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Por um Capibaribe mais vivo

por Lenne Ferreira/INCITI

O rio das Capivaras é também o lugar onde vivem muitas outras espécies da fauna e flora da Mata Atlântica brasileira. Conservar esse ecossistema é garantir a sustentabilidade dos seus recursos naturais para gerações futuras. É como foco nessa preservação que o projeto paisagístico do Parque Capibaribe, realizado pelo convênio técnico entre o INCITI/UFPE e a Prefeitura do Recife, tem como principal norte a introdução da flora nativa e proteção de espécies cuja população encontra-se em declínio e/ou ameaçada de extinção. Até a conclusão do projeto, 167 espécies vegetais serão introduzidas ao longo das margens do Rio, que ficará ainda mais vivo e atrativo para a avifauna e também para população.

Mesmo com a expansão urbana e consequente impacto no meio ambiente, o Rio Capibaribe conservou redutos ecológicos importantes para inúmeras espécies de animais silvestres. Pensar o plano paisagístico para a consolidação de um sistema de parque em seu entorno, exigiu, primordialmente, um estudo aprofundado sobre a fauna e flora de todo seu percurso, desde a sua nascente até o desague aqui no Recife. Entre as premissas de desenvolvimento do projeto, está a manutenção das características da flora do habitat para garantir que ela continue servindo de abrigo e fonte de alimento para a fauna local. Exatamente por isso, todas as soluções arquitetônicas do Parque Capibaribe tem como foco central reduzir impactos e respeitar a  dinâmica do ambiente natural, priorizando a arborização.

“A partir do entendimento do ambiente e do que se tinha enquanto cobertura vegetal, a gente começou a criar o projeto. Fizemos uma lista de espécies nativas, seguindo os critérios e diretrizes do Plano Urbanístico de Recuperação Ambiental (PURA) do Rio Capibaribe. Um dos objetivos principais foi aproximar a população local da flora nativa e garantir abrigo para a população avifauna”, explica a paisagista Maiara Mota, que atua no INCITI/UFPE.

A manutenção da flora nativa possibilita maior presença da avifauna, gerando mais sustentabilidade e conexão biológica no meio ambiente. (Foto: Silvino Pinto)

Segunda Maiara, as expedições pelo Capibaribe mostraram a incidência maior de plantas exóticas (de outros países), uma dinâmica muito comum no Brasil.  Nesse contexto, a equipe de pesquisadores da INCITI/UFPE pensou estratégias de estimular uma flora diversificada, “dentro de um conjunto de áreas verdes conectadas entre si de forma a proporcionar não apenas alimentação e refúgio, mas também a possibilidade de deslocamento de forma segura”, afirma.

Em termos qualitativos e quantitativos, os estudos mostraram que a diversidade de espécies da flora no Capibaribe não se compara ao comportamento de outros ecossistemas de Mata Atlântica, mas tem sua importância para a manutenção de uma condição ambiental mínima para a fauna nativa. O manguezal do Capibaribe, por exemplo, está presente desde a foz, no bairro de Santo Antônio, até a Várzea e sofre influência direta da movimentação das marés, funcionando como um berçário para populações abundantes de fauna e flora, que encontram condições favoráveis à sua reprodução. A conservação da vegetação nativa torna o ambiente autossustentável e independente.

Possibilitar maior aproximação das pessoas com as riquezas naturais do Capibaribe é um dos principais objetivos do Plano Paisagístico do Parque Capibaribe. (Foto: INCITI/UFPE)

No tocante à diversidade, o projeto Paisagístico do Parque está bem ancorado por uma pesquisa que concentra uma lista de espécies nativas de árvores, arbustos e herbáceas. Até a conclusão do projeto, a vegetação será incrementada com exemplares extintos como o Pau Brasil e a Ingá Caixão. Também está prevista a introdução de espécies exuberantes como a Sapucainha. “Nosso principal objetivo foi desenvolver um projeto paisagístico que vá além do embelezamento. O legado do Parque vai além da questão ecológica. Estamos propondo para as próximas gerações uma aproximação com a vegetação nativa do nosso país e a perpetuação desse ambiente”, pontua Maiara, e conclui:

“É mais saúde e vida para o Capibaribe e para as gerações futuras”.

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Plano Urbanístico Ambiental é mais um legado do Parque Capibaribe

por Lenne Ferreira

“Sustentabilidade é um processo através do qual as comunidades presentes e futuras florescem harmoniosamente”. A premissa extraída da Rede de Desenvolvimento Urbano Sustentável da América Latina e Caribe – REDEUS-LAC serviu de base para a construção do PURA – Plano Urbanístico de Recuperação Ambiental do Rio Capibaribe. O documento desenvolvido pela equipe transdisciplinar da INCITI/UFPE e que se encontra em fase de formatação para divulgação, apresenta a síntese dos produtos resultantes do convênio técnico entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Prefeitura do Recife para a implantação do projeto Parque Capibaribe. As diretrizes para a construção de um sistema de parques integrados em torno do Capibaribe também fazem parte desse compilado que apresenta uma diversidade de conhecimentos que visa incitar, junto a diversos setores da sociedade, novos conhecimentos capazes de transformar a relação do recifense com a cidade.

Pesquisa com crianças no Jardim do Baobá. Foto: Rodrigo Édipo

O PURA foi formulado pelo corpo de pesquisadores da INCITI/UFPE com base em um estudo aprofundado dos aspectos urbanos e ambientais da bacia hidrográfica. Engenheiros, arquitetos, biólogos, urbanistas, jornalistas, economistas e ainda profissionais de áreas como Serviço Social, Pedagogia, Psicologia e Direito participaram da construção do documento, que poderá servir de referência para gestões futuras. Inicialmente, a equipe de pesquisadores da INCITI buscou entender o território e como a cidade se comporta ao longo do Rio Capibaribe, tanto o ambiente construído quanto o natural. Foram realizadas várias pesquisas, experimentações e conversas com as pessoas que moram e andam nessas áreas para poder entender as diversas camadas que compõem o tecido urbano e ambiental. “A partir desse estudo de campo, foram traçadas diretrizes que ajudaram a nortear os produtos do Parque Capibaribe, mas também vão servir para apoiar quaisquer projetos que sejam pensados na área”, explica a arquiteta e urbanista Raquel Meneses, coordenadora de projetos do Parque.

“O papel do arquiteto e urbanista é mais de facilitador do que de projetista. Transformar em projeto o que as pessoas que vivem no lugar precisam” (Raquel Meneses)

As pesquisas de desenvolvimento do projeto Parque, iniciado em 2014, foram utilizadas para a construção do PURA, que se baseia nos dados e nas informações colhidas em excursões, capacitações, estudos sobre fauna, flora e vitalidade do rio,  identificação das áreas com maior densidade, ativações e ações educativas. Um processo que em sua natureza metodológica quebra paradigmas em relação aos planos urbanos tradicionais, ao retirar a ênfase no produto final e focando no processo como produto. A partir de um olhar de baixo para cima, baseado nas premissas do Urbanismo Emergente, foi possível melhor identificar soluções que tinham como sustentação as potencialidades dos grupos envolvidos no território. Como foi o caso do Workshop Internacional de Prototipagem Urbana (WIPU), que envolveu pesquisadores locais e internacionais, instituições de ensino, órgão dos poderes público e privado, comerciantes informais e estudantes no desenvolvimento de um desenho urbano que experimentasse soluções a médio e curto prazo para diversos dilemas espaciais e sociais.

“…para atuar na cidade de forma bem-sucedida, entendemos que não é mais possível conceber um grande projeto fechado a ser implementado ao longo do tempo baseado somente na concepção dos planejadores. Já sabemos, por diversas experiências passadas, que muitos projetos ambiciosos fracassam por engessarem as condições de mudanças, por não responderem às demandas dinâmicas da cidade e da sociedade” (Trecho retirado do PURA).

Vanessa Reis, arquiteta e urbanista, mestra em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, que também atua no INCITI, realizou algumas expedições para fazer a leitura da paisagem construída na perspectiva de retomar o Capibaribe como protagonista da estruturação paisagística urbana. “O Rio Capibaribe foi um elemento estruturador desde o início da ocupação do Recife, que é uma cidade aquacêntrica (centrada nas águas) e nos valores das águas. Com o advento do carro e da ocupação territorial, as águas foram esquecidas como alternativa para mobilidade. O Parque Capibaribe partiu da necessidade de se olhar para este rio como desenvolvedor do espaço construído da cidade e da relação das pessoas com ele e o PURA contém o registro de todo esse processo”, observa Vanessa.

O Plano tem como diretrizes prioritárias a ampliação da oferta dos espaços verdes públicos, recuperação e fortalecimento do corredor ecológico do Rio Capibaribe, a criação dos corredores ambientais conectando os espaços verdes, ampliando a diversidade e promovendo a abundância de espécies nativas. Ao todo, 30 quilômetros (15 de cada margem do rio) foram observados para a construção de uma estratégia de trabalho que apresentasse um olhar mais delicado para a fauna e a flora, além do compromisso em realizar – através de workshops, pesquisas e consultas públicas – processos colaborativos para a consolidação de um projeto que tem impacto na vida de quem vive a/na cidade.

Raquel Meneses, coordenadora de projeto do Parque Capibaribe. Foto: INCITI/UFPE

“As pessoas foram importantes em várias camadas desse processo. Uma fonte ímpar para conhecer cada lugar. Para entender os lugares, só ouvindo as pessoas que vivem lá. São elas que sabem e são elas que vão usar. O papel do arquiteto e urbanista é mais de facilitador do que de projetista. Transformar em projeto no que as pessoas que vivem naquele lugar precisam. Pesquisa, experimentos e observação são formas de absorver esse conhecimento que elas já tem”, pontua a urbanista Raquel Meneses. Outra participação importante da população diz respeito à vigilância da aplicação das diretrizes do PURA. Só conhecendo a cidade é possível cobrar melhorias para a infraestrutura sem desrespeitar o meio ambiente. Apesar de ser um documento técnico, quando concluído, o PURA ficará disponível para consulta pública.

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Mediadores de leitura levarão “Ribe do Capibaribe” para bibliotecas públicas do Recife

Apresentar a temática do meio ambiente, da fauna e da flora do Recife, através de elementos e narrativas lúdicas. Essa é a ideia da metodologia “Ribe do Capibaribe”, que será aplicada em um projeto piloto, em bibliotecas públicas e comunitárias do Recife, ao longo do primeiro semestre de 2019. A proposta, desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, surgiu na perspectiva de mudar a forma de as pessoas pensarem e vivenciarem o Rio Capibaribe.

O primeiro ciclo de formação de arte educadores aconteceu entre os dias 04 e 06 de fevereiro, nos Compaz Ariano Suassuna e Eduardo Campos, com orientação do consultor pedagógico do Ribe, Gabriel Santana. Estiveram presentes profissionais que atuam nas Secretarias municipais de Segurança Urbana, de Meio Ambiente e de Educação, representando, respectivamente, as bibliotecas públicas da Rede pela Paz (dos Compaz, de Casa Amarela e de Afogados), dos Econúcleos e do Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores.

Formação foi com Gabriel Santana, consultor pedagógico. Foto: Maíra Brandão

Os encontros permearam conversas sobre a importância da leitura e da literatura, exercícios de escrita criativa, trocas de conhecimentos e de estratégias de mediação de leitura. Como parte do último dia de atividades, os participantes foram convidados a proporem dinâmicas de estímulo ao hábito de ler e de trabalhar com a publicação infantil “Ribe do Capibaribe”, a partir dos seus conhecimentos e métodos.

O resultado foi muito rico. Surgiram propostas variadas para se trabalhar com crianças e jovens, como contação de histórias, teatro de mamulengo, criação de cordel, rap e personagens a partir de material reciclado, vivências nas margens do rio e/ou nos ambientes naturais próximos às bibliotecas e desenvolvimento de jogo da memória.

Trocas e dinâmicas ao longo dos encontros. Foto: Maíra Brandão

Método – Além das bibliotecas e equipamentos públicos do Recife, ao longo do primeiro semestre o método “Ribe do Capibaribe” também será experimentado junto às oito bibliotecas da Releituras, Rede de Bibliotecas Comunitárias das cidades do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes,  experimentado em 12 bibliotecas públicas e comunitárias da Região Metropolitana do Recife. A proposta é de que o método possa ser aplicado ao longo do primeiro semestre, de forma experimental, e a partir do retorno dos mediadores de leitura sobre a experiência em cada bairro, pretende-se aperfeiçoar o Ribe e desenvolver a segunda edição da publicação.

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Diversão e aprendizado no lançamento do Ribe do Capibaribe

Sonhar, planejar, realizar e celebrar. Foi seguindo esse ciclo da metodologia Dragon Dreaming, que o Ribe do Capibaribe – publicação infantil com histórias em quadrinhos e atividades – foi lançado, no Jardim do Baobá, no dia 02 de fevereiro de 2019. Para comemorar a estreia do livro, desenvolvido como ferramenta de educação ambiental do projeto Parque Capibaribe, foi preparada uma tarde inteira de atividades, no espaço público situado às margens do rio, no bairro da Jaqueira.

O lançamento teve direito a mediação de leitura com Gabriel Santana, consultor pedagógico do Ribe, que apresentou os personagens às crianças, contou histórias e convidou-as a respirar fundo e sentir o lugar onde estavam.

Respira fundo e pula! Foto: Rafa Medeiros

Rolou também espaço pra pintar, escrever e desenhar, jogo da memória, esquete teatral com a Turma Mangue e Tal e ainda bate-papo com o autor do livro, Allan Chaves, momento que deixou todo mundo boquiaberto. Crianças de variadas idades participaram ativamente da conversa, quiseram saber sobre todo o processo de criação. Surgiram perguntas sobre como surgiu o Ribe, como é desenhar uma história em quadrinho, como o autor imaginou cada história, quem ajudou, e ainda deram conselhos e chamaram atenção para os cuidados necessários com o meio ambiente. “Eu vou tirar como exemplo o garoto que estava aqui, que de repente tava falando sobre o que aconteceu em Mariana e Brumadinho (Minas Gerais). E eu fiquei pensando como a criança conseguiu fazer a conexão do cuidado ambiental com um desastre que ele viu no jornal. Se o Ribe fizer isso repetidas vezes, ele terá cumprido a sua missão. Quero mais é que a gente consiga!”, disse Allan.

Depois da conversa, ainda teve fila pro autógrafo. Ao todo, 300 exemplares foram distribuídos para todo mundo que compareceu ao Jardim do Baobá nesse dia.

A tarde foi toda de muita animação, mas na hora da caça ao tesouro virou um rebuliço só. GRITOOOOOO. Não é só eufemismo, as crianças foram à loucura mesmo. Aliás, não sabemos ainda se foi mais intenso para os pequenos ou para os tios que supervisionaram a atividade, que acabaram ficando com a língua de fora de tanto correr de um lado pro outro junto com cada equipe. Mas a diversão foi garantida!

A equipe laranja matou todas as charadas e achou o tesouro. Foto: Rafa Medeiros

Para Circe Monteiro, coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE, a publicação se firma como oportunidade de estimular as crianças a descobrirem e valorizarem a fauna e a flora do Recife, de uma forma divertida. “O Ribe vai ser uma ponte pra gente acumular uma série de vivências das crianças. A gente tá fazendo um projeto (Parque Capibaribe) que tem uma dimensão de 20 anos. Então as crianças que estão hoje com 5, 10 anos, são os adultos que estarão vivendo nesse parque. A dimensão de fazer esse trabalho desde já, pequenininho, de respeito, de sustentabilidade, de uma pegada mais leve na terra, de trazer a discussão de como contribuir e respeitar a fauna e a flora, é muito importante. E também é um livro, mas que está atrelado a um projeto de cidade e um projeto urbano. É um diferencial”, reflete a pesquisadora.

Ao longo do primeiro semestre de 2019, a ferramenta e a metodologia Ribe do Capibaribe viverão um período de experimentação, com distribuição e aplicação junto a escolas e bibliotecas públicas, espaços à beira do Rio Capibaribe.

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Ribe do Capibaribe: a origem

Você já conhece o Ribe do Capibaribe? O Ribe é uma publicação infantil, de autoria do ilustrador Allan Chaves, com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos – que vivem no principal curso d’água do Recife – se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. Criado como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe do Capibaribe vai além de uma mera publicação. Pretende estabelecer-se também como método de educação ambiental, divertido, capaz de sensibilizar crianças, jovens e adultos sobre o Rio Capibaribe, o desenvolvimento da cidade, os bens naturais, a sustentabilidade e a cultura.

Mas como surgiu tudo isso?, você pode nos perguntar. O Ribe apareceu no projeto Parque Capibaribe pela primeira vez em 2014. Na época, a ideia era ter um mascote que interagia com o público nas redes sociais, em tirinhas de quadrinhos, com uma estética de mangá (os quadrinhos japoneses). O que motivou o surgimento desse personagem foi a necessidade de criar meios para aproximar as pessoas do rio, dos produtos, projetos e pesquisas do Parque Capibaribe, a fim de ajudar na transformação da forma de pensar o rio e a cidade.

Aquela ideia de tirinhas de 2014 foi ganhando corpo e transformou-se em histórias em quadrinhos e atividades para brincar com as crianças. “Quando a ideia dele deixar de ser um personagenzinho que aparecia esporadicamente nas redes sociais do Parque Capibaribe pra ser um personagem maior – que apareceria em eventos, mais quadrinhos – e seria um “rosto” pro Parque, mudei pouca coisa. Ele passou a ser mais colorido, e pra manter a ideia de um personagem caricato, divertido, ele ficou laranja, e não o “marrom normal” da capivara”, conta Allan Chaves.

A primeira versão do Ribe tinha traços de mangá.

Aos poucos, os outros personagens da turma foram sendo criados, como conta a coordenadora de Pesquisa e Inovação do INCITI/UFPE*, Circe Monteiro. “A gente fez uma oficina pra criar as personalidades dos animais. A gente criava uma situação e cada um respondia com aquela persona. Saiu que o Sá (caranguejo-uçá) era o inteligente, o cérebro da turma; o Ribe e a Piba, capivaras desbravadoras, alegres, que gostam de estar junto de todo mundo e são muito afetuosas; o Tio Biu, um jacaré que já era mais velho, que tinha um conhecimento histórico das coisas e do rio; a Gringa, a garça era histérica, de fora”, lembra Circe.

Visitas ao rio também fizeram parte do processo criativo de Allan Chaves junto à equipe de comunicação do Parque Capibaribe. “Pra termos mais conteúdo, fizemos algumas incursões pelo rio, por barco, do Recife Antigo até a Várzea. Graças a isso adicionamos mais personagens além das capivaras, jacaré, garça e caranguejos (algumas que só foram incluídas em one shots, outros que estão guardados pra ideias futuras). Como a fauna é muito rica, paramos pra observar tudo, e disso vieram muitas ideias, muitas piadas e muitos roteiros”, conta Allan.

Pergunta recorrente na expedição: “é bicho ou lixo? “. Dessa vez era bicho, um jacaré. Foto: Manuela Salazar

Passado algum tempo, em 2016 a equipe de Comunicação do projeto Parque Capibaribe decidiu que o Ribe merecia chegar em mais pessoas. Começou então todo o processo de planejamento para lançar essa criatura e seus amigos para o mundo. Com o apoio de Flora Noberto, jornalista e facilitadora da metodologia Dragon Dreaming, os objetivos foram desenvolvidos, as etapas criadas e distribuídas entre a equipe.

Dentre as fases pensadas, uma das principais foi redesenhar o Ribe e seus amigos. A ideia era que os bichinhos se parecessem mais com os animais reais, para que as crianças tivessem mais facilidade de associação, nesse trabalho de visibilidade e valorização da fauna local. O cenário onde se passavam as histórias também ganhou novos contornos, passando a mostrar referências naturais e construções históricas do Recife, como comenta o autor: “Nessa mudança, apesar de ter esse pé no traço “realista”, como toda boa obra de ficção, tínhamos nosso pezinho na imaginação, pra que pudéssemos pôr ele limpando o rio, algumas vezes agindo como humano ou sonhando em andar de bicicleta”.

Projeto na mão, ilustrações, brincadeiras e roteiros aprovados começamos a buscar parceiros que topassem aperfeiçoar e entrar nessa empreitada conosco. “Depois veio um aprofundamento com pedagogos nos ensinando como levar a história, as palavras, para as crianças. Como as crianças poderiam melhor captar, e a ideia de transformar isso em uma brincadeira, uma diversão. A melhor coisa pra aprender é diversão”, diz Circe.

Foi aí que em 2018 a Companhia Editora de Pernambuco (CEPE) resolveu embarcar no sonho com a gente. Com o livro em mãos, o Ribe do Capibaribe vai pras ruas, pras mãos de crianças, educadores, para escolas e bibliotecas. Tímido, Allan ainda reflete sobre o impacto de sua obra sobre o Recife: “Eu não sei bem o que sentir, é uma sensação estranha, mas muito boa, nunca pensei sobre isso parar em bibliotecas, escolas, livrarias e ser algo ligado ao ambiental ou educativos. É tudo novo pra mim, eu tenho orgulho de cada página, cada história, cada atividade”.

Olhando assim, parece até que foi um longo processo. Mas esperamos que esse seja só o começo de muitas outras aventuras e formato para o Ribe do Capibaribe.

Se quiser conhecer o Ribe do Capibaribe, o livro já está disponível para download na área de publicações do nosso site. Para conferir: bit.ly/publicacoesparque.

* O INCITI/UFPE é um grupo de pesquisa que, em parceria com a Prefeitura do Recife, desenvolve o projeto Parque Capibaribe.

 

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Ribe do Capibaribe convida crianças e jovens para aprender sobre o ambiente natural do Recife

História em quadrinhos e ferramenta de educação ambiental desenvolvida como parte do projeto Parque Capibaribe, o Ribe será lançado neste sábado (02), no Jardim do Baobá

Uma oportunidade única de vivenciar o rio Capibaribe, ao mesmo tempo em que se brinca e aprende sobre o rio e os animais que nele vivem. Assim será o próximo sábado (02), no Jardim do Baobá, quando será lançado o Ribe do Capibaribe, publicação com histórias em quadrinhos e atividades, tendo como personagem principal uma simpática capivara, o Ribe, que junto com seus amigos, que vivem no principal curso d’água do Recife, se aventuram pela cidade e aprendem sobre os cuidados com a natureza. O projeto partiu da ideia de criar uma ferramenta de educação ambiental, lúdica, que ensinasse crianças e jovens sobre o rio, sua flora e fauna.

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Aniversário do Jardim do Baobá será comemorado neste domingo (16)

Programação especial inclui sessões de meditação, Feira Livre do Poço, contação de histórias para crianças, instalação temporária de um café itinerante e food truck

O Jardim do Baobá, ponto de partida do projeto Parque Capibaribe, comemora dois anos neste domingo (16), com a ampliação de seu espaço e uma série de atividades gratuitas. A Prefeitura do Recife vai agregar mais 780m² de área verde ao equipamento, localizado no bairro da Graças. A ação é o resultado de negociações entre a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA) com proprietários de imóvel próximo ao logradouro. A data também será festejada, a partir das 9h, com uma programação especial, que inclui meditação, Feira Livre do Poço, contação de histórias para crianças, instalação temporária de um café itinerante e food truck de bebidas e alimentos.

Quer saber como chegar ao Jardim do Baobá de ônibus? Confira aqui as dicas que preparamos para você.

“Esse é mais um passo dentro do processo de implantação do Parque Capibaribe. No novo trecho, além das pessoas poderem aproveitar o local para seu lazer e convivência com a natureza, vamos disponibilizar atrativos temporários, como um café e food truck, para incentivar ainda mais o uso desse espaço tão especial às margens do rio”, afirmou o secretário da SDSMA, Bruno Schwambach. Ainda de acordo com ele, a prefeitura tem avançado nas negociações junto aos proprietários de imóveis situados entre o Jardim do Baobá e a Ponte da Torre, com vista a integrar essa área verde com a Via Parque das Graças.

Com o acréscimo de espaço, o Jardim do Baobá passa a somar 3.000 m² de área verde. A nova extensão do equipamento foi conquistada com o recuo do muro do antigo bufê Vila Ponte D’Uchôa. Agora, o trecho próximo à margem do Rio Capibaribe fica livre para a população, permitindo diversos usos, como piqueniques, leituras, contemplação do rio e brincadeiras entre crianças. O novo trecho será entregue às 9h, abrindo as festividades do dia. O ambiente também ganhou um relógio solar criado por estudantes do Instituto de Ensino Superior da Paraíba, a partir de troncos de árvores erradicadas ou que caíram na cidade.

Afora o novo ambiente, quem for ao Jardim do Baobá pela manhã poderá conferir artesanato, comidas típicas, literatura, plantas e muita música que será levada pela Feira Livre do Poço. Às 10h e às 16h, tem atividade especial para criançada: contação de história com os arte-educadores da SDSMA. Para as pessoas que desejam fazer uma pausa na agitação do dia-a-dia e se reconectar com a natureza, a pedida é participar da prática de meditação, marcada para 11h.

Já pela tarde, começa a funcionar uma nova atração no local: uma cafeteria itinerante instalada em um ônibus. O empreendimento, que se propõe a difusão da cultura e do consumo de cafés especiais, promete intensificar a visitação ao Baobá, durante os próximos seis meses, tempo em que permanecerá no local.

Parque Capibaribe – O Jardim do Baobá faz parte do Parque Capibaribe, um projeto que desenha a capital pernambucana para se tornar uma cidade-parque até 2037, quando completa 500 anos. A iniciativa, desenvolvida pela Prefeitura do Recife em parceria com a UFPE, por meio do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, visa promover uma grande mudança urbana a partir da criação de um parque às margens do Rio Capibaribe, formado por passeios, ciclovias, área de lazer e contemplação, passarelas, mirantes, alamedas e píeres para pequenas embarcações.

O projeto abrange uma extensão de 30 quilômetros e contempla as duas bordas do curso d’água. Com isso, o rio – que ao longo dos anos se tornou um obstáculo físico para o Recife – vai recuperar seu perfil agregador, com vias para transporte não motorizado, a consolidação dos corredores verdes e a articulação dos equipamentos públicos em 42 bairros, além de melhorar a ligação entre as áreas da cidade.

Progressivamente, o Parque Capibaribe vai aumentar sua área de abrangência, incorporando os grandes maciços verdes (Mata da Guabiraba, Parque dos Manguezais, Dois Irmãos, etc.) e ligando os parques construídos (Jaqueira, Santana, Caiara etc.). Novas ruas e alamedas verdes também vão surgir, e tudo isso resultará na ampliação do verde, saindo dos atuais 1,2 m² de área verde por habitante para 12 m², na área de abrangência do projeto, que equivale a 500 metros a partir das margens do rio.

Confira a programação
9h – Inauguração da nova etapa do Parque Capibaribe
9h às 22h – Feira Livre do Poço
10h e 16h – Contação de Histórias
11h – Sessão de meditação
15h – Café itinerante
16h às 20h – Food truck de alimentos e bebidas

Serviço
O quê: Comemoração dos dois anos do Jardim do Baobá com festa e ampliação do espaço
Quando: Neste domingo (16), a partir das 9h
Onde: No Jardim do Baobá, localizado entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, por trás da antiga estação Ponte D’Uchoa

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No bairro da Jaqueira, Parque Capibaribe promove a integração com o rio

O projeto Parque Capibaribe é um sistema de parque integrados, que prevê a conexão com os espaços públicos de lazer situados ao longo das margens do rio Capibaribe, no Recife. Desenvolvido através de um convênio inovador entre a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife (SDSMA) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por meio do INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades.

O Parque Capibaribe no bairro da Jaqueira surge com um grande desafio de proporcionar a integração do Rio Capibaribe a um dos parques mais movimentados da cidade, o Parque da Jaqueira. Este será o primeiro trecho do projeto que aborda uma via de grande fluxo da cidade, a Avenida Rui Barbosa, e se conecta à um espaço de lazer em pleno funcionamento.

Para a área está sendo pensado o redesenho do perfil da Avenida Rui Barbosa, garantindo a segurança dos ciclistas e proporcionando calçadas mais largas para os pedestres, ao longo de seu percurso. Além de complementar o passeio público, unindo duas áreas de vitalidade urbana, o trecho Jaqueira-Baobá também proporcionará a criação de novos espaços de lazer e contemplação próximos ao Capibaribe, a exemplo de uma arquibancada, com rampa de acessibilidade, que será instalada na margem do rio.

Na calçada do Parque da Jaqueira, está em execução o projeto de requalificação de calçadas da URB, que foi compatibilizado com o projeto Parque Capibaribe, a fim de melhorar o passeio na área. As calçadas estão sendo ampliadas e contarão com canteiros para vegetação arbustiva e árvores, delimitando o passeio e expandindo o verde do Parque da Jaqueira para a Rui Barbosa. A intervenção pretende fortalecer a relação entre a Jaqueira e o rio Capibaribe, privilegiando um caminhar mais agradável e acessível, tanto para quem está no parque como para as pessoas que circulam diariamente pela área.

Futuramente, a calçada que margeia o rio será ampliada e receberá mais arborização, a fim de garantir a segurança e conforto para a circulação de pedestres e ciclistas, em área segregada dos veículos. O projeto para a área também prevê o nivelamento da rua com as calçadas do Parque da Jaqueira e da margem do Capibaribe, a fim de conectar essas duas áreas públicas e melhorar a acessibilidade na região.

A proposta é deslocar a parada de ônibus, deixando-a mais próxima do Parque da Jaqueira, a fim de facilitar o acesso dos usuários à área. Para que a parada dos ônibus não interfira na livre circulação dos veículos pela Avenida Rui Barbosa, está sendo projetada um recuo na via, exclusivo para o transporte público.

Próximo à parada de ônibus também será instalado um píer, com acessibilidade universal, que irá permitir a contemplação do rio e a atracação de pequenas embarcações. Na margem do rio, em frente ao Parque da Jaqueira, está sendo projetada uma arquibancada, que irá aproximar os pedestres do Capibaribe, possibilitando a vista do rio e do pôr do sol. Nesta área, o nível mais próximo ao rio terá um deck, que fará as vezes de mirante e poderá receber pequenas apresentações.

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Arte em muro transforma paisagem do Jardim do Baobá

Por Shirley Pacheco

Quem visitou o Jardim do Baobá no início da manhã desta sexta-feira (20), observou que o muro do local começou a ganhar mais vida através da arte. Promovido pela Prefeitura do Recife, por intermédio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (SDSMA), o evento mistura criatividade e natureza por meio da pintura de animais e árvores temáticas do Parque Capibaribe, projeto que busca reconectar às pessoas ao Rio Capibaribe. A ação será concluída em três dias e tem o objetivo de deixar o local mais agradável para o público.

Desenvolvida e ilustrada pelo pintor Allan Chaves, as artes ilustram capivaras, árvores pertencentes ao Rio Capibaribe e espécies de animais que sobrevoam a área. O secretário Executivo de Projetos Especiais da SDSMA, Romero Pereira, ressaltou a importância da atividade. “Queremos transformar os muros pichados através das artes. O projeto tem duas etapas, a primeira de pintura e a segunda de plantação de trepadeira, espécie que cresce pelos muros, visando misturar arte e vegetação”, comentou.

Às margens do rio das Capivaras, o Jardim do Baobá é o ponto de partida do projeto Parque Capibaribe, que prevê um sistema de parques integrados na margem do rio Capibaribe, no Recife, totalizando 30km de transformações nas bordas do principal curso d’água da cidade. A iniciativa, que irá conectar espaços e efetivar uma forma mais fácil e segura de se deslocar pela cidade, para pedestres e ciclistas, é o ponto de partida para que o Recife se torne uma Cidade-Parque até 2037, quando o município comemora 500 anos.

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É preciso aprender a falar com estranhos

Por Maíra Brandão

É preciso aprender a falar com estranhos, já diria a minha querida amiga cearense, Fernanda Meireles. O que podemos ganhar trocando palavras com quem não se conhece? Andar a pé pela cidade, a esmo, também tem dessas. E quando a gente está imerso em um cenário pintado de espanto e assombro – pelos fatos reais e situações imaginadas – caminhar pode ser um ato de resistência. Assuma o risco.

Outro dia eu precisava resolver algumas coisas nos arredores da Dantas Barreto (um alô pra quem tem intimidade com o centrão do Recife!) e saí à pé do Bairro do Recife pra lá. É bem pertinho, coisa de 10 minutos. Já era fim de tarde, o trânsito começava a dar seus sinais, amontoando carros e seus condutores sob a Ponte Maurício de Nassau (aquela que conecta a Av. Marquês de Olinda com o vuco-vuco da Guararapes). Eis que no meio da travessia, me deparei com uma cena dessas que se eu não tivesse visto, não teria acreditado: uma garça plainando, voando bem baixinho, rente aos carros.

Embasbacada, puxei pro lugar o queixo que quase se arrastava pelo chão e saquei o celular o mais rápido que pude para tentar filmar aquele momento. Fui atravessando a ponte, no meio dos veículos, procurando o melhor ângulo para fazer uns cliques, quando me dei conta de que aquele vôo tão baixinho, a ponto de alguém esticar o braço e fazer cócegas na ave, não era à toa. Um pescador lançava a rede ao rio Capibaribe e quando a recolhia, já separava algum aperitivo para a garça.

Encostei no guarda corpo e puxei conversa com João que, de cima da ponte, se dedicava a projetar e puxar a rede. Aquele que agora é pescador foi, durante boa parte da vida, caminhoneiro. Por conta de um acidente na estrada, passou a ter complicações na perna direita. Os médicos recomendaram amputar, mas ele não aceitou. Puxa de cá, ajeita de lá, enxerta acolá… ficou João com a sua perna e uma coleção de complicações.

“Eu tinha medo”, me disse. Medo de ficar sem a perna, medo de não saber como sobreviver sem o seu ofício de motorista, medo de ser rejeitado. E fiquei pensando a quantas coisas a gente se apega na vida, por medo: um relacionamento, um emprego, um conceito, um objeto. E como, muitas vezes, sequer nos damos a chance de saber o que vem depois do pânico, da ansiedade, da apreensão. Ao fim e ao cabo, tá tudo dentro da cabeça da gente, e aí, pense num compartimento complexo para se desvelar.

Por 11 anos, João viveu entre idas e vindas ao hospital, adotando procedimentos que aliviassem o sofrimento pelo constante inchaço da perna. Até o dia em que ele cansou. E decidiu se desfazer daquilo que deveria ser ser seu alicerce, mas por mais de uma década lhe dificultou a sustentação. Há seis anos decidiu retomar a atividade aprendida na infância com o pai e pesca nos arredores do Capibaribe, no entorno dos bairros do Recife e de Santo Antônio. E diz que é feliz: “A vida só não tá boa pra quem morre. A vida se acaba. Pra quem tá vivo, tá bom demais”.

Esbanjando saúde, João se diz satisfeito pelas novas conquistas. Do rio, tira o sustento, o alimento e essa amizade improvável. Todos os dias, a garça se chega junto de João para um momento de camaradagem em torno da refeição. Todos os dias, João apanha peixes e, como quem se engraça pra um bicho de estimação, convoca Chiquinho – nome que resolveu dar à ave, ainda que não tenha certeza se é macho ou fêmea – para saborear o que o rio dá. E quem temeu tanto o que tinha perder, conquistou o que nem poderia vislumbrar. Hoje tem para si o rio, a pesca e ainda alimenta um ser que sabe voar.

Respeite o seu tempo. Quando achar que é a hora, assuma o risco e se desfaça do que não lhe serve mais. Coisas boas acontecem de onde a gente menos espera.