Prefeitura do Recife, Maíra Braga fez introdução sobre algumas particularidades das 25 unidades localizadas no Recife. “As Unidades de Conservação do Recife são em áreas de matas, áreas de florestas, de manguezal e áreas estuarinas”.

“Essas áreas têm características diferentes, umas são privadas, outras são públicas, algumas têm gente morando dentro, outras não têm. Então, com características, com interfaces, com vivências, com apropriações por parte da sociedade de formas distintas”, exemplificou. Maíra contextualizou que a conservação de tais fragmentos não dependem só de uma legislação, mas o conjunto de leis já constitui as condições e as regras de conservação e proteção.

A geógrafa e representante do Movimento em Defesa da Mata do Engenho Uchôa, Patrícia Caldas, traçou um histórico sobre a iniciativa popular que está na ativa há 40 anos e tem como objetivo transformar em um parque ecológico a Mata do Engenho Uchôa, Área de Proteção Ambiental (APA) de 192 ha, localizada na Zona Oeste do Recife. “O movimento foi criado porque queriam fazer 1.200 unidades habitacionais na área e isso foi motivo de discussão, de questionamento e de aglutinação de todos esses atores sociais”, contextualizou.

Esta área de preservação tem uma grande representação biológica para a cidade do Recife, pois detém três biomas: mangue, restinga e Mata Atlântica. Para Patrícia Caldas, a principal característica desta Unidade de Conservação é a mobilização social que a envolve. “É um movimento que atravessou diversas situações por conta de vários interesses que estão envoltos na área até hoje”, explicou a geógrafa.

A defesa da Mata do Engenho Uchôa foi motivo para a primeira CPI ambiental registrada no país, com o pedido de regulamentação da Lei n° 6535 de 15/06/1978, com o objetivo de proteger a área. “A Mata do Engenho Uchôa é uma mata privada. Como temos uma área que é legalmente protegida para preservação e pertence a alguém? Então, tem esse conflito fundiário que é grande e ainda não está resolvido”, pontuou Patrícia.

Outros valores

Premiado, o jovem cientista Célio Rocha apresentou pesquisa. Foto: Bruna Roazzi

Os dissensos envolvendo o refúgio natural garantem também a Mata como fonte para estudos científicos, como é o caso da premiada pesquisa do estudante de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Célio Rocha, que buscou entender as relações entre as comunidades e as florestas, além de identificar os valores atribuídos às matas. “O objetivo da pesquisa é identificar (os valores) sob a perspectiva da população e da gestão e sistematizá-los para que se possam elaborar planos de manejo tendo em vista esses valores”, explicou o pesquisador.

O estudo conduzido por Célio apontou que o maior valor da Mata do Engenho Uchôa para os moradores são os serviços da natureza, ou seja, os serviços que a Mata presta para a população, como a questão da subsistência, por exemplo. “Gestores também conferem valores mais ligados ao impacto que essa mata tem para a cidade como um todo. No Plano de Manejo os serviços ambientais é um valor quase nunca citado. Cita-se mais o valor ecológico”, explicou. Tal diagnóstico denuncia uma disparidade de percepções de valores entre a gestão, os moradores e o que consta no Plano de Manejo.

Integrante do MTST, a codeputada Jô Cavalcanti alerta sobre desapropriações. Foto: Bruna Roazzi

A ambulante Jô Cavalcanti (MTST) entende a questão socioambiental, mas chama atenção para a precarização das políticas públicas habitacionais. A recém-eleita codeputada relembrou que esteve ao lado da resistência popular contra a especulação que resultou na construção do (Shopping) RioMar em uma área de mangue. “A gente vem acompanhando vários processos de pessoas que moram em locais de mangue ou área de mata e ocorre esse tipo de retirada de pessoas”, contextualizou a ativista alertando que as ocupações costumam ser em áreas que não cumprem nenhuma função social. “Elas (as áreas) ficam sendo especuladas anos e anos para os ditos donos das terras chegar, tomar conta e construir vários monumentos que dizem gerar emprego”, explicou.

Para Jô Cavalcanti, é necessário garantir tanto as áreas de preservação ambiental quanto a moradia digna, incluindo um suporte de educação ambiental para que as pessoas respeitem as demarcações. “Se você não tem esse amplo olhar para as famílias, acho muito difícil as pessoas terem essa conscientização. É no diálogo que vai ter essa mediação”, acredita. A necessidade de diálogo entre os técnicos da gestão pública e a população que vive no entorno dos fragmentos foi a principal tônica do debate, que convidou os participantes a pensarem formas de conciliação. “Os interesses são múltiplos. Não é fácil falar de um bom uso e de preservação. Existem conflitos naturais que em geral quando (as matas) estão em áreas de pressão urbana, isso é assustador”, pontuou Marccus Alves – mediador do debate.

“A solução depende da prioridade da gestão pública que está para garantir a promoção deste bem estar e das relações da sociedade com esses ambientes naturais”, apontou Patrícia Caldas. Para Maíra Braga, os Planos de Manejo representam sempre um desafio, pois normalmente são feitos a partir de consultorias sem pertencimento com as áreas. “A Prefeitura (do Recife) fez uma opção diferente neste momento, que foi uma seleção simplificada contratando 12 profissionais e uma equipe multidisciplinar. O desafio é que a gente consiga fazer em diálogo com a sociedade. Fizemos 11 oficinas contemplando 23 Unidades de Conservação “, explicou.

Os donos das terras

Maira Braga (SDSMA) acredita ser preciso envolver o setor privado. Foto: Bruna Roazzi

“Toda terra tem dono”, disse Maíra Braga ao afirmar que a maioria das Unidades de Conservação estão em terras privadas. “O fato das áreas estarem vazias não significam que estejam vazias também em relação a sua função. Mas que outros usos sustentáveis podem ser provocados? Inclusive pra visitação, para turismo, para educação ambiental, para geração de renda”, explicou. Segundo a representante da SDSMA, é importante provocar e estimular no mercado privado o desejo de conservar, pois às vezes a terra perde o valor econômico, mas abre possibilidades de gerar novos valores decorrentes do fator  ambiental. A pesquisadora do INCITI/UFPE, Lenne Ferreira, refutou a ideia de que cada terra tenha dono. “Eu não sei se é bem assim, eu não sei a quem se compra uma praia, não sei a quem essas pessoas compraram. Eu tenho a impressão que a gente vive eternamente em uma Capitania Hereditária”, pontuou.

O pesquisador do INCITI/UFPE e engenheiro socioambiental, Djair Barros, chama atenção para a responsabilização da moradia popular por estar ocupando áreas que seriam de preservação e convida os presentes a buscarem entender como se deu a distribuição das terras no Brasil. “Por que a constituição nacional traz a função social da propriedade? Ela não é gratuita, é resultado de muitas lutas ao longo de vários anos. E hoje quando eu vejo a gente relativizando um monte de coisas eu fico preocupado, pois pode estar culpabilizando movimentos que são extremamente legítimos e necessários”, alertou. Djair relembra que em Suape houve a supressão de 600 ha de mangue para a expansão do porto e, mesmo assim, a sociedade se calou. “Onde será que está a prioridade de verdade nas gestões?”, provocou.

“A gente precisa que as instituições sejam fortalecidas, a gente precisa de técnicos efetivos nas prefeituras. Já chegamos em várias discussões, vários gabinetes, já passamos por diversas gestões políticas, mas quando chega na hora do vamo ver, entra o interesse econômico. Ele está de frente. A questão fundiária nas Unidades de Conservação é complicada e ela tem um porquê de estar”, pontuou Patrícia Caldas. Segundo Jô Cavalcanti, a questão são os processos de desapropriação. “Vão chegar lá sem documentação nenhuma, bota uns tratores e derruba a casa do pessoal. Será que a gente vai botar os tratores também no RioMar? Ou então em uma Via Mangue? Vai desapropriar a casa dos barão ou dos que estão lá precisando de moradia?”, questionou.

Para Onilda Gomes, pesquisadora do Laboratório da Paisagem da UFPE, precisamos rever a relação filosófica do homem com a natureza. “Tudo que se levantou aqui é a visão antropocêntrica de Aristóteles. A gente tá vendo a natureza enquanto produtora de serviços ambientais, valor econômico, valor turístico. O Parque Capibaribe como valor cênico, o embelezamento da cidade. Mas temos outros valores. É defesa da vida. A defesa da vida da formiga, do humano, do peixe, da árvore, enfim, é uma questão bioética e isso está sacramentado”, explicou a arquiteta complementando. “A terra é de todos, a gente herdou uma forma americana de gerir a natureza que é expulsar as pessoas de dentro. A gente tem que envolvê-las para que possam proteger”.

A poesia de Bione

A poeta Bione (15), integrante do Slam das Minas, esteve presente como ouvinte na plateia e presenteou os participantes com uma contundente poesia, escrita no calor do momento, que sintetizou com sabedoria um importante recorte do debate: o cuidado. Ao final, a jovem recitou a criação (texto abaixo) para o público.

Tem coisa mais bonita
do que viver com certeza
com fonte de água limpa
contato com a natureza
a bênção de viver saudável
com moradia e a firmeza
de reunir a família
tendo comida na mesa

O povo não quer brigar
é o contrário, na verdade
querem ter a paz de suas casas
viver com dignidade
é fácil falar de ciência
pra quem tem tal inteligência
e esquecer de quem tem dificuldade

Nem terminei o ensino médio
desse tipo de ciência
eu vou entender um dia
por enquanto, defendo o povo
o pobre, o de periferia
e talvez eu esteja cometendo um sacrilégio
por ter o privilégio
de ter uma moradia

A mata, a gente já sabe
tem que preservar, é certo
mas a gente preserva a mata
e deixa o povo fora do projeto?
tem gente que a tem como berço
e gente que num sabe um terço
do que é precisar de um teto.

(Bione)

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* Escute na íntegra o áudio do debate “Matas do Recife: Como conciliar interesses?”

INCITI/PARQUE CAPIBARIBE PROMOVE DEBATE SOBRE MATAS URBANAS DO RECIFE

Convidados de diversos setores irão dialogar sobre os interesses em torno de fragmentos florestais no contexto urbano. Encontro faz parte da série “Provocações Urbanas”.

O INCITI/ UFPE realiza mais um encontro Provocações Urbanas no dia 28 de novembro, às 19h. O tema da vez é “Matas do Recife – Como conciliar interesses?”. No evento, pretende-se refletir e dialogar sobre os interesses em torno das matas urbanas da capital pernambucana. Na ocasião, representantes dos setores de pesquisa, gestão governamental, movimentos sociais e ambientalistas irão apresentar suas perspectivas sobre os fragmentos florestais da cidade. O encontro é aberto ao público, sem necessidade de inscrição prévia. O INCITI é localizado na Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife. O acesso é gratuito.

A abertura do Provocações Urbanas será feita pela jornalista Lenne Ferreira. O debate será mediado pelo biólogo e professor da UFPE, Marccus Alves, com a participação do pesquisador Célio Rocha, vencedor do 29º Prêmio Jovem Cientista com o estudo “Os valores naturais das unidades de conservação do Recife: Mata de Dois Irmãos e da Mata do Engenho Uchôa”; Jô Cavalcanti, coordenadora nacional do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e codeputada estadual eleita para o mandato coletivo Juntas (PSOL); Maíra Braga, representante da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA); e Patrícia Caldas, geógrafa e representante do Movimento em Defesa da Mata do Engenho Uchôa.

Como provocação, os convidados serão estimulados a pensar sobre os  diversos interesses que atuam na questão das matas e as possibilidades de convergências  entre eles. Temas como conservação da natureza, habitação, desenvolvimento sustentável, subsistência, cultura e espiritualidade e exploração econômica devem ser abordados.

DIÁLOGOS – Com a proposta de fomentar diálogos sobre temas relativos ao desenvolvimento de cidades sustentáveis, o INCITI, grupo de pesquisa que desenvolve o projeto Parque Capibaribe, realiza uma série de debates “Provocações Urbanas”. Já foram abordados temas como Patrimônio e Arte Urbana – Como preservar sem criminalizar?, Inovações para o Saneamento – Como o Parque Capibaribe para um rio mais limpo? e Inovações para Mobilidade Urbana.

SERVIÇO:
Provocações urbanas: Matas do Recife. Como conciliar interesses?
Quando: 28 de novembro de 2018
Hora: 19h
Onde: INCITI/UFPE – Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife
Acesso gratuito

Mediação: Marccus Alves – Biólogo, professor do curso de Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da UFPE.

Debatedores:

  • Célio Rocha – Graduando em Arquitetura e Urbanismo pela UFPE, pesquisador vencedor do Prêmio Jovem Cientista, integrante do Laboratório da Paisagem da UFPE – DAU/ UFPE e do INCITI/ UFPE.
  • Patrícia Caldas –  Geógrafa e representante do Movimento em Defesa da Mata do Engenho Uchôa.
  • Jô Cavalcanti – Coordenadora Nacional do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) e codeputada estadual eleita para o mandato coletivo Juntas (PSOL – PE), militante do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Informal (SINTRACI).
  • Maíra Braga – Representante da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA)