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Uso do Jardim do Baobá é tema de reflexão

Espaços públicos trazem a possibilidade de múltiplas trocas e vivências. E o Jardim do Baobá, marco inicial do Parque Capibaribe, situado no bairro das Graças, não foge à regra. Desde que o espaço começou a ser utilizado, ainda em 2016, muitos têm sido os elogios a respeito do ambiente, que abriu uma nova janela para fruição do rio Capibaribe, em meio à cidade. Mas também alguns conflitos vão surgindo quanto ao uso e manutenção do mesmo.
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Parque Capibaribe propõe soluções alternativas para drenagem e tratamento das águas no Recife

Estudos apontam para a recuperação ambiental dos cursos d´água

Todo mundo já passou por situações de alagamento no Recife, ao menor sinal de chuva. Quando a maré está cheia, o transtorno é ainda pior. Muitas são as condições que provocam enchentes na capital pernambucana. Mas e as respostas para a resolução do problema, onde encontrar? O problema é complexo, mas há soluções possíveis. A questão foi detalhada pela arquiteta e urbanista Anna Karina Alencar, pós-doutoranda em Planejamento Urbano, que apresentou o painel “Parque Capibaribe como sistema de drenagem e tratamento das águas no Recife”, nesta sexta-feira (19), no 9º Encontro Internacional das Águas, realizado na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

Além de um projeto de transformação do espaço urbano, o Parque Capibaribe também traz em seu escopo soluções de recuperação ambiental. Um dos aspectos considerados na elaboração do projeto, desenvolvido através de parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, e da Universidade Federal de Pernambuco, através do grupo de pesquisa INCITI, foi a formação de uma visão sistêmica das questões de drenagem e tratamento dos riachos urbanos que formam a bacia hidrográfica do Rio Capibaribe.

Em primeiro lugar, é preciso entender a condição do Recife, cidade estuarina, ou seja, que lida em seu ambiente com a transição entre os rios e o mar, onde considerável parte das águas se movem nas duas direções sobre influência tanto das marés, como das águas pluviais. Com o processo de urbanização, muito do que era curso d’água e zona de expansão das águas durante a maré cheia, foi aterrado.

O primeiro mapa do Recife, de 1831, permite observar que o alagamento chegava aos bairros de Santo Antônio, Boa Vista e São José.

Segundo a pesquisa – que integra o Plano Urbanístico e de Resgate Ambiental do Capibaribe – PURA Capibaribe, produto que está sendo elaborado pelo INCITI, como parte do convênio do Parque Capibaribe – as ações que transformaram grandes parte dos riachos em canais de drenagem e sistema de esgoto, além de causar enorme prejuízo ao meio ambiente deu início uma série de problemas, como favorecimento de ligações de esgotos clandestinos e a ocupação irregular das margens tanto pela população de baixa renda como pela de média e alta renda.

Essa combinação, somada ao aterro das águas e ao hábito de despejar lixo nos canais piora o cenário de inundação das águas na cidade. Mas a urbanista diz que o que se deu foi o contrário: “Nós é que invadimos o espaço das águas. As faixas marginais dos rios e riachos deveriam ser preservadas como áreas naturais, por serem APP – Área de Preservação Permanente”, e complementa, “São áreas de espraiamento dos cursos d’água, onde é normal, em períodos chuvosos, receber um maior volume de água”.

De acordo com o levantamento apresentado por Anna, a maior parte dos 95 riachos, da cidade do Recife foram transformados em canais, ao longo do processo de crescimento da cidade. “Existe uma grande rede hídrica conectada ao Capibaribe, que foi se transformando em canais de drenagem e esgoto no processo de urbanização da cidade. Dentro de uma visão higienista, a canalização funcionava como sistema de drenagem, visando o rápido escoamento da jusante, o fluxo da maré baixando. Atualmente, há vários estudos que comprovam que a canalização e retificação dos cursos d’água não resolve as inundações e muitas vezes pode até agravar o problema”, explicou a pesquisadora.

Por meio do estudo, desenvolvido em parceria com o professor, engenheiro e especialista em hidrologia, Jaime Cabral, foram definidas três situações de intervenção possíveis para recuperação ambiental dos riachos que formam a bacia do rio Capibaribe na cidade do Recife. A primeira seriam intervenções urbanísticas e de tratamento paisagístico para aumentar a permeabilidade nos riachos já canalizados, como é o caso do Riacho do Parnamirim. A segunda seria a preservação de trechos não-canalizados, como riachos naturalizados, que poderia ser aplicada nos Riachos Camaragibe e Don-don. A outra opção seria praticada em áreas públicas livres, próximas aos cursos d’água, com a construção de wetlands, sistemas de tratamento das águas ao longo de riachos como o do Buriti, que desagua no açude de Apipucos. A concepção deste tipo de tecnologia pode ser vista como a aplicação de alguns princípios de renaturalização ou recuperação dos riachos urbanos, onde se realiza o manejo de plantas aquáticas específicas, associado com processos de filtragem.

Para que os tratamentos sejam bem sucedidos, Anna Alencar defendeu ainda o envolvimento das pessoas em ações de sensibilização e educação ambiental. “Pesquiso a questão dos desenhos urbanos sensíveis às águas e sei que, se a população não estiver envolvida, não vai dar certo”, afirmou.

Revitalização – Durante o Encontro Internacional de Águas Urbanas uma outra mesa chamou atenção para as soluções apresentadas pelo projeto Parque Capibaribe. Foi a conferência “Riachos urbanos do Recife: massacrados no século XX. Mas será que podemos revitalizá-los no século XXI?”, apresentada pelo professor da pós graduação em Engenharia Civil na UFPE e especialista em drenagem urbana, Jaime Cabral.

Segundo o engenheiro, a pesquisa recupera importantes funções dos riachos, que foram deixadas de lado com o passar do tempo. “Quando você estuda o rio, percebe que ele é multidisciplinar e tem muitos outros aspectos a serem pensados: a qualidade da água, a redução da temperatura, a biota do rio, a função social… então vimos que era necessário extrapolar os conceitos de hidráulica e hidrologia e ver diversos outros aspectos importantes para manter um rio de boa qualidade”, discorreu o professor.

Os olhares se voltaram, então, para os afluentes, atualizando as noções de uso dos riachos. Foi a partir daí que se estabeleceu o conceito de infiltração, adotado pelo projeto Parque Capibaribe. A ideia é que, tanto ruas como riachos possibilitem a ampliação e conexão das áreas verdes, a partir da margem do rio Capibaribe, para o resto da cidade, como corredores ecológicos. “Além de melhorias ambientais, com essa valorização das infiltrações o rio deixa de ser uma barreira e torna-se uma possibilidade de conexão entre os bairros”, explica Anna Alencar.

Jaime ressaltou ainda que, por meio do Jardim do Baobá – primeiro trecho implantado do Parque Capibaribe – o projeto já está contribuindo para reduzir a visão negativa da população com relação às águas fluviais da cidade. “O Jardim está reaproximando a população das águas. As pessoas conhecem o rio e já têm um olhar diferenciado para ele, a partir desse espaço. A iniciativa do Parque de promover a revalorização do rio já está dando certo”, afirmou Jaime.

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Jardim do Baobá ganha iluminação especial

Espaço às margens do Capibaribe recebe 23 postes com lâmpadas de LED e melhorias no canteiro central

Diante do sucesso do Jardim do Baobá em seus primeiros sete meses de funcionamento, a Prefeitura do Recife iniciou obras complementares para estimular ainda mais a utilização do equipamento. Primeiro trecho implantado do Projeto Parque Capibaribe, o espaço público municipal, localizado nas Graças, às margens do rio, vai receber 23 postes de iluminação com lâmpadas de LED, mais econômicas.

Durante as obras, a população poderá frequentar o espaço normalmente. A intervenção no Jardim do Baobá inclui ainda a instalação de piso de concreto intertravado no passeio central. “A nova iluminação é adequada aos usos do espaço. Já o concreto intertravado favorece a absorção da água de chuva”, esclarece o secretário-executivo de Projetos Especiais da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, Romero Pereira. A previsão para conclusão das obras é de cerca de 40 dias.

O Jardim tem 2.200 m² e foi entregue à população no dia 11 de setembro de 2016. Conta com uma mesa de uso coletivo de 10,5 metros de comprimento para piqueniques e jogos, além de três balanços-escultura de 6 metros de altura que comportam crianças e adultos. Ocupa a margem do Rio Capibaribe entre as Ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, próximo à antiga estação Ponte D’Uchoa.

O espaço público fica no entorno de um baobá, que faz parte da lista das 54 árvores e palmeiras tombadas do Recife. O exemplar de espécie africana tem 15 metros de altura e teve preservado o solo natural em seu entorno. Com 700 metros quadrados de gramado e um píer flutuante, o jardim segue as diretrizes do Projeto Parque Capibaribe, que prevê intervenções ao longo de 30 quilômetros de margens (15 km de cada lado) até 2037.

Iniciado em 2013, pela Prefeitura do Recife, o projeto é fruto de um convênio entre a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente e um grupo interdisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A execução dos serviços é financiada por um mecanismo de compensação ambiental denominado Projeto de Revitalização de Áreas Verdes (Prav). O valor inicial do projeto é de R$ 800 mil, estando custos dessa etapa da obra incluídos nesse montante.

Ficha da obra:
23 novos postes com lâmpadas LED, mais econômicas
100 metros é a extensão do passeio central
4,20 metros é a largura
480 metros quadrados é a área aproximada a ser revestida com piso intertravado de concreto

Fonte: Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente da Prefeitura do Recife

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Últimos dias para visitar a exposição #MeuCantoNaCidade

Quem ainda não conferiu as imagens reunidas na mostra fotográfica #MeuCantoNaCidade, tem até esta sexta-feira (5) para ver 30 fotografias que mostram lugares e situações especiais para os moradores da Região Metropolitana do Recife. A exposição, realizada pelo INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, grupo de pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com o projeto #DaJaneladoMeuOnibus, está em cartaz desde o dia 8 de fevereiro, na sede do INCITI/UFPE, que fica na Rua do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife. A entrada é franca

A exposição surgiu como desdobramento da campanha #MeuCantoNaCidade, que convidou o público a fotografar aquilo que o encanta no espaço urbano. Durante mais de um mês, mais de 400 imagens participaram da chamada, postando no Instagram imagens que revelaram narrativas, afetos e paisagens dos lugares por onde passaram.

Para a exposição, as imagens selecionadas foram montadas em caixas de luz que centralizam a atenção do espectador e iluminam o objeto fotografado, possibilitando ainda que o público interaja com a obra. O projeto expográfico, concebido por Alex Campello e Amanda Florêncio, ambos pesquisadores do INCITI, buscou protagonizar o papel da luz em torno das fotografias, além de respeitar o espaço versátil do grupo de pesquisa da UFPE, que sempre recebe debates, reuniões e eventos. “Procuramos envolver as imagens de uma maneira que permitisse que as pessoas manuseassem as fotografias, uma forma de expressar carinho pela cidade, pelo objeto fotografado, por meio do contato físico. Você traz o objeto para si”, conta Alex.

Morador das Graças, Vital Carvalho, 58 anos, teve duas imagens selecionadas para a exposição e ficou contente com o resultado. “Achei ótima essa forma de a gente mostrar o amor que temos pela cidade, de registrar patrimônios que fazem parte da nossa história e o que temos de belo, até em lugares inusitados”, falou. Já Natália Regina, moradora da Macaxeira, 24 anos, teve uma foto integrando a mostra e conversava instigada sobre o sentido coletivo desses olhares sobre a cidade. “O que é meu, não é nosso, é egoísta. O meu canto na cidade na verdade é o nosso canto na cidade, o que juntos cultivamos. Hoje foi muito interessante perceber essa energia que estamos colocando pra lutar por um futuro melhor pra todos”, disse.

A diretora do INCITI, Circe Monteiro, explica o que motivou a realização da iniciativa. “Temos esse desafio e oportunidade de coordenarmos um projeto de transformação da cidade, que é o Parque Capibaribe. Você não muda a cidade com um projeto se você não mudar o olhar das pessoas para a cidade. Então essa campanha mostrou pra gente a água, o rio, o mar, são elementos que estão no coração das pessoas, que fazem parte da vida da cidade. Nossa esperança é que cada vez mais os espaços públicos que estamos construindo possam criar outros cantos na cidade, onde a gente possa encontrar, beleza, descanso e satisfação”, considerou, satisfeita, a gestora. Para a designer Bela Faria, responsável pelo Dajaneladomeuonibus, o projeto #MeuCantoNaCidade foi muito bem sucedido. “As imagens são incríveis. A gente consegue ver essa afetividade que as pessoas têm com cada canto, o que é especial para si”, falou.

A exposição #MeuCantoNaCidade pode ser visitada até sexta-feira, das 14h às 20h. A entrada é franca. Para mais informações: (81) 3037-6689.

Serviço:
Mostra fotográfica #MeuCantoNaCidade
Onde: INCITI/UFPE, R. do Bom Jesus, 191, Bairro do Recife
Quando: até sexta-feira, 5 de maio
Horário: 14h às 20h
Acesso livre
Informações: (81) 3037-6689.