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Como resgatar a relação da cidade com os ambientes naturais: Projeto Parque Capibaribe

Artigo de Rafaella dos Santos Cavalcanti, Leonardo César de Oliveira Melo e Circe Maria Gama Monteiro

ANO
2015

RESUMO
Projetar cidade hoje, requer, como prerrogativas, o uso de conceitos sustentáveis na estruturação do espaço urbano, a fim de que ele seja socialmente inclusivo, ambientalmente equilibrado e economicamente viável. Todos esses aspectos devem traduzir-se em ações urgentes face ao cenário ambiental difícil, dado às alterações climáticas. A cidade do Recife – NE do Brasil, nasceu e se desenvolveu em meio as águas. Com o passar do tempo a paisagem do Rio Capibaribe sofreu modificações resultantes do distanciamento das pessoas com o rio e seus sistemas naturais associados. O Projeto Parque Capibaribe, se utilizando de uma prática transdisciplinar, tem como objetivo conceber um plano de resgate ambiental e de articulação urbanística do território do Rio Capibaribe. Para isso, foi montada uma equipe de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Estudos de estrutura da paisagem, diagnóstico de vegetação e de fauna, foram realizados. Do mesmo modo em que estudos de fragilidade e de visibilidade. Como resultado, constatou-se que apesar de todas as intervenções antrópicas sofridas ao longo do tempo, o Rio Capibaribe mostra-se biologicamente vivo e diversamente bem representado em termos faunísticos. A flora, embora miscigênica, desempenha importante papel na manutenção da fauna residente e, quando das análises de fragilidade vegetal e visibilidade, estas mostraram-se como ferramentas robustas e fundamentais para as etapas de concepção projetual, sendo capazes de guiar todo um importante conjunto de proposições que, quando colocadas em prática, promoverão o resgate das relações do homem com rio e reestabelecimento, ao menos parcial das condições ambientais.

PALAVRAS-CHAVE: Ambientes naturais. Projeto Urbano. Parque Capibaribe

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A importância da relação entre os cidadãos e a paisagem urbana

Por Luiz Vieira |Publicado originalmente em Rede Gestão

Recife é uma cidade com paisagens diversas em que as águas predominam e refletem a sua rica história, bem como o respectivo impacto ambiental do crescimento urbano desordenado. A relação do cidadão com a paisagem urbana diversificada é fundamental para o fortalecimento da identidade com os lugares afetivos e o respectivo empoderamento dessas paisagens na imagem e memória da cidade. O rio Capibaribe sempre exerceu, notadamente até o final do século XIX, função estruturadora na morfologia desse território, quando a cidade se voltava para as águas pela navegação, pesca e paisagem. O início do século XX registra o declínio desta relação com o rio Capibaribe que passa a ser pano de fundo, ou fundo de quintais de edificações que outrora se voltavam para desfrutá-lo como área de lazer ou para utilizá-lo como via de transporte.

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Parque Capibaribe como Sistema de Drenagem e Tratamento das Águas no Recife – PE

Artigo de Anna Karina Borges de Alencar e Werther Lima Ferraz de Sá

Resumo

As águas e áreas alagáveis foram os primeiros elementos naturais enfrentados para conquistar o espaço urbano na cidade do Recife. Ao longo de seu processo de urbanização
os riachos urbanos do Recife vêm sendo gradativamente transformados em canais de drenagem, o que “favorece” seu uso em destino para dejetos urbanos (esgoto e lixo). Diante deste quadro, o projeto do “Parque Capibaribe”, partindo de uma abordagem transdisciplinar, realizou uma pesquisa qualitativa sobre os padrões de tratamento urbanístico dado aos riachos urbanos que formam a bacia do Capibaribe no Recife, buscando repensar o modo como os recifenses veêm e vivem a relação com suas águas. O levantamento e análise dos riachos demonstra o conceito ainda dominante que promoveu a retificação e impermeabilização de quase todos os riachos com prejuízos evidentes para a qualidade de vida na cidade. De forma a elaborar uma alternativa mais adequada e inovadora na maneira de tratar as águas urbanas, se buscou construir uma visão sistêmica das questões de drenagem e tratamento das águas nesta cidade. A investigação priorizou alternativas tecnológicas de manejo das águas que apontam para recuperação ambiental destes ecossistemas, onde ganharam destaque os processos conhecidos como wetlands.

Palavras-chaves: Parque Capibaribe; Riachos Urbanos; Drenagem e Tratamento das Águas; Wetlands; Recuperação de Rios Urbanos.

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Na fonte das Cidades, as Águas e as Pessoas

Artigo de Fabiano Diniz, Danielle Rocha, Werther Ferraz e Anna Karina Alencar.

Resumo
Da formação das cidades se apreende que os sítios onde se assentam os aglomerados humanos são modelados pelas águas, que impõem restrições e/ou oferecem possibilidades para a construção do artefato cidade. Desde seus primórdios, as comunidades urbanas estabeleceram com os cursos d’água um vínculo misto de dependência (para abastecimento d’água e escoamento de esgotos) e de receio (dos desastres provocados pelas águas que eles carregam). As cidades crescem num movimento de oposição às águas e à dinâmica dos sistemas naturais de drenagem. A ocupação de fundos de vales; os aterros; a impermeabilização do solo; a retificação e/ou revestimento de cursos d’água agravam o conflito água-urbanização. No Recife, essa relação conflituosa é patente. Fundada entre o mar e os rios, essa cidade estuarina tem sua forma em boa medida determinada pelos meandros de seus cursos d’água e suas áreas de influência. Do traçado da malha urbana às tipologias construtivas ali consolidadas, muito se depreende dos limites e possibilidades impostos pelas águas. A relação desigual da produção do espaço urbano e a consolidação de territórios em que esses conflitos imperam tomam a forma de uma cidade avessa às águas. Desde 2013, urbanistas buscam rever o trato das relações águas-cidades, empregando fundamentos contemporâneos de gestão urbana “sensível às águas”. O projeto Parque Capibaribe visa à humanização e à integração das margens desse rio com espaços verdes da cidade, redesenhando a estruturação do espaço urbano a partir de uma lógica “aquacêntrica”. Fruto de convênio entre o grupo de pesquisa INCITI e a Prefeitura da Cidade do Recife, o projeto repensa o modo como os recifenses vêem e vivem a cidade, estimulando uma construção colaborativa de espaços socialmente inclusivos. Concebendo o planejamento urbano a partir do rio Capibaribe, elemento imprescindível na estruturação e expansão do Recife e intimamente ligado à sua história, exige-se uma mudança de mentalidade da população e dos gestores públicos em relação às águas. O caso da elaboração de um projeto de mobilidade à beira-rio no bairro das Graças ilustra essa pretensão, através da transformação dos paradigmas de produção e da natureza dos espaços públicos urbanos. Concebido inicialmente como um projeto viário, com quatro faixas para automóveis, a via passa a ser pensada como um parque linear humanizado, que põe o Capibaribe em evidência. O trabalho investiga como, baseado na ideia de transformação a partir das pessoas, os atores envolvidos lançam as bases das mudanças nesse espaço urbano à beira-rio.

Palavras-chave:
Águas e cidades; espaços públicos; gestão territorial urbana; atores sociais e participação; morfologia urbana.

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