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No Recife, hackathon pela mobilidade premia projeto de deslocamento pelos rios

Por Maíra Brandão

Se você mora em uma cidade onde passa um rio, certamente já considerou como seria usá-lo como meio pra se deslocar. E havendo essa possibilidade, já pensou poder usar o celular pra chamar o barco mais próximo pra ir trabalhar ou estudar? Pois essa foi a ideia do projeto vencedor do Open Mobility Hack, que aconteceu entre os dias 1º e 3 de fevereiro, no Recife. A equipe Navegue, que elaborou a proposta, contou com dois pesquisadores do INCITI: Caio Scheidegger e Nathália Machado.

A ideia da Navegue foi de direcionar os esforços para um modal que é sempre comentado e desejado pela população, mas de uma maneira mais simples de viabilizar, por meio de um aplicativo que possibilite a mobilidade através dos rios com pequenas embarcações, com administração de reserva e agendamento de horário para trajetos. “A gente sugeriu no hackathon que serviço chegasse um pouco mais à população, por meio de um aplicativo que informasse às pessoas se o barquinho estaria próximo dos pontos de embarque, tipo um Cittamobi, e assim ter mais uma opção de modal ou outra função que permita à pessoa contratar o serviço de um barquinho para levar de um lugar a outro, como um Uber”, explica Nathália.

O projeto desenvolvido por eles, ao mesmo tempo em que promove a mobilidade fluvial, incentiva a sustentabilidade da população ribeirinha do Capibaribe, como comenta Caio Scheidegger. “Desde o início da implantação do Parque Capibaribe foi possível perceber um aumento na demanda. Conversamos com Davi (barqueiro do rio Capibaribe), que afirmou a nossa impressão, de que várias pessoas estão oferecendo esse serviço”, disse Caio. “Futuramente a intenção é conectar com outros sistemas, como a bike e o busão”, complementou.

Para desenvolver o projeto, a equipe utilizou os dados abertos da Pesquisa de Origem e Destino, que desde 1997 não considera o barco como modo de deslocamento. “No último ano em que o barco entrou na pesquisa foram contados cerca de 1200 deslocamentos pelo rio. É uma realidade totalmente invisibilizada e a gente espera com essa proposta poder entender melhor o rio, estimular que as pessoas olhem mais pra ele e até usem mais ele, respeitando sempre seus limites e em equilíbrio”, complementa Nathália.

Além de Caio e Nathália, a equipe Navegue foi formada por Igor Cabral, Júlio Ramos e Luís Delgado. A Navegue levou R$ 7 mil para desenvolver o projeto, além de ter uma vaga garantida no próximo Mind The Bizz, programa de incentivo ao empreendedorismo inovador do Porto Digital, CESAR e Sebrae. O segundo lugar ficou com a BuStop, uma solução que pretende facilitar a vida de cadeirantes nas paradas de ônibus, além de permitir um maior gerenciamento do tempo por parte do condutor – que receberá a solicitação no painel do veículo e poderá planejar a parada e a preparação do elevador de acesso para os usuários de cadeira de roda.

O Open Mobility Hack foi realizado pelo Porto Digital e pelo Consulado Britânico – por meio do Foreign & Commonwealth Office (FCO) via Department for International Trade (DIT) e Great Britain and Northern Ireland -, e contou com apoio da Prefeitura do Recife.

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