Monthly archives of “setembro 2016

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A Cidade Que Precisamos tem: Identidade Singular

Diagnósticos:

O processo de reprodução das cidades tem resultado na destruição da memória urbana e desvalorização das memórias coletivas. A construção do “novo” tem destruído a história e destituído as pessoas de seus lugares, estabelecendo fronteiras entre esses dois atores. Na maior parte das cidades brasileiras, predomina a cultura de um desenho urbano pasteurizado incapaz de reconhecer laços afetivos, singularidades e características identitárias das pessoas e dos lugares. As políticas de habitação vigentes desconsideram as formas de culturas tradicionais de morar e construir. Elas reproduzem apenas tecnologias de construção hegemônicas e insustentáveis, assim como modos de vida massificados.

De natureza excludente, ela é apoiada e referendada pelas instituições de formação técnica profissional que, via de regra, respondem apenas ao setor empresarial. São cidades produzidas exclusivamente sob a lógica mercantilista que resultam no esvaziamento dos espaços públicos, produzem espaços hostis e cidades sem alma. Os espaços públicos são alienados, padronizados, segregadores, hostis e inibem a convivência, a solidariedade e o sentimento de pertencimento.

Há também um processo crescente de privatização do espaço urbano que inclui o loteamento do espaço das ondas eletromagnéticas, responsáveis por boa parte das comunicações no âmbito da cidade. Não existe um plano urbanístico para o espaço eletromagnético e estudos sobre o impacto da detenção do espaço  por esses sujeitos alheios às cidades.

Inexistem quaisquer movimentos para a discussão do papel das comunicações sem fio de acesso indistinto voltado para a vida das cidades. Há também a falta de espaço urbano comunicacional autônomo e independente e, em contrapartida, redes monopolizadas e mercantis de comunicação dominam o mercado, subjugando a população a seus protocolos.

A cultura é diminuída a produto meramente comerciável e, como decorrência, os programas de cultura centralizados, desconhecem as especificidades locais e geram dificuldades no acesso às ações culturais, bem como aos mecanismos de financiamento da cultura.

Inexistem, tanto nos espaços formais de aprendizagem dos segmentos estaduais, municipais e /ou privados, quaisquer programas ou redes de discussões sobre cultura, em termos genéricos.

Recomendações:

A partir de uma identidade regional, autônoma e progressista, é necessário o do-in antropológico, ou seja: fortalecer cada rede, cada comunidade, cada conexão que se ocupe em incentivar e contribuir com o processo de afirmação da cultura popular comunitária e digital a partir da troca de saberes dos pontos de cultura e grupos comunitários. Empreender esforço para a criação de canais de comunicações abertos e livres.

Conectar ferramentas e plataformas de trabalhos livres de modo a atuar na formação multimídia destes pontos, incentivar a produção horizontalizada e de baixo pra cima e investir na divulgação de suas produções em acervos culturais digitais, a exemplo de rádios comunitárias, rádio web, portais como http://www.iteia.org.br,http://www.nacaocultural.org.br, http://www.youtube.com.br, http://www.corais.org, redes sociais, blogs e TVs públicas.

Promover programas de capacitação técnica dos agentes públicos para facilitar o acesso e a gestão de recursos na cultura, a fim de potencializar a cultura na raiz da sua criação.

Criar espaços físicos e políticos para experimentação e expressão livre, com grau zero de formalização e codificação do espaço publico (terreiros de matriz africana, quermesses e toré), public space for all.

Possibilitar o uso e ocupação do solo de forma a permitir o imprevisível, o aberto e o inesperado, bem como trazer à tona o sentido de pertencimento e a consequente apropriação dos territórios pelas comunidades.

Aproximar a academia, a gestão pública, os coletivos e movimentos das realidades locais com o intuito de  reunir os saberes entre esses segmentos.

Valorizar as memórias coletivas, proteger e promover o patrimônio local a partir de uma gestão compartilhada.

Incluir a cultura como um vetor do desenvolvimento sustentável e norteador de concepção e gestão de políticas públicas.

Criar programas profissionalizantes para jovens baseados nas culturas locais sob a perspectiva do desenvolvimento sustentável.

Valorizar a cultura e a história de modo conjugado com o meio ambiente – espaços verdes e espaços de amenidades e encontros, ambientes generosos nas cidades.

Elaboração de código de ética para que fornecedores e desenvolvedores de tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) para “Cidades Inteligentes”, sejam signatários.

Implantação do formato “Solução Pactuada” em relação a dados e informações capturados e retidos por dispositivos eletrônicos.

Contratos públicos deverão ser abertos e transparentes, principalmente quando relacionados à instância pública de comunicação digital para cidades.

Garantir apoio para desenvolvimento de tecnologia de redes colaborativas e p2p, apoio e fomento para a construção de soluções em software livre e garantias de liberdade para construir suas soluções próprias e específicas para troca de informações em casos particulares e em âmbito comunitário.

Apoiar o desenvolvimento de tecnologias tradicionais e de baixa tecnologia que sejam capazes de mitigar o impacto das mazelas industriais, bem como a inovação tecnológica com base no conhecimento tradicional.

Conhecer, respeitar e dialogar com as especificidades das realidades locais e suas estruturas sociais no momento de implantação de tecnologias ou soluções digitais para a cidade.

Fomento à constituição de redes autônomas de comunicação, Rádio e TV, telefonia e de troca de dados, no âmbito das cidades, de forma a aumentar a independência da lógica mercantil e do poder.

Profunda atenção no processo de digitalização do Rádio e da Televisão, de modo a reservar o espaço necessário para a inovação, criatividade e senso de comunidade, através da salvaguarda de espaço no espectro eletromagnético para comunicações fora do âmbito dos governos ou corporações.

Estudo aprofundado sobre as consequências da apropriação privada de um bem público e comum (espectro eletromagnético), de modo a congregar atores da sociedade civil, movimentos culturais, habitantes desfavorecidos e agentes urbanos em um plano de utilização do espaço comunicacional sem fio.

Ação imediata pela regulamentação da norma da tripartição do uso do espectro eletromagnético, com a garantia de espaço publico, não licenciada e independente, de acordo com as necessidade urbanas e seus agentes sociais.

Fomento para a constituição de instâncias consultivas e decisórias no âmbito das comunicações urbanas sem fio, para que a utilização do espaço não seja restrita a interesses financeiros ou político-partidários.

Até a semana da Habitat III, conferência da ONU sobre moradia e desenvolvimento urbano sustentável, o blog do INCITI apresentará os diagnósticos e recomendações dos nove fundamentos criados a partir dos debates e discussões realizadas durante o evento para a Nova Agenda Urbana.

*Texto publicado originalmente na página do UTC Recife, evento coordenado pelo INCITI que ocorreu em novembro de 2015 e reuniu diversos pensadores urbanos engajados em transformar cidades.

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Pesquisa sobre Relação das pessoas com o Capibaribe

O INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades, grupo multidisciplinar da Universidade Federal de Pernambuco, lança estudo sobre a relação das pessoas com o rio Capibaribe, na cidade do Recife, com um questionário virtual. A pesquisa é direcionada para moradores do Recife, a partir de 18 anos. O questionário está disponível no link bit.ly/riocapibaribe. O tempo necessário para responder às questões é de menos de 10 minutos. As respostas serão tratadas confidencialmente e usadas apenas para fins de pesquisas. Não há respostas certas ou erradas.

Recife tem sido palco de um movimento de crescente interesse pelo seu principal rio. Diante disto, o INCITI/ UFPE busca compreender a estrutura psicológica da relação entre as pessoas e o rio Capibaribe. Com os resultados da pesquisa, poderão ser traçados perfis de relacionamentos entre as pessoas e o Capibaribe. Este conhecimento será mais um passo dado na compreensão do vínculo entre os moradores do Recife e o meio ambiente.

O formulário estará aberto para coletar respostas até as 23h59 do dia 23 de setembro.

INCITI – O INCITI – Pesquisa e Inovação para as Cidades é uma rede de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que tem como objetivo incitar, junto a diversos setores da sociedade, novos conhecimentos capazes de transformar a vida nas cidades. O grupo busca inovar em pesquisas e projetos de desenvolvimento urbano, social e tecnológico. Empenhada na criação de soluções inovadoras para a cidade, a equipe INCITI/UFPE reúne pesquisadores nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Paisagismo, Sociologia, Psicologia, Tecnologia da Informação, Recursos Hídricos, Mobilidade e Transporte, Economia Urbana, Políticas Públicas, Comunicação, Melhoria Vegetal, Botânica, Biologia, Gestão Ambiental, Direito, Engenharias e Estatística, entre outras.

O INCITI conta com a colaboração de laboratórios de pesquisas internacionais: Sustentabilidade Urbana da Oxford Brookes University, Desenho Urbano da University of Westminster, Sintaxe Espacial da University College of London, Sistemas de Paisagem da UPC da Espanha, Centro para Tecnologia e Sociedade – Technische Universität de Berlim e Centro de Arquitetura de Amsterdam – Arcam, nos Países Baixos.

Link para a pesquisa:bit.ly/riocapibaribe.

 

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Cruzando o Recife no domingo: um rolê de bike

Por Fillipe Vilar

11 de setembro de 2016. Sair pelo Recife de bicicleta e colar em um evento massa, o segundo Domingo no Baobá, de graça, do outro lado da cidade. Era esse o objetivo. Este relato será em primeira pessoa porque não há melhor maneira de contá-lo do que esta. Poderia inventar aqui um narrador distanciado, no entanto estou te convidando para sentir a aventura comigo. Porque foi isso aí, uma aventura. Moro na Zona Sul do Recife, no bairro do Ipsep, e a ideia de sair de bike até o Jardim do Baobá, no bairro das Graças, na Zona Oeste, me pareceu uma boa. Nunca tinha feito isso na vida, ir para tão longe de bicicleta. Mas só se aprende fazendo. Já sabia de antemão que poderia ser arriscado, cansativo, mas é isso que é a vida, não é? Fora que as proximidades, bairro da Torre, Casa Amarela, etc, não conheço direito. Em uma parte do caminho teria que apelar para o quem tem boca chega em – evitando o cacófato do ‘vaia’ – Roma.

Preparativos: sempre uso mochila, mas para andar de bicicleta preferi não carregar peso nas costas, porque poderia fazer diferença mais para frente. Além do mais que moro no terceiro andar de um prédio sem elevador e teria que carregar a bicicleta lá para cima depois de todo o passeio. Uma dor nas costas atrapalharia muito nisso, então seria melhor evitar ao máximo esse tipo de esforço. Aproveitei a cestinha da bike e coloquei tudo o que achei que fosse precisar dentro de uma sacola plástica. Separei cartão de passagem – caso necessário -, documento, uns trocados, uma cadernetinha para anotações, dois pacotes de biscoito recheado, um squeeze de 500 ml com água, meu celular e uma caneta. Enrolei tudo dentro da sacola e estava feita a bagagem.

10h da manhã, minha casa. Tracei a rota de ida no Google, mas como não teria internet pelo caminho, tirei vários prints do mapa para guardar no celular. Seriam 37 minutos, 11 Km exatos. Na minha cabeça, dei uma ‘margem de erro da vida real’: estimei chegar em uma hora, e pedalar cerca de 15 Km. Mas o Google Maps poderia estar certo e era essa a minha esperança. Se estivesse, acabaria repetindo a experiência com mais frequência. Depois do café da manhã, peguei o rumo. Saí pela Rua Jean Emile Favre em direção à Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira e foi aí que cometi o primeiro vacilo de principiante: segui pela faixa de transporte público. Porém era domingo, não tinha muito movimento, me confiei nisso. Acabaria tendo consequências mais tarde, quando cheguei no bairro de Afogados e parti pela Estrada dos Remédios.

Parte da rota traçada por mim no Google Maps

Parte da rota traçada por mim no Google Maps

Um ônibus me cortou e eu perdi o equilíbrio, acabei me estabanando na calçada, apoiando o peso na mão direita – e ficando com uma dorzinha leve no polegar até o momento em que redijo este texto -, além de alguns arranhões pelo braço direito e pernas. Normal. Adrenalina, um pouco de vergonha na hora. Um outro ciclista ofereceu ajuda mas, como eu me senti constrangido, me recompus e continuei pedalando, desta vez em direção ao bairro da Torre, pela Avenida Visconde de Albuquerque, seguindo pela Rua José Bonifácio até chegar no Carrefour da Torre, de lá pegar a Rua João Tude de Melo, a Av. Parnamirim e, por fim, a Rui Barbosa até o Jardim do Baobá. Mas não foi bem assim que aconteceu.

Alguns arranhões por conta da queda. Foto: Fillipe Vilar

Alguns arranhões por conta da queda.
Foto: Fillipe Vilar

Acabei circulando demais e fui parar em Casa Amarela. Não me perguntem como. Voltei pela ciclofaixa de domingo e, enfim, encontrei o parque da Jaqueira. Descansei um pouco por lá para depois, finalmente, chegar ao destino. E valeu a pena. Não conhecia o local antes da reforma, mas estava com bancos, um gramado confortável. Cheguei por lá por volta do meio-dia, uma horaa mais do que minha previsão mais pessimista, mas isso se deve muito, também, à falta de habilidade do ciclista em questão. Apesar de em muitos poucos momentos me sentir realmente seguro para pedalar pelas ruas, seja pela falta de paciência de motoristas, seja por obstáculos na pista, como buracos e pequenos gelos baianos deslocados. Assim que cheguei no Jardim encontrei o pessoal do INCITI e outros conhecidos. Estacionei a bicicleta e fiquei circulando por lá, vendo as pessoas, sentindo o movimento e as atividades. Tava rolando slackline, umas tendinhas de venda de artesanato e comida, um fotógrafo lambe-lambe em frente ao baobá.

Teve lambe-lambe no Jardim do Baobá.

Teve lambe-lambe no Jardim do Baobá.

Os grandes balanços de madeira e metal não paravam de se mexer, as pessoas se divertindo. Tinha de tudo: criança brincando, gente gravando vídeo, fazendo piquenique, fazendo social, fazendo campanha eleitoral. Isso até chegar a chuva – que já tinha caído na madrugada do sábado – e voltar a molhar aquele pedaço de manguezal. Rolou uma dispersão por um tempo, mas em frente ao baobá a terra amoleceu e as crianças começaram a brincar e sujar os pés. Perguntadas sobre qual era a sensação de pisar na lama, elas retrucaram: “parece sorvete de chocolate, é geladinho!”. Filei um pouco de cada comida que o pessoal levou para o parque e aproveitei o momento para dar uma relaxada.

Chuva proporcionou experiência sensorial para as crianças.

Chuva proporcionou experiência sensorial para as crianças.

Veja mais fotos do segundo Domingo no Baobá.

Quando desci o pier de plástico que levava até o Rio Capibaribe, estava lá um barqueiro chamado Seu Davi, que cobrava 10 reais para levar quem quisesse até a ponte da Torre. Troquei uma ideia com ele, que me contou que a cerca de dois quilômetros de lá, descendo o rio em direção à Rua Amélia, haveria outro baobá. Seu Davi foi só elogios para o projeto, já que era uma oportunidade de fazer uma grana com os passeios de barco.

Seu Davi conduzindo um pessoal rio abaixo. Foto: Fillipe Vilar

Seu Davi conduzindo um pessoal rio abaixo.
Foto: Fillipe Vilar

A chuva passou e aos poucos as pessoas foram enchendo de novo o Jardim. A agenda de atividades marcadas para o dia continuou. Na hora em que a meditação começou, por volta das 15h30, resolvi pegar o rumo de volta para casa. Medo de pegar a rua à noite, em algum lugar muito distante.

Estava sem internet e tracei o caminho de volta na minha cabeça: o mesmo de ida. Mais tarde, em casa, descobriria que isso fora um grande vacilo. Acabei alternando demais entre mão e contramão, por receio de me perder, principalmente quando cheguei na altura da Madalena, San Martin, até o bairro de Afogados. Sem necessidade, porque poderia ter ido da Rui Barbosa em direção à Real da Torre, fazendo um caminho bem mais curto. Na Estrada dos Remédios, novamente, outra surpresa: um fio de alta tensão caído na pista, bem dentro de uma grande poça de água. As pessoas na rua avisando os transeuntes, aos gritos.

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Uns garotos tentando pegar, dando pedradas nos fios, um papagaio que estava enrolado na rede elétrica. O mais insólito comum de sempre. Nessa parte da cidade não tem ciclofaixa e é preciso mais atenção para circular. Desviei da confusão e segui em frente. Percebi que o movimento de carros estava bem maior do que pela manhã e acabei pegando muitas calçadas para evitar as ruas com mais tráfego. Isso me fez pedalar mais, fora um problema mecânico nas coroas das marchas da bike, que acabou me atrasando alguns minutos já no bairro da Imbiribeira, mas ali já estava praticamente do lado de casa. Resolvida esta bronca, foi tranquilo chegar.

Às 18h, em ponto, estava em casa. Exausto, machucado, um pouco sujo de lama. Tomei um banho demorado, sentido os arranhões ficarem ardidos com o toque da água do chuveiro. Comi alguma coisa que enchesse muito a barriga e deitei na cama, de onde não mais levantei pelo resto do domingo. Foi tudo o que imaginei no começo: arriscado, cansativo. Porém, divertido. Satisfatório.

Depois do passeio, já na frente de casa. Foto: Fillipe Vilar

Depois do passeio, já na frente de casa.
Foto: Fillipe Vilar

O rolê no Jardim do Baobá foi ótimo e aguardo para que rolem outros, assim como torço para que outros lugares como ele também sejam ativados, mais próximos de onde moro. O Capibaribe corta a cidade inteira e tem muito lugar com potencial para isso. Talvez não precise ir tão longe para aproveitar algo assim. Ou então, com a experiência, talvez me sinta mais seguro para ir tão longe, sabendo, desta vez, tudo o que poderia enfrentar pelo caminho.

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Ciclorrota Sensitiva do Riacho do Cavouco

Por Werther Ferraz

Na última terça-feira, 6 de setembro, aconteceu a primeira vivência coletiva da investigação experimental realizada pelo INCITI/UFPE: A Ciclorrota Sensitiva do Cavouco. A atividade é o primeiro passo da experiência de sensibilização e ativação de uma das infiltrações do Parque Capibaribe, envolvendo o afluente Riacho do Cavouco, cuja nascente está localizada no Campus da UFPE. O ponto chave da investigação é a existência de uma “passagem secreta” urbana, uma travessia de barco entre os bairros da Iputinga e Casa Forte, que já existe há mais de cem anos (!) no mesmo lugar, mas que é quase invisível para a maioria das pessoas que circulam no entorno, sobretudo na margem esquerda, próximo aos bairros de Casa Forte, Poço da Panela e Monteiro.

Mesmo sendo uma passagem “quase invisível”, o fluxo de pessoas que atravessam o rio todos os dias naquele ponto, pagando um real por travessia, garantem a sobrevivência do serviço dos barqueiros, que se revezam entre familiares (pai, irmão e sobrinho) há pelo menos tres gerações. Ao investigar as possibilidades de (re)conexão da cidade com o Capibaribe, emergiu a ideia de que essa conexão “invisível” tem potencial para realizar uma “sinapse urbana”, uma solução de mobilidade criativa conectando o Campus da UFPE com alguns bairros da Zona Norte.

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A Praça de Casa Forte foi adotada, então, como ponto de referência, pois está a apenas 5km de distância do Campus da UFPE, se tomarmos um caminho passando por essa travessia de barco. Vale observar que o caminho usado pela maioria das pessoas tem cerca de 8km, enquanto esse outro equivale ao perímetro do próprio Campus da UFPE (dar uma volta ao redor de todo o Campus).

No entanto, como este é um caminho “transversal”, que está fora do mapa mental da maioria das pessoas, dificilmente seria usada como rota cotidiana pelos usuários de bicicleta desta região da cidade. A ideia da investigação é envolver usuários de bicicleta, sobretudo os que vão ao Campus da UFPE, para experimentar esta rota e buscar conhecer sua percepção sobre o espaço urbano antes, durante e depois de realizar o percurso.

Essa investigação experimental busca entender como funciona a percepção socioespacial e as barreiras cognitivas que se formam no mapa mental das pessoas sobre os bairros e vias ao longo deste percurso. Entende-se que são as mesmas barreiras que atribuem certa invisibilidade aos bairros e localidades nesta região da margem direita do Capibaribe.

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Quem conhece o caminho para a UFPE que passa por Monsenhor Fabrício, Engenho do Meio e Bom Pastor? E quem passa a conhecer, continuará usando este caminho? O que impede ou motiva as pessoas para adotar este caminho, e integrar o Campus da UFPE como um dos espaços que compõem o Parque Capibaribe? A utilização de novas tecnologias para mapeamento e orientação urbana com dipositivos móveis é capaz de influenciar /incrementar rotas “tranversais” como essa? E se convidarmos as pessoas pra mapear e ilustrar essa rota, isso pode fazer as pessoas aderirem ao caminho?

A atividade do dia 6 de setembro foi a primeira vivência coletiva entre colaboradores do INCITI, quando foram coletadas diferentes impressões sobre a rota e sugestões para elaborar os instrumentos a serem usados na investigação experimental, a ser desenvolvida nas próximas semanas.

A experiência envolve soluções de mobilidade criativa, sensibilização ambiental e instrumentos para integração sócio espacial.

Assista ao vídeo da experiência:

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Jardim do Baobá recebe atividades neste domingo (11/09)

Evento colaborativo “Domingo no Baobá” convida população a vivenciar o Parque Capibaribe, com piquenique, atividades artísticas, esportivas e de lazer

Uma árvore centenária da espécie Baobá é o marco inicial do Parque Capibaribe. Para incentivar as pessoas a conhecer o espaço público será realizada a segunda edição do encontro colaborativo “Domingo no Baobá” neste domingo (11/09), das 9h às 17h. Assim como na edição anterior, que aconteceu em abril deste ano e mobilizou um grande público, o convite é para que as pessoas vivenciem o Jardim do Baobá, localizado nas margens do rio Capibaribe, no bairro das Graças. É uma oportunidade de sentir o prazer de estar em contato com a natureza e ocupar o espaço com piqueniques, brincadeiras para crianças, atividades artísticas e de lazer, yoga, meditação, pilates, práticas esportivas, entre outras. O Jardim do Baobá é o primeiro trecho do Parque Capibaribe, que se estenderá por 30 km até 2037. O espaço público teve suas obras iniciadas em maio deste ano e está em fase de conclusão. O acesso ao local pode ser feito pelas ruas Madre Loyola e Antônio Celso Uchôa Cavalcanti, na altura da Estação Ponte D’Uchôa.

A iniciativa do encontro colaborativo “Domingo no Baobá” é do INCITI, grupo de Pesquisa e Inovação para as Cidades, ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que vem promovendo na cidade um programa de ativações das margens do rio Capibaribe com a mobilização de pessoas, grupos, artistas, organizações não-governamentais para que realizem ações diversas. Os que quiserem propor uma atividade coletiva para a programação, precisam preencher formulário online neste link. Para partilhar as experiências, as pessoas são estimuladas a postar nas redes sociais com hashtag #JardimdoBaoba, #DomingoNoBaoba e #ParqueCapibaribe.

O projeto Parque Capibaribe proporciona a recuperação das condições ambientais naturais ao longo do rio, melhoria que já pode ser observada no Jardim do Baobá com a aproximação de capivaras, saguis, lontras e outros animais ocupando as margens do rio, neste novo refúgio ambiental. O baobá das Graças é tombado como Patrimônio do Recife desde 1988, tem 15 metros de altura, copa com 10 metros de diâmetro e tronco de cinco metros de diâmetro. O solo natural ao redor do baobá foi preservado, reduzindo a área pavimentada no local. A área total do Jardim do Baobá é de 2.200,00m², sendo 700,00m² com gramado, além de passeios e ciclovia.

Para dialogar com a grandiosidade da árvore e promover a interação entre as pessoas, três balanços duplos e uma mesa comunitária foram instalados no local. A mesa, com 10 metros de comprimento, comporta aproximadamente 30 pessoas e estimula o uso compartilhado para piqueniques e jogos de tabuleiro, por exemplo. O espaço ainda conta bancos para aproximadamente 100 pessoas e três balanços duplos para pessoas de todas as idades. Os balanços, com seis metros de altura, tem a intenção de unir pessoas, criar e fortalecer vínculos, pois comportam duas pessoas ao mesmo tempo. Assim, pais e filhos, amigos, namorados podem se divertir juntos. Um deck flutuante também é uma novidade da área, que possibilita a atração de pequenas embarcações. Conheça o projeto do Jardim do Baobá neste link http://goo.gl/Px41rW.

O Jardim do Baobá ainda terá plantio de árvores e receberá iluminação especial, pavimento, lixeiras, balizadores para área de pedestres, placas de sinalização e informativas sobre a fauna e a flora local, câmeras de segurança.

PARQUE CAPIBARIBE – O “Jardim do Baobá” é parte de um projeto maior do Parque Capibaribe, desenvolvido por meio de um convênio entre a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, e o INCITI. O projeto consiste em implantar um sistema de mobilidade não motorizada com passeios e ciclovias, além de revelar paisagens do Rio Capibaribe com áreas de estar, passarelas e píeres para pequenas embarcações. O Parque Capibaribe propõe também o plantio de árvores e o aumento do solo permeável, visando preparar a cidade para enfrentar os efeitos de mudanças climáticas. O Parque, que se estenderá por todo o percurso do Rio Capibaribe, irá articular espaços públicos existentes em uma área de influência de 42 bairros e promover transformações para que o Recife se torne uma Cidade-Parque capaz de oferecer novas oportunidades e maior qualidade de vida a seus habitantes.

SERVIÇO
Quando: Neste domingo, 11 de setembro, a partir das 9h
Onde: No Jardim do Baobá, atrás da Estação Ponte D’Uchoa e do restaurante Papa-Capim. Indo pela Avenida Rui Barbosa, entrar à direita na rua Madre Loyola ou na rua Antônio Celso Uchôa Cavalcanti.
Quanto: Entrada franca, claro!
Outras informações: https://www.facebook.com/events/1644108445919323/

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Plataforma levanta dados sobre o Recife dos Sonhos

No último sábado (03), a plataforma Cidade dos Sonhos promoveu um dia de atividades a fim de apresentar soluções e discutir o Recife desejado pelas pessoas. Para isso, foram convidados representantes de projetos culturais e urbanísticos para, juntos, conhecerem iniciativas que desenvolvem soluções para problemas da vida urbana e colaborarem com suas próprias propostas, que serão apresentadas para os candidatos que concorrem às eleições municipais deste ano.

De acordo com Gabi Vuolo, uma das coordenadoras da plataforma – que atua no Recife, em São Paulo e no Rio de Janeiro – a iniciativa surgiu do desejo de influenciar, de um jeito positivo, o período eleitoral. “Estamos fazendo o monitoramento das propostas dos candidatos, que gera o retorno pelas redes sociais e reforça o papel das pessoas na cobrança do que é prometido. A ideia é gerar dados para pressionar os candidatos”, conta.

A programação começou com um café da manhã na Horta Saudável e Sustentável de Casa Amarela. A ação, realizada por um grupo de moradores da área, implantou um espaço de cultivo em uma praça antes abandonada. Hoje, com mais de um ano de trabalho coletivo, crescem por lá hortaliças, frutas, legumes, ervas medicinais e condimentos. De lá, os participantes seguiram, de bicicleta, para o Jardim do Baobá, trecho que marca o início do projeto Parque Capibaribe e onde o mesmo foi apresentado pela diretora do INCITI, Circe Monteiro, e pela pesquisadora Sabrina Machry.

A última parada foi na sede do INCITI/UFPE, na Rua do Bom Jesus, Bairro do Recife, onde os pesquisadores Ricardo Ruiz e Werther Ferraz apresentaram o programa Cidades Sensitivas, que  e Urban Thinkers Campus Recife. Segundo o produtor cultural Jarmeson de Lima, um dos colaboradores convidados, “é sempre interessante ter esses momentos onde, com nossas vivências, podemos discutir o espaço urbano através de iniciativas que partem não só de organizações governamentais como de setores da sociedade civil”. Já Diogo Luiz, analista de sistemas, foi chamado para dar suporte técnico e acabou se interessando pela iniciativa. “É muito bom saber que existem pessoas que estão realmente preocupadas em melhorar a cidade em que a gente vive”, relatou.

A plataforma Cidade dos Sonhos é organizada por uma rede de colaboradores de todo o Brasil, que têm por interesse iniciativas que envolvam a melhoria do espaço urbano. Saiba mais sobre o projeto em https://cidadedossonhos.org.

Mais imagens do encontro em https://flic.kr/s/aHskGoXxxJ.