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Como conciliar planejamento e projeto urbanos em áreas de preservação permanente

Artigo de Simone Silva, Vivian Loges, Alexandre Campello, Circe Monteiro, Anna Karina Alencar, Rafaella Cavalcanti e Sabrina Machry.

ANO
2014

RESUMO
Este trabalho apresenta a experiência do projeto “Parque Capibaribe”, um projeto transdisciplinar que busca soluções inovadoras e sustentáveis no tratamento das margens do rio Capibaribe, na cidade do Recife-PE. Por meio deste, se pretende expor o processo de desenvolvimento do projeto, desde o contexto do qual ele emerge à problemática que o acompanha. A metodologia adotada estruturou uma rede de conhecimento capaz de responder à complexidade urbana ambiental desenvolvendo três importantes processos: analítico, de convergência e conceitual. O primeiro processo reuniu diversas áreas do conhecimento, com visão integrada dos vários saberes, contemplando os âmbitos ambiental, urbanístico e socioeconômico, com vista a compreender os múltiplos fatores que interferem na relação entre cidade e rio. Depois, procurou-se convergir esses conhecimentos com os saberes da população local e de especialistas estrangeiros, visando identificar os aspectos essenciais e suas relações estruturais, de forma a ressaltar os valores e significados que a população tem com o espaço e a natureza. Por fim, se avaliou o grau de fragilidade ambiental e de visibilidade do rio Capibaribe, propondo diretrizes que visam resgatar e proteger os espaços da margem do rio, no sentido de promover a interação entre a população com os sistemas naturais no meio urbano.

PALAVRAS-CHAVE: Rio Capibaribe, Projeto Parque Capibaribe, projeto transdisciplinar, rio urbano, Perfis Naturais, corredor ecológico, fragilidades ambientais.

Leia o artigo na íntegra.

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Como resgatar a relação da cidade com os ambientes naturais: Projeto Parque Capibaribe

Artigo de Rafaella dos Santos Cavalcanti, Leonardo César de Oliveira Melo e Circe Maria Gama Monteiro

ANO
2015

RESUMO
Projetar cidade hoje, requer, como prerrogativas, o uso de conceitos sustentáveis na estruturação do espaço urbano, a fim de que ele seja socialmente inclusivo, ambientalmente equilibrado e economicamente viável. Todos esses aspectos devem traduzir-se em ações urgentes face ao cenário ambiental difícil, dado às alterações climáticas. A cidade do Recife – NE do Brasil, nasceu e se desenvolveu em meio as águas. Com o passar do tempo a paisagem do Rio Capibaribe sofreu modificações resultantes do distanciamento das pessoas com o rio e seus sistemas naturais associados. O Projeto Parque Capibaribe, se utilizando de uma prática transdisciplinar, tem como objetivo conceber um plano de resgate ambiental e de articulação urbanística do território do Rio Capibaribe. Para isso, foi montada uma equipe de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Estudos de estrutura da paisagem, diagnóstico de vegetação e de fauna, foram realizados. Do mesmo modo em que estudos de fragilidade e de visibilidade. Como resultado, constatou-se que apesar de todas as intervenções antrópicas sofridas ao longo do tempo, o Rio Capibaribe mostra-se biologicamente vivo e diversamente bem representado em termos faunísticos. A flora, embora miscigênica, desempenha importante papel na manutenção da fauna residente e, quando das análises de fragilidade vegetal e visibilidade, estas mostraram-se como ferramentas robustas e fundamentais para as etapas de concepção projetual, sendo capazes de guiar todo um importante conjunto de proposições que, quando colocadas em prática, promoverão o resgate das relações do homem com rio e reestabelecimento, ao menos parcial das condições ambientais.

PALAVRAS-CHAVE: Ambientes naturais. Projeto Urbano. Parque Capibaribe

Leia o artigo completo.

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É preciso aprender a falar com estranhos

Por Maíra Brandão

É preciso aprender a falar com estranhos, já diria a minha querida amiga cearense, Fernanda Meireles. O que podemos ganhar trocando palavras com quem não se conhece? Andar a pé pela cidade, a esmo, também tem dessas. E quando a gente está imerso em um cenário pintado de espanto e assombro – pelos fatos reais e situações imaginadas – caminhar pode ser um ato de resistência. Assuma o risco.

Outro dia eu precisava resolver algumas coisas nos arredores da Dantas Barreto (um alô pra quem tem intimidade com o centrão do Recife!) e saí à pé do Bairro do Recife pra lá. É bem pertinho, coisa de 10 minutos. Já era fim de tarde, o trânsito começava a dar seus sinais, amontoando carros e seus condutores sob a Ponte Maurício de Nassau (aquela que conecta a Av. Marquês de Olinda com o vuco-vuco da Guararapes). Eis que no meio da travessia, me deparei com uma cena dessas que se eu não tivesse visto, não teria acreditado: uma garça plainando, voando bem baixinho, rente aos carros.

Embasbacada, puxei pro lugar o queixo que quase se arrastava pelo chão e saquei o celular o mais rápido que pude para tentar filmar aquele momento. Fui atravessando a ponte, no meio dos veículos, procurando o melhor ângulo para fazer uns cliques, quando me dei conta de que aquele vôo tão baixinho, a ponto de alguém esticar o braço e fazer cócegas na ave, não era à toa. Um pescador lançava a rede ao rio Capibaribe e quando a recolhia, já separava algum aperitivo para a garça.

Encostei no guarda corpo e puxei conversa com João que, de cima da ponte, se dedicava a projetar e puxar a rede. Aquele que agora é pescador foi, durante boa parte da vida, caminhoneiro. Por conta de um acidente na estrada, passou a ter complicações na perna direita. Os médicos recomendaram amputar, mas ele não aceitou. Puxa de cá, ajeita de lá, enxerta acolá… ficou João com a sua perna e uma coleção de complicações.

“Eu tinha medo”, me disse. Medo de ficar sem a perna, medo de não saber como sobreviver sem o seu ofício de motorista, medo de ser rejeitado. E fiquei pensando a quantas coisas a gente se apega na vida, por medo: um relacionamento, um emprego, um conceito, um objeto. E como, muitas vezes, sequer nos damos a chance de saber o que vem depois do pânico, da ansiedade, da apreensão. Ao fim e ao cabo, tá tudo dentro da cabeça da gente, e aí, pense num compartimento complexo para se desvelar.

Por 11 anos, João viveu entre idas e vindas ao hospital, adotando procedimentos que aliviassem o sofrimento pelo constante inchaço da perna. Até o dia em que ele cansou. E decidiu se desfazer daquilo que deveria ser ser seu alicerce, mas por mais de uma década lhe dificultou a sustentação. Há seis anos decidiu retomar a atividade aprendida na infância com o pai e pesca nos arredores do Capibaribe, no entorno dos bairros do Recife e de Santo Antônio. E diz que é feliz: “A vida só não tá boa pra quem morre. A vida se acaba. Pra quem tá vivo, tá bom demais”.

Esbanjando saúde, João se diz satisfeito pelas novas conquistas. Do rio, tira o sustento, o alimento e essa amizade improvável. Todos os dias, a garça se chega junto de João para um momento de camaradagem em torno da refeição. Todos os dias, João apanha peixes e, como quem se engraça pra um bicho de estimação, convoca Chiquinho – nome que resolveu dar à ave, ainda que não tenha certeza se é macho ou fêmea – para saborear o que o rio dá. E quem temeu tanto o que tinha perder, conquistou o que nem poderia vislumbrar. Hoje tem para si o rio, a pesca e ainda alimenta um ser que sabe voar.

Respeite o seu tempo. Quando achar que é a hora, assuma o risco e se desfaça do que não lhe serve mais. Coisas boas acontecem de onde a gente menos espera.

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Águas: Cidade Submersa

A idade não pesa sobre os ombros toda vez que Severino senta à margem do barco que o filho, conhecido como “Pai do Bote”, conduz sobre o Rio Capibaribe. Aos 67 anos de idade, o senhor de olhos de azul Iemajá, que é funcionário público, olha e enxerga a profundidade do Rio de onde tirou o sustento dos sete filhos durante 20 anos. Já se alimentou do Rio, foi testemunha da abundância de peixes, assistiu maré subir e baixar. Conhece as águas do Capibaribe de cor. Seu som, cheiro e seu movimento. Ouvir as memórias de Severino é refletir sobre a cidade que queremos para os mais velhos e para os mais jovens também. E é ele, com sua serenidade nostálgica, quem nos provoca a pensar: “Será que eu ainda vejo esse rio limpo antes de morrer?”.

O especial “Águas” propõe uma extensão do debate incitado pelo Campus de Pensadores Urbanos (UTC), que, este ano, objetiva construir um plano de ações para implementação das diretrizes da Nova Agenda Urbana Mundial (ONU-Habitat Brasil), com foco na sustentabilidade a partir do tema Águas: Caminhos Para a Sustentabilidade.

Confira: inciti.org/aguas

* Imagens/Edição: Jean Pierre Duarte
* Produção: Lenne ferreira

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Parques urbanos são tema de estudo

Os resultados ajudarão a planejar espaços públicos com qualidade e maior satisfação dos frequentadores

Saber a opinião dos usuários de parques urbanos do Recife, principalmente quanto à gestão, é a motivação da pesquisa de Raquel Meneses, mestranda do Programa em Desenvolvimento Urbano (MDU) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisadora do INCITI/UFPE.

A pesquisa está sendo realizada através de um questionário disponível em http://bit.ly/parquesrecife, e tem como objetivo conhecer melhor as pessoas que frequentam os seguintes parques: Santana, Jaqueira e 13 de Maio, além da Praça do Derby, todos localizados na cidade do Recife. As respostas serão tratadas confidencialmente.

O estudo também servirá de base para os projetos do Parque Capibaribe, contribuindo com as diretrizes do Plano de Gestão do mesmo. O formulário estará aberto para coletar respostas até às 23h59 do dia 10 de dezembro de 2017.

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Se o caso é caminhar

Por Nathália Machado*

Sábado, dia 30 de setembro, último dia do mês, saí de bicicleta. Era minha primeira viagem sozinha e um medo colado em mim insistia em plantar várias situações trágicas na minha imaginação realista fantástica. “E se eu cair?”, “e se baterem em mim?”, “e se levarem minha bike?”.

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Parque Capibaribe é apresentado aos alunos do IFSPE – Salgueiro

Estudantes do curso Técnico em Edificações participaram de visita técnica na sede do INCITI/UFPE

O INCITI recebeu no dia 13 de setembro cerca de 30 alunos do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano, IFSPE – Salgueiro. O encontro foi solicitado pela professora do curso Técnico em Edificações, Yanne Andrade, com o objetivo de apresentar aos estudantes o projeto Parque Capibaribe, resultado de convênio entre o INCITI, grupo de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente.

O Coordenador de Engenharia do INCITI/UFPE, Djair Falcão, foi o pesquisador responsável por receber os estudantes do sertão. O engenheiro sócio-ambiental apresentou as diretrizes do projeto e suas etapas, além de todo o trabalho que está sendo desenvolvido pelo grupo.

A importância da visita técnica para a formação dos estudantes foi ressaltada pela professora Yanne Andrade. Confira um trecho do relato da docente:

A experiência foi fantástica e muito enriquecedora! Com certeza é uma visita que tentaremos fazer com as outras turmas no próximo ano. Nossos alunos gostaram bastante e retornaram com uma visão diferenciada do espaço urbano, da construção da cidade e do seu papel de cidadão. Também estão ansiosos para ver o Projeto Parque Capibaribe 100% implementado, esperando a transformação do Recife.

Graças às contribuições e comentários feitos por você, já temos alguns alunos voluntários para criação de um grupo de estudos sobre a viabilidade de implantação da Ciclovia do centro até o campus do Instituto, aqui em Salgueiro. E também de outros estudos sobre a cidade, todos querendo trabalhar por uma cidade melhor: 1ª missão cumprida com sucesso! Gostaria de agradecer imensamente por compartilhar todo o conhecimento com nosso grupo.

Confira as fotos do encontro: http://bit.ly/2jNUio0.

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A importância da relação entre os cidadãos e a paisagem urbana

Por Luiz Vieira |Publicado originalmente em Rede Gestão

Recife é uma cidade com paisagens diversas em que as águas predominam e refletem a sua rica história, bem como o respectivo impacto ambiental do crescimento urbano desordenado. A relação do cidadão com a paisagem urbana diversificada é fundamental para o fortalecimento da identidade com os lugares afetivos e o respectivo empoderamento dessas paisagens na imagem e memória da cidade. O rio Capibaribe sempre exerceu, notadamente até o final do século XIX, função estruturadora na morfologia desse território, quando a cidade se voltava para as águas pela navegação, pesca e paisagem. O início do século XX registra o declínio desta relação com o rio Capibaribe que passa a ser pano de fundo, ou fundo de quintais de edificações que outrora se voltavam para desfrutá-lo como área de lazer ou para utilizá-lo como via de transporte.

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Vamos a pé para o 11º Café na Calçada?

No próximo domingo (17), o INCITI participará do 11º Café na Calçada para conversar com  os moradores das Graças que queiram tirar dúvidas sobre a implementação do projeto Parque Capibaribe. O encontro serve para aproximar e engajar os cidadãos sobre as diversas ações que envolvem o bairro e a novidade na edição deste mês será a realização do Bonde a pé para o Café.

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Encontro nacional de cicloativistas celebra a cultura da bicicleta no Recife

O Bicicultura, maior encontro nacional de mobilidade por bicicleta e cicloativismo, acontece no Recife a partir desta quinta-feira, 7 de setembro, e segue com atividades até o domingo, dia 10. Organizado pela sociedade civil e com apoio de instituições parceiras, o evento promoverá atividades esportivas, palestras, oficinas e rodas de conversas, além de atividades para crianças. O encontro acontece todos os anos e tem como principal objetivo incentivar e impulsionar a cultura da bicicleta como meio de mobilidade.

Durante os quatro dias, ações serão realizadas em diferentes lugares da capital pernambucana, como o INCITI/UFPE, Teatro Apolo, Paço Alfândega, Paço do Frevo, Parque Santana, entre outros, que estarão ocupados com uma programação diversa e intensa, promovendo a cultura da bicicleta em todas as suas vertentes: social, cultural, política, econômica e ambiental.

A programação tem representantes de todas as regiões do país, e busca criar um espaço de convívio e compartilhamento de conhecimento entre os ciclistas e toda a população interessada, através dos diversos setores da sociedade, discutindo a democratização urbana, sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida que a bicicleta proporciona.

Parque Capibaribe – Como parte da programação do Bicicultura, o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, promoverá a oficina “Incitando a mobilidade ativa: a importância do fortalecimento das redes para cidades cicláveis”. A atividade, que acontecerá no domingo (10), das 10h às 12h, no Parque Santana, na Zona Norte do Recife, irá apresentar as atuais diretrizes de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas desenvolvidas para o Parque Capibaribe, projeto realizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, que prevê um sistema de parques integrados ao longo dos 30 km do rio Capibaribe na cidade do Recife. A iniciativa irá conectar espaços e efetivar uma forma mais fácil e segura de se deslocar pela cidade, para pedestres e ciclistas.

As rotas estão sendo contabilizadas como uma estratégia dentro do Plano de Baixo Carbono e visam contribuir para criar novos percursos e conexões na cidade. No encontro, também serão apresentados os trechos de projeto que já foram desenvolvidos e os próximos módulos propostos, a fim de abrir um canal de diálogo e fomentar a cooperação das redes de articulação para a mobilidade.

Todas as atividades são gratuitas e abertas à comunidade. Algumas demandam inscrição prévia e estão sujeitas ao limite de vagas. Para mais informações, acesse: http://bicicultura.org.br.