All posts filed under “Notícias

comment 0

Perspectivas, possibilidades e desafios de andar a pé

Por Rodrigo Édipo, Maíra Brandão e Fernando Castro

Apesar de vivermos em cidades que privilegiam os veículos motorizados em detrimento dos pedestres, o ato de caminhar resiste. Segundo dados do Sistema de Informações da Mobilidade Urbana, produzido em 2014, pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), 36% das pessoas andam a pé. Quando somados a este número os deslocamentos diários em transportes coletivos, esse indicador passa para 65%, já que essas pessoas têm que andar de suas casas até a parada de ônibus e do trabalho de volta para o ponto.

Com o objetivo de provocar reflexões sobre a caminhabilidade no âmbito do projeto Parque Capibaribe (PCR/INCITI), realizamos, de 07 a 14 de agosto de 2017, em três bairros do Recife, a série de ativações Percursos Sensitivos. A iniciativa integrou a programação nacional da Semana do Caminhar 2017, organizada pelo SampaPé! (SP), e contou com os parceiros locais Coletivo Massapê, Meu RecifeFab Lab Recife.

Coletando percepções. Foto: INCITI/UFPE.

Ativação com crianças: Caminhada Sensitiva | Local: Vila de Santa Luzia

Qual o lugar da criança nas decisões sobre as cidades? Segundo a organização Child Friendly City (CFC), as crianças devem influenciar nas decisões acerca do lugar onde vivem. Com isso em mente, o INCITI/UFPE e o Coletivo Massapê realizaram, nos dias 07 e 14 de agosto de 2017, na Escola Estadual Creusa Barreto Dornelas Câmara, a ativação Caminhada Sensitiva. Foram convidadas por volta de 30 crianças para compartilhar a experiência.

Melina Motta do Coletivo Massapê. Foto: INCITI/UFPE.

No primeiro dia (07), as crianças participaram de uma dinâmica em que algumas perguntas relacionadas ao caminho das mesmas até a escola eram apresentadas. Os pequenos retiravam de uma urna as provocações, liam em voz alta e as colavam em um mural. Logo após, com todas as questões dispostas no quadro, foi a hora de montar um mapa mental do percurso dos jovens por meio de desenhos. “As crianças conseguiram trazer muitos elementos dos trajetos, sempre tinham alguma história pra contar, uma vivência muito diferente da nossa de adulto, arquiteto e urbanista”, relatou Melina Motta, integrante do Coletivo Massapê. A partir dos relatos e para encerrar a dinâmica do dia, foi criado um mapa-mural coletivo com as informações coletadas.

Mapa mental. Foto: INCITI/UFPE

Para o pesquisador espanhol Jorge Larrosa Bondía, “o papel da educação é subverter regras, os procedimentos e as maneiras de fazer”. E o segundo dia de atividades (14) com as alunas e os alunos da escola caminhou nesta direção. Convidar as crianças a percorrer as ruas do bairro e abrir possibilidades de aprendizagem a partir da interação com o território é uma experiência ímpar. Os mapas criados no primeiro dia serviram de base para a caminhada sensitiva, que reuniu cerca de 30 crianças subdivididas em três grupos.

Hora de bater perna. Foto: INCITI/UFPE

As impressões de Nathália Machado, pesquisadora do INCITI/UFPE, ficaram marcadas pela surpresa: “Andar com as crianças me fez perceber quantas coisas influenciam na nossa percepção sobre a rua. Enquanto a gente observava arborização, calçadas e dimensões de ruas, eles nos mostravam a venda, a casa da vó, a rua que vai pra escola. Essa percepção só é possível quando se é dono do lugar”.

Para Anne Rose, professora da Escola Creusa Barreto Dornelas Câmara, o desafio diário é fazer com que a comunidade seja parte do processo de aprendizado das crianças. “Essa atividade é maravilhosa, pois é muito importante o aluno reconhecer o local onde vive como seu. A Vila de Santa Luzia foi construída a partir de vários bairros, então alguns alunos não se sentem pertencentes ao local”, pontuou.

No Baobá visitantes e frequentadores trocaram experiências. Foto: INCITI/UFPE

Debate: Bem Viver e Direito à cidade | Local: Jardim do Baobá

A primeira roda de conversa, de uma série de três, realizada na Semana do Caminhar no Recife, lançou um olhar para a necessidade de transformarmos a cidade a partir de nós mesmos. O encontro aconteceu na última quarta-feira (11), no Jardim do Baobá, e mobilizou jovens e adultos interessados em trocar experiências a partir da ótica de quem costuma bater perna pela cidade. Em paralelo, no mesmo local, aconteceram atividades com crianças com o objetivo de também trazer o olhar infantil para o tema.

Convidado pela equipe do INCITI/UFPE, o professor e ativista do coletivo A Cidade Somos Nós, Leonardo Cisneiros, apresentou como os conceitos de Direito à Cidade e Bem Viver estão refletidos no nosso cotidiano. “Uma cidade sem direitos tem um problema de democracia, pois é um modelo individualista e não sustentável. A ideia do Bem Viver é comunitarista e preserva o meio ambiente, como por exemplo as iniciativas de agroecologia familiar”, exemplificou.

Sustentabilidade, segurança e gênero foram temas da conversa. Foto: INCITI/UFPE

O ato de caminhar é uma maneira de exercermos de forma autônoma a busca pelos nossos direitos. Morador do bairro da Boa Vista, o arquiteto Alexandre Ramos, encontra facilidades. “No centro tudo é perto, boa parte do meu percurso posso fazer a pé, mas muita gente não faz, e assim não usa a cidade”, relatou. Segundo Alexandre, enquanto não construirmos o pertencimento da cidade, várias motivos serão levantados contra o ato de caminhar. “Fiz uma postagem nas redes sociais sobre o meu trajeto diário e muita gente argumentou que não anda a pé por medo, calor ou pelas calçadas ruins”, afirmou.

A segurança pública é um tema que impacta as mulheres. Segundo Letícia Lins, 66 anos, a violência não está necessariamente vinculada ao ato de andar a pé. “Eu, de carro, já fui assaltada cinco vezes. A pé, apenas uma vez. Aí me pergunto: qual o mais perigoso?”, provocou. Já a arquiteta Adryana Rosendo tem um histórico diferente: “Chego a me sentir mais segura andando dentro das comunidades, pois fora delas já fui assaltada nove vezes caminhando”. Para encerrar as atividades do dia, houve uma dinâmica de coleta de desejos para uma cidade mais caminhável, que irão subsidiar as pesquisas do projeto Parque Capibaribe.

Mulheres e homens pautam a questão de gênero. Foto: INCITI/UFPE

Debate: Gênero e empoderamento | Local: Graças

Trazendo um recorte de gênero, a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte público revela que 54% das pessoas que se deslocam a pé e de ônibus são mulheres. Por isso, um dos debates da Semana do Caminhar no Recife teve o olhar direcionado para as questões sobre gênero e empoderamento feminino na cidade. O encontro, que ocorreu na última quinta-feira (10), à beira do rio, no bairro das Graças, reuniu homens e mulheres trocando experiências sobre os riscos e vantagens de andar a pé, afirmando as transformações que o feminismo tem possibilitado no dia a dia, e compartilhando possíveis soluções para lidar com questões como segurança e infra estrutura, grandes influenciadoras na vida de quem opta por (ou não tem opção, a não ser) andar a pé.

Moradora da Caxangá, a estudante de jornalismo Daniela Marreira, que faz seus percursos a pé e de ônibus, contou que não sai de casa após às 18h, por já ter sido perseguida em pelo menos três ocasiões. Mas conta que os aprendizados com o feminismo têm lhe ajudado a se posicionar frente à uma série de dificuldades. “A consciência de ser mulher mudou completamente a forma de entender o meu corpo e como eu lido com a cidade”, disse.

Já o aspirante a arquiteto, Pedro Rosas relatou que, após uma série de relatos sobre assaltos e estupros próximo da faculdade onde estuda, no Derby, a coletividade e solidariedade dos afetados resultou na criação de grupos de Whatsapp para combinar a travessia da ponte que leva ao ponto de ônibus mais próximo. Para a moradora das Graças, Maria de Lourdes, a má conservação das calçadas são um grande obstáculo: “Eu tenho 63 anos, é mais difícil. De vez em quando eu caio. É complicado andar numa cidade cheia de buracos. Andar a pé não é só questão de consciência, mas de possibilidade”.

Maria de Lourdes alerta sobre as calçadas. Foto: INCITI/UFPE

Uma das convidadas para o debate, a mestre em desenvolvimento urbano, Lúcia Siqueira, falou sobre tornar as cidades seguras para as mulheres  e provocou o público a acompanhar a revisão do plano Diretor do Recife. “Muitas vezes quem está no papel de tomar a decisão não entende a necessidade de quem vive na cidade”, disse. Para encerrar a roda, Circe Monteiro, coordenadora do INCITI/UFPE, fez uma dinâmica para que os presentes escrevessem em um papel “para quem deveríamos estar falando?”. As respostas variaram, mas Daniela resumiu bem: “Para as mulheres, para empoderar; para os homens, para conscientizar; e para os tomadores de decisão, para transformar”.

Econúcleo Jaqueira recebeu a roda de conversa. Foto: INCITI/UFPE

Debate: Mobilidade Ativa | Local: Jaqueira

Barata, saudável e prática. A Mobilidade Ativa, forma de deslocamento para transporte de pessoas que utiliza unicamente a força do corpo para a locomoção, foi assunto da quarta atividade da Semana do Caminhar, que abordou as principais dificuldades enfrentadas pelos pedestres e ciclistas na cidade do Recife. O debate ocorreu na última sexta-feira (11), no Econúcleo do Parque da Jaqueira e apresentou depoimentos sobre os diferentes modos da população se locomover e interagir pela cidade.

A roda de conversa teve início com a fala de Djair Falcão, engenheiro sócio-ambiental do INCITI/UFPE, que apresentou o conceito e destacou as vantagens da mobilidade ativa. O bem estar físico e mental, além de um deslocamento mais prático, foram os motivos apresentados pelo pesquisador. No Recife, os desafios para a a implementação deste tipo de modal, são evidenciados nas condições precárias de segurança que a cidade enfrenta. Tal argumento foi defendido por participantes do debate.

Djair Falcão é ativista da mobilidade ativa. Foto: INCITI/UFPE

Em contrapartida, a convidada Nadja Granja, arquiteta e secretária de Mobilidade e Controle Urbano da Prefeitura do Recife, destacou a importância do envolvimento dos cidadãos. ‘’A gente precisa novamente se apropriar da cidade. Uma rua com mais pessoas circulando é uma rua menos deserta e mais segura, a população tem que trabalhar em conjunto com o governo’’, ressaltou.

A arquiteta ainda defendeu a conservação das calçadas como um dos pontos cruciais. ‘’Precisamos entender a calçada como rota e não apenas como um meio de passagem, devemos enxergá-la como um modal de transporte e, para isso, é de fundamental importância uma campanha educativa para os cidadãos entenderem a necessidade de priorizá-la’’, afirmou Nadja. Para encerrar a roda de conversa, foi realizada uma dinâmica na qual os participantes escreveram suas reivindicações direcionadas ao governo e toda a população em geral, defendendo uma cidade mais amigável para os pedestres e ciclistas.

comment 0

Parque Capibaribe será apresentado para moradores das Graças

Encontro de vizinhos que ocorre mensalmente no bairro das Graças, o Café na Calçada acontece nos espaços públicos do bairro, reunindo moradores que compartilham de algumas conversas e um café da manhã. A partir deste mês de agosto, o evento, que tem como objetivo aproximar e engajar os cidadãos sobre as diversas ações que envolvem o bairro, terá a presença dos pesquisadores do INCITI, grupo de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a fim de tirar dúvidas sobre o projeto Parque Capibaribe. O projeto, desenvolvido pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, em parceria com a UFPE, prevê um sistema de parques integrados no Recife que se estenderá por 30 km do percurso do rio Capibaribe.

Read More

comment 0

Parque Capibaribe inspira Semana do Caminhar no Recife

Iniciativa acontece simultaneamente em nove cidades do Brasil e pauta a necessidade de um desenvolvimento urbano mais amigável para os pedestres

A mobilidade a pé é um dos pilares que compõem a construção colaborativa da Nova Agenda Urbana (NAU), documento chancelado pela ONU-Habitat que irá guiar o desenvolvimento sustentável do planeta até 2036. No Recife, o desenvolvimento de uma cidade mais amigável para pedestres e ciclistas vem sendo planejado pelo Parque Capibaribe, projeto realizado através de parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA), e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades. É a partir desse cenário de futuro que está sendo desenhado na capital pernambucana, que será realizada, a partir de segunda-feira (7), em três bairros da cidade, a série de ativações Percursos Sensitivos. A iniciativa integra a programação nacional da Semana do Caminhar 2017, organizada pelo SampaPé! (SP), e promovida no Recife pelo INCITI, em parceria com o Coletivo Massapê e com apoio da Prefeitura do Recife.

A série de ativações Percursos Sensitivos terá como pano de fundo as premissas do projeto Parque Capibaribe: abraçar, chegar, percorrer, atravessar e ativar. A ideia é lançar um convite para a construção coletiva de uma cidade mais amigável para pedestres e ciclistas. “A proposta é de construir novas diretrizes para a mobilidade ativa, abrir um canal de diálogo e fomentar a cooperação das redes de articulação para a mobilidade”, declara o coordenador de Ativação do INCITI/UFPE, Caio Scheidegger.

A primeira atividade acontece na segunda-feira (7), das 14h às 17h, na Vila Santa Luzia, com as crianças da Escola Creusa Barreto Dornelas Câmara. Na ocasião, os estudantes serão envolvidos em uma imersão, a fim de diagnosticarem suas experiências de deslocamento de casa até a escola. De quarta (9) a sexta-feira (11), uma série de debates serão abertos ao público, em diferentes espaços de influência do Parque Capibaribe, a fim de incitar a reflexão sobre o caminhar na cidade. Na quarta-feira, das 14h às 17h, a roda de diálogos sobre o Bem Viver e o Direito à Cidade será no Jardim do Baobá. Já na quinta-feira (10), das 14h às 17h, a beira do rio, no final da rua das Pernambucanas, abriga o debate sobre gênero e empoderamento feminino na cidade. O tema da mobilidade ativa será discutido na sexta-feira (11), das 14h às 17h, no Econúcleo Jaqueira. Pra encerrar a Semana do Caminhar no Recife, a Vila Santa Luzia recebe uma segunda rodada de atividade colaborativa com as crianças da comunidade, na segunda-feira (14).

Para mais informações sobre as atividades: http://bit.ly/sdocaminhar | ativar@inciti.org.

Ação – A Semana do Caminhar 2017 é um evento que celebra o caminhar e chama atenção para este modo de se deslocar e interagir com a cidade. Organizado pelo SampaPé!, conta com muitos parceiros e acontece entre os dias 7 e 13 de agosto, em 9 cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Manaus, Juazeiro do Norte, São Carlos, Recife e Porto Alegre). Em sua primeira edição, traz o tema: “Caminhar dá liga”. Pelo caminhar, todos os meios de transportes são interconectados e as pessoas se ligam mais com a cidade e com outras pessoas.

SampaPé! é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2012 com o objetivo de melhorar a experiência do caminhar na cidade. Nasceu com o objetivo de aproximar o cidadão da sua própria cidade através do deslocamento a pé, pois é a forma mais próxima e humana de interação com a cidade.

INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades é uma rede de pesquisadores transdisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que acredita na capacidade do cidadão em transformar a própria cidade. Propõe investigar a experiência urbana, analisar qualidade do espaço e do comportamento dos habitantes, além de buscar a compreensão dos processos, das pessoas e de suas reflexões.

Parque Capibaribe – O projeto prevê um sistema de parques integrados no Recife que se estenderá por 30 km do percurso do rio Capibaribe. Desenvolvido por meio de um convênio inovador entre a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife (SDSMA), e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por meio do INCITI.

++
Serviço
Percursos Sensitivos | Semana do Caminhar 2017
Informações: http://bit.ly/sdocaminhar

Programação:
Vivência – Caminhada Sensitiva – Para os alunos da Escola
Quando: Segunda-feira, 07 de agosto de 2017
Onde: E.E.R.E.F. Creusa Barreto Dornelas Camara (Rua Cantora Clara Nunes – Vila Santa Luzia, Torre – Recife)
Hora: 14h às 17h
Parceria: INCITI, Coletivo Massapê e E.R.E.E.F. Creusa Barreto Dornelas Camara

Debate – Bem Viver e Direito à Cidade
Quando: Quarta-feira, 09 de agosto de 2017
Onde: Jardim do Baobá (Rua Madre Loyola, 2 – Graças – Recife)
Hora: 14h às 17h
Aberto ao público

Debate – Gênero e empoderamento feminino na cidade: A mulher na construção do espaço público
Quando: Quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Onde: Graças, no final da Rua das Pernambucanas, próximo ao Rio Capibaribe.
Hora: 14h às 17h
Aberto ao público

Debate – Mobilidade Ativa
Quando: Sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Onde: Jaqueira, Econúcleo do Parque da Jaqueira
Hora: 14h às 17h
Aberto ao público

Vivência – Caminhada Sensitiva – Para os alunos da Escola
Quando: Segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Onde: E.E.R. Creusa Barreto Dornelas Camara (Rua Cantora Clara Nunes – Vila Santa Luzia, Torre – Recife)
Hora: 14h-17h
Parceria: INCITI, Coletivo Massapê e E.E.R.E.F. Creusa Barreto Dornelas Camara

comment 0

Conceito de Cidade Parque é apresentado no Fórum Internacional Hoje

Evento discutiu aspectos ligados ao desenvolvimento urbano e sustentável das cidades

Por Fernando Castro

Planejamento urbano de reconciliação com a natureza e com o espaço público. Essa foi a temática debatida na mesa Cidade Parque, do Fórum Internacional Hoje, que aconteceu no Centro de Convenções de Pernambuco, na manhã desta quarta-feira (26). A conversa foi iniciada pela coordenadora do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, Circe Monteiro, que apresentou o conceito de Cidade Parque através do projeto Parque Capibaribe, resultado de convênio entre o INCITI, grupo de pesquisas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e a Prefeitura da Cidade do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente.

Dentro do desenvolvimento urbano e sustentável, Circe citou quatro pontos fundamentais para a implementação de uma Cidade Parque: segurança, planejamento, inclusão e prosperidade. ‘’Uma cidade sustentável só é possível com o engajamento dos cidadãos, a visão de Cidade Parque é uma visão de futuro’’, comentou.

Circe Monteiro apresenta visão de Cidade Parque. Foto: Fernando Castro

Ainda pela manhã, o gerente de sustentabilidade da Secretaria do Meio Ambiente de Recife, Alexandre Ramos, apresentou no debate o conceito de Cidades Resilientes, com a temática ‘’Planejamento urbano para responder às mudanças climáticas’’. Segundo ele, a adaptação às mudanças climáticas passa a ser necessária para a melhoria das condições habitacionais nas cidades.

A capacidade de uma cidade de se reorganizar e voltar ao equilíbrio inicial, quando submetida a mudanças, foi uma característica observada durante a discussão. ‘’Pensar em Cidades Resilientes é pensar em território, mas também nas pessoas que vivem nesses territórios e em suas condições sociais’’, ressaltou Alexandre.

A política também teve espaço nas discussões do evento. Ana Célia, prefeita da cidade de Surubim, foi a mediadora da mesa-redonda. A manhã de debates foi encerrada com o depoimento do presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Una, Severino Sulipa, que abordou a sustentabilidade como uma responsabilidade social, sendo necessário o engajamento dos cidadãos e do Estado para sua implementação.

Hoje O debate fez parte do 4º Congresso Pernambucano de Municípios, promovido pela Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE), em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), entre os dias 25 e 27 de julho, no Centro de Convenções de Pernambuco. Com o tema central ‘’A cidade que precisamos’’, a programação esteve integrada ao Fórum Internacional Hoje, que reuniu especialistas para discutir a implementação da Nova Agenda Urbana, documento internacional responsável por promover a urbanização sustentável das cidades nos próximos 20 anos.

 

comment 0

INCITI participa do Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito

O grupo de pesquisa da UFPE foi selecionado para apresentar a contribuição do projeto Parque Capibaribe para a mobilidade a pé

Por meio de uma chamada pública o INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, foi selecionado para apresentar o projeto Parque Capibaribe no Painel Como Anda, que integra o 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito. O evento acontece entre os dias 28 e 30 de junho, em São Paulo, reunindo colaboradores de diversas áreas, que contribuem compartilhando ideias, ações, programas de mobilidade urbana e de políticas públicas, na defesa permanente do transporte com qualidade, do trânsito seguro, de cidades sustentáveis e com qualidade de vida, abrigando todas as formas de mobilidade nas cidades brasileiras.

Na ocasião, o INCITI será representado pelo seu coordenador de Engenharia, Djair Falcão, que mostrará a visão elaborada para o projeto, que foge da concepção de “cidades carrocêntricas”. O Parque Capibaribe, desenvolvido através de parceria entre a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Prefeitura do Recife, irá implementar 30 km de passeios na margem do principal rio da cidade e mais 51 km de melhoria nas vias existentes, com a transformação em alamedas que estimularão a mobilidade a pé.

O Como Anda lançou, em abril, um edital para levar organizações para apresentarem suas iniciativas no Painel e participarem da 1ª Oficina de Capacitação do Como Anda sobre “planejamento estratégico e captação de recursos humanos e financeiros”. Após receber as inscrições, um júri formado por integrantes da equipe Como Anda, da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP e do Instituto Clima e Sociedade se reuniu e deliberou sobre a seleção das organizações. A partir de uma matriz de avaliação, o grupo analisou como os inscritos poderiam contribuir no Painel Como Anda com reflexões e visão do cenário local-nacional, além do potencial multiplicador do aprendizado adquirido.

Além do INCITI, foram selecionadas outras três organizações: Pezito, de Porto Alegre; Caminha Rio, do Rio de Janeiro; e MOB Movimente e Ocupe seu Bairro, de Brasília. Para saber mais sobre o 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, acesse: http://21congresso.antp.org.br.

comment 0

Obras do Parque das Graças começam em Junho

Após a abertura do Jardim do Baobá, o projeto Parque Capibaribe, convênio técnico entre a rede de pesquisadores INCITI/UFPE e a Prefeitura do Recife, deu mais um importante passo hoje pela manhã. O segundo módulo do projeto que vem sendo chamado de “Parque das Graças” teve a ordem de serviço para as obras assinada pelo prefeito, Geraldo Julio, na manhã desta quinta-feira, 01 de junho de 2017, às margens do rio Capibaribe, no bairro das Graças. Com uma pequena solenidade ao ar livre, representantes do INCITI/UFPE, da Prefeitura do Recife, da Autarquia de Urbanização do Recife (URB), da Associação Por Amor às Graças e demais moradores do entorno celebraram um novo marco para a cidade do Recife.

Prefeito Geraldo Julio assina ordem de serviço para as obras do Parque das Graças. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

O Parque das Graças trará soluções de baixo impacto ambiental e grande repercussão para a vida dos moradores e frequentadores do bairro. A área que receberá o projeto tem a dimensão de 1 km e fica entre as Pontes da Torre e da Capunga, e as obras irão começar no trecho entre a Rua Amélia e a Rua Manoel de Almeida, com a limpeza do espaço para iniciar as intervenções. O investimento total será de R$ 26.574.446,75, com recursos da Caixa Econômica Federal/ Ministério das Cidades. As obras serão acompanhadas pela Prefeitura do Recife, por meio da URB. O prazo para execução é de 18 meses.

** Veja mais detalhes do projeto aqui.

Roberto Montezuma – Coordenador do INCITI/UFPE. Foto: Andréa Rêgo Barros

O prefeito Geraldo Julio relembrou que ao invés de uma via expressa com quatro faixas, prevista em proposta anterior, o projeto foi repensado de acordo com os conceitos do Parque Capibaribe, após debate com os moradores do local. “Vivemos em um momento de muita tragédia, violência e intolerância, mas para transformarmos essa situação temos que mudar os nossos comportamentos, e pra fazer diferente tem que ter quebras e enfrentamentos. Esse projeto aqui é um exemplo disso, se deixássemos as coisas acontecerem no piloto automático, os mesmos erros iriam se repetir. A capacidade de abertura e discussão fez a gente mudar”, afirmou.

Lúcia Moura, presidente da Associação Por Amor às Graças. Foto: INCITI/UFPE

A presidente da Associação Por Amor às Graças, Lúcia Moura, falou da importância do Parque Capibaribe para o bairro e aproveitou a oportunidade para fazer uma reivindicação: “É uma conquista nossa depois de 10 anos de muita luta, agradeço a toda comunidade das Graças. Nós nunca vamos parar de reivindicar, nós amamos esse lugar. Aproveito e faço um apelo sobre a poda das árvores no bairro, temos que ter mais cuidados”.

Bruno Schwambach , secretario da SDSMA. Foto: Andréa Rêgo Barros

O secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife (SDSMA), Bruno Schwambach, ressaltou a importância de um projeto estruturador: “Cheguei há pouco tempo, mas já estou impressionado, pela primeira vez a cidade está sendo pensada a longo prazo, dialogando com as pessoas e com o entorno. Tive a oportunidade de acompanhar e apresentar esse projeto e todos se impressionam como estamos alinhados à Nova Agenda Urbana (ONU), e também ao nosso plano de redução de carbono, dando prioridade ao pedestre, ao ciclista”, declarou.

Atual secretária da Mulher do Recife e participante ativa no projeto do Parque Capibaribe como secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade na gestão anterior, Cida Pedrosa, estava realizada: “Eu tô emocionada como gente, como cidadã, é uma coisa muito maior do que participar coordenando um projeto desse. É uma etapa de um sonho para o futuro. Quero um dia navegar e nadar no Capibaribe, o Parque vai descortinar esse rio para a cidade. Essa obra das Graças é mesmo que dizer para João Cabral de Melo Neto e seu cão sem plumas que essa cidade é possível”.

Outras convidados também estiveram presentes no evento, como os vereadores Wanderson Florêncio, Aderaldo Pinto, Ivan Moraes e Romerinho Jatobá; o Chefe de Gabinete para Projetos Especiais João Guilherme; o secretário do Governo e Participação Social Sileno Guedes; o consultor e sócio da TGI Francisco Cunha, o presidente da URB João Alberto; e o Vice-Prefeito Luciano Siqueira.

comment 0

Uso do Jardim do Baobá é tema de reflexão

Espaços públicos trazem a possibilidade de múltiplas trocas e vivências. E o Jardim do Baobá, marco inicial do Parque Capibaribe, situado no bairro das Graças, não foge à regra. Desde que o espaço começou a ser utilizado, ainda em 2016, muitos têm sido os elogios a respeito do ambiente, que abriu uma nova janela para fruição do rio Capibaribe, em meio à cidade. Mas também alguns conflitos vão surgindo quanto ao uso e manutenção do mesmo.
Read More

comment 0

Parque Capibaribe propõe soluções alternativas para drenagem e tratamento das águas no Recife

Estudos apontam para a recuperação ambiental dos cursos d´água

Todo mundo já passou por situações de alagamento no Recife, ao menor sinal de chuva. Quando a maré está cheia, o transtorno é ainda pior. Muitas são as condições que provocam enchentes na capital pernambucana. Mas e as respostas para a resolução do problema, onde encontrar? O problema é complexo, mas há soluções possíveis. A questão foi detalhada pela arquiteta e urbanista Anna Karina Alencar, pós-doutoranda em Planejamento Urbano, que apresentou o painel “Parque Capibaribe como sistema de drenagem e tratamento das águas no Recife”, nesta sexta-feira (19), no 9º Encontro Internacional das Águas, realizado na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Além de um projeto de transformação do espaço urbano, o Parque Capibaribe também traz em seu escopo soluções de recuperação ambiental. Um dos aspectos considerados na elaboração do projeto, desenvolvido através de parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, e da Universidade Federal de Pernambuco, através do grupo de pesquisa INCITI, foi a formação de uma visão sistêmica das questões de drenagem e tratamento dos riachos urbanos que formam a bacia hidrográfica do Rio Capibaribe.

Em primeiro lugar, é preciso entender a condição do Recife, cidade estuarina, ou seja, que lida em seu ambiente com a transição entre os rios e o mar, onde considerável parte das águas se movem nas duas direções sobre influência tanto das marés, como das águas pluviais. Com o processo de urbanização, muito do que era curso d’água e zona de expansão das águas durante a maré cheia, foi aterrado.

O primeiro mapa do Recife, de 1831, permite observar que o alagamento chegava aos bairros de Santo Antônio, Boa Vista e São José.

Segundo a pesquisa – que integra o Plano Urbanístico e de Resgate Ambiental do Capibaribe – PURA Capibaribe, produto que está sendo elaborado pelo INCITI, como parte do convênio do Parque Capibaribe – as ações que transformaram grandes parte dos riachos em canais de drenagem e sistema de esgoto, além de causar enorme prejuízo ao meio ambiente deu início uma série de problemas, como favorecimento de ligações de esgotos clandestinos e a ocupação irregular das margens tanto pela população de baixa renda como pela de média e alta renda.

Essa combinação, somada ao aterro das águas e ao hábito de despejar lixo nos canais piora o cenário de inundação das águas na cidade. Mas a urbanista diz que o que se deu foi o contrário: “Nós é que invadimos o espaço das águas. As faixas marginais dos rios e riachos deveriam ser preservadas como áreas naturais, por serem APP – Área de Preservação Permanente”, e complementa, “São áreas de espraiamento dos cursos d’água, onde é normal, em períodos chuvosos, receber um maior volume de água”.

De acordo com o levantamento apresentado por Anna, a maior parte dos 95 riachos, da cidade do Recife foram transformados em canais, ao longo do processo de crescimento da cidade. “Existe uma grande rede hídrica conectada ao Capibaribe, que foi se transformando em canais de drenagem e esgoto no processo de urbanização da cidade. Dentro de uma visão higienista, a canalização funcionava como sistema de drenagem, visando o rápido escoamento da jusante, o fluxo da maré baixando. Atualmente, há vários estudos que comprovam que a canalização e retificação dos cursos d’água não resolve as inundações e muitas vezes pode até agravar o problema”, explicou a pesquisadora.

Por meio do estudo, desenvolvido em parceria com o professor, engenheiro e especialista em hidrologia, Jaime Cabral, foram definidas três situações de intervenção possíveis para recuperação ambiental dos riachos que formam a bacia do rio Capibaribe na cidade do Recife. A primeira seriam intervenções urbanísticas e de tratamento paisagístico para aumentar a permeabilidade nos riachos já canalizados, como é o caso do Riacho do Parnamirim. A segunda seria a preservação de trechos não-canalizados, como riachos naturalizados, que poderia ser aplicada nos Riachos Camaragibe e Don-don. A outra opção seria praticada em áreas públicas livres, próximas aos cursos d’água, com a construção de wetlands, sistemas de tratamento das águas ao longo de riachos como o do Buriti, que desagua no açude de Apipucos. A concepção deste tipo de tecnologia pode ser vista como a aplicação de alguns princípios de renaturalização ou recuperação dos riachos urbanos, onde se realiza o manejo de plantas aquáticas específicas, associado com processos de filtragem.

Para que os tratamentos sejam bem sucedidos, Anna Alencar defendeu ainda o envolvimento das pessoas em ações de sensibilização e educação ambiental. “Pesquiso a questão dos desenhos urbanos sensíveis às águas e sei que, se a população não estiver envolvida, não vai dar certo”, afirmou.

Revitalização – Durante o Encontro Internacional de Águas Urbanas uma outra mesa chamou atenção para as soluções apresentadas pelo projeto Parque Capibaribe. Foi a conferência “Riachos urbanos do Recife: massacrados no século XX. Mas será que podemos revitalizá-los no século XXI?”, apresentada pelo professor da pós graduação em Engenharia Civil na UFPE e especialista em drenagem urbana, Jaime Cabral.

Segundo o engenheiro, a pesquisa recupera importantes funções dos riachos, que foram deixadas de lado com o passar do tempo. “Quando você estuda o rio, percebe que ele é multidisciplinar e tem muitos outros aspectos a serem pensados: a qualidade da água, a redução da temperatura, a biota do rio, a função social… então vimos que era necessário extrapolar os conceitos de hidráulica e hidrologia e ver diversos outros aspectos importantes para manter um rio de boa qualidade”, discorreu o professor.

Os olhares se voltaram, então, para os afluentes, atualizando as noções de uso dos riachos. Foi a partir daí que se estabeleceu o conceito de infiltração, adotado pelo projeto Parque Capibaribe. A ideia é que, tanto ruas como riachos possibilitem a ampliação e conexão das áreas verdes, a partir da margem do rio Capibaribe, para o resto da cidade, como corredores ecológicos. “Além de melhorias ambientais, com essa valorização das infiltrações o rio deixa de ser uma barreira e torna-se uma possibilidade de conexão entre os bairros”, explica Anna Alencar.

Jaime ressaltou ainda que, por meio do Jardim do Baobá – primeiro trecho implantado do Parque Capibaribe – o projeto já está contribuindo para reduzir a visão negativa da população com relação às águas fluviais da cidade. “O Jardim está reaproximando a população das águas. As pessoas conhecem o rio e já têm um olhar diferenciado para ele, a partir desse espaço. A iniciativa do Parque de promover a revalorização do rio já está dando certo”, afirmou Jaime.

comment 0

Jardim do Baobá ganha iluminação especial

Espaço às margens do Capibaribe recebe 23 postes com lâmpadas de LED e melhorias no canteiro central

Diante do sucesso do Jardim do Baobá em seus primeiros sete meses de funcionamento, a Prefeitura do Recife iniciou obras complementares para estimular ainda mais a utilização do equipamento. Primeiro trecho implantado do Projeto Parque Capibaribe, o espaço público municipal, localizado nas Graças, às margens do rio, vai receber 23 postes de iluminação com lâmpadas de LED, mais econômicas.

Durante as obras, a população poderá frequentar o espaço normalmente. A intervenção no Jardim do Baobá inclui ainda a instalação de piso de concreto intertravado no passeio central. “A nova iluminação é adequada aos usos do espaço. Já o concreto intertravado favorece a absorção da água de chuva”, esclarece o secretário-executivo de Projetos Especiais da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, Romero Pereira. A previsão para conclusão das obras é de cerca de 40 dias.

O Jardim tem 2.200 m² e foi entregue à população no dia 11 de setembro de 2016. Conta com uma mesa de uso coletivo de 10,5 metros de comprimento para piqueniques e jogos, além de três balanços-escultura de 6 metros de altura que comportam crianças e adultos. Ocupa a margem do Rio Capibaribe entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, próximo à antiga estação Ponte D’Uchoa.

O espaço público fica no entorno de um baobá, que faz parte da lista das 54 árvores e palmeiras tombadas do Recife. O exemplar de espécie africana tem 15 metros de altura e teve preservado o solo natural em seu entorno. Com 700 metros quadrados de gramado e um píer flutuante, o jardim segue as diretrizes do Projeto Parque Capibaribe, que prevê intervenções ao longo de 30 quilômetros de margens (15 km de cada lado) até 2037.

Iniciado em 2013, pela Prefeitura do Recife, o projeto é fruto de um convênio entre a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente e um grupo interdisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A execução dos serviços é financiada por um mecanismo de compensação ambiental denominado Projeto de Revitalização de Áreas Verdes (Prav). O valor inicial do projeto é de R$ 800 mil, estando custos dessa etapa da obra incluídos nesse montante.

Ficha da obra:
23 novos postes com lâmpadas LED, mais econômicas
100 metros é a extensão do passeio central
4,20 metros é a largura
480 metros quadrados é a área aproximada a ser revestida com piso intertravado de concreto

Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife

comment 0

Últimos dias para visitar a exposição #MeuCantoNaCidade

Quem ainda não conferiu as imagens reunidas na mostra fotográfica #MeuCantoNaCidade, tem até esta sexta-feira (5) para ver 30 fotografias que mostram lugares e situações especiais para os moradores da Região Metropolitana do Recife. A exposição, realizada pelo INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, grupo de pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com o projeto #DaJaneladoMeuOnibus, está em cartaz desde o dia 8 de fevereiro, na sede do INCITI/UFPE, que fica na Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife. A entrada é franca

A exposição surgiu como desdobramento da campanha #MeuCantoNaCidade, que convidou o público a fotografar aquilo que o encanta no espaço urbano. Durante mais de um mês, mais de 400 imagens participaram da chamada, postando no Instagram imagens que revelaram narrativas, afetos e paisagens dos lugares por onde passaram.

Para a exposição, as imagens selecionadas foram montadas em caixas de luz que centralizam a atenção do espectador e iluminam o objeto fotografado, possibilitando ainda que o público interaja com a obra. O projeto expográfico, concebido por Alex Campello e Amanda Florêncio, ambos pesquisadores do INCITI, buscou protagonizar o papel da luz em torno das fotografias, além de respeitar o espaço versátil do grupo de pesquisa da UFPE, que sempre recebe debates, reuniões e eventos. “Procuramos envolver as imagens de uma maneira que permitisse que as pessoas manuseassem as fotografias, uma forma de expressar carinho pela cidade, pelo objeto fotografado, por meio do contato físico. Você traz o objeto para si”, conta Alex.

Morador das Graças, Vital Carvalho, 58 anos, teve duas imagens selecionadas para a exposição e ficou contente com o resultado. “Achei ótima essa forma de a gente mostrar o amor que temos pela cidade, de registrar patrimônios que fazem parte da nossa história e o que temos de belo, até em lugares inusitados”, falou. Já Natália Regina, moradora da Macaxeira, 24 anos, teve uma foto integrando a mostra e conversava instigada sobre o sentido coletivo desses olhares sobre a cidade. “O que é meu, não é nosso, é egoísta. O meu canto na cidade na verdade é o nosso canto na cidade, o que juntos cultivamos. Hoje foi muito interessante perceber essa energia que estamos colocando pra lutar por um futuro melhor pra todos”, disse.

A diretora do INCITI, Circe Monteiro, explica o que motivou a realização da iniciativa. “Temos esse desafio e oportunidade de coordenarmos um projeto de transformação da cidade, que é o Parque Capibaribe. Você não muda a cidade com um projeto se você não mudar o olhar das pessoas para a cidade. Então essa campanha mostrou pra gente a água, o rio, o mar, são elementos que estão no coração das pessoas, que fazem parte da vida da cidade. Nossa esperança é que cada vez mais os espaços públicos que estamos construindo possam criar outros cantos na cidade, onde a gente possa encontrar, beleza, descanso e satisfação”, considerou, satisfeita, a gestora. Para a designer Bela Faria, responsável pelo Dajaneladomeuonibus, o projeto #MeuCantoNaCidade foi muito bem sucedido. “As imagens são incríveis. A gente consegue ver essa afetividade que as pessoas têm com cada canto, o que é especial para si”, falou.

A exposição #MeuCantoNaCidade pode ser visitada até sexta-feira, das 14h às 20h. A entrada é franca. Para mais informações: (81) 3037-6689.

Serviço:
Mostra fotográfica #MeuCantoNaCidade
Onde: INCITI/UFPE, R. do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife
Quando: até sexta-feira, 5 de maio
Horário: 14h às 20h
Acesso livre
Informações: (81) 3037-6689.