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Parque das Graças

Um novo espaço para a gente viver a cidade ao ar livre. São mais de 25.000m² de um projeto colaborativo, feito junto com a UFPE e os moradores da região, para o coletivo. É conexão reforçada com o Rio Capibaribe.

No aniversário do Recife, Prefeitura começa construção do Parque das Graças

A Prefeitura do Recife dá início, nesta sexta-feira, 12 de março, aniversário da cidade, à construção de mais uma área verde na cidade: o Parque das Graças.

Localizado nas margens do Rio Capibaribe, no bairro das Graças, entre as pontes da Torre e da Capunga, o novo espaço será construído em conceito de parque linear, com playground, área para ginástica, tirolesa, três áreas de convivência, Parcão, espaços para piquenique, mirantes e área de refúgio da fauna. O projeto do novo parque foi desenvolvido pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB), que será responsável pela execução das obras e é mais uma etapa do Parque Capibaribe. O prefeito João Campos esteve no local no fim da manhã desta sexta-feira (12), quando assinou a ordem de serviço para o início das obras.

“Recife completa hoje 484 anos de muita história, de muita luta, conquistas, quando a gente passa pelo momento mais desafiador dessa história, no meio de uma pandemia, e nós precisamos olhar para o futuro com esperança, a gente não pode perder essa capacidade. Então a gente anuncia hoje a construção do Parque das Graças que vai ser o coração do Parque Capibaribe, numa cidade que nasceu do rio, e que por muitas vezes deu as costas ao rio, e agora chegou a vez de poder se aproximar”, declarou o gestor municipal. “Então é um Parque Linear com 1 km de extensão, que faz parte do projeto Parque Capibaribe e que a gente vai separar as entregas em três fases e a primeira delas a gente já entrega neste ano, a gente já vai ter a cidade podendo usufruir da primeira parte do Parque das Graças. Um projeto que foi pensando com os moradores, com a universidade, com quem tem preocupação com o meio ambiente, com o rio Capibaribe, é fruto de muito diálogo”, acrescentou ele.

O parque começa na altura da Rua Amélia, com uma solução viária que viabiliza a travessia de pedestres na descida da Ponte da Torre, seguindo com 1km de Parque Linear até a Ponte da Capunga. O projeto é composto pela implantação de vias de baixa velocidade compartilhadas entre pedestres, ciclistas e veículos motorizados, elevadas ao nível das calçadas e com amplos passeios contínuos e acessíveis, áreas de convivência e plantio de mais de 200 novas árvores.

“A obra está dividida em quatro etapas e são seis trechos. Então nessa primeira fase, a gente vai fazer essa que a gente está dando a ordem de serviço hoje e termina em novembro ainda deste ano. E mais dois trechos importantes serão entregues em outubro do ano que vem e em março de 2023 a obra como um todo. Esse primeiro trecho as pessoas vão poder se apropriar, vão ter três praças, playground, área para tirolesa, então vai trazer mais as pessoas para usarem o equipamento público e vai ser um espaço para pedestres e ciclistas aproveitarem”, esclareceu a secretária de Infraestrutura do Recife Marília Dantas.

O equipamento terá ainda playground de 397m², subdividido em duas áreas, uma para a primeira infância, de 205 m², e outra para os maiores de seis anos, com 192m²; área para ginástica, espaço de terra batida com tirolesa e três áreas de convivência, sendo duas próximas à Ponte da Torre, com 120m² e 431m², e uma localizada entre a Rua das Pernambucanas e a Ponte da Capunga, com 444m². Também fazem parte do projeto a implementação de um Parcão, próximo à rua Osvaldo Salsa, cinco espaços para piquenique, além de dois mirantes (perto da Rua Sebastião Leme e próximo à Ponte da Capunga) e área de refúgio da fauna.

A área passará a contar com um total de 1.011m de rotas cicláveis. Serão construídas, ainda, duas passarelas paralelas à margem do rio a fim de viabilizar a continuidade do passeio em trechos onde não havia largura suficiente para passagem. A primeira delas ficará entre as ruas Aníbal Falcão e Manoel de Almeida e a segunda entre a Rua Dr. Osvaldo Salsa e a Rua das Pernambucanas.

Além disso, estão previstos melhorias em uma área total de 750 em vias de acesso ao novo parque, sendo 200m da Rua Dom Sebastião Leme e mais 550m da Rua das Pernambucanas, o que resulta numa área total de 25.636m² de intervenção.

PARQUE CAPIBARIBE – O Parque Capibaribe é um sistema de parques integrados no Recife que se estenderá por 30 km do percurso do Rio Capibaribe. Consiste na renaturalização das margens do rio e na implantação de um sistema de mobilidade com passeios e ciclovias, além de revelar paisagens locais com áreas de estar, passarelas e píeres para pequenas embarcações. Todo o projeto beneficiará mais de 500 mil pessoas e 44 bairros. Já foram implantados o Jardim do Baobá, nas Graças, e a Praça Otávio de Freitas, no Derby. O parque estende-se desde a BR 101 até o centro do Recife. O projeto Parque Capibaribe está atualmente ligado à Secretaria de Desenvolvimento de Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SDECTI) e é coordenado pelo Gabinete de Projetos Especiais (Gabpe) e foi desenvolvido pelo INCITI/UFPE.

Exposição fotográfica marca conclusão da primeira etapa do Parque Capibaribe

Mostra vai percorrer os parques da Jaqueira e Santana, Praça Otávio de Freitas e o Jardim do Baobá neste mês de dezembro

Após sete anos do início das pesquisas, consultas públicas, formatação de diretrizes e entrega dos primeiros espaços às margens do rio para a população, o Parque Capibaribe termina 2020 com uma exposição que ao mesmo tempo celebra a conclusão de sua primeira etapa e o início de um novo momento para o projeto. Entre os dias 10 e 28 de dezembro, uma mostra itinerante de imagens vai percorrer os parques da Jaqueira e Santana, Praça Otávio de Freitas, no Derby, e o Jardim do Baobá, nas Graças.

Montada em uma instalação de metal e cabos de aço, fotos e textos vão contar um pouco destes primeiros anos do projeto em um registro de fauna, flora e paisagens do Rio Capibaribe, reforçando e reativando nossa relação com o rio que corta o Recife. A exposição carrega consigo o mesmo nome do recém-lançado “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque”, livro produzido pela Prefeitura do Recife em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através de convênio com o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, que narra a origem e as diretrizes que construíram o projeto Parque Capibaribe. A publicação está disponível para download gratuito neste link.

“A Reinvenção do Recife Cidade Parque” é um verdadeiro tratado sobre a visão de futuro e o impacto urbanístico que o Parque Capibaribe traz para a cidade ao promover, nas próximas duas décadas, o reencontro e a reestruturação do Recife ao redor das margens do rio. Em cerca de 30 fotos e alguns trechos retirados deste livro, a exposição introduz este conteúdo produzido por mais de 300 pesquisadores e grande número de colaboradores que prototiparam uma alternativa de futuro olhando para 2037, ano em que se comemora os 500 anos do Recife.

A instalação estará disponível para visitação durante os horários normais de funcionamento do Parque da Jaqueira e Santana, além da Praça Otávio de Freitas e do Jardim do Baobá. A mostra fica do dia 10 a 13 de dezembro no Parque Santana, de 14 a 17 na Praça Otávio de Freitas, de 18 a 22 no Parque da Jaqueira e de 23 a 28 no Jardim do Baobá.


SORTEIO
Durante os dias da exposição, entre 10 e 28 de dezembro, todos que postarem fotos ou vídeos no Instagram mostrando paisagens, selfies ou detalhes do rio e margens do Capibaribe utilizando a hashtag #ParqueCapibaribe vão concorrer a dez exemplares físicos do livro “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque”. O sorteio será realizado no fim do mês, lembrando que para concorrer o usuário deve manter o perfil da rede social aberto no período.

SERVIÇO:
Exposição itinerante “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque”

Parque Santana: 10 a 13 de dezembro
Praça Otávio de Freitas: 14 a 17 de dezembro
Parque da Jaqueira: 18 a 22 de dezembro
Jardim do Baobá: 23 a 28 de dezembro
Gratuita

Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque

Com registros dos primeiros anos do projeto, livro do Parque Capibaribe é lançado

“Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque” conta a origem, as diretrizes e como foi a construção da iniciativa que tem reintegrado o Rio Capibaribe ao cotidiano dos recifenses

Um projeto para o futuro é feito com as ideias, o esforço e a vontade de muitas pessoas. Ele é concebido, nasce, se desenvolve e nunca para de evoluir. O Parque Capibaribe é um desses projetos para o futuro. Um projeto para um Recife mais sustentável, mais integrado com o meio ambiente, trazendo as pessoas para o centro desta vivência. Iniciado em 2013 em um convênio da Prefeitura do Recife com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, sob gestão atual da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, e com previsão de conclusão para 2037, data comemorativa dos 500 anos do Recife, o Parque Capibaribe ganha agora seu primeiro registro em formato livro: “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque” – download gratuito aqui.

A publicação foi lançada na manhã da quinta-feira (5), na Prefeitura do Recife. O prefeito Geraldo Julio fez o lançamento em uma reunião online com representantes da sociedade civil e atores públicos ligados ao projeto tais como o Reitor da UFPE Alfredo Gomes; os coordenadores do projeto Roberto Montezuma, Circe Monteiro e Luiz Vieira e o arquiteto, coordenador da reunião e representante da sociedade civil pelo Observatório do Recife, Francisco Cunha. O novo olhar sobre a cidade e sua relação com o rio já rendeu resultados concretos para  a cidade em espaços públicos como o Jardim do Baobá, pedra fundamental do Parque Capibaribe, nas Graças e da Praça Otávio de Freitas, no Derby, remodelada com base nas diretrizes do projeto.

Lançamento foi realizado em uma reunião online com participantes do projeto. Foto: André Rêgo Barros/PCR

“Hoje é um dia histórico, a gente está muito feliz, eu sei que é um dia de emoção para todos que estão participando dessa reunião por tanto trabalho, dedicação e suor. Foi muito importante mexer com as pessoas no ambiente físico, nas reuniões e oficinas, nos espaços de participação da população, dentro da Universidade, os movimentos que aconteceram nos bairros, as caminhadas conduzidas por Chico com a participação de todos nós, tudo isso mexeu muito com a cidade e muito com cada um. E esse é o ponto principal desse projeto, ele marca não só pelo produto, mas pela forma, a forma como chegamos até aqui” comentou o prefeito Geraldo Julio durante a reunião.

“A gente está vivendo o momento mais crítico da vida urbana do Planeta, com a pandemia piorou, então tudo o que puder ser feito para a melhorar a vida nas cidades e para transformar as cidades em cidades mais humanas vão ter grande mérito. Precisamos dessa transformação para morar na cidade que queremos para os nossos filhos, nossa família e para os cidadãos”, complementou ele.

Já o reitor da UFPE Alfredo Gomes comentou sobre a importância da perspectiva de integração do projeto. “É uma alegria estar com a Prefeitura nesta parceria e estamos à disposição para dar continuidade a esta parceria. Entregamos com muita alegria esse livro. Quero fazer o reconhecimento a todos, tivemos mais de 300 pesquisidores envolvidos nessa ação. Muita pesquisa e cruzamento de dados. O trabalho dá uma grande esperança de que os rios promovam a integração e a união da cidade, e não de divisão da cidade. Parabenizo aos envolvidos nessa ação tão importante, em especialmente aos coordenadores. Que possamos construir uma cidade cada vez mais justa, igualitária e inclusiva”, disse ele.

Representando a sociedade civil organizada, Francisco Cunha afirmou que o lançamento do livro é um marco histórico do “mais importante plano urbanístico da história do Recife. “Terminamos descobrindo por essa extraordinária pesquisa realizada que o rio, que corta a cidade, é o meio de realizar a conexão da cidade, uma forma de sutura. Queria homenagear a todos que estão participando e dizer que para mim este é o maior estudo e o mais importante plano urbanístico feito no Recife. Esta é uma iniciativa de reinvenção da cidade. Esse trabalho chegou onde chegou porque o prefeito Geraldo Julio, pessoalmente, foi patrocinador desse projeto”.

Livro marca o término da primeira etapa do projeto Parque Capibaribe.
Foto: André Rêgo Barros/PCR

A Reinvenção do Recife Cidade Parque narra a origem e as diretrizes que construíram o projeto Parque Capibaribe. Fala sobre essa visão de futuro que carrega em si os elementos necessários para a promoção de um reencontro com o Capibaribe e a reestruturação da cidade ao redor deste rio nas próximas duas décadas. Um projeto de uma cidade mais verde, que favorecerá a conexão com a natureza através da gradativa recuperação das águas e matas ciliares e na criação de espaços abertos, coletivos, inclusivos. Uma iniciativa que abraça processos sustentáveis para o enfrentamento dos desafios de um planeta em transformação, com efeitos tanto climáticos quanto econômicos.

“Foi um trabalho histórico de mais de 300 pesquisadores durante oito anos para entregar uma visão de futuro. Um projeto inovador, inclusivo, que tem o objetivo de transformar Recife em uma cidade mais saudável, pacífica e próspera. O Parque Capibaribe é uma tentativa de redescobrir a alma de vanguarda do Recife nestas águas do rio”, explicou o urbanista Roberto Montezuma, coordenador do INCITI.

Também à frente da coordenação do Parque Capibaribe, Circe Monteiro avaliou que o livro é um dos produtos do projeto Parque Capibaribe com produção de conhecimento transversal, envolvendo áreas como economia, sociologia, engenharia, comunicação, design. “Esse projeto foi uma experiência extremamente inovadora e quebrou vários paradigmas na forma de se pensar a cidade”, comentou ela. E Luiz Vieira, mais um coordenador do Parque Capibaribe, fez a apresentação do conteúdo do livro: “é uma grande honra apresentar esse livro, o resultado do projeto Parque Capibaribe”.

Em mais de 300 páginas com textos e amplo material fotográfico, pesquisadores do INCITI, atores públicos e profissionais que trabalharam no processo de criação do projeto fazem um grande ensaio, registro e diagnóstico dos primeiros anos desta ação duradoura para o Recife. Desde a concepção até as ativações de novos espaços da cidade, como no caso do Jardim do Baobá, nas Graças, e da Praça Otávio de Freitas, no Derby. Mas o livro não deixa de fora as ações pontuais, como as reuniões e atividades que fortaleceram ao longo dos anos a identidade do projeto junto aos recifenses.

Além disso tudo, “Parque Capibaribe: A Reinvenção do Recife Cidade Parque” é um grande estudo sobre o Rio Capibaribe, sua fauna e flora, que estará disponível para pesquisas e projetos futuros, sejam movidos pela gestão pública, pela academia ou pelos próprios cidadãos. O livro físico será distribuído em breve em formato físico em bibliotecas, ONGs e demais coletivos que trabalham pelo desenvolvimento sustentável, e também em formato digital gratuito.

Parque Capibaribe como um norte para o Plano Diretor do Recife

Lenne Ferreira

O Rio Capibaribe como um norte para uma cidade mais conectada com a paisagem natural é um dos pontos defendidos pela INCITI/UFPE como estratégico para a revisão do Plano Diretor do Recife. A atualização do instrumento, que está em fase de análise na Câmara de Vereadores do Recife, orienta, entre outros aspectos, a ocupação do solo urbano levando em consideração o interesse coletivo e social. Para tornar o processo mais democrático, a equipe da INCITI ouviu vários setores da sociedade, que legitimaram as propostas por meio de um abaixo-assinado com a participação de pesquisadores, instituições e cidadãos recifenses que contribuíram direta ou indiretamente com a consolidação do Parque Capibaribe como um projeto de cidade para o Recife.

As sugestões de emendas ao projeto de lei Nº 28/2018 que prevê a revisão do Plano Diretor do Recife já foram protocoladas na Câmara de Vereadores e sintetizam as diretrizes do projeto Parque Capibaribe. A cada década, conforme instituído pelo Estatuto da Cidade, o Plano deve ser atualizado para melhor atender questões como a conservação do ambiente natural, traços da história, identidade locais, além da ocupação e usos do solo urbano. Por isso, pesquisadores, instituições e sociedade civil como um todo podem e devem participar desse processo, que tem impacto direto na vida de todos e todas.

Sob análise na Câmara, as propostas versam sobre a preservação e fortalecimento do corredor ecológico do Rio Capibaribe. De acordo com o documento protocolado e assinado pela INCITI/UFPE, “as pesquisas provenientes do projeto Parque Capibaribe permitiram que fosse construída uma visão integrada sobre a relevância do rio para a cidade e os impactos da cidade no rio, diante de processos históricos de valorização e desvalorização de suas margens buscando resgatar a importância deste curso d’água para o Recife e, em nome de valores ecológicos, ambientais, paisagísticos, históricos, culturais, sociais e de uso”. O documento é um registro da contribuição dos estudos desenvolvidos a partir da implementação do projeto Parque Capibaribe, que tem como foco a qualidade de vida e conservação do meio ambiente.

Coordenadora de projetos da INCITI, Raquel Meneses defende um Plano Diretor que priorize e torne mais acessíveis as áreas verdes (Foto: Acervo INCITI/UFPE)

“O Parque do Capibaribe tem o objetivo de traçar um projeto de recuperação ambiental que é baseado na transformação dos hábitos da sociedade e melhoria da qualidade de vida. Por isso, identificamos como necessário tratar, principalmente, da questão ambiental e da forma como as construções interferem na paisagem natural. Os eixos que tomamos como base foram natureza e paisagem. A partir destes dois pontos, começamos a pensar no ambiente construído. Por exemplo, tratar do ambiente natural do corredor ecológico do rio faz com que a gente pense diretamente nas edificações do seu entorno”, explica a Coordenadora Executiva de Projetos do Parque Capibaribe, Raquel Meneses.

A arquiteta e urbanista exemplifica. “Se tiver um prédio muito alto na beira do rio isso vai gerar sombra sobre o rio e a vegetação de borda, o que influencia tanto na qualidade da água como na qualidade do habitat das plantas e animais. Prédios muito altos vão fazer sombra e o meio ambiente não vai se desenvolver da maneira que deveria. Muita construção à beira do rio gera sobrecarga de tráfego, automóvel, emissão de gases poluentes,  resíduos de combustível, além do barulho, que afetam a qualidade do ambiente natural, podendo inclusive contaminar a água do rio. Nós propomos que a cidade seja construída de forma a não prejudicar o ambiente natural nem a paisagem do rio”. 

O Plano Diretor é atualizado a cada 10 anos

A necessidade de espaços verdes e de lazer que atendam a população e que se conectem entre si foi outra preocupação da INCITI/UFPE na hora de pensar nas propostas de emendas. Raquel observa que os espaços verdes ainda são escassos. “Temos muita área verde privada ou na borda da cidade. Entendemos que as pessoas precisam de espaços verdes e de lazer de fácil acesso. Além disso, as praças e parques não são distribuídos de maneira equitativa. Tem região político administrativa que não tem nenhum parque”, pontua. 

As discussões que desaguaram nas propostas para a revisão começaram em 2018 por meio de oficinas e reuniões públicas, que a INCITI também fomentou. Foi estabelecida uma comissão especial para avaliar o Plano Diretor. A Câmara de Vereadores convidou pessoas da sociedade civil e entidades para participar. A INCITI foi uma das instituições convocadas. Contudo, para Raquel Meneses, o processo não termina com a formulação, análise e aprovação da revisão. Vai muito além e precisa contar com o acompanhamento da população.

“As pessoas precisam participar do processo de construção. Depois que a lei for implementada, só daqui a 10 anos. O Plano Diretor está em tramitação na Câmara e tudo pode ser acompanhado pelo site. Ainda há espaço para as pessoas se inteirarem do projeto, conversarem e cobrarem de seus vereadores um posicionamento de acordo com os interesses de cada grupo. Que as pessoas participem das atividades, opinem e entendam o que está sendo proposto”, recomenda Raquel.

Após a aprovação, a fiscalização da aplicação do Plano fica a cargo de diversas secretarias a exemplo da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano e Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Parque Capibaribe recebe reforço do Banco Europeu de Investimentos

 Lenne Ferreira

Em um futuro que já vem sendo construído pelo projeto Parque Capibaribe, a população recifense e as águas do rio vão estar mais conectadas. O projeto, que começou a ser implantado em 2017 com a inauguração do Jardim do Baobá, desenvolve um sistema de parques integrados a partir do Rio Capibaribe e acaba de conquistar reconhecimento internacional numa seleção mundial promovida pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI). A instituição escolheu cinco ações sustentáveis, entre elas o Parque Capibaribe,  para receber um investimento de 300 mil euros, o equivalente a R$ 1,37 milhão. O recurso deve subsidiar novos itens do projeto. O Parque foi escolhido entre mais de 140 trabalhos do mundo para receber o aporte financeiro que integra o programa Desafio das Cidades para o Clima Global (GCCC) da ONU.

Apresentado pelo prefeito do Recife, Geraldo Júlio, na Conferência da ONU sobre o Clima (COP 25), que aconteceu em Madri, o Parque Capibaribe se destacou por ser considerado uma iniciativa fundamental no enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas. O Recife é a 16ª cidade do ranking mundial de vulnerabilidade aos efeitos das mudanças climáticas segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Apesar de ser um fenômeno de caráter global, em cálculo estimativo do ano de 2012, a cidade emitiu 3,2 milhões de toneladas de carbono, contribuindo assim para o desequilíbrio ambiental. O prefeito defendeu a expansão do parque urbano como um modelo que impacta na mobilidade e na qualidade de vida da população.

O projeto foi escolhido entre mais de 140 projetos. Imagem: Acervo INCITI/UFPE

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Guila Calheiros, comemora a premiação que representa a união de esforços em prol de uma cidade mais sustentável. “Esse reconhecimento foi fundamental pra gente porque mostra o resultado de um trabalho de longo tempo, que foi construído em parceria com o INCITI/UFPE. O Parque Capibaribe não é só um projeto de recuperação das margens do rio, é um projeto sobre reencontro da cidade com o mesmo. Não se concentra apenas em obras, mas em entender o rio, os principais desafios, como retomar a conexão entre suas águas e a cidade por meio da ativação das suas margens”, comenta. Para ele, esse resgate do encontro cidade-rio possibilita a geração de novos espaços para as “pessoas se encontrarem, se verem e se conectarem com a cidade”. O aporte financeiro chega em boa hora. “Estamos na reta final de entrega do Parque Capibaribe. Esse financiamento vai ser fundamental para a realização do projeto de engenharia para a etapa de conclusão”.

As iniciativas escolhidas pelo Desafio das Cidades para o Clima Global (GCCC) estão focadas em projetos que visam a melhoria da gestão de resíduos, a redução da poluição dos rios e dos oceanos, o fomento a um transporte urbano sustentável, esverdeamento de espaços urbanos e o aumento da resiliência urbana aos efeitos das mudanças climáticas. O GCCC faz parte de uma abordagem estratégica geral para ajudar as cidades a viabilizar projetos de ação climática. De acordo com Guila Calheiros, será aberta uma licitação pública para selecionar a empresa de engenharia que vai ficar à frente do desenvolvimento dos projetos financiados pelo recurso do BEI.

O aporte financeiro é de R$ 1,37 milhão. Imagem: Acervo INCITI/UFPE

Circe Monteiro é uma das responsáveis por tornar o projeto Parque Capibaribe uma realidade. Coordenadora de pesquisa e urbanismo da INCITI/UFPE, ela também atua como professora titular do Departamento de Arquitetura da mesma universidade e é uma das que enxerga as reais mudanças que a conexão da população com o Capibaribe pode gerar na cidade. “O Parque Capibaribe é uma concepção bastante sólida de combate aos efeitos climáticos porque apresenta um conjunto de ações. Não é só um projeto que propõe a recuperação da vegetação tropical em volta do rio. Também propõe e dá condições ao desenvolvimento de um processo de  mobilidade ativa com um sistema de ciclovias que vai oferecer uma nova experiência de andar de bicicleta na cidade, em um lugar seguro à beira do rio. Considera ainda soluções inovadoras de drenagem, tratamento de água, a criação de superfícies mais porosas que diminuam a temperatura da cidade”, cita.

Para Circe, entre outros fatores que garantiram uma boa avaliação do Parque Capibaribe na COP 25 estão, principalmente, as redes e intervenções articuladas. “Quando um banco internacional faz uma seleção como essa, ele está em busca de projetos que sirvam de inspiração para outras regiões tanto do Brasil, como do mundo. O Parque Capibaribe propõe intervenções para enfrentar efeitos climáticos no meio urbano focado na regeneração ambiental, ao mesmo tempo que promove amplo sistema de caminhabilidade e articula espaços públicos para atividades de lazer e sociais voltadas à saúde das crianças, mulheres e idosos. É um projeto que vai incentivar a vitalidade social e econômica das áreas vizinhas ao rio.

Circe acredita que a sustentabilidade passa pela participação social. Foto: Rafa Medeiros

A pesquisadora acredita ainda que existem muitos desafios a serem enfrentados na implantação de um projeto sustentável e regenerativo. “Não se consegue uma intervenção sustentável e inovadora repetindo os processos praticados há décadas. Para um projeto ser um exemplo de sustentabilidade, além de uma concepção ambiental e urbanística inovadora, é necessário também repensar uma cadeia de processos: critérios de licitação de obras, modos de execução, origem e impacto de materiais e vegetações, além de procedimentos de gestão, de transparência. O projeto necessita ser acompanhado de uma ampla visão estratégica sem esquecer que não existe sustentabilidade sem a participação da população e mudança nos hábitos de viver a cidade”, conclui. A implantação deste projeto vai permitir um aprendizado muito rico ”, conclui.

Inovar nos procedimentos é necessário para a execução do projeto. Imagem: Acervo INCITI/UFPE

Vai e vem pelo Rio

Uma das estratégias mais eficazes para frear o aquecimento global é adotar medidas que valorizem a preservação, a criação e a manutenção de espaços verdes nas grandes cidades. Nas áreas urbanas, onde há grande concentração de emissão de gases poluentes, a vegetação arbórea possibilita maior qualidade de vida e diminui os efeitos das mudanças climáticas no planeta. O Parque Capibaribe está fundamentado na valorização das margens do rio por meio da criação de jardins públicos, a exemplo do Jardim Baobá, praças e parques, além da conservação de seu ecossistema garantindo mais sustentabilidade dos seus recursos naturais. “Quando falamos do Parque Capibaribe é importante ressaltar que não estamos nos referindo  a um parque às margens do rio, mas de uma articulação urbana transformadora da qualidade ambiental de grande parte da cidade ” pontua Circe Monteiro.

A Via Parque Graças é outro exemplo de intervenção que o Parque Capibaribe propõe para transformar o Recife em um lugar melhor para se viver. Ela vai ocupar um trecho de 950 metros em torno do Rio Capibaribe, entre as pontes da Torre e Capunga, e deve ser concluída até o final de 2020. Outra iniciativa que vai deixar o Recife mais conectado com o rio foi anunciada por Guila Calheiros. Trata-se do Parque Vila Vintém, projeto na Zona Norte do Recife que está sendo coordenado pela equipe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, que vai interligar o Parque Santana ao Parque da Jaqueira, ao longo das águas do Capibaribe. “É um projeto que envolve diversas secretarias e vai requalificar algumas áreas,  criar ciclofaixas e ciclorotas”, adiantou o secretário, que garantiu que esse trecho será entregue ainda em 2020.

Parque Capibaribe é apresentado em evento da ONU-Habitat

A convite da ONU-Habitat, a INCITI/UFPE participou do Encontro de Pensadores Urbanos de Alagoas, conferência que aconteceu de 16 a 19 de outubro, na Unit – Centro Universitário Tiradentes, na cidade de Maceió, em Alagoas. Durante o encontro, pesquisadores da INCITI/UFPE foram convidados a participar das mesas de debates, de um hackathon e também do grupo que contribuiu na construção do documento-síntese do evento. O evento foi uma iniciativa ONU-Habitat, em parceria com o IAB – AL, a Unit e o Detran – AL.

A participação começou no dia 16/10, no Eixo Mobilidade, com o pesquisador Djair Falcão trazendo o “óbvio” para provocar reflexões sobre a caminhabilidade. Neste mesmo dia, Raquel Meneses e Natan Nigro, também pesquisadores da INCITI, apresentaram as pesquisas que fazem parte do Parque Capibaribe e também levaram as experiências de participação social utilizadas no projeto, como por exemplo o caso da Beira Rio das Graças, que teve no Dia das Crianças um momento marcante de diálogo com a comunidade.

No dia seguinte (17/10), a coordenadora da INCITI, Circe Monteiro, participou do Eixo Direito à Cidade com uma apresentação que tratou sobre a sustentabilidade dos movimentos sociais a partir do Ocupe Estelita. Segundo a arquiteta e urbanista, o principal desafio é de articulação. “Dentro da Prefeitura do Recife tem secretários e técnicos alinhados com movimentos de baixo. Existem pessoas tanto do “top”quanto do “down” que estão alinhadas. A questão é como a gente se articula”, disse. ⠀⠀

Natan Nigro, coordenador de ativação da INCITI/UFPE, também foi convidado para participar do júri que avaliou os grupos que participaram do Hackathon Pinheiro, que aconteceu no dia 19/10 e teve como objetivo promover o desenvolvimento de soluções inovadoras para os bairros do Bebedouro, Mutange e Pinheiro, todos localizados na cidade de Maceió. A atividade aconteceu em parceria com o SEBRAE/AL.

Com a mediação de Evelyn Gomes, que utilizou metodologias do LabHacker, o hackathon contou com a monitoria de Raphael Augusto (IDEAL); Fellipe Malta (ENGAPP); Ryzzan Salman (NTECH); Glauber Xavier (Saudáveis Subversivos); e Fernanda Gusmão (SEPLAG/AL). O corpo de jurados contou com Bruna Augusto (Júnior Achievement); Daphne Besen (Onu-Habitat); Isadora Padilha (IAB-AL); Natan Nigro (INCITI/UFPE); Renan Silva (DETRAN-AL); e Cristina Albuquerque (SOS Pinheiro).

Após 12 horas de atividades e a partir dos critérios – interesse público; criatividade e inovação; implementação e usabilidade; e documentação e replicabilidade, o hackathon escolheu os três projetos que farão parte do programa de incubação do SEBRAE/AL. São eles:

  • Histórias do subsolo:
  • Dados Rápidos Participativos:
  • Rede CoCriar

Segundo Isadora Padilha, coordenadora do Hackathon Pinheiro, os projetos escolhidos terão o apoio do SEBRAE/AL. “Durante três meses os vencedores poderão utilizar a infraestrutura do órgão e terão o apoio técnico na gestão e no desenvolvimento de um negócio social”, explica a organizadora. Segundo ela, outros projetos elaborados no hackathon também podem fazer parte da aceleração. “Além disso, o SOS Pinheiro (grupo de moradores do bairro) se comprometeu a abraçar todos os projetos e o IDEAL irá abraçar o projeto EmpatiCidade”, revela.