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Plano Urbanístico Ambiental é mais um legado do Parque Capibaribe

por Lenne Ferreira

“Sustentabilidade é um processo através do qual as comunidades presentes e futuras florescem harmoniosamente”. A premissa extraída da Rede de Desenvolvimento Urbano Sustentável da América Latina e Caribe – REDEUS-LAC serviu de base para a construção do PURA – Plano Urbanístico de Recuperação Ambiental do Rio Capibaribe. O documento desenvolvido pela equipe transdisciplinar da INCITI/UFPE e que se encontra em fase de formatação para divulgação, apresenta a síntese dos produtos resultantes do convênio técnico entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Prefeitura do Recife para a implantação do projeto Parque Capibaribe. As diretrizes para a construção de um sistema de parques integrados em torno do Capibaribe também fazem parte desse compilado que apresenta uma diversidade de conhecimentos que visa incitar, junto a diversos setores da sociedade, novos conhecimentos capazes de transformar a relação do recifense com a cidade.

Pesquisa com crianças no Jardim do Baobá. Foto: Rodrigo Édipo

O PURA foi formulado pelo corpo de pesquisadores da INCITI/UFPE com base em um estudo aprofundado dos aspectos urbanos e ambientais da bacia hidrográfica. Engenheiros, arquitetos, biólogos, urbanistas, jornalistas, economistas e ainda profissionais de áreas como Serviço Social, Pedagogia, Psicologia e Direito participaram da construção do documento, que poderá servir de referência para gestões futuras. Inicialmente, a equipe de pesquisadores da INCITI buscou entender o território e como a cidade se comporta ao longo do Rio Capibaribe, tanto o ambiente construído quanto o natural. Foram realizadas várias pesquisas, experimentações e conversas com as pessoas que moram e andam nessas áreas para poder entender as diversas camadas que compõem o tecido urbano e ambiental. “A partir desse estudo de campo, foram traçadas diretrizes que ajudaram a nortear os produtos do Parque Capibaribe, mas também vão servir para apoiar quaisquer projetos que sejam pensados na área”, explica a arquiteta e urbanista Raquel Meneses, coordenadora de projetos do Parque.

“O papel do arquiteto e urbanista é mais de facilitador do que de projetista. Transformar em projeto o que as pessoas que vivem no lugar precisam” (Raquel Meneses)

As pesquisas de desenvolvimento do projeto Parque, iniciado em 2014, foram utilizadas para a construção do PURA, que se baseia nos dados e nas informações colhidas em excursões, capacitações, estudos sobre fauna, flora e vitalidade do rio,  identificação das áreas com maior densidade, ativações e ações educativas. Um processo que em sua natureza metodológica quebra paradigmas em relação aos planos urbanos tradicionais, ao retirar a ênfase no produto final e focando no processo como produto. A partir de um olhar de baixo para cima, baseado nas premissas do Urbanismo Emergente, foi possível melhor identificar soluções que tinham como sustentação as potencialidades dos grupos envolvidos no território. Como foi o caso do Workshop Internacional de Prototipagem Urbana (WIPU), que envolveu pesquisadores locais e internacionais, instituições de ensino, órgão dos poderes público e privado, comerciantes informais e estudantes no desenvolvimento de um desenho urbano que experimentasse soluções a médio e curto prazo para diversos dilemas espaciais e sociais.

“…para atuar na cidade de forma bem-sucedida, entendemos que não é mais possível conceber um grande projeto fechado a ser implementado ao longo do tempo baseado somente na concepção dos planejadores. Já sabemos, por diversas experiências passadas, que muitos projetos ambiciosos fracassam por engessarem as condições de mudanças, por não responderem às demandas dinâmicas da cidade e da sociedade” (Trecho retirado do PURA).

Vanessa Reis, arquiteta e urbanista, mestra em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, que também atua no INCITI, realizou algumas expedições para fazer a leitura da paisagem construída na perspectiva de retomar o Capibaribe como protagonista da estruturação paisagística urbana. “O Rio Capibaribe foi um elemento estruturador desde o início da ocupação do Recife, que é uma cidade aquacêntrica (centrada nas águas) e nos valores das águas. Com o advento do carro e da ocupação territorial, as águas foram esquecidas como alternativa para mobilidade. O Parque Capibaribe partiu da necessidade de se olhar para este rio como desenvolvedor do espaço construído da cidade e da relação das pessoas com ele e o PURA contém o registro de todo esse processo”, observa Vanessa.

O Plano tem como diretrizes prioritárias a ampliação da oferta dos espaços verdes públicos, recuperação e fortalecimento do corredor ecológico do Rio Capibaribe, a criação dos corredores ambientais conectando os espaços verdes, ampliando a diversidade e promovendo a abundância de espécies nativas. Ao todo, 30 quilômetros (15 de cada margem do rio) foram observados para a construção de uma estratégia de trabalho que apresentasse um olhar mais delicado para a fauna e a flora, além do compromisso em realizar – através de workshops, pesquisas e consultas públicas – processos colaborativos para a consolidação de um projeto que tem impacto na vida de quem vive a/na cidade.

Raquel Meneses, coordenadora de projeto do Parque Capibaribe. Foto: INCITI/UFPE

“As pessoas foram importantes em várias camadas desse processo. Uma fonte ímpar para conhecer cada lugar. Para entender os lugares, só ouvindo as pessoas que vivem lá. São elas que sabem e são elas que vão usar. O papel do arquiteto e urbanista é mais de facilitador do que de projetista. Transformar em projeto no que as pessoas que vivem naquele lugar precisam. Pesquisa, experimentos e observação são formas de absorver esse conhecimento que elas já tem”, pontua a urbanista Raquel Meneses. Outra participação importante da população diz respeito à vigilância da aplicação das diretrizes do PURA. Só conhecendo a cidade é possível cobrar melhorias para a infraestrutura sem desrespeitar o meio ambiente. Apesar de ser um documento técnico, quando concluído, o PURA ficará disponível para consulta pública.

Jardim do Baobá recebe Encontro Criança e Natureza, dia 11 de maio

Evento acontece pela primeira vez em Pernambuco e visa compartilhar experiências que favoreçam a relação das crianças com a natureza e o meio urbano

O contato direto das crianças com o ambiente natural contribui para o seu desenvolvimento social, intelectual, emocional, espiritual e físico. Entretanto, a vida nas cidades tem afastado as crianças da natureza. Com o objetivo de destacar iniciativas locais de diferentes áreas que já atuam em projetos que resgatam essa relação, o programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, em parceria com a INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, rede de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), realizam o “Encontro Criança e Natureza”, dia 11 de maio (sábado), das 13h às 19h, no Jardim do Baobá, marco inicial do projeto Parque Capibaribe, em Recife. As inscrições já estão abertas e são gratuitas. O evento tem apoio da Prefeitura do Recife e do Projeto Lindeza.

O “Encontro Criança e Natureza – Recife” proporcionará momentos de interação entre crianças e suas famílias, com vivências de brincar livre na natureza, promovidas pelo Projeto Lindeza e atividades do Ribe e Os Aventureiros do Capibaribe, com o autor Allan Chaves, além de um piquenique colaborativo no jardim, em que o público será incentivado a levar lanches para compartilhar. A proposta do encontro é reunir diferentes grupos, como representantes de instituições governamentais, acadêmicas, de associações civis, escolas, movimentos sociais agentes de saúde, a fim de sensibilizar e catalisar novas oportunidades para a construção de uma cidade mais humana e amiga das crianças.

“Os encontros regionais têm como objetivo trazer a dimensão intersetorial do tema criança e natureza, além de mapear, integrar e proporcionar a troca de experiência de diferentes regiões, com seus saberes e práticas específicas. Em Recife não vai ser diferente: o encontro deseja estimular o olhar, provocar reflexões e troca de conhecimentos. Desejamos acolher, compartilhar e multiplicar iniciativas locais, de forma que os benefícios da ocupação dos espaços públicos, da cidade como um todo sejam positivos para todo mundo”, explica Laís Fleury, coordenadora do Criança e Natureza.

Allan Chaves, criador do Ribe do Capibaribe, realizará atividades com crianças. Foto: Rafa Medeiros

Circe Gama Monteiro, coordenadora da INCITI/UFPE, chama atenção para a questão do desemparedamento da infância, desafio contemporâneo que tem afastado as crianças do espaço público e do contato com a natureza. “Como irão sonhar a cidade que irão criar e o mundo que irão habitar? Nossas crianças precisam ser crianças, precisam brincar livres, descobrir e desobedecer as limitações que lhe são impostas. Este evento promete trazer pessoas para reaprenderem como respeitar a natureza das crianças”, pontua.

O educador e artista plástico, Gandhy Piorski, é um dos convidados do encontro. Foto: Tathyana Genova

Rodas de conversa: Além das vivências na natureza com crianças, jovens e adultos, a programação do “Encontro Criança e Natureza – Recife” contará com a participação do educador e artista plástico, Gandhy Piorski, que abrirá o evento com uma fala inspiradora sobre a relação da criança com o ambiente a sua volta. A programação continuará com duas rodas de conversa, formada por pessoas de diversas áreas de vivência, que trarão olhares para o tema do evento a partir dos seguintes eixos: urbanismo, educação, cultura e saúde.

Para a participação nas rodas, a organização do encontro já confirmou as presenças de Célia Santos, representante do Fórum em Defesa da Educação Infantil em Pernambuco; do professor Hildemarcos Florêncio, da Escola Humberto Castello Branco; da Mestra em Psicologia Cognitiva pela Universidade Federal de Pernambuco, Ana Carolina Perrusi; do Secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife, Guilherme Calheiros; do Diretor Executivo de Gestão Pedagógica da Prefeitura do Recife, Rogério Morais; além da participação do Coletivo Massapê e do estudante e morador da comunidade de Vila Santa Luzia, Geovane dos Santos Ribeiro.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que buscam a garantia de condições para a vivência plena da infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

Serviço:
Quando: Sábado, 11 de maio de 2019
Horário: Das 13h às 19h
Onde: Jardim do Baobá, que fica na R. Madre Loyola, Jaqueira, Recife – PE
Inscrições gratuitas: http://bit.ly/cenrecife
Informações: info@inciti.org | 3037-6689

Programação

A partir das 13h
Acolhimento com mesão de frutas

14h às 18h
Atividades de Brincar Livre com Projeto Lindeza + Ribe e Os Aventureiros do Capibaribe

15h às 16h30

Roda de conversa: Cidade e Natureza: Como promover territórios de brincadeira e aprendizagem?

  • Hildemarcos Florêncio (Projeto pedagógico Escola Humberto Castello Branco)
  • Célia Santos (Fórum em defesa da educação infantil de Recife e Pernambuco)
  • Rogério Morais (Diretor Executivo de Gestão Pedagógica da Prefeitura do Recife)

16h45 às 18h15

Roda de conversa: Como tornar a cidade viva para as crianças?

  • Adryana Rozendo (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Recife)
  • Ana Carolina Perrusi (Centro de Educação UFPE)
  • Lucas Izidoro (Coletivo Massapê)
  • Geovane dos Santos Ribeiro (estudante e morador da Vila Santa Luzia)

18h15 às 19h

Encerramento

Provocações debateu repressão ao passinho e outros movimentos de rua

Por Rodrigo Édipo

Em maio de 2017 foi aprovada a proposta de lei que inclui o brega como uma das expressões artísticas genuinamente pernambucanas. A Lei nº 16.044/2017 assegura a manifestação como bem cultural do estado. Ao mesmo tempo que os ventos começam a soprar à favor, casos de repressão policial contra jovens que dançam passinho, uma das vertentes do brega, nos espaços públicos da Região Metropolitana do Recife (RMR), crescem de forma exponencial. Em resposta a isso, a INCITI/UFPE, grupo de pesquisa que desenvolve o projeto Parque Capibaribe, promoveu mais uma edição do Provocações Urbanas, desta vez com o tema Como conviver sem reprimir? Cultura de rua, juventude e direitos, realizada no dia 31 de janeiro, na sede da INCITI, no Bairro do Recife.

O encontro reuniu pessoas de diferentes realidades. Foto: Suzana Souza

A plateia, de cerca de 90 pessoas, entre estudantes, representantes dos setores de pesquisa, gestão governamental, movimentos sociais e iniciativas culturais de rua, puderam conversar abertamente sobre a ocupação dos espaços públicos pelos jovens e as diversas tensões que envolvem essa prática, como a gestão dos parques públicos, as manifestações artísticas da periferia, o racismo ambiental, a segurança, a repressão policial e algumas possíveis soluções e encaminhamentos para os problemas levantados.

Para o encontro, mediado pela jornalista e pesquisadora da INCITI, Lenne Ferreira, foram convidados a pesquisadora da INCITI, Raquel Meneses, arquiteta e urbanista que atua principalmente nos temas relacionados à gestão de parques públicos; o secretário de Segurança Urbana da cidade do Recife, Murilo Cavalcanti; Maria Helena e Adelaide, articuladoras do Recital Boca no Trombone, projeto de ocupação artística com música e poesia em Água Fria; Juliane Lima, advogada e mestranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE; Cláudio Borba, Delegado Especial da Polícia Civil de Pernambuco; e Jaqueline Castro, produtora de grupos de passinho.

Jaqueline Castro defende que o bregafunk é resistência comunitária. Foto: Suzana Souza

Dança contemporânea e de rua que compõe o movimento bregafunk, o fenômeno do passinho revela um entrelace de impulsos estéticos, sociais e econômicos que precisa ser compreendido com mais cuidado. Principalmente por se tratarem de jovens que em sua maioria vivem contextos limites em suas comunidades. “Converso muito com eles sobre o comportamento em casa, para não se envolverem em coisas que não têm futuro. O bregafunk é cultura da comunidade, vai muito além, está ganhando o país, é resistência”, contextualizou Jaqueline Castro, produtora do grupo As Cacique do Passinho.

Sem muitas oportunidades de lazer, os jovens têm promovido encontros em áreas centrais e públicas do Recife, como o Parque 13 de Maio e o Marco Zero, o que tem trazido uma certa sensação de insegurança aos que não participam do movimento. A pesquisadora da INCITI/UFPE, Raquel Meneses, sinalizou que precisamos de mais empatia. “Os espaços públicos não são tratados de uma forma convidativa para as pessoas, possibilitando que aprendam a entender as expressões dos outros. Como vai entender o diferente se você vive em uma bolha? É preciso estimular um olhar mais carinhoso e cuidadoso com o outro”, sugeriu.

O secretário de segurança urbana do Recife, Murilo Cavalcanti, chamou atenção para a segregação social e a relação com a violência. “Vivemos em uma cidade partida, de um lado os ricos, do outro a camada pobre. As pessoas dizem que as comunidades são lugares violentos, na verdade elas são violentadas em seus direitos, não têm um parque, uma praça, uma biblioteca”, explica. À frente do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ, Murilo comparou o movimento do passinho com os rolezinhos, que ficaram conhecidos principalmente por “invadirem” Shopping Centers. “Os rolezinhos foram tratados como caso de polícia, a gente buscou diálogo com os meninos que estavam organizando esses encontros. É isso que precisa ser feito nos grandes centros urbanos, a gente quer uma cidade para todos”, defendeu.

Adelaide, articuladora do Recital Boca no Trombone, contextualizou o problema a partir do olhar de uma moradora de comunidade periférica. “Enquanto negra e favelada eu convivo com essa repressão todo dia, os meninos todos os dias de manhã já tão lançando passinho lá com o som nas alturas. É a batalha do passinho que anima a favela. E o estado só olha pragente quando é pra abordar”.

Cláudio Borba falou sobre projetos sociais da polícia. Foto: Suzana Souza

“Uma preocupação grande da atual administração é mostrar que a polícia não é só repressão, e sim prevenção e cidadania. Montamos um programa com o trabalho da polícia, chamado Comunidade Segura, ministrando palestras nas escolas estaduais. É um projeto pra tentar desmistificar e fazer as pessoas acreditarem mais na polícia”, disse o delegado Cláudio Borba, citando iniciativa promovida pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS).

A advogada Juliane Lima alertou para a necessidade de termos políticas públicas que atendam a população negra e problematiza a ocupação das ruas. “Temos inúmeros racismos: religioso, ambiental, institucional, recreativo. Como a elite se apropria do espaço público, né? Mas ao mesmo tempo ela nega, porque a rua é lugar de prostituta, de ladrão. Mas ao mesmo tempo que a rua não presta, a rua é da elite”, provocou.

A Polícia dança?

O debate contou coma facilitação gráfica da artista gráfica Camila Wanderley. Foto: Suzana Souza

O modus operandi da Polícia Militar foi questionado pela maioria do público presente. “O que tá sendo feito pra alimentar a alma dos policiais, será que eles dançam? Será que eles são treinados pra serem rígidos? Será que não deveríamos fazer os policiais dançarem?”, convida para reflexão Djair Falcão, pesquisador da INCITI/UFPE. Segundo Juliane Lima, o espaço público também reprime a polícia. “Eu acho que os policiais dançam, a questão é onde eles dançam. Eles são tão reprimidos no espaço público, eles terminam não alimentando isso”, concluiu.

Para MC Negrita, a questão é de representatividade. “É uma polícia que pode fazer ação, pode dançar, fazer quadradinho, é uma galera que não vai me representar.  Me dói ver meu povo fazendo ações, chamando a galera do tráfico para o rap, e a polícia faz parar porque tamo falando a verdade, e a verdade dói”. A poeta Bione segue a mesma linha. “Não temos acesso à educação e lazer, quando criamos o nosso lazer somos totalmente reprimidos. Como faz pra acreditar na polícia se ela reprime, oprime e mata a gente?”.

Morador da comunidade do Bode, em Brasília Teimosa, o artista visual Stilo Santos chama atenção para a disparidade entre discurso e prática dos projetos sociais da polícia. “Acontece que de manhã quem vem dar a palestra é o major, um cara desconstruído, que quer trocar uma ideia, mas de noite quem tá na minha porta é o GATI, o Grupo de Apoio Tático Itinerante, a Rocam, o GTO (Grupo Tático Operacional). Os projetos sociais são feitos por pessoas do alto escalão que se dizem agentes dos direitos humanos, enquanto as especializadas estão matando e batendo  na periferia e na juventude negra”.

A conversa também permeou a questão da política das drogas. “A polícia foi treinada por muito tempo pra lutar contra as drogas, sendo que a guerra às drogas está perdida. Tem que levar essa discussão adiante, amanhã mesmo vou ligar pra Antônio de Pádua (Secretário de Defesa Social de Pernambuco), é preciso compreender isso. O menino que fuma maconha na favela é um delinquente, o da classe média é cabeça?”, provocou Murilo Cavalcanti.

A advogada popular Thaisi Bauer chamou atenção para a abordagem racista e seletiva dos policiais e propôs encaminhamentos após o debate. “O meu primeiro encaminhamento seria de fortalecimento do GT racismo dentro da polícia para que houvesse formação desses policiais em relação ao racismo institucional que tem sido perpetrado reiteradamente”. Como segundo encaminhamento, a advogada sugeriu que o Conselho de Segurança Pública fosse ocupado pelas pessoas da sociedade civil e que tivesse o caráter deliberativo e consultivo. Thaisi ainda fez uma terceira proposta. “Sugiro que a corregedoria seja desvinculada da polícia, pois precisamos de autonomia para que essas abordagens e esses crimes sejam investigados por alguém que seja autônomo”, concluiu.

Teve apresentação de passinho no térreo da INCITI/UFPE. Foto: Instagram/Divulgação

Ao final o público presente teve o privilégio de assistir à apresentação do grupo As Cacique do Passinho, que encerrou com boas energias um encontro marcado pela tensão e exposição de muitas feridas, mas que representou um raro momento de aproximação entre população, grupos culturais, pesquisadores e gestores, apontando assim para a necessidade de uma maior promoção de espaços que fomentem diálogos e danças sobre temas de interesse público. 

Encaminhamentos

1) Transparência nos dados dos crimes violentos letais intencionais, com descrição de raça, idade, gênero, nome, lugar da morte;
2) Participação da sociedade civil no Conselho Estadual de Segurança Pública do Estado de Pernambuco, o qual deve ser paritário, consultivo e deliberativo;
3) Maior autonomia para as Corregedorias de Polícia;
4) Realização de audiências descentralizadas na periferias para escuta da população;
5) Participação da sociedade civil nas reuniões do Pacto pela vida.

Repercussão

O debate “Como conviver sem criminalizar” também repercutiu nos veículos de comunicação locais. A Marco Zero Conteúdo aprofundou a discussão com uma matéria que contou com a colaboração do Inciti que aborda os casos de violência policial nas abordagens durante encontros de passinho. A matéria também conta a história do jovem que perdeu a visão de um dos olhos numa dessas ações. O caso foi denunciado durante o debate no INCITI. Confira a matéria completa

Confira áudio do debate na íntegra

Mediadores de leitura levarão “Ribe do Capibaribe” para bibliotecas públicas do Recife

Apresentar a temática do meio ambiente, da fauna e da flora do Recife, através de elementos e narrativas lúdicas. Essa é a ideia da metodologia “Ribe do Capibaribe”, que será aplicada em um projeto piloto, em bibliotecas públicas e comunitárias do Recife, ao longo do primeiro semestre de 2019. A proposta, desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, surgiu na perspectiva de mudar a forma de as pessoas pensarem e vivenciarem o Rio Capibaribe.

O primeiro ciclo de formação de arte educadores aconteceu entre os dias 04 e 06 de fevereiro, nos Compaz Ariano Suassuna e Eduardo Campos, com orientação do consultor pedagógico do Ribe, Gabriel Santana. Estiveram presentes profissionais que atuam nas Secretarias municipais de Segurança Urbana, de Meio Ambiente e de Educação, representando, respectivamente, as bibliotecas públicas da Rede pela Paz (dos Compaz, de Casa Amarela e de Afogados), dos Econúcleos e do Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores.

Formação foi com Gabriel Santana, consultor pedagógico. Foto: Maíra Brandão

Os encontros permearam conversas sobre a importância da leitura e da literatura, exercícios de escrita criativa, trocas de conhecimentos e de estratégias de mediação de leitura. Como parte do último dia de atividades, os participantes foram convidados a proporem dinâmicas de estímulo ao hábito de ler e de trabalhar com a publicação infantil “Ribe do Capibaribe”, a partir dos seus conhecimentos e métodos.

O resultado foi muito rico. Surgiram propostas variadas para se trabalhar com crianças e jovens, como contação de histórias, teatro de mamulengo, criação de cordel, rap e personagens a partir de material reciclado, vivências nas margens do rio e/ou nos ambientes naturais próximos às bibliotecas e desenvolvimento de jogo da memória.

Trocas e dinâmicas ao longo dos encontros. Foto: Maíra Brandão

Método – Além das bibliotecas e equipamentos públicos do Recife, ao longo do primeiro semestre o método “Ribe do Capibaribe” também será experimentado junto às oito bibliotecas da Releituras, Rede de Bibliotecas Comunitárias das cidades do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes,  experimentado em 12 bibliotecas públicas e comunitárias da Região Metropolitana do Recife. A proposta é de que o método possa ser aplicado ao longo do primeiro semestre, de forma experimental, e a partir do retorno dos mediadores de leitura sobre a experiência em cada bairro, pretende-se aperfeiçoar o Ribe e desenvolver a segunda edição da publicação.

Diversão e aprendizado no lançamento do Ribe do Capibaribe

Sonhar, planejar, realizar e celebrar. Foi seguindo esse ciclo da metodologia Dragon Dreaming, que o Ribe do Capibaribe – publicação infantil com histórias em quadrinhos e atividades – foi lançado, no Jardim do Baobá, no dia 02 de fevereiro de 2019. Para comemorar a estreia do livro, desenvolvido como ferramenta de educação ambiental do projeto Parque Capibaribe, foi preparada uma tarde inteira de atividades, no espaço público situado às margens do rio, no bairro da Jaqueira.

O lançamento teve direito a mediação de leitura com Gabriel Santana, consultor pedagógico do Ribe, que apresentou os personagens às crianças, contou histórias e convidou-as a respirar fundo e sentir o lugar onde estavam.

Respira fundo e pula! Foto: Rafa Medeiros

Rolou também espaço pra pintar, escrever e desenhar, jogo da memória, esquete teatral com a Turma Mangue e Tal e ainda bate-papo com o autor do livro, Allan Chaves, momento que deixou todo mundo boquiaberto. Crianças de variadas idades participaram ativamente da conversa, quiseram saber sobre todo o processo de criação. Surgiram perguntas sobre como surgiu o Ribe, como é desenhar uma história em quadrinho, como o autor imaginou cada história, quem ajudou, e ainda deram conselhos e chamaram atenção para os cuidados necessários com o meio ambiente. “Eu vou tirar como exemplo o garoto que estava aqui, que de repente tava falando sobre o que aconteceu em Mariana e Brumadinho (Minas Gerais). E eu fiquei pensando como a criança conseguiu fazer a conexão do cuidado ambiental com um desastre que ele viu no jornal. Se o Ribe fizer isso repetidas vezes, ele terá cumprido a sua missão. Quero mais é que a gente consiga!”, disse Allan.

Depois da conversa, ainda teve fila pro autógrafo. Ao todo, 300 exemplares foram distribuídos para todo mundo que compareceu ao Jardim do Baobá nesse dia.

A tarde foi toda de muita animação, mas na hora da caça ao tesouro virou um rebuliço só. GRITOOOOOO. Não é só eufemismo, as crianças foram à loucura mesmo. Aliás, não sabemos ainda se foi mais intenso para os pequenos ou para os tios que supervisionaram a atividade, que acabaram ficando com a língua de fora de tanto correr de um lado pro outro junto com cada equipe. Mas a diversão foi garantida!

A equipe laranja matou todas as charadas e achou o tesouro. Foto: Rafa Medeiros

Para Circe Monteiro, coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE, a publicação se firma como oportunidade de estimular as crianças a descobrirem e valorizarem a fauna e a flora do Recife, de uma forma divertida. “O Ribe vai ser uma ponte pra gente acumular uma série de vivências das crianças. A gente tá fazendo um projeto (Parque Capibaribe) que tem uma dimensão de 20 anos. Então as crianças que estão hoje com 5, 10 anos, são os adultos que estarão vivendo nesse parque. A dimensão de fazer esse trabalho desde já, pequenininho, de respeito, de sustentabilidade, de uma pegada mais leve na terra, de trazer a discussão de como contribuir e respeitar a fauna e a flora, é muito importante. E também é um livro, mas que está atrelado a um projeto de cidade e um projeto urbano. É um diferencial”, reflete a pesquisadora.

Ao longo do primeiro semestre de 2019, a ferramenta e a metodologia Ribe do Capibaribe viverão um período de experimentação, com distribuição e aplicação junto a escolas e bibliotecas públicas, espaços à beira do Rio Capibaribe.

Ribe do Capibaribe: a origem

Você já conhece o Ribe do Capibaribe? O Ribe é uma publicação infantil, de autoria do ilustrador Allan Chaves, com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos – que vivem no principal curso d’água do Recife – se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. Criado como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe do Capibaribe vai além de uma mera publicação. Pretende estabelecer-se também como método de educação ambiental, divertido, capaz de sensibilizar crianças, jovens e adultos sobre o Rio Capibaribe, o desenvolvimento da cidade, os bens naturais, a sustentabilidade e a cultura.

Mas como surgiu tudo isso?, você pode nos perguntar. O Ribe apareceu no projeto Parque Capibaribe pela primeira vez em 2014. Na época, a ideia era ter um mascote que interagia com o público nas redes sociais, em tirinhas de quadrinhos, com uma estética de mangá (os quadrinhos japoneses). O que motivou o surgimento desse personagem foi a necessidade de criar meios para aproximar as pessoas do rio, dos produtos, projetos e pesquisas do Parque Capibaribe, a fim de ajudar na transformação da forma de pensar o rio e a cidade.

Aquela ideia de tirinhas de 2014 foi ganhando corpo e transformou-se em histórias em quadrinhos e atividades para brincar com as crianças. “Quando a ideia dele deixar de ser um personagenzinho que aparecia esporadicamente nas redes sociais do Parque Capibaribe pra ser um personagem maior – que apareceria em eventos, mais quadrinhos – e seria um “rosto” pro Parque, mudei pouca coisa. Ele passou a ser mais colorido, e pra manter a ideia de um personagem caricato, divertido, ele ficou laranja, e não o “marrom normal” da capivara”, conta Allan Chaves.

A primeira versão do Ribe tinha traços de mangá.

Aos poucos, os outros personagens da turma foram sendo criados, como conta a coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE*, Circe Monteiro. “A gente fez uma oficina pra criar as personalidades dos animais. A gente criava uma situação e cada um respondia com aquela persona. Saiu que o Sá (caranguejo-uçá) era o inteligente, o cérebro da turma; o Ribe e a Piba, capivaras desbravadoras, alegres, que gostam de estar junto de todo mundo e são muito afetuosas; o Tio Biu, um jacaré que já era mais velho, que tinha um conhecimento histórico das coisas e do rio; a Gringa, a garça era histérica, de fora”, lembra Circe.

Visitas ao rio também fizeram parte do processo criativo de Allan Chaves junto à equipe de comunicação do Parque Capibaribe. “Pra termos mais conteúdo, fizemos algumas incursões pelo rio, por barco, do Recife Antigo até a Várzea. Graças a isso adicionamos mais personagens além das capivaras, jacaré, garça e caranguejos (algumas que só foram incluídas em one shots, outros que estão guardados pra ideias futuras). Como a fauna é muito rica, paramos pra observar tudo, e disso vieram muitas ideias, muitas piadas e muitos roteiros”, conta Allan.

Pergunta recorrente na expedição: “é bicho ou lixo? “. Dessa vez era bicho, um jacaré. Foto: Manuela Salazar

Passado algum tempo, em 2016 a equipe de Comunicação do projeto Parque Capibaribe decidiu que o Ribe merecia chegar em mais pessoas. Começou então todo o processo de planejamento para lançar essa criatura e seus amigos para o mundo. Com o apoio de Flora Noberto, jornalista e facilitadora da metodologia Dragon Dreaming, os objetivos foram desenvolvidos, as etapas criadas e distribuídas entre a equipe.

Dentre as fases pensadas, uma das principais foi redesenhar o Ribe e seus amigos. A ideia era que os bichinhos se parecessem mais com os animais reais, para que as crianças tivessem mais facilidade de associação, nesse trabalho de visibilidade e valorização da fauna local. O cenário onde se passavam as histórias também ganhou novos contornos, passando a mostrar referências naturais e construções históricas do Recife, como comenta o autor: “Nessa mudança, apesar de ter esse pé no traço “realista”, como toda boa obra de ficção, tínhamos nosso pezinho na imaginação, pra que pudéssemos pôr ele limpando o rio, algumas vezes agindo como humano ou sonhando em andar de bicicleta”.

Projeto na mão, ilustrações, brincadeiras e roteiros aprovados começamos a buscar parceiros que topassem aperfeiçoar e entrar nessa empreitada conosco. “Depois veio um aprofundamento com pedagogos nos ensinando como levar a história, as palavras, para as crianças. Como as crianças poderiam melhor captar, e a ideia de transformar isso em uma brincadeira, uma diversão. A melhor coisa pra aprender é diversão”, diz Circe.

Foi aí que em 2018 a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) resolveu embarcar no sonho com a gente. Com o livro em mãos, o Ribe do Capibaribe vai pras ruas, pras mãos de crianças, educadores, para escolas e bibliotecas. Tímido, Allan ainda reflete sobre o impacto de sua obra sobre o Recife: “Eu não sei bem o que sentir, é uma sensação estranha, mas muito boa, nunca pensei sobre isso parar em bibliotecas, escolas, livrarias e ser algo ligado ao ambiental ou educativos. É tudo novo pra mim, eu tenho orgulho de cada página, cada história, cada atividade”.

Olhando assim, parece até que foi um longo processo. Mas esperamos que esse seja só o começo de muitas outras aventuras e formato para o Ribe do Capibaribe.

Se quiser conhecer o Ribe do Capibaribe, o livro já está disponível para download na área de publicações do nosso site. Para conferir: bit.ly/publicacoesparque.

* O INCITI/UFPE é um grupo de pesquisa que, em parceria com a Prefeitura do Recife, desenvolve o projeto Parque Capibaribe.

 

No Recife, hackathon pela mobilidade premia projeto de deslocamento pelos rios

Por Maíra Brandão

Se você mora em uma cidade onde passa um rio, certamente já considerou como seria usá-lo como meio pra se deslocar. E havendo essa possibilidade, já pensou poder usar o celular pra chamar o barco mais próximo pra ir trabalhar ou estudar? Pois essa foi a ideia do projeto vencedor do Open Mobility Hack, que aconteceu entre os dias 1º e 3 de fevereiro, no Recife. A equipe Navegue, que elaborou a proposta, contou com dois pesquisadores do INCITI: Caio Scheidegger e Nathália Machado.

A ideia da Navegue foi de direcionar os esforços para um modal que é sempre comentado e desejado pela população, mas de uma maneira mais simples de viabilizar, por meio de um aplicativo que possibilite a mobilidade através dos rios com pequenas embarcações, com administração de reserva e agendamento de horário para trajetos. “A gente sugeriu no hackathon que serviço chegasse um pouco mais à população, por meio de um aplicativo que informasse às pessoas se o barquinho estaria próximo dos pontos de embarque, tipo um Cittamobi, e assim ter mais uma opção de modal ou outra função que permita à pessoa contratar o serviço de um barquinho para levar de um lugar a outro, como um Uber”, explica Nathália.

O projeto desenvolvido por eles, ao mesmo tempo em que promove a mobilidade fluvial, incentiva a sustentabilidade da população ribeirinha do Capibaribe, como comenta Caio Scheidegger. “Desde o início da implantação do Parque Capibaribe foi possível perceber um aumento na demanda. Conversamos com Davi (barqueiro do rio Capibaribe), que afirmou a nossa impressão, de que várias pessoas estão oferecendo esse serviço”, disse Caio. “Futuramente a intenção é conectar com outros sistemas, como a bike e o busão”, complementou.

Para desenvolver o projeto, a equipe utilizou os dados abertos da Pesquisa de Origem e Destino, que desde 1997 não considera o barco como modo de deslocamento. “No último ano em que o barco entrou na pesquisa foram contados cerca de 1200 deslocamentos pelo rio. É uma realidade totalmente invisibilizada e a gente espera com essa proposta poder entender melhor o rio, estimular que as pessoas olhem mais pra ele e até usem mais ele, respeitando sempre seus limites e em equilíbrio”, complementa Nathália.

Além de Caio e Nathália, a equipe Navegue foi formada por Igor Cabral, Júlio Ramos e Luís Delgado. A Navegue levou R$ 7 mil para desenvolver o projeto, além de ter uma vaga garantida no próximo Mind The Bizz, programa de incentivo ao empreendedorismo inovador do Porto Digital, CESAR e Sebrae. O segundo lugar ficou com a BuStop, uma solução que pretende facilitar a vida de cadeirantes nas paradas de ônibus, além de permitir um maior gerenciamento do tempo por parte do condutor – que receberá a solicitação no painel do veículo e poderá planejar a parada e a preparação do elevador de acesso para os usuários de cadeira de roda.

O Open Mobility Hack foi realizado pelo Porto Digital e pelo Consulado Britânico – por meio do Foreign & Commonwealth Office (FCO) via Department for International Trade (DIT) e Great Britain and Northern Ireland -, e contou com apoio da Prefeitura do Recife.

Ribe do Capibaribe convida crianças e jovens para aprender sobre o ambiente natural do Recife

História em quadrinhos e ferramenta de educação ambiental desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe será lançado neste sábado (02), no Jardim do Baobá

Uma oportunidade única de vivenciar o rio Capibaribe, ao mesmo tempo em que se brinca e aprende sobre o rio e os animais que nele vivem. Assim será o próximo sábado (02), no Jardim do Baobá, quando será lançado o Ribe do Capibaribe, publicação com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos, que vivem no principal curso d’água do Recife, se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. O projeto partiu da ideia de criar uma ferramenta de educação ambiental, lúdica, que ensinasse crianças e jovens sobre o rio, sua flora e fauna.

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“Provocações Urbanas” debate a ocupação do espaço público pela juventude

Episódios de tensões em parques da cidade após apresentações de passinho incentivaram a provocação deste mês

“Como conviver sem reprimir? Cultura de rua, juventude e direitos” é o tema da próxima edição do Provocações Urbanas, projeto de rodas de debate promovido pelo INCITI/UFPE, grupo de pesquisa que desenvolve o Parque Capibaribe. O evento, que é aberto ao público, irá acontecer no dia 31 de janeiro, às 19h, na sede da instituição (Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife). O foco do encontro é discutir a relação da juventude com o espaço público a partir das experiências de ocupações artísticas nas áreas urbanas do Recife.

O debate tem como enfoque principal refletir sobre a convivência no espaço público da cidade a partir da ideia de respeito à diversidade de usuários que o acessam. Entre os fatores que motivaram a realização da roda de conversa estão os recentes episódios de tensões gerados pela presença de grupos de passinho em áreas públicas do Recife, além de outras apropriações por parte de movimentos culturais protagonizados por jovens, que fazem da rua palco para eventos como recital de poesia e batalhas.

Para impulsionar o debate, foram convidados: Raquel Meneses, arquiteta e urbanista pesquisadora do INCITI; Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana (responsável pela concepção e modelo de gestão do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ); Juliane Lima, advogada e mestranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, onde desenvolve a pesquisa “Racismo ambiental e o direito ao lazer no espaço público: Um estudo sobre o Parque Santana, pelo Laboratório da Paisagem”; Maria Helena e Adelaide Santos, articuladoras do Recital Boca no Trombone, projeto de ocupação artística com música e poesia em Água Fria; e o Delegado Especial da Polícia Civil de Pernambuco Cláudio Borba Filho, gerente-geral de Articulação e Integração Institucional e Comunitária da Secretaria de Defesa Social do Estado – unidade responsável pela formação e capacitação dos policiais de Pernambuco. A mediação é da jornalista, pesquisadora e produtora social Lenne Ferreira.

O encontro terá transmissão ao vivo e também oferece momentos de interação com a plateia por meio de microfone aberto a partir de uma organização prévia de falas. A ideia é que o encontro represente um momento de reflexão coletiva por meio do diálogo e escuta ativa. O Provocações Urbanas é uma iniciativa do INCITI, com programação aberta ao público, que tem por finalidade aproximar a sociedade civil de temas relacionados com a vida nas cidades.

SERVIÇO
“Provocações Urbanas: Como conviver sem reprimir? Cultura de rua, juventude e direitos”
Quando: (31) de janeiro de 2019
Hora: 19h
Onde: INCITI/UFPE – Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife
Acesso gratuito

Debatedores:
Murilo Cavalcanti – Secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana (responsável pela concepção e modelo de gestão do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ);

Raquel Meneses – Pesquisadora, arquiteta e urbanista da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo. Atuando principalmente nos seguintes temas: Espaço público, Vitalidade urbana, Lazer urbano.

Juliane Lima – Advogada e mestranda em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, onde desenvolve a pesquisa “Racismo ambiental e o direito ao lazer no espaço público: Um estudo sobre o Parque Santana, pelo Laboratório da Paisagem”. Preside a Comissão de Defesa da Igualdade Racial e Proteção aos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais – OAB-PE e Coordena o Núcleo de Direitos Humanos da Escola Superior de Advocacia – ESA-PE.

Maria Helena e Adelaide Santos – Articuladoras do Recital Boca no Trombone, movimento cultural que promove rodas de poesia e batalhas de conhecimento no bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife.

Projetos possibilitam maior articulação pela mobilidade sustentável

Por Maíra Brandão

Fortalecer redes para contribuir no desenvolvimento das pautas da mobilidade urbana sustentável tem sido uma das estratégias do INCITI na busca pelo desenvolvimento de cidades inclusivas, sustentáveis e felizes, desde a sua origem. Em 2019, a articulação junto à sociedade civil se tornará ainda mais forte, graças a dois projetos aprovados pelo grupo junto ao Greenpeace e ao Fundo Socioambiental Casa.

O Greenpeace, através do edital Sinal Verde Para Mobilidade, está fomentando o projeto Bora Andando. A proposta dessa parceria contempla a realização de diagnósticos e pesquisas colaborativas, que poderão tornar-se protótipos de soluções voltadas para a melhoria da mobilidade das pessoas que se deslocam a pé. Além do INCITI, outros cinco grupos da Região Metropolitana do Recife (RMR) integram a iniciativa do Greenpeace.

A ideia é que o projeto estimule a compreensão do caminhar como um meio de deslocamento mais saudável, lúdico e confortável, alcançando pessoas que já utilizam esse modo de se relacionar com a cidade, e também apresentando-o a quem que faz percursos curtos de transporte coletivo. Futuramente, pretende-se expandir a ação para usuários de carro, estimulando-os a percorrerem distâncias mais curtas a pé, desafogando as vias e impactando positivamente em sua qualidade de vida.

Já o Fundo Socioambiental, por meio do edital Casa Cidades, está apoiando a articulação com a sociedade civil a partir das Provocações Urbanas, debates que buscam fomentar diálogos sobre temas relativos ao desenvolvimento de cidades sustentáveis. O Fundo Socioambiental Casa apoia através deste programa, outras 31 organizações da RMR.

Por meio desta iniciativa, o INCITI pretende atuar junto às organizações da sociedade civil para potencializar descobertas colaborativas e soluções criativas para a mobilidade urbana, bem como alcançar uma maior incidência na transformação de ações e campanhas em políticas públicas e mudanças concretas para melhoria da qualidade de vida da população.

Como parte desses dois projetos, o INCITI já promoveu no Recife o Dia Mundial Sem Carro, em parceria com 14 organizações da Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO). Ao longo do primeiro semestre de 2019, mais quatro Provocações Urbanas serão desenvolvidas. Já pelo Bora Andando, está em andamento o levantamento das pesquisas já desenvolvidas na área de mobilidade urbana, a partir do qual será elaborado um diagnóstico que apresente um panorama dos dados coletados.

A equipe responsável por esses projetos é atualmente composta pelos pesquisadores Caio Scheidegger, Natan Nigro, Nathália Machado e Pedro Rosa.

INCITI – Desde a sua origem, em meados de 2014, o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades atua na temática de mobilidade urbana sustentável através do Parque Capibaribe e outras ações. Uma das estratégias para conseguir avançar nessa área tem sido a ampla articulação de parceiros. Se em uma perspectiva, tornou-se parceiro da ONU-Habitat – a agência das Nações Unidas para o desenvolvimento das cidades – e da WWF-Brasil, entre outros, por outra também esteve ativo no processo de construção do Laboratório de Ativismo e Ação Política para Mobilidade (Labmob) e da Conferência Livre de Mobilidade. Esta última apresentou-se como terreno fértil para o surgimento da Rede de Articulação pela Mobilidade (RAMO), com grupos de atuação nacional e local.